quarta-feira, 24 de outubro de 2007

UM BENEMÉRITO FARENSE

(casa de Domingos Guieiro em Faro.)


DOMINGOS JOAQUIM GUIEIRO (1853/ 1913)

DOMINGOS GUIEIRO foi um benemérito de Faro, que legou grande parte da sua fortuna à Misericórdia da cidade, incluindo a residência, que faz gaveto com a Praça Afonso I I I e onde funcionou o primeiro Governo Civil e posteriormente a Escola do Magistério Primário.

Portugal, nessa altura, não era um País rico do ponto de vista de disponibilidade financeira. Por isso, dei uma volta pela nossa História, para tentar apurar como se enriquecia nesse tempo. Este não é um trabalho de investigação científica mas uma vaga abordagem ao assunto, que deu nisto.

Sensivelmente por volta de 1861, tinha Domingos Joaquim oito anos, subiu ao trono em Portugal o segundo filho de D. Maria II e D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, o infante D. Luís, na sequência da morte de seu irmão mais velho, o Rei D. Pedro V

D.Luís viria a falecer no Palácio da Cidadela em Outubro de 1889 e a 28 de Dezembro seguinte, com 26 anos de idade, subiu ao trono D. Carlos que teve um reinado complicado. Pelo fim do século, Portugal não passava ainda de um País rural.

Com excepção de Lisboa e do Porto, apenas na área compreendida entre a margem Sul do Tejo e a margem norte do Sado se poderia encontrar alguma coisa vagamente parecido com uma fábrica.

Domingos Guieiro andaria na casa dos 39 anos na altura em que D. Carlos subiu ao trono, era um homem feito e certamente teria lançado já as bases do seu negócio e desenvolvido as suas fontes de rendimento.

D. Carlos era o Rei de um País dilacerado por anos e anos de má gestão, onde a corrupção, a fraude eleitoral e o caciquismo grassavam, um País onde ciclicamente era abalado por graves crises financeiras que atingiam todos os sectores, o que fazia crescer o descontentamento social

As razões do declínio de Portugal como potência mundial que havia começado no século XVI, foram estudadas pelos pensadores portugueses que concluíram estar na base desse comportamento, as seguintes crises catastróficas: as invasões francesas (1807/ 1811); a revolução liberal (1820/ 1823); a perda da sua maior colónia, o Brasil (1822) e a guerra civil entre monárquicos absolutistas e constitucionais, sobre a forma de governo que o país devia ter.

Depois deste período devastador seguiu-se o período da «Regeneração» (1851/ 1871).

Foi neste período do século XIX que, a pouco e pouco, se foi desenvolvendo em Portugal, uma classe de burgueses ricos, banqueiros e capitalistas. Essa classe social, era composta tanto por membros originários da média burguesia como representantes da pequena e até da grande nobreza tradicional, virados agora para a prática do comércio e da banca..

O seu número era, evidentemente, muito reduzido, mas foram eles, contudo, que praticamente governaram o País durante toda a centúria de Oitocentos e nos primeiros dez anos do século XX.

A princípio, o grande burguês comprava terras vendidas pelos nobres arruinados ou colocadas em hasta pública pelos governos liberais, depois da expulsão das ordens religiosas e das principais famílias miguelistas.

Talvez que um desses burgueses fosse Domingos Joaquim Guieiro, cujo nome a cidade de Faro perpetuou na rua que liga a rua Rasquinho à Praça Afonso I I I .

Bibliografia consultada: “O Poder e o Povo” de Vasco Pulido Valente
“A Primeira República Portuguesa” de A H Marques
“A Primeira Republica” de J.H.Saraiva.
“Histórias à Solta nas Ruas de Faro de Libertário Viegas.

João Brito Sousa

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