domingo, 14 de outubro de 2007

CRÓNICA DE DOMINGO

(arco da vila adentro)
Aqui no Porto, onde resido, são zero horas da manhã.

Todavia, onde eu gostava de estar hoje era na casa da minha tia MARIA DO CARMO, à laia de fim de semana, nos Braciais, aí paredes meias com a cidade de Faro dos meus encantos.

Foi Faro que efectivamente me ensinou a respeitar as instituições e as pessoas, e eu penso que aprendi. Estou grato a Faro e aos professores que me ensinaram o que era a vida e como me encaixar nela.

Se eu estivesse nos Braciais, levantar-me-ia, igualmente cedo como o faço agora, faria a minha hora matinal de marcha nos caminhos já alcatroados das hortas, ladeados de arvoredo, retornava a casa, tomaria banho e esperava pelas nove horas para tomar o pequeno almoço com a minha tia e o marido, o incansável tio Zé Maria.

Gente boa e de uma extraordinária dedicação a este sobrinho João Manuel.

Aprés, lá para as dez, iria até Faro à procura deles, dos amigos que aí mantenho, dessa malta que se manteve fiel à cidade. Já sei que na Gardy estará muito provavelmente o Engº Bernardo Estanco dos Santos e logo mais a seguir encontraria o gerente bancário Luís Cunha e o Prof. Franklim Marques, aquele de quem eu já disse, numa crónica que escrevi, considerar o melhor homem do mundo. E mantenho

O Bernardo andou comigo na Primária em MAR e GUERRA com a D.. Helena, a professora, que era a esposa do senhor Lamy, que tinha uma casa de bicicletas na rua Filipe Alistão, em frente ao Colégio dos rapazes. Portanto o Bernardo é da casa, e com ele há sempre assunto. É uma das quatro ou cinco pessoas que eu conheço que mais gente conhece no mundo. Os outros são o Zé Elias Moreno do Chelote e que estudou aí connosco na Escola Comercial e Industrial, o Nestlé, e um rapaz do Liceu do meu tempo e de lá da minha terra de nome Custódio Justino Nobre Correia. Conhecer pessoas é o forte deles. Sempre tiveram esta intuição que eu gostava de ter mas não tenho. Porque eu gosto das pessoas; perco-me com os amigos.

Depois dessa conversada com o Bernardo e o Franklim e o Luís Cunha, esse rapaz moreno que deve continuar a vestir-se e a pentear-se impecavelmente como nos tempos de aluno da Escola Comercial (era ele e o Zeca Bastos) um ou outro mais que aparecesse, o Jorge Cachaço, por exemplo, iria até à aldeia almoçar com os tios.

Voltaria à cidade para tomar café no Aliança, talvez encontrasse lá o Engº Adolfo Pinto Contreiras dos Gorjões, aluno do Liceu do meu tempo e extraordinário jogador de futebol, que nesta disciplina era possuidor de grande talento, força, visão de jogo, poder de finta e simulação, remate, tudo o Adolfo tinha, mas, sobretudo, era possuidor de um extraordinário espírito competitivo, respeito pela competição e vontade indomável de vencer.
O Adolfo certamente me saberia dar notícias do estado de saúde do Zé Maria Oliveira, pois foram contemporâneos e o Zé, ao que me constou tem estado com um problema grave de saúde.
Mas, Zé, ouve uma coisa, tu não podes ir ainda, ouviste, temos muitas serenatas para fazer, naquele estilo que o Norberto Cunha contou no “Costeleta” ..

Bon soir mon cher Adolfo, au revoir. E ia sozinho encher-me da minha cidade. Iria ate ao largo da Sé, entrando pelo Arco da Vila, onde deixava a bicicleta a motor, o meu meio de transporte dos anos sessenta, recordaria o facto com emoção, diria até, era aqui que ela ficava... uma lágrima talvez, rua do Município acima e eis o Largo. Um minuto, ou dois, ou três ou os que fossem precisos para contemplar o velho largo da Sé Mas não era tudo. O meu destino era a Escola do Magistério Primário de Faro, que frequentei em 61/63, no tempo do Director Escolar, o grande amigo e professor Luís Isidoro.

É aqui que vai começar a minha próxima crónica de domingo.

Até lá, votos de bom fim de semana do.

João Brito Sousa

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