quinta-feira, 31 de março de 2011

DÍVIDA EXTERNA PORTUGUESA


A DÍVIDA EXTERNA PORTUGUESA

Por Dr. Eugénio Rosa


Neste momento, fala-se muito da dívida externa portuguesa. No entanto, aqueles que só agora mostram tanta preocupação, durante muitos anos ignoraram essa mesma dívida, embora ela já estivesse a crescer a um ritmo muito elevado. Entre 2004 e 2009, o valor do PIB em Portugal aumentou, em valores nominais, ou seja, sem entrar com o efeito da subida de preços, 13,6%, enquanto a dívida externa liquida cresceu 78,6%. Em milhões de euros, o PIB aumentou 19.608 milhões de euros, enquanto a dívida cresceu 72.484 milhões de euros, ou seja, 3,7 vezes mais.



Como consequência, entre 2004 e 2009, a dívida externa líquida do Pais passou de 64% do PIB para 100,6% do PIB. Portanto, o crescimento elevado da dívida não é recente, e muito se refere ao período 2008-2009, tendo-se apenas acentuado com o governo de Sócrates que mostrou sempre grande incompreensão em relação às consequências do endívidamento externo. No entanto, para se conhecer o verdadeiro endívidamento do País é necessário analisar os valores da dívida Bruta Total ao estrangeiro, ou seja, do Passivo Total do País, portanto antes de se deduzir o valor do Activo do País, ou seja, daquilo que Portugal tem de haver do estrangeiro.


Em 2006, A dívida Externa Bruta atingia 402.857,4 milhões de euros, ou seja, era 3,2 vezes superior à dívida Externa Liquida que era, nessa altura, de 125.833,5 milhões de euros. E em Março de 2009, a dívida Externa Bruta tinha aumentado para 451.520,4 milhões de euros, ou seja, um valor 2,8 vezes superior ao PIB previsto para 2009.. Portanto, para se poder ter uma ideia clara e verdadeira da dimensão de endívidamento de Portugal ao estrangeiro não é suficiente conhecer apenas os valores da dívida Externa Liquida, como é normalmente feito Um facto que tem sido sistematicamente ocultado por aqueles que se dizem agora tão preocupados com o elevado endívidamento do País e pelos defensores do pensamento económico neoliberal dominante é que o crescimento elevado da dívida externa portuguesa deve-se também ao elevado controlo da economia nacional pelo capital estrangeiro. Entre 2006 e Março de 2009, foram transferidos para o estrangeiro rendimentos no valor de 71.627,9 milhões tendo a seguinte origem: 17.366,9 milhões de euros de rendimentos referentes a "investimentos directos" feitos por estrangeiros em Portugal; 27.592,8 milhões de euros relativos a "aplicações em carteira de títulos", muitos deles isentos do pagamento de imposto (de acordo com o nº2 do artº 10, do Código do IRS); e 26.668,3 milhões de euros foram rendimentos transferidos para o estrangeiro tendo como origem "outros investimentos".



Portanto, o défice da Balança Comercial (Exportações menos Importações) não é a única causa do elevado crescimento da dívida externa do País, como o pensamento neoliberal dominante pretende fazer crer. No período compreendido entre 2006 e Março de 2009, só o valor de dividendos e lucros de investimentos directos feitos por grupos económicos estrangeiros em Portugal transferidos para o exterior somaram 10.318,1 milhões de euros. Durante o mesmo período a dívida Bruta Externa Portuguesa aumentou 48.663 milhões de euros e dívida Liquida Externa cresceu 38.855,6 milhões de euros.


Fica assim claro que uma parte importante do crescimento da dívida externa portuguesa deve-se à transferência de lucros e dividendos resultantes do elevado controlo de sectores importantes da economia nacional pelo capital estrangeiro. Não deixa de ser contraditório e esclarecedor que aqueles que só agora se mostram tão preocupados com o elevado endívidamento do País não se cansam também de dizer que a solução está no aumento do investimento estrangeiro em Portugal, o que determinará um maior controlo da economia nacional pelo capital estrangeiro, o que provocará necessariamente que a transferência de lucros e dividendos para o estrangeiro cresça ainda mais, determinando um maior endívidamento do País ao estrangeiro.


Recolha de JBS

domingo, 27 de março de 2011

UMA EUROPA DIVIDIDA


UMA EUROPA NOVAMENTE DIVIDIDA

Por George Soros em jornal de negócios.



A chamada crise do euro é, geralmente, vista, exclusivamente, como uma crise cambial. Mas esta crise é também uma crise da dívida soberana – e mais do que isso é uma crise do sector bancário.

A chamada crise do euro é, geralmente, vista, exclusivamente, como uma crise cambial. Mas esta crise é também uma crise da dívida soberana – e mais do que isso é uma crise do sector bancário. A complexidade da situação gerou confusão e essa confusão tem consequências políticas. De facto, a Europa enfrenta não só uma crise económica e financeira, mas também, em resultado destas, uma crise política.


Os vários Estados-membros definiram políticas muito diferentes, que reflectem os seus pontos de vista e não os verdadeiros interesses nacionais – um choque de percepções que lançaram as sementes de um sério conflito político. A solução que a Europa se prepara para adoptar é, na verdade, ditada pela Alemanha, cujo crédito soberano é necessário para qualquer solução.


Os esforços da França para influenciar o resultado final estão limitados pela sua dependência a uma estreita aliança com a Alemanha devido aos seus "ratings" soberanos AAA. A Alemanha imputa a crise aos países que perderam competitividade e acumularam dívidas. Em consequência, a Alemanha coloca todo o peso do ajustamento sobre os países deficitários. Mas isto ignora grande parte de responsabilidade da Alemanha na actual crise monetária e bancária, e mesmo na crise da dívida soberana.


Quando o euro foi introduzido, esperava-se que gerasse convergência entre as economias da Zona Euro. Em vez disso, gerou divergência. O Banco Central Europeu (BCE) tratou as dívidas soberanas dos Estados membros como se não tivessem risco e aceitou as suas obrigações governamentais nos mesmos termos. Isto levou os bancos, que eram obrigados a deter activos sem riscos para cumprir os requisitos de liquidez, a ganhar mais alguns pontos base adquirindo dívida soberana dos países mais frágeis.


As taxas de juro baixaram nos chamados PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha) e provocaram uma bolha no sector imobiliário, numa altura em que os custos da reunificação forçaram a Alemanha a apertar o cinto. Isto causou a divergência na competitividade e uma crise bancária na Europa, que afectou os bancos alemães mais do que os outros. De facto, a Alemanha tem resgatado os países altamente endividados como forma de proteger o seu próprio sistema bancário. Por exemplo, a enorme dívida soberana da Irlanda surgiu porque as autoridades da Zona Euro, na tentativa de salvar o sistema bancário, forçaram os irlandeses a nacionalizar os seus bancos como condição para os manter à tona.


Assim, dado que os mecanismos impostos pela Alemanha protegem o sistema bancário partindo do pressuposto que a dívida soberana pendente é sagrada, os países devedores devem assumir todo o peso do ajustamento. Esta situação faz lembrar a crise internacional do sector bancário de 1982, quando o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional emprestaram aos países devedores dinheiro suficiente para cobrirem as suas dívidas até que os bancos pudessem reunir reservas suficientes para trocar as suas dívidas incobráveis por títulos Brady em 1989.


Isso significou uma "década perdida" para as economias da América Latina. De facto, os planos actuais penalizam os países deficitários ainda mais do que nos anos 80, porque estes vão ter que pagar prémios de risco consideráveis após 2013. Há algo de incongruente em resgatar o sistema bancário uma vez mais e depois "condenar" os detentores de dívida soberana após 2013 através da introdução de cláusulas de acção colectiva.


Além disso, os requisitos de competitividade exigidos pela Alemanha vão ser impostos a países que não estão em igualdade de circunstâncias, o que deixa os países deficitários numa situação insustentável, que poderá mesmo arrastar a Espanha, que no início da crise do euro tinha um rácio da dívida mais baixo do que da Alemanha. Em resultado, a União Europeia irá sofrer algo pior do que uma década perdida; terá que suportar uma divergência crónica, em que os países excedentários avançam e os países deficitários são arrastados pelo peso da dívida acumulada.


A Alemanha está a ser pressionada para impor estes mecanismos. Mas a opinião pública alemã está confusa porque não lhe foi dita toda a verdade. Como as regras fixadas no final de Março criam uma Europa a duas velocidades, é provável que gerem ressentimentos que podem colocar em risco a coesão política da União Europeia. São necessárias duas mudanças importantes. Em primeiro lugar, o Fundo Europeu de Estabilização Financeira deve servir para resgatar o sistema bancário e também os Estados-membros.


Isto permitirá reestruturar a dívida soberana sem precipitar uma crise do sistema bancário. Apesar desta tarefa adicional, a dimensão do pacote de resgate pode permanecer igual porque qualquer montante utilizado para recapitalizar ou liquidar os bancos reduzirá o montante que os governos necessitam. Colocar o sistema bancário sob a supervisão europeia, em vez de o deixar nas mãos das autoridades nacionais, seria uma melhoria importante que ajudaria a restabelecer a confiança.


E teria o mérito adicional de informar a opinião pública alemã dos verdadeiros propósitos da operação de resgate.


Em segundo lugar, para criar condições de igualdade teriam que ser eliminados os prémios de risco dos custos de crédito para os países que cumpram as normas. Isto poderia ser possível através da conversão da maioria da sua dívida soberana em Eurobonds. Cada país teria, então, que emitir as suas próprias obrigações com cláusulas de acção colectiva e só pagaria o prémio de risco sobre os montantes que excedem o limite da dívida pública (60% do produto interno bruto) definido pelo Tratado de Maastricht.


O primeiro passo deveria e poderia ser tomado imediatamente; o segundo terá que esperar. A opinião pública alemã está longe de o aceitar. No entanto, é claramente necessário para restabelecer as condições de igualdade na Europa. A União Europeia tem sido construída passo a passo. Os seus arquitectos sabiam, à partida, que cada passo era insuficiente e que era necessário continuar em frente. No entanto, tinham a certeza de que quando chegasse a hora de resolver um problema, seria possível alcançar a vontade política necessária.


Desta vez, pelo contrário, as perspectivas de uma Europa a duas velocidades afectarão a coesão política europeia, e em consequência, a capacidade de agir em uníssono quando necessário. Por isso, é necessário reconhecer claramente a necessidade do próximo passo na integração europeia em conjunto com a implementação do mecanismo de solução da crise da União Europeia. De outro modo, os países deficitários não terão esperanças de sair da situação difícil seja qual for o trabalho duro que façam.


(retirado do jornal de negócios)


JBS

sexta-feira, 25 de março de 2011

CRÍTICA LITERÁRIA


NOVO LIVRO DE LÍDIA JORGE

Lídia Jorge: Realismo psicológico

Uma literatura conjugada no presente, ao longo de três décadas e duas dezenas de livros, romances, contos, novelas, teatro: são os "prodígios" da ficção de Lídia Jorge, que regressa ao romance com A Noite das Mulheres Cantoras, lançado amanhã, quinta-feira, 24, na Casa Fernando Pessoa, às 18 e 30, com apresentação de Carlos Reis. Ao JL, a escritora, uma das vozes mais poderosas e reconhecidas das letras portuguesas contemporâneas, fala da sua escrita e do novo livro. Entrevista essa que publicamos na nossa edição em papel, juntamente com a crítica de Miguel Real, que pode ser lida aqui

Neste sentido, sobre um horizonte de realismo social e no interior de uma exploração psicológica, A Noite das Mulheres Cantoras é um romance exemplar tanto na representação das relações sociais entre as personagens quanto na vertente histórica. De facto, o romance retrata bem o frufru em torno da produção de um disco nos longes de 80 e a formação da banda das "mulheres cantoras", minimizando a participação da narradora, então com 19 anos de idade, entrada no grupo de um modo improvisado, e a ascensão da "maestrina" Gisela sobre as restantes elementos do grupo. A personalidade de Gisela é maravilhosamente retratada, uma mulher de vontade, tão arrebatada quanto previdente, tão disciplinada quanto ousada, submetendo tudo (até a morte de Madalena Micaia) e todos (até o "pai", Afonso) em função do objectivo maior da criação do grupo cantante.

Diferentemente, Solange de Matos, narradora e personagem principal, é evidenciada como uma personalidade disponível para as surpresas da vida ("a vida é levada por dois carros e um deles não o conduzimos nós"), ansiosa por encontrar um caminho urbano de existência que lhe apague as dolorosas recordações de Angola e o tédio de vida rural em Sobradinho; porém, suficientemente sabedora do caminho geral que intenta traçar para não dar ouvidos ao cepticismo e ao pessimismo de Murilo Cardoso, estudante de sociologia para quem o mundo se encontra permanentemente à beira do abismo.

Em fundo, executado com mestria e concorde com a superfície do texto, indiciado como horizonte semântico de compreensão, coexiste omnipotentemente a história de Portugal dos últimos 30 anos - a queda do Império, em 1975, representado pelas manas Alcides e pelas recordações de Solange (o "aluno dileto" avisando o pai do iminente ataque contra os portugueses; a repulsa do pai em dar-lhe guarida), e o destino social dos "retornados", sobreviventes do naufrágio do Império, uns resignando-se a uma vida pacata no interior, refazendo a vida com sucesso (como a família de Solange - das suas economias, será comprada o andar do prédio da Praça das Flores, onde termina o romance), outros serão incapazes de se levantar de novo (como Madalena Micaia, falecida três dias após o parto de um filho de pai desconhecido); a espantosa abertura mental europeia dos anos 80 através da descrição da vida de João Lucena e do otimismo americano dos seus amigos; a emergência de uma burguesia liberal que corta radicalmente com antigos costumes pudicos (a cena da piscina em Vila Franca de Xira), evidenciando uma moral hedonista, própria daquela década, a que Solange, educada por uma tradicional burguesia católica, tem dificuldade a habituar-se (os conselhos da mão e do pai ao telefone); a deriva existencial e psicadélica pós-Maio de 68 de Gisela, subvertendo os traços essenciais da sociedade capitalista no mais plutocrata bairro de Lisboa/(Belém/Restelo).
Romance circular, ausente de mensagens moralistas e de sentimentos de artificiosos, inicializado e terminado na noite/madrugada triunfante de 2009, nem breve nem longo em extensão, combatendo a pomposidade da retórica fácil, narrando a história às avessas, mantendo mesmo assim o suspense no leitor, A Noite das Mulheres Cantoras para além dos seus esmeros estéticos, que o estatuem como um ótimo romance, será bastamente apreciado por todos os leitores na idade dos 40, 50 anos, que teriam, à época dos acontecimentos centrais, entre os 20 e os 30 anos. Neste caso preciso, A Noite das Mulheres Cantoras funciona como um poderoso aguilhão da memória pessoal, que certamente encantará os leitores.


Lídia Jorge: Realismo psicológico

Uma literatura conjugada no presente, ao longo de três décadas e duas dezenas de livros, romances, contos, novelas, teatro: são os "prodígios" da ficção de Lídia Jorge, que regressa ao romance com A Noite das Mulheres Cantoras, lançado amanhã, quinta-feira, 24, na Casa Fernando Pessoa, às 18 e 30, com apresentação de Carlos Reis. Ao JL, a escritora, uma das vozes mais poderosas e reconhecidas das letras portuguesas contemporâneas, fala da sua escrita e do novo livro. Entrevista essa que publicamos na nossa edição em papel, juntamente com a crítica de Miguel Real, que pode ser lida aqui

Neste sentido, sobre um horizonte de realismo social e no interior de uma exploração psicológica, A Noite das Mulheres Cantoras é um romance exemplar tanto na representação das relações sociais entre as personagens quanto na vertente histórica. De facto, o romance retrata bem o frufru em torno da produção de um disco nos longes de 80 e a formação da banda das "mulheres cantoras", minimizando a participação da narradora, então com 19 anos de idade, entrada no grupo de um modo improvisado, e a ascensão da "maestrina" Gisela sobre as restantes elementos do grupo. A personalidade de Gisela é maravilhosamente retratada, uma mulher de vontade, tão arrebatada quanto previdente, tão disciplinada quanto ousada, submetendo tudo (até a morte de Madalena Micaia) e todos (até o "pai", Afonso) em função do objectivo maior da criação do grupo cantante.

Diferentemente, Solange de Matos, narradora e personagem principal, é evidenciada como uma personalidade disponível para as surpresas da vida ("a vida é levada por dois carros e um deles não o conduzimos nós"), ansiosa por encontrar um caminho urbano de existência que lhe apague as dolorosas recordações de Angola e o tédio de vida rural em Sobradinho; porém, suficientemente sabedora do caminho geral que intenta traçar para não dar ouvidos ao cepticismo e ao pessimismo de Murilo Cardoso, estudante de sociologia para quem o mundo se encontra permanentemente à beira do abismo.

Em fundo, executado com mestria e concorde com a superfície do texto, indiciado como horizonte semântico de compreensão, coexiste omnipotentemente a história de Portugal dos últimos 30 anos - a queda do Império, em 1975, representado pelas manas Alcides e pelas recordações de Solange (o "aluno dileto" avisando o pai do iminente ataque contra os portugueses; a repulsa do pai em dar-lhe guarida), e o destino social dos "retornados", sobreviventes do naufrágio do Império, uns resignando-se a uma vida pacata no interior, refazendo a vida com sucesso (como a família de Solange - das suas economias, será comprada o andar do prédio da Praça das Flores, onde termina o romance), outros serão incapazes de se levantar de novo (como Madalena Micaia, falecida três dias após o parto de um filho de pai desconhecido); a espantosa abertura mental europeia dos anos 80 através da descrição da vida de João Lucena e do otimismo americano dos seus amigos; a emergência de uma burguesia liberal que corta radicalmente com antigos costumes pudicos (a cena da piscina em Vila Franca de Xira), evidenciando uma moral hedonista, própria daquela década, a que Solange, educada por uma tradicional burguesia católica, tem dificuldade a habituar-se (os conselhos da mão e do pai ao telefone); a deriva existencial e psicadélica pós-Maio de 68 de Gisela, subvertendo os traços essenciais da sociedade capitalista no mais plutocrata bairro de Lisboa/(Belém/Restelo).
Romance circular, ausente de mensagens moralistas e de sentimentos de artificiosos, inicializado e terminado na noite/madrugada triunfante de 2009, nem breve nem longo em extensão, combatendo a pomposidade da retórica fácil, narrando a história às avessas, mantendo mesmo assim o suspense no leitor, A Noite das Mulheres Cantoras para além dos seus esmeros estéticos, que o estatuem como um ótimo romance, será bastamente apreciado por todos os leitores na idade dos 40, 50 anos, que teriam, à época dos acontecimentos centrais, entre os 20 e os 30 anos. Neste caso preciso, A Noite das Mulheres Cantoras funciona como um poderoso aguilhão da memória pessoal, que certamente encantará os leitores.
COMENTÁRIO
O livro de Lídia Jorge conta uma história recente que não tem ainda 50 anos. O que não me parece bem.
JBS

quarta-feira, 23 de março de 2011

OPINIÃO


ASSEMBLEIA DA REPUBLICA

O que aconteceu hoje na AR desgostou-me muito. A instabilidade governativa é uma situação gravíssima, que deixa o País numa situação difícil. E o meu lamento vai na direcção de não saber se foram esgotadas todas as possibilidades de entendimento.

Para quê tanta ambição, para quê tanta arrogância, para quê tanta divergência.

Os políticos ou a classe política deixa muito a desejar.

JBS

terça-feira, 22 de março de 2011

OPINIÃO

SOARES E SAMPAIO

Não gostei das intromissões destes dois senhores direcionadas ao PR.

O Dr. Mário Soares foi o pior político portuuguês de todos os tempos, na minha opinião, consumando-se esse facto na atitude da ausência de cumprimentos na tomada de posse do Presidente.

A atitude de Mário Soares é uma intromissão.

A de Jorge Sampaio outra.

Não estamos no bom caminho.

JBS

domingo, 20 de março de 2011

O MUNDO ESTÁ EM CRISE

LÍBIA

Não estou de acordo com o que se está a passar neste mundo, onde impera a agressão, a injustiça, a maledicência e a miséria humana.

JBS

AS CRÓNICAS DE ÁLVARO MAGALHÃES


OPINIÃO

CONTRAPONDO

Diz AM na sua crónica de hoje que ao ouvir RGS na qualidade de comentador televisivo, não acredita ser o dito comentador vice presidente de um clube, porque tem a mente de um líder de claque.

Bem, é uma opinião

Mas o que mais me espanta em AM é que tem sempre as espingardas apontadas para o mesmo lado. Nada há em lado nenhum mais nada a comentar.

Atrevo-lhe a dar um tema.

A homenagem da AFP a Olegário Benquerença é justa ?

Gostava de saber a sua opinião.

JBS

sábado, 19 de março de 2011

Dr. Rui Moreira


PARABENS


Pela boa postura evidenciada hoje na entrevista dada à TV, onde esteve seguro, conhecedor, isento, disse o que pensava e demonstrou total confiança em si. Está a revelar-se como o grande homem do Norte, com bagagem suficiente para o redireccionar e para o colocar no lugar que já foi seu, sem demagogias e com respeito pelos outros.


Acho que o Dr. RM, perdeu tempo de mais com o futebol, que é um tereno alagadiço e escorregadio.


O Norte é necessário á economia do País, mas com posicionamentos leais como me pareceu ser o comportamento do Dr. Rui Moreira hoje. O Norte tem que ser a resposta às questões colocadas por Hermíno Loureiro e pelo Senhor Reitor da UP.


O Dr. RM pode pegar nas rédeas deste País, foi a impressão que me deixou.
JBS

domingo, 13 de março de 2011

OPINIÃO


MINTO LOGO EXISTO

Luis Filipe Menezes

Se a situação da vida pública portuguesa estava perigosamente apodrecida, esta semana gangrenou. A partir de agora, toda e qualquer atitude conservadora, que não entenda que tem que atacar o mal pele raiz, pode colocar em causa a própria estabilidade do regime.


Esta semana os detentores do poder executivo ao nível da decisão governativa conseguiram um pleno de descredibilização aparentemente inatingível em democracia.


Cortaram definitivamente a relação de credibilidade perante o país, cortaram em definitivo os laços mínimos de relacionamento institucional possível com o Parlamento e com o Presidente da República, desafiaram todos os recordes de falta de empatia de confiança com os mercados internacionais, ignoraram que, em última instância, há mínimos de respeito pela população que não podem ser ultrapassados.


A derrocada dos limiares mínimos de credibilidade perante o país - Nas últimas semanas o primeiro-ministro desdobrou-se em declarações triunfalistas, a propósito de tudo e de nada, em detrimento do equilíbrio prudente que a época nebulosa de dúvidas aconselhava. Rejubilou com o que dizia ser os resultados salvíficos das exportações, glosou com o brilhantismo do crescimento económico de 2010, criticou as oposições por não rejubilarem com o que dizia ser "a magnífica" execução orçamental de Janeiro, jurou aos portugueses que as medidas tomadas estavam a resultar e não necessitavam de ser reforçadas.


Uma semana volvida, esta, tornou público mais um pacote de austeridade (o quinto em seis meses!), foi conhecido um "buraco" adicional de 1,3 mil milhões de euros na previsão orçamental para 2011 e pior, tudo isto era conhecido pelo núcleo duro do governo e estava a ser preparado em surdina com técnicos do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia desde há 15 dias.


Ou seja, ao mesmo tempo que se transmitia aos Portugueses uma mensagem de falsa normalidade, preparava-se, nas suas costas, mais um pacotão que vai no sentido oposto do discurso que estava a ser desenvolvido! Extraordinário, bizarro, único!


Corte com o Parlamento, com o Presidente da República, com os parceiros sociais - minoritaríssimo no Parlamento, onde só ainda não caiu porque a aritmética matemática não se consegue conjugar com a política, o governo demonstrou esta semana ter tanto respeito pelo supremo órgão de representatividade plural, quanto o têm a maioria das democracias de fachada do quarto mundo.


Como é possível avançar com medidas tão gravosas e estruturais no dia seguinte ao debate e rejeição de uma moção de censura, sem ter dado uma pista, uma informação, uma indiciação aos deputados. Como é possível os partidos não terem sido formal mente chamados, cumprindo-se a formalidade mínima de avisar o líder da oposição através de um lacónico telefonema?


Como é possível o Presidente da República recém-eleito, que representa a maioria dos portugueses, nem sequer ter tido conhecimento do que se estava a passar?


Como é aceitável que parceiros sociais com quem, ainda há poucos dias, se negociaram, e em alguns casos se acordaram, medidas reformistas de médio prazo, terem ficado completamente à margem desta nova pulsão anti-social?

É óbvio que se houver um mínimo de vergonha e decência, dificilmente existirão condições para continuar a negociar com este interlocutor, quanto mais para o proteger ou apoiar.

O corte definitivo com os mercados - Se até agora assistimos sempre a o paradoxo de cada medida de aparente razoabilidade ter como resposta a desconfiança dos mercados, o facto das decisões, que agora até vinha com a bênção da santa "Ângela", terem conduzido os juros da dívida pública para abarreira mítica dos 8% fala por si.


Para os mercados, para os nossos credores, para os analistas económicos globais, a questão já nada tem a ver com as medidas tomadas ou a tomar. Tem a ver com o facto de nunca mais confiarem na capacidade, na idoneidade técnica e política dos seus actuais executores.


O corte com o país real - Não faltam sinais desta evidência. As grandes manifestações quotidianas, a barafunda nas polícias, nas magistraturas, nas próprias Forças Armadas, as visitas surpresa de um primeiro-ministro já não pode sair à rua sem ser invectivado, têm-se repetido a um ritmo pouco compatível com uma democracia estabilizada. Todavia, as manifestações programadas por milhares de jovens para este fim-de-semana, têm todas as características de inorganicidade espontânea e legítima, que normalmente antecipam uma mudança de ciclo de sistema, quando não de regime.


Cada um tem o Watergate ou o Maio 68 que merece. E pouco importa se as bandeiras são coloridas pelo génio de um Bob Dylan, pelo carisma de um Moustaki ou pela frescura de uns Deolinda.


A "revolução possível", felizmente pacífica e moderada está na rua e não vai parar. Pelo menos até existirem novos protagonistas, novas ideias, novas propostas e consequentes e positivos resultados.


Retirado do JN

JBS

ÁLVARO MAGALHAES


ÁLVARO MAGALHÃES

Álvaro Magalhães nasceu no Porto, em 1951.Começou por publicar poesia no início dos anos 80 e, em 1982, publicou o seu primeiro livro para crianças, intitulado História com muitas Letras. Desde então construiu uma obra singular e diversificada, que conta actualmente com mais de três dezenas de títulos e integra contos, poesia, narrativas juvenis e textos dramáticos.As suas obras para a infância, onde reina a força do imaginário e da palavra, são o produto de uma sensibilidade espiritualizada que reivindica a totalidade mágica da existência e apelam permanentemente à imaginação e ao sonho, não como formas de escapismo mas como factores poderosos de modelação do ser.


Mais recentemente, acrescentou à sua obra a série Triângulo Jota de narrativas de mistério e indagação, sendo considerado “o primeiro a conseguir reformular e enriquecer, com sucesso, os modelos conhecidos”.Actualmente com 16 títulos, a Triângulo Jota cativou já perto de um milhão de leitores. Embora a acção dessas histórias seja por vezes vertiginosa, constitui-se como palco para o teatro dos sentimentos.


As personagens, expurgadas de infantilidades e artificialismo, são construídas a partir do espaço e do tempo da sua consciência e não pela sua esfera de acção, o que as torna reconhecíveis. A perfeição estrutural dos enredos, um uso peculiar do fantástico e uma “visualidade” quase cinematográfica são algumas das qualidades dessas e de outras obras narrativas do autor.Considerado um dos mais importantes escritores da sua geração, pela originalidade e singular irreverência da sua obra, Álvaro Magalhães foi várias vezes premiado pela Associação Portuguesa de Escritores e pelo Ministério da Cultura, logo desde o início da sua carreira literária.


Recentemente, integrou a delegação portuguesa ao Salão do Livro de Genebra de 2001, em que Portugal foi convidado de Honra. Neste mesmo ano, o título Hipopóptimos – Uma História de Amor foi seleccionado para integrar o Projecto BARFIE (Books and Reading For Intercultural Education), que visa a construção de uma biblioteca europeia composta por obras de reconhecida importância para a promoção da educação intercultural.Os PrémiosCinco dos seus livros para crianças (História com Muitas Letras, O Menino Chamado Menino, Isto é que foi Ser!, Histórias Pequenas de Bichos Pequenos e O Homem que não Queria Sonhar e outras Histórias) foram premiados pela Associação Portuguesa de Escritores e Ministério da Cultura, em cinco anos consecutivos, entre 1981 e 1985.
Menção Honrosa no Prémio Nacional de Ilustração 2000 para o livro O Limpa-Palavras e outros Poemas (ilustrado por Danuta Wojciechowska).Nomeado para a Lista de Honra do IBBY (International Board on Books For Young People) em 2002, com O Limpa-Palavras e outros Poemas.Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças e Jovens 2002 (modalidade de texto literário) para o livro Hipopóptimos – Uma História de Amor.BIBLIOGRAFIA1.
Literatura infantil e juvenilBiblioteca Álvaro Magalhães:Nº 1: O menino chamado Menino. Porto: Edições Asa, 1983; 6ª ed. 2001Nº 2: O Reino Perdido. [Poesia] Porto: Edições Asa, 1986; 3ª ed. 2000Nº 3: Os três presentes. Porto: Edições Asa, 1987; 4ª ed. 2002Nº 4: Maldita matemática! Porto: Areal Editores, 1989; 2ª ed. Porto: Edições Asa, 2000; 3ª ed. 2001Nº 5: O limpa-palavras e outros poemas. [Poesia] Porto: Edições Asa, 2000; 2ª ed. 2001Nº 6: O circo das palavras voadoras. [edição revista e actualizada de História com muitas letras (Lisboa: Horizonte, 1982) e A flauta Ternura (Lisboa: Horizonte, 1983)] Porto: Edições Asa, 2001Nº 7: Histórias pequenas de bichos pequenos. Porto: Edições Asa, 1985; 6ª ed. 2001Nº 8: O homem que não queria sonhar e outras histórias. Porto: Edições Asa, 1987; 4ª ed. 2001Nº 9: Isto é que foi ser! Porto: Afrontamento, 1984; 3ª ed. Porto: Edições Asa, 2001Nº 10: Hipopóptimos – Uma história de amor. Porto: Edições Asa, 2001Contos tradicionais: O rapaz que voou três vezes. Porto: Edições Asa, 1989A menina curiosa (adapt.). Porto: Edições Asa, 1989A princesa cobra (adapt.). Porto: Edições Asa, 1990O rapaz de pedra (adapt.). Porto: Edições Asa, 1991Série de narrativas juvenis «Triângulo Jota»: Nº 1: O Olhar do Dragão. Porto: Edições Asa, 1989; 14ª ed. 2001Nº 2: Sete dias e sete noites. Porto: Edições Asa, 1989; 14ª ed. 2002Nº 3: Corre, Michael! Corre! Porto: Edições Asa, 1990; 12ª ed. 2001Nº 4: A rapariga dos anúncios. Porto: Edições Asa, 1990; 13ª ed. 2002Nº 5:
Ao serviço de Sua Majestade. Porto: Edições Asa, 1991; 12ª ed. 2002Nº 6: O vampiro do dente de ouro. Porto: Edições Asa, 1991; 11ª ed. 2002Nº 7: O beijo da serpente. Porto: Edições Asa, 1992; 9ª ed. 2001Nº 8: Guardado no coração – 1ª Parte. Porto: Edições Asa, 1992; 10ª ed. 2001Nº 9: Guardado no coração – 2ª Parte. Porto: Edições Asa, 1993; 9ª ed. 2001Nº 10: A rosa do Egipto. Porto: Edições Asa, 1993; 8ª ed. 2002Nº 11: O assassino leitor. Porto: Edições Asa, 1993; 6ª ed. 2002Nº 12: Pelos teus lindos olhos. Porto: Edições Asa, 1996; 6ª ed. 2001Nº 13: O rei lagarto. Porto: Edições Asa, 1997; 4ª ed. 2001Nº 14: A bela horrível. Porto: Edições Asa, 1998; 4ª ed. 2002Nº 15: O senhor dos pássaros. Porto: Edições Asa, 1999; 4ª ed. 2002Nº 16: A história de uma alma. Porto: Edições Asa, 2000; 2ª ed. 2001Nº 17: As Três Pedras do Diabo. Porto: Edições Asa, 2002; 1ª ed. 2002Nº 18: As Três Pedras do Diabo. Porto: Edições Asa, 2003; 1ª ed. 2003Títulos dispersos:O jardim de onde nunca se regressa.
[Teatro] Porto: Ed. Litoral, 1987A Ilha do Chifre de Ouro. Lisboa: D. Quixote, 1998Enquanto a cidade dorme. [Teatro] Porto: Campo das Letras, 2000Em antologias:As lágrimas do céu. In «De que são feitos os sonhos». Porto: Areal Editores, 1985A cidade dos gnomos. In «Histórias e canções em 4 estações». Porto: Edições Asa, 1987Conto estrelas em ti – 17 poetas para a infância. Porto: Campo das Letras, 2000A casa do silêncio [antologia poética]. Porto: Afrontamento, 20002. PoesiaEntre uma morte e outra. Porto: Ed. Autor, 1975Concerto para cravo. Coimbra: Centelha, 1981Boca única. Porto: Ed. Inova, 1982Música exausta. Porto: Gota de Água, 1982O Bosque sagrado – A poesia no cinema [org. em colab. com António Ferreira e Jorge Sousa Braga]. Porto: Gota de Água, 19883. CrónicaJogo perigoso – 50 crónicas do futebol. Porto: Campo das Letras, 20014.
Traduções O home que non queria sonhar. Trad. Miguel Vázques Freire. Vigo: Edicions Xerais de Galícia, 1995 Histórias pequenas de bichos pequenos. Trad. Miguel Vázques Freire. Vigo: Edicions Xerais de Galícia, 1995O Rei Lagarto. Trad. Anxo Angueira. Vigo: Edicions Xerais de Galícia, col. Fora de Xogo, 1998 5. Prémios:Cinco dos seus livros para crianças (História com muitas letras, O menino chamado Menino, Isto é que foi ser!, Histórias pequenas de bichos pequenos e O homem que não queria sonhar e outras histórias) foram premiados pela Associação Portuguesa de Escritores e Ministério da Cultura, em cinco anos consecutivos, entre 1981 e 1985.Menção Honrosa no Prémio Nacional de Ilustração 2000 para o livro O Limpa-Palavras e outros poemas (ilustrado por Danuta Wojciechowska).Nomeado para a Lista de Honra do IBBY (International Board on Books For Young People) em 2002, com O Limpa-Palavras e outros poemas.Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças e Jovens 2002 (modalidade de texto literário) para o livro Hipopóptimos – Uma História de Amor.
SOBRE A OBRADesde Uma história com muitas letras que Álvaro Magalhães se tem revelado na vida editorial portuguesa como autor de textos de grande originalidade, quer pelos temas escolhidos quer pelo seu tratamento. Natércia Rocha Colóquio-Letras, 1988 Quando acontece um livro assim é uma festa. Se eu fosse rico ou tivesse uma varinha de condão, a primeira coisa que fazia era oferecer um exemplar deste livro (ou mesmo dois) a todas as crianças do meu país. E aos adultos também para que pudessem recordar-se do tempo em que estavam vivos. [Sobre Isto é que foi ser!] Mário Castrim Diário de Lisboa, Março de 1984Isto é que é um livro! [Sobre Isto é que foi ser!] Alice Vieira Diário de Notícias, 4/1/1985 Trata-se de um desses textos que desprendem a magia da beleza, essa magia que nós, que professamos a ingrata tarefa da crítica, nos obstinamos em traduzir por pobres adjectivos.
Uma odisseia a que não falta o humor nem a poesia e onde, sobretudo, reina a força do imaginário e da palavra que em Magalhães acabam por ser a mesma força. [Sobre Isto é que foi ser!] Miguel Angel Vasquez La Voz de Galicia, 5/5/1988 Um dos mais importantes livros de poesia para crianças da última década. [Sobre O Reino Perdido] José António Gomes Expresso, 18/12/1993Ainda bem que há uma literatura para jovens que os adultos têm boas razões para amar. [Sobre O Reino Perdido] M. Neto da Silva Jornal de Notícias, PortoPara leitores de todas as idades. Original e belíssimo. [Sobre O Limpa-palavras e outros poemas] Jornal de Notícias, Janeiro de 2001 A melhor série portuguesa de “thrillers” juvenis em livro. (…) No actual panorama português, Álvaro Magalhães é o primeiro a conseguir reformular e enriquecer, com sucesso, os modelos conhecidos das narrativas de mistério e indagação. [Sobre a série «Triângulo Jota»] José António Gomes Literatura para Crianças e Jovens, Ed. Caminho, 1991 Em plena era do audiovisual e numa altura em que os níveis de leitura desceram ao ponto de se pôr em causa a própria sobrevivência do livro, que seja possível fazer literatura – e literatura de grande qualidade – e fazer, ao mesmo tempo, um êxito de mercado, eis o milagre capaz de reconciliar o nosso optimismo com o futuro do livro. [Sobre a série «Triângulo Jota»] Jornal de Notícias, 15/02/1994 Um clássico do género em lingua portuguesa.
Estes livros representam uma notável diferença num panorama editorial repleto de sucedâneos de Enid Blyton, quase sempre de grande indigência literária. Álvaro Magalhães é um dos mais importantes escritores de livros para jovens e a qualidade das obras da Triângulo Jota aí está a testemunhar que, em literatura, o belo é útil e o útil é belo. [Sobre a série «Triângulo Jota»] Diário de Noticias, 16/6/1996O Rei Lagarto [nº 13 da série] recolhe o melhor das características da série «Triângulo Jota»: acção, intriga, suspense e muito humor. Jim Morrisson, o famoso vocalista dos Doors, continua a ser fonte de inspiração para a literatura e em O Rei lagarto converte-se numa força vivificante que leva tudo à sua frente. A Nosa Terra, Vigo, Galiza, 2000 (...) Nos livros de aventuras, destaco o volume de Álvaro Magalhães A História de Uma Alma. Neste novo volume da colecção «Triângulo Jota», a escrita empolgante do autor continua a deixar rendidos os muitos leitores e admiradores desta colecção, provando que o livro de aventuras não tem necessariamente de ser paraliterário.
Como o próprio Álvaro Magalhães afirma, «a verdade é que não há géneros menores, mas livros menores – de qualquer género».Violante Florêncio revista Vértice, Julho de 2001.


Recolha de
JBS

PARA SER LIDO POR GENTE DO NORTE



UM NOVO NORTE PARA UM NORTE NOVO
Por Hermínio Loureiro



O Norte não pode limitar-se a protestar contra o que está mal ou contra o que não foi feito ou apoiado. O Norte tem de acordar definitivamente e não baixar os braços. O Norte tem de pegar nas dificuldades e transformá-las sempre em oportunidades. É isso simplesmente o que o Norte precisa: caminhar em frente, superar-se e afirmar-se como uma região de excelência, ganhando confiança e revelando-se optmista perante o resto do país.




Está na hora de arrregaçar as mangas e trabalhar, mostrar atitude e voltar a saber vencer em toda a latitude. O Norte tem pessoas, tem cultura, tem capital, tem saber, em visão e tem "know how" suficiente para superar os obstáculos. Precisa sim de abandonar a discussão do acessório e concentrar-se no que é essencial.




Um Norte novo, mais competitivo, mais reivindicativo, mais empenhado em explorar as suas potencialidades e em aproveitar o conhecimento e a inovação.




Esta é a visão realista do que deve ser o Norte de Portugal, uma região subaproveitada em alguns sectores e posicionada como uma região em dificuldades.


A realidade de hoje não significa que tenhamos de viver com ela amnhã. Urge mudar. Mudar mentalidades, desenvolver as capacidades de uma vasta região que é feita de pessoas, de empresários modernos e competitivos de investigadores e de homens da cultura.


Hoje é impensável desperdiçarmos o saber dos empresários e o seu espírito empreendedor. Há que reforçar ainda mais o peso da indústria do Norte na economia nacional e afirmando-a na liderança das exportações.


Seria um erro irreparável não aproveitarmos a dinâmica e a capacidade dos industriais, pois o caminho a seguir é o de reforçar a vocação exportadora da indústria associando-a ao conhecimento e à investigação das nossas universidades e aproveitando ao cêntimo, todas as opotundades de investimento.


O atraso em .sectores fundamentais da sociedade é incompatível com visões negativistas e com falta de vontade e determinação em vencer os desafios.


A vocação exportadora da industria e a a posta na educação são dois vectores essenciais á afirmação do Norte. É fundamental aliar o conhecimento actual, á ciência, a cultura e a investigação, a um forte investimento as novas gerações, no ensino e no saber.


Se por um lado não devemos repetir o discurso retórico, paroquial e folclórico do passsado recente, que nos levou ao actual estado, o Norte não pode nem deve abdicar do seu poder reivindicativo junto do poder central, exigindo sempre o apoio justo e reclamando, mas nunca subjugado à autoridade de Lisboa.


Precisamos de (re)afirmar o Norte.Mas a questão que se coloca é a de apostar num novo Norte para fazermos um Norte novo.





Retirado do JN

JBS




COMENTÁRIO



Um bom texto. Efectivamente o Norte não pode limitar-se a protestar. Mas protesta em vez de mostrar o que vale. O senhor REITOR já itnha dito a mesma coisa, BASTA DE LAMÚRIAS.


Um texto para estudar. Quem andar fora disto não me parece ser pessoa de bem.


Os meus parabens ao Dr. HL

OPINIÃO


Acerca da expulsão de Javi,
"Mal expulso. É a conclusão assinalada no Relatório de Observação ao árbitro Carlos Xistra durante o jogo Sp. Braga-Benfica do último fim-de-semana e a que tanta celeuma deu origem. O observador de arbitragem Joaquim Dantas deu nota negativa ao juiz de Castelo Branco (2,7 numa escala de zero a cinco) e deixou bem expresso, na apreciação global ao trabalho do árbitro, que o médio espanhol foi «injustificadamente» expulso. «No plano disciplinar o jogo tornou-se bastante mais exigente, como se constata pela acção disciplinar exercida, mas aqui o árbitro contribuiu também, em parte para isso com os seus erros, sobretudo com a expulsão, injustificada, do n.º 6 da equipa B [n.d.r - Javi García] aos 40 minutos do primeiro tempo, caso que acabaria por marcar negativamente a sua actuação e o próprio desenrolar do jogo», pode ler-se na descrição ao jogo feita pelo observador presente no Estádio AXA no último domingo.


Outra coisa, leia no JN de hoje o artigo do Dr. Hermíno Loureiro "Um novo norte para um Norte novo" .


É preciso ler.


JBS

sábado, 12 de março de 2011

A DÍVIDA PUBLICA


A DÍVIDA PÚBLICA

Por Rogério Barroso (Dr)

Monte Francisco – sábado, 12 de Março de 2011

Um novo «PEC». Aí está: o governo do Sócrates anunciou um novo «PEC». As três letras da palavra «PEC» querem dizer «pacote de medidas do governo do Estado de Portugal para salvar o Estado de Portugal da catastrófica situação em que os banqueiros dos bancos sediados em Portugal e nos outros países capitalistas do mundo puseram o Estado de Portugal com a colaboração do governo do Estado de Portugal».

Parece complicado, mas não é!


Essas medidas são medidas restritivas da despesa do Estado de Portugal e têm, como objectivo, originar que a despesa do Estado de Portugal não seja muito maior em 2011 que a despesa do Estado de Portugal em 2010, ou seja: que aquela despesa seja maior apenas 4,5% do que esta.


Com tais medidas, o Estado de Portugal só pode gastar, em 2011, mais 4,5% do valor que gastou em 2010, na suposição de que recebe a mesma receita, sujeitando-se o valor total de 2011 à desvalorização anual da moeda corrente (se desvalorização houver, embora ninguém do governo do Estado de Portugal tenha dito «desvalorização em relação a quê»: se em relação ao dólar, ao litro do petróleo bruto ou à tonelada da cevada – mas, como a gente não sabe, a gente é que «semos todos uns burros»).


E o Estado de Portugal está gastando!…


A pergunta que surge a seguir é a seguinte: se o Estado de Portugal está a gastar mais 4,5% de muitos milhares de milhões de euros este ano que no ano passado, como é que vai recuperar as suas finanças?


Doutra maneira:


o Estado de Portugal tem imensas despesas, ou seja: despesas imensamente grandiosas;
o Estado de Portugal tem, por lei, a possibilidade de extorquir dinheiro aos seus cidadãos, seja sobre valores que eles consomem ou ganham (taxas, impostos, contribuições e outras formas de gamanço), ou em valores fixos, que serão retirados ao bolso dos cidadãos, mesmo que eles passem a vida a dormir e se não mexam um segundo;
ao conjunto destes valores surripiados aos cidadãos (mais a estrangeiros que neste país vivam ou desempenham as suas actividades ou os seus negócios) chama a doutrina jurìdico-económica



«receita de Estado» (ou receita fiscal);


esta extorsão (como toda a extorsão) é tipificada na lei penal como crime; ou seja: a extorsão praticada pelo Estado de Portugal está criminalizada como toda a extorsão; mas, sendo praticada pelo Estado de Portugal, está despenalizada (não está descriminalizada!);


assim sendo, os órgãos dirigentes do Estado de Portugal (Presidente da República, Assembléia da República, governo do Estado de Portugal, tribunais e Procuradoria da República, autarquias locais e governos das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores) estão, na prática das coisas, autorizados pela lei penal a praticarem o crime de extorsão sobre os ditos cidadãos (não percam nunca de vista que estamos, há muitos séculos, no âmago da guerra entre Figurões e Parolos);
quem faz, referenda e promulga estas leis são esses mencionados dirigentes do Estado de Portugal;


actualmente, segundo os preceitos disto que os Figurões chamam (e os Parolos aceitam)



«democracia», quem lá põe (directa ou indirectamente, mediata ou imediatamente) esta gente ruim a mandar no Estado de Portugal são os Parolos, na ilusão de que têm direito de voto, muito embora (e no final de contas) sejam obrigados a votar em partidos, partidos esses que, eles sim!, indicam as tais pessoas ruins que hão-de desempenhar tal mando, que são, depois nomeadas, segundo forma legal, pelas mesmas pessoas ruins que desempenham o mencionado mando (dito de outra maneira: Os Figurões «elegem-se» uns aos outros e, no fim, ficam-se a rir dos Parolos);
teòricamente, o Estado de Portugal tem, como funções obrigatórias, construir as condições de bem-estar dos cidadãos (saúde, ensino, alimentação, habitação, segurança, assistência social, estradas e transportes, etc.);


além disso, o Estado de Portugal tem que suportar as despesas com todas estas actividades, mais as de as executar, razão pela qual, entre outros edifícios funcionais, tem para seu serviço a Função Pública (na sua actividade batoteira e desonesta, o Estado de Portugal, por iniciativa dessa gente ruim que desenvolve e pratica o mando, tem vindo a criar novas figuras de mando e respectivas legislações, como é o caso dos institutos «públicos», empresas «públicas», parcerias «público»-privadas, privatizações da propriedade dos Parolos, dita do Estado, mas sempre empobrecendo o património que é de todos e sempre engrandecendo a dívida do Estado português);


10. o Estado de Portugal suporta todas as suas obrigações de pagar com essa tal receita pública;


11. mas, com esta gente ruim no mando, o Estado de Portugal não suporta só essas despesas (veja-se, entre milhares de outros exemplos de desonestidade, o caso do dinheiro entregue recentemente aos banqueiros ladrões estabelecidos em Portugal, cuja quantia não faz sentido mencionar aqui, por ser, de todo, incompreensível para o comum dos cidadãos, mas sobre a qual se pode dizer que seria suficiente para pagar subsídios de desemprego durante os próximos vinte anos aos Parolos desempregados pelos Figurões, a uma valor de 1.500 euros mensais, com o desemprego a uma taxa de 20%);


12. as despesas do Estado de Portugal, em 2010, foram para as suas obrigações (teóricas) mencionadas numa proporção de 28% do total, e 72% oferecido ou surripiado para os «amigos» e patrões dessa gente ruim que está no mando; no Orçamento de Estado para 2011, estes valores evoluem para 21% e 79%, respectivamente (não querem lá ver que o mentiroso sou eu!!!).


Não é, portanto, de admirar que os banqueiros estejam com Sócrates (e com o Cavaco, claro!) e não dêem grande importância ao PPD e ao CDS, assim como não é de admirar que o partido herdeiro do Partido Nacional-socialista dos Trabalhadores Alemães (agora chefiado pela Ângela Merkel) apoie Sócrates, como também o apoia o presidente da Comissão Europeia (Durão Barroso, ex-militante do MRPP), enquanto o Obama (mais a sua seita) pagam para que se inventem as mais mirabolantes estórias (disfarçadas de notícias espalhadas pela comunicação social do regime) sobre a Líbia e sobre Angola (Bahrein, Iémen, Arábia Saudita, Egipto, Marrocos, Tunísia e Argélia já estão esquecidos – continuamos no meio de uma guerra entre Figurões e Parolos). Nesta mesma actualidade, começam a aparecer os resultados da política de enriquecimento das grandes corporações capitalistas internacionais, à custa da insegurança, doença e morte dos povos (dos Parolos) e do planeta, e desaparece um quarto de milhão de pessoas no Japão, além de se dar a terceira explosão atómica nas ilhas nipónicas, tremores de terra e «tsunamis».


Eu tenho uma amiga que é holandesa e veio viver para a fronteira de Portugal com a Espanha, no Algarve, porque sempre sonhou com este clima e esta gente.


Nessa conformidade, e de acordo com o seu «bom coração» (como se diz), autorizou um velhote daqui a lavrar e semear uma terra dela, que fica na mesma propriedade que ela comprou em tempos, para aí fazer (como fez) a sua casa. O velhote morreu há anos, e o neto do mesmo, que é regente agrícola (agora chamam-nos «engenheiros técnicos agrários»), veio falar com ela, trouxe-lhe um contrato para ela assinar, e ela assinou um «contrato de arrendamento rural». O dito engenheiro (que de qualquer forma o é mais que o engenheiro da Covilhã – Sócrates) necessitava desse «contrato» assinado para conseguir um chorudo subsídio à produção, que lhe foi dado pelo governo do Sócrates.


Já está! Aí vai mais dinheiro para amigos e outras gentes, à custa da corrupção, claro está!, tão só porque não se conseguem estes subsídios sem pagar comissões, na maior parte das vezes, muito elevadas. Mas o neto nada perdeu, certamente, uma vez que, sem ser aquilo que o velho lá fez, não aparece nada mais feito, estando as plantações já mortas umas, e em fase de morte outras.
Agora que se sente enganada e atraiçoada por muitos outros casos atinentes a estas gentes, diz-me, entre soluços, com as lágrimas a correrem-lhe pelas faces bonitas, habitualmente muito sorridentes: «Rogério! Vejo-me agora com sessenta anos, no meio destas complicações todas. Vocês metem-me medo! Até parece que vem sempre aí a Guarda Republicana!». E as lágrimas vão-lhe caindo, enquanto chegam as primeiras chuvas do fim da tarde, neste começo da Primavera.


Nasceste num universo vivo, azul visto do céu, bondoso visto da mata, claro visto da madrugada, sossegado, visto da noite.


Nasceste num universo palpitante, branco visto do mar, difuso, visto do nevoeiro, perfumado visto da serra, e fresco…


Nasceste num universo vulcânico, ventral visto da mãe, redondo visto do pai, imenso visto de Deus, infinito visto daqui, de mim!


Nasceste num universo florestal, líquido visto da fonte, suave visto do pólen dos pinheiros, dourado visto do fundo da mina, brilhante visto da entrada da cidade, comprido visto da penitenciária, quadrado visto do banco da escola, simétrico visto da família, tranquilo visto daqui, de mim!


[in UMA CORJA DE BANDIDOS - Crónicas a partir do 2.º mandato de Cavaco Silva - ROGÉRIO BARROSO]

O SUFOCO EM QUE VIVEMOS


O SUFOCO EM QUE VIVEMOS
Por Baptista Bastos

A atmosfera no PSD está, verificadamente, inquinada. Alguns dos seus corifeus fazem declarações beligerantes, cujo alvo é, dizem, a “inacção” e a “excessiva prudência” de Pedro Passos Coelho. E nomeia-se Rui Rio como o homem azado para o momento azarado. Por outro lado, as sondagens não são propícias à sede de poder de muitos daqueles que vivem da ambiguidade da dádiva prestada pela política. Não é o problema português a dominar as preocupações de grupo. O que os move é a dependência pessoal, os interesses dos beneficiados pelos partidos de poder.

O PSD existe numa espécie de não-pertença. Criou um ambiente que incita à criação de grupos e que favorece, conscientemente ou não, a intriga e o confronto surdo. A lógica relacional, a construção de uma ideologia comum, que sempre configurou a ideia de “partido”, não existe no PSD. As perseguições, a mordacidade com que uns acusam outros, o desfasamento doutrinário, caracterizam-no. E, em períodos difíceis, como este, de agora, as malformações emergem.

No PS, apesar das malfeitorias praticadas com displicente desdém, Sócrates é incensado. Levou o País ao desespero, quebrou numerosos laços sociais, exerceu retaliações impensáveis, mas continua a ser “o” secretário-geral. Como estes socialistas são difíceis de entender, quem desvendar o mistério que explique. Adicione-se, ainda, que as sondagens, percentualmente, dão Sócrates com escassa desvantagem de Passos Coelho.

Estaremos condenados a não nos emancipar deste pesadelo político? O regime da crise do elo social, de que falaram, entre outros, Alain Badiou e Tony Judt, comporta em si uma violência e uma bestialidade infamantes. São as normas e as esquadrias do neoliberalismo. O neoliberalismo introduziu, nas nossas sociedades, formas de orquestração dos nossos próprios sentimentos. Tanto o PS quanto o PSD corromperam parte substancial da nossa dignidade, não apenas com actos e decisões horríveis, mas, também, através de torpes exemplos.

A sociedade portuguesa está social, moral e politicamente doente. Todos o dizemos. Contudo, somos incapazes de sacudir o jugo desta subordinação escatológica. Para nos libertar do sufoco, os partidos à esquerda do PS (falo do PCP e do Bloco), sem abandonarem as suas diferenças fundamentais, têm de assumir as graves responsabilidades do poder. Protestar não chega. E parece-me extremamente fácil o acantonamento na “fortaleza cercada”, enquanto cá fora as grandes lutas (e as grandes contradições decorrentes dessas lutas) continuam com objectivos cada vez mais vagos e cada vez mais perigosos.

Recolha de

JBS

sexta-feira, 11 de março de 2011

ASSIM VAI O PAÍS


ASSIM VAI O PAÍS
Por Luis Marques


O que verdadeiramente espanta é a obsessão do Governo em manter um discurso totalmente desfasado da realidade.

O governador do Banco de Portugal acha que já estamos em recessão. Tecnicamente há recessão quando a economia regista dois trimestres de crescimento negativo. Como os dados conhecidos só mostram crescimento negativo no último trimestre de 2010, quer isto dizer que Carlos Costa, com os dados de janeiro, está a antecipar a mesma realidade no primeiro trimestre de 2011.


Nada que nos espante.

Quase na mesma altura o primeiro-ministro preferiu destacar o crescimento de 1,7 no ano passado, ignorando que no último trimestre a economia entrou em clara desaceleração. Olhando apenas para os números José Sócrates tem razão. A economia cresceu em 2010. Mas seria avisado reconhecer duas coisas. Primeira: o crescimento português foi dos mais baixos da Europa. Segunda: o resultado do quarto trimestre antecipa tempos difíceis. Como sabemos essa não é natureza do primeiro-ministro. Nada que nos espante.

O Banco Central Europeu (BCE) continua a intervir ativamente na colocação da dívida portuguesa. Os dados mais recentes mostram que 15 por cento da nossa dívida está nas mãos do BCE, que tem sido uma peça-chave não só na compra da dívida, mas em garantir taxas de juro que, sendo escandalosamente altas, ainda assim são politicamente suportáveis. O primeiro-ministro reiterou esta semana que Portugal não precisa de ajuda externa, confundindo o BCE com o Banco de Portugal. Nada que nos espante.

Por falar em taxas. Nas últimas colocações de médio prazo pagámos taxas de sete por cento, valor que Teixeira dos Santos considerava insuportável há uns meses. Na colocação de curto prazo feita esta semana pagámos juros acima da Espanha e, novidade, da Grécia (esperam-se reações dos críticos do Fundo de Estabilização Europeu/FMI). O ministro das Finanças reagiu a estes números afirmando que Portugal está a fazer o seu trabalho, a Europa é que não. Nada que nos espante.

Os números do desemprego de 2010 confirmam o que se temia. Fechou nos 11,1 por cento, subindo relativamente aos últimos dados conhecidos, que eram inferiores a 11 por cento. A ministra do Emprego, numa sensata demonstração de humildade, reconheceu que o Governo está a ter dificuldades em contrariar esta tendência. Horas depois o imparável e visionário secretário de Estado, Valter Lemos, veio dizer que o desemprego está em desaceleração desde 2009. Nada que nos espante.

Não nos pode espantar que a situação económica do país esteja difícil. Era e é inevitável. Portugal vai registar um ajustamento doloroso que se prolongará por vários anos. O rendimento disponível vai descer, o desemprego manter-se-á alto, o Estado terá muitas dificuldades de garantir o atual nível de prestações sociais, enfim, os portugueses vão viver pior.

O que verdadeiramente espanta é a obsessão do Governo em manter um discurso totalmente desfasado da realidade, sempre em choque com os factos. Pior: aparentemente o Governo acredita mesmo na realidade artificial em que vive. Essa é a parte perigosa e constrangedora, na medida em que o inibe de atacar os problemas que agora e no futuro nos condenarão à mediocridade. Nada que nos espante, afinal.

Luís Marques /Expresso