quarta-feira, 31 de outubro de 2007

AO POETA ROBERTO AFONSO

(cantar coimbra)


MEU CARO AMIGO


Boa tarde.

Estou na biblioteca ALMEIDA GARRETT, aqui no Porto, local onde resido agora e que frequento todas as tardes, depois de obter a minha condição de reformado.

Digamos que todo o meu tempo disponível está direccionado para a literatura: ler e escrever prosa e poesia. Até já pareço um escritor...

Eu é que me sinto honrado em ser recebido no seu espaço e agradeço-lhe muito o ter publicado o meu soneto.

Sou natural dos Braciais, "aux environs" da cidade de Faro, e fiz aí os meus estudos secundários.

Cheguei a ALMADA em 1963 onde comecei a trabalhar como professor primário. Entretanto, estudei à noite e obtive primeiro o bacharelato em Contabilidade no antigo ICL e mais tarde, no ISCAL, a licenciatura em Contabilidade e Administração Fiscal aos 54 anos.

Portanto, fui professor primário, andei pelas empresas e nos últimos dez anos fui Professor no Ensino Superior, ISCAL, nomeadamente

Como diz não me conhecer ficam estes dados atrás como apresentação, pois gostaria de, de vez em quando, trocar umas ideias poéticas consigo... ou outras.

OBRIGADO PELAS SUAS PALAVRAS QUANTO À MINHA COLABORAÇÃO NO adefesadefaro.blogspot.com.

Colaboro ainda em jornais, nomeadamente "O Notícias de São Brás", o "AVEZINHA" de Paderne e o jornal "OS OLHANENSES"

E tenho o meu espaço na blogosfera no http://bracosaoalto.blogspot.com/e sentir-me-ei muito honrado se por lá aparecer.

Quanto ao que me diz: "Gostaria de o informar que este humilde Jardim foge um pouco ao padrão e reage de acordo com o estado da sua própria alma”...

nada tenho a opor.

Aí vai um poema dedicado ao seu JARDIM.

O JARDIM DO POETA


O local do poeta é num arvoredo de rosas...
Ou noutro lugar em que se deixe apaixonar!...
A vida é com AMOR ... e de curvas perigosas
Por isso só nos resta aprender a caminhar...

O que o poeta quer.. e deseja... é amor...
E com ele deverá transmitir a paz e a beleza
Que transporta nessa indelével por vezes dor
A todos aqueles que querem ter a certeza...

Se nós somos todos iguais.. não somos não!...
Somos conforme a capacidade do nosso coração
Se nos resta ou não alguma coisa para te dar..

Se me procuras estou nas palavras do meu jardim
E lá que me procuro e solto o que há dentro de mim
Mas o resultado é parco e continuo a procurar...

João Brito Sousa

A AMIZADE

(o margelino `a gitarra e eu na Lunda norte, angola, in illo tempore)


A AMIZADE

Para todos os meus amigos

È aquilo de que o mundo precisa. Anda arredia a amizade. Mas vale a pena lutar por ela. Podemos perguntar como fazer para se conseguir tal e podemos responder dizendo que a amizade é querer. Se todos quisermos podemos criar e consolidar uma amizade. E é tão fácil fazer isso se nós quisermos, claro.

Não é nem deveria ser uma ideia adiada. Acho que todos nós deveríamos encarar esta componente da vida como um desafio constante na contínua procura do bem estar que se deseja. Olhando para fora de portas o que se consegue ver é o antídoto desse sentimento nobre. Mas porque não cultivamos essa possibilidade de ser felizes e enveredamos pelo caminho da violência? Parece que alguém se esqueceu de nos dizer que é, pelo menos, mais útil e mais salutar ser amigo, dando um pouco do nosso amor aos outros em vez de sermos um qualquer desgraçado que sofre.

Sim, porque aquele que maltrata sofre, só aparentemente é feliz, porque não desfruta da tranquilidade necessária para ver beleza no céu azul, no cantar de um melro, no sorriso de uma mulher... em suma, não recebe amor Tão carenciado que o mundo anda de amor... tão ausente desse mundo anda um gesto amigo, tão distante que está uma palavra de esperança. Olhemo-nos olhos nos olhos, bem lá no fundo e, se for possível, digamos uns aos outros que queremos ser solidários.

E nunca digamos não. E usemos a palavra amigo... ou utilizemos sempre que possível a expressão, “meu irmão”. E sejamos francos e não sejamos invejosos. Sintamos nas nossas relações a amizade que procuramos.. Como eu senti há dias, no regresso de férias, quando mandei uma mensagem a um amigo e ele respondeu-me assim:- boa viagem meu amigo. E a resposta doutro ainda:- milhões de felicidades para o casal LINDO.

É claro que estas pessoas que me mandaram as mensagens que referi, são pessoas cuja idoneidade eu conheço bem, com provas dadas no campo da sinceridade da vida, homens que venceram, mas que dispõem de uma particularidade; nunca se esqueceram daqueles que nunca venceram apesar de tudo terem feito para isso. É que esses também existem e têm direito ao sorriso de um vencedor.

No fundo, o modelo que deveríamos seguir era o de nos considerarmos todos vencedores, mas com uma condição:- sermos dignos. Um homem digno é o homem que tolera, é o homem que acredita, é o homem que se disponibiliza, é o homem que observa e consegue ver. E é diferente.

Porque pára no caminho e corrige a direcção da marcha do seu camarada. E até pode dizer-lhe:- esta noite pago eu. Sem outro objectivo que não seja o de amparar um seu colega de caminhada nessa por vezes tortuosa estrada da vida. Vida... essa mesma vida que, muitas vezes, não pode ser vivida sem competição. Competição e luta... dura mas saudável. Ninguém exija de si próprio mais do que aquilo que possa dar.

Não seja ambicioso porque isso é mau. Seja amigo de si próprio. Comece em si e consigo a desenhar esse percurso que o destino lhe trouxe e levante sempre a cabeça. Não vergue porque não é bonito nem digno. A dignidade tem beleza e é o homem digno que tem a nossa amizade, esse sentimento de pureza que nos faz ser melhor.

A amizade é um sentimento que deveria perdurar até entre pessoas que não se conhecem. E isso aconteceu com um amigo meu que colocou um anúncio no jornal a pedir trabalho, engenheiro oferece-se para a direcção de trabalhos de construção civil. O homem que venha amanhã, disse o leitor do jornal a alguém que estava por perto e que se deveria encarregar do contacto. A amizade surgiu por circunstância mas surgiu. Devemos fomentar o auxílio nas mais diversas situações.

E devemos ser correctos e gratos. A amizade exige gratidão e reconhecimento. Só assim seremos livres. A liberdade constrói-se em cima da amizade. Esta dá o primeiro passo. Uma vez construída, solidifiquemo-la. É e será sempre uma arma. E é um alicerce fundamental para construir o amor.

Sem amor nada se faz porque sem ele nada tem sentido. Mas entendamos aqui o amor como o sentimento da aproximação entre as pessoas e os povos. E nunca nos arrependamos de bater nesta tecla, porque aquilo que nos é dado observar é precisamente o contrário. A amizade só pode gerar amizade e o amor só pode gerar amor.

Há quem confunda amor com autoridade, até pode ser, o que não poderá ser é confundir amor com violência. E às vezes confunde-se tal porque não é fácil dizer não. Ao filho que vem da escola naquele dia em que as coisas lhe correram mal há a tendência para se tratar mal o professor em detrimento do filho.

É evidente que filho é filho, que deve ter todo o nosso amor , carinho e amizade mas o que não deve ter é a nossa protecção excessiva. Podemos muito bem ser-se amigo dizendo não. O amigo não é aquele que facilita mas sim aquele que corrige. Desde que saiba, claro. E ser amigo não é preciso ser-se aquele homem ou mulher bonzinho ou boazinha. Ser amigo é sobretudo ser justo.

E falar claro para que toda a gente perceba. Desde a chegada ao mundo que nos rodeia até ao momento presente de cada um e perante as situações que nos surgem, ajamos face a essas situações com aquilo que nos ocorra no momento, devendo ter em atenção que a atitude tomada deve encher-nos de orgulho.

Precisamos de nos sentir felizes. Sempre que possível. A nossa estadia por cá, actualmente está carregada de inveja e ciúme. São características negativas do nosso carácter. É pena dizer isto mas é verdade.

O ter supera o ser. É mais importante ter não importando mesmo a forma como se obteve esse algo. Aldrabando... é possível. Não devemos alterar as regras de boa coexistência estabelecidas.

Devemos isso sim reforçá-las. É fundamental unirmo-nos.

João Brito S ousa

CRÓNICAS DA MINHA TERRA "OS BRACIAIS"

(horta da mercedes do J. ladeira)

BRACIAIS, O MEU SÍTIO.


A Susana Moreno, foi a primeira pessoa que eu me lembro ter a coragem de dizer que residia nos BRACIAIS. Foi numa aula de Fancês com a D. Cândida, talvez no 1º ano 3ª turma do Curso Geral do Comércio que a professora lhe perguntou:- então, diga lá, a menina é de aonde, diga lá?....

Quando eu ouvi a pergunta da professora fiquei meio assustado e pensei, o que será que ela vai dizer?... mas a Susana, com aquela enorme simplicidade/grandiosidade que sempre caracterizou a grande mulher que sempre foi e ainda hoje é, certamente, disse simplesmente, sou residente nos Braciais senhora D. Cândida.

Daqui aproveito para a cumprimentar, como amigo e colega e para lhe dizer que nunca mais me esqueci deste pequeno pormenor. Aqui vão os meus sinceros parabéns por tal atitude de honradez e de fidelidade ao sítio onde se reside ou se nasce. BRACIAIS SEMPRE...

Os BRACIAIS começam na horta do Ti Manel António, o pai do Nica, do Adelino que esteve na América, pai da Ilda, a mulher do grande poeta braciasense Alfredo DIOGO (a propósito quem tem a obra deste poeta que precisava de publicar aqui alguns poemas, aló SOLEDADE URBANO preciso da tua ajuda) e terminam na venda do Zé Raimundo.

Nesse intervalo há braciasenses de grande valor, gente muito importante, gente que fizeram coisas grandes a nível do País. Aí vão três grandes personalidades dos Braciais.

ANTÓNIO SERRENHO, ele que foi grande vendedor da firma BRAZ & BRAZ e os filhos, o Professor Doutor António José Nobre Rodrigues (falecido) que chegou a vice Reitor da Universidade Lusíada e o Dr. Rui Nobre Rodrigues, empresário e académico de mérito.

Depois vem...

(continua)



João Brito Sousa

CRÓNICAS da 1ª REPÚBLICA

(parlamento)
MODERNISTAS E FUTURISTAS


No início da década do século XX, predominam nas artes plásticas os padrões naturalistas herdados do século XIX. Os jovens artistas, por tradição enviados a Paris apurar o ofício, com bolsas oficiais ou a expensas familiares, já não vêem o Mundo com os mesmos olhos.

Nada é como dantes desde que Cezanne, Picasso, Stravinsky ou os futuristas italianos começaram o combate aos romanticos. Vive-se lá fora em plena revolução modernista. Os primeiros sinais de choque manifestam-se nas exposições de humoristas de 1912 e 1913 em, Lisboa. É pelo humor, pela caricatura e pela ilustração que o movimento modernista penetra em Portugal. Cristiano Cruz, Almada Negreiros, Emérito Nunes, Stuart de Carvalhais e Jorge Barradas exprimem um requinte estilístico integrando muitas inovações. pós-art nouveau

Quando os «parisienses» começaram a chegar, obrigados a isso pelos motivos do início da Grande Guerra, 14/18, opera-se a segunda fase da rotura modernista. Eduardo Viana com uma exposição na Sociedade Nacional de Belas Artes em 1914, evoca o abalo causado pela obra de Cezane. Todavia , o pintor que melhor incorpora o espírito do tempo assimilando a explosão vanguardista é Amadeo de Sousa Cardoso., regressado também em 194, após oito anos de exílio parisiense..

Assumindo-se como «impressionista, cubista, futurista, abstracionista de tudo um pouco» a sua obra atravessa todas as escolas. Tendo-se tornado em Paris destacado seguidor cubista, Amadeo vai ser dos primeiros abstraccionistas em 1913. No ano seguinte é tentado pelo expressionismo, voltando a Portugal com todas as linhas modernas na paleta. Expõe em Lisboa e Porto, com grande polémica e houve até uma tentativa de agressão.

Outro retornado de Paris em 1914 é Guilherme Santa- Rita que faz parceria com Almada Negreiros, outro jovem aberto a todas inovações estéticas .

Mas é fora da plástica que o futurismo encontra os e melhor advogado; um obscuro poeta e escritor de nome Fernando Pessoa e da sua mente brotaram as figuras de Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro. O futurismo é defendido pelo poeta Álvaro de Campos.


JOÃO BRITO SOUSA

terça-feira, 30 de outubro de 2007

AGRADECIMENTO


PORTO, 2007.10.30

Muito obrigado ó malta amiga pelos comentários feitos aos meus posts.
Em forma de agradecimento aí vai poesia.


AOS AMIGOS

Tenho alguns... bons...daqueles que nunca falham
Quando preciso deles dou um toque e eles estão lá..
Operacionais... e às vezes são eles que se antecipam
E perguntam - me se estou bem ou o que é que há?...

É o caso agora... um, é amigo de sempre, homem vertical....
Outro...que diz muito apreciar as minhas capacidades!...
Ambos surgiram no blogue e dele não disseram mal
Deixaram dito ambos que o blogue tem possibilidades

De através dos temas que lá coloco dizer quem sou
O que quero, o que penso do mundo e para onde vou
E eu fico satisfeito com a leitura e tenho vaidade...

Porque um homem sem amigos é um homem pobre
Mesmo o homem mais rico do mundo que dele sobre
Tudo.. se não tem amigos... é porque não tem verdade...

João Brito Sousa

PALAVRAS DE UM BOM AMIGO


PALAVRAS DE UM BOM AMIGO



Ecos


É isso aí, companheiro!

O reconhecimento dum bom trabalho pode tardar, mas sempre chega um dia!Por vezes tarda demasiado e deixa-nos à beira da desistência. Mas desistir é próprio só dos fracos. Daqueles de quem a História não reza! O acto de escrever e publicitar os escritos persegue, em meu entender, dois objectivos: a realização de um impulso individual e pessoal e o proporcionar prazer a quem nos lê.

Há quem se refugie num egoísmo exagerado e escreva apenas e tão só para um secreto Diário, confidente exclusivo de emoções e sentimentos vividos. Há quem, por timidez, não se atreva a teclar umas palavras para serem lidas por terceiros, tementes a críticas com que não saberão lidar.


Felizmente há uns Brito de Sousa que, não sendo nem uma coisa nem outra, se lançam nesta gratificante tarefa de proporcionar a terceiros o prazer de partilhar as suas recordações e os seus conhecimentos.


Felizmente

É com todo o prazer que faço eco das palavras do amigo que acabou de louvar as tuas crónicas e me associo ao grupo de incentivadores que, de uma forma ou de outra, te motivam a que vás continuando a debitar, para nosso deleite, os trabalhos que aqui tens apresentado.

Para a frente, sempre!

Perpetuando e dignificando o passado, com a elequência das palavras!Estamos aí, amigo! Para te suportar! Para te ler! Para que te sintas sempre e cada dia muito mais vivo!

Aquele abraço do amigo

Felizmente reformado

PALAVRAS DE UM AMIGO


Meu Caro João Brito Sousa,


Este blogue está o máximo.


Não tenho tido muita disponibilidade para teclar, mas arranjo sempre um bocadinho para te visitar de "braços ao alto".


As tuas crónicas são deliciosas e através delas tenho vindo a reconhecer o mundo rural dos arredores de Faro - eu que sou um urbano farense desde que nasci - pois desconhecia grande parte dessa realidade aqui tão próxima e que tu descreves de forma magistral.


Continuarei visitante atento e conto voltar ao teu contacto.


Grande abraço.

e


O MEU COMENTÁRIO É:



GRATIFICANTE, é a palavra que me ocorre dizer sobre um comentário ao meu trabalho de uma pessoa que não me conhece.


Assim , vale a pena....



João Brito Sousa

SENHORA DA SAÚDE


GENTE DA SENHORA DA SAÚDE.


QUEM SE LEMBRA DO JOAQUIM URBANO?...


Da Senhora da Saúde, lembro-me do Zé Luís, o filho do Ti Leonel que reside em Elisabeth nos Estados Unidos e parece que esteve por cá a passar uns dias de férias. O Pai, vejo-o com muita frequência perto da venda do Zé Raimundo, ali para os lados do ti Aníbal, ele e o Miguel Barulho, que andam sempre na brincadeira, parecem dois putos, o Miguel canta o fado e o Leonel dá-lhe umas cacetadas pelo lombo abaixo.

Depois do Leonel lá na Senhora da Saúde vinha o Joaquim Tarreta, grande agricultor falecido com 42 anos e já a explorar três hortas. Os filhos são os meus amigos Diogo (éh pá... gostava de ter o teu número de telefone daí... pode ser) Reinaldo e Soledade, gente boa.. que já tenho falado aqui muitas vezes.

Morava ali em frente aos Tarretas a Otília Marques, que andou comigo na Primária em Mar e Guerra mas nunca mais a vi. E era por ali que morava o Joaquim Urbano, que andou lá na Primária com a gente e que era parceiro de carteira do meu primo CARLINHOS LOURO e ficavam sentados na fila junto à parede, segunda carteira. O Joaquim era muito amigo do meu primo mas perdi-o de vista.

Escrevi isto para dizer ao JOAQUIM URBANO que o seu parceiro de carteira está hospitalizado no Pulido Valente em Lisboa e se pretender ir lá vê-lo, que me telefone (96 373 64 04) que eu logo explico como é que as coisas se fazem, no sentido de o Joaquim lá chegar à sala 16.

Este Joaquim Urbano parece que era das famílias dos Ratos, uns tipos que tosquiavam animais muares, mas nunca mais estive com eles...

Amanhã há mais notícias da Senhora da Saúde... com o Mestre Vicente...

Hasta mañana.

João Brito Sousa

POESIA


Porto, 2007.10.29

OS AÇORES


Nove ilhas... tão perto... e tão longe...daqui...
Que vontade tenho em nas voltar a visitar.!..
Recordo tua cor e luz de quando estive aí....
E tenho muitas saudades de ver o teu luar.!.

Porque nos agarras tanto e tanto nos prendes?..
E fazes pensar que além deste há outro mundo?..
Continuas com o ar senhorial com que te defendes.
De seres mais que umas ilhas nesse mar profundo..

Tu tens muito para nos dar Açores.. e para contar!..
Mas para mim... toda a interrogação está nesse mar
Que te envolve, te rodeia e te beija e te abraça...

Quero perceber a tua relação com o mar e as Lagoas
E depois como te chegaram essas coisas boas..
Para te dizer se sempre vou aí ou não assentar praça....

João Brito Sousa

CRÓNICAS DA 1ª REPÚBLICA



A GLÓRIA DOS PALCOS.

RIR É O MELHOR REMÉDIO.

Os três mais populares actores cómicos do decénio são Chaby Pinheiro, Estevão Amarante e Luísa Satanela. Chaby, portento de representação, não só na comédia como no resto, inaugura uma linhagem nacional de cómicos gordos. Amarante é o ídolo das multidões, criador de duas personagens que entram na família portuguesa com o seu diagnóstico político: o carroceiro Ganga e o guarda Cívico.


Satanela, actriz bailarina de origem italiana, com a sua imagem de marca nos grandes e penetrantes olhos, forma com Amarante um par que garante o êxito de qualquer espectáculo.

Apesar dos êxitos da «Parceria», a revista da década é de outro trio: Luís Galhardo, Pereira Coelho e Alberto Barbosa, com o 31, lançam em 1913 o maior sucesso teatral de sempre em Portugal.


Ao fim de quatro anos, o 31 já vai em 2 000 representações, abrangendo o Porto e as mais importantes cidades brasileiras, por lá passando Amarante, Nascimento Fernandes, Carlos Leal, Maria Vitória e Ângela Pinto.


A sua glória faz-se de músicas que saltam logo para a rua e de sátiras que o público abraça instantaneamente..

O 31 faz jus à fama de Afonso Costa, imaginando na Cegarrega Afonsista um diário onde o líder republicano é o líder exclusivo: «Tudo o que há neste jornal, / O rabo, a cabeça, a posta, / trata somente afinal,/ Do doutor Afonso Costa » O humor revisteiro costuma juntar a política à canção. Os Adesivos, de Raios e Coriscos (Artur Arriegas, 1911): «Sujeito que foi talassa / e que em se mostrar esquivo/ A republicano passa .../ É adesivo // Menina que a namorar/ passa a vida sem sentir / E que só pensa em casar../ Quer aderir!...// Se depois do casamento / Certos enjoos sentiu / E engorda a todo o momento... / Já aderiu .../ Rapaz que lindas beldades / Passa a vida perseguindo / Dizendo amabilidades.../ Vai aderindo.. // Cocote que pela rua / Passeia em grande estadão, / Decotada, quase nua... / Quer adesão.. // E um velhote corcovado / Que, ao ver formosa mulher, / Fica assim de cara ao lado, / Já não adere!...»

João Brito Sousa

OS OPERÁRIOS EM RAÚL BRANDÃO

(raul brandão)

OS OPERÁRIOS
De Raul Brandão.

Em 1 de Julho de 1895, Raul Brandão, a propósito da vida em Lisboa, apresenta-nos este panorama da sociedade portuguesa do fim do século XIX..

«A verdade funda e negra é esta: é que a miséria é enorme. As casas de prego estão cheias. Ganha-se menos dinheiro e a vida está mais cara.

Há misteres curiosos, que de propósitos se inventaram para ganhar dinheiro: a exploração de mendigos em grande, com escrituração, livros, homens que correm as feiras minhotas à procura de lepras corrosivas e de homens cancerosos e a prostituição de pequenas desde os oito anos..

A mulher é explorada em toda a parte. Ganha pouquíssimo, pelo que tem de se vender à força. Conheço uma actriz que representou no Tetro D. Maria em LISBOA. Ganhava trinta mil réis por mês e tinha de comprar, por cada peça em que participava, dois ou três vestidos que lhe custavam o triplo. Duma vez para não se vender a dez tostões, viveu um mês a café e a morfina.

Já vêem vocês que a vida é dura. Família inteiras morrem lentamente, é certo, de fome. Ao pé disto a intriga política leva todo de enxurada.

A mendicidade praticada por crianças, que são exploradas por adultos crapulosos, e a delinquência infantil são duas chagas sociais que, naturalmente, contribuem para difusão do anarquismo..

Em 19 de Março de 1895, o Correio da Manhã propõe aos seus leitores um inquérito sobre o suicídio:

O suicídio alastra-se, como uma doença estranha, nervosa, atirando para a cova com todos os desgraçados já enfraquecidos de cérebro e já mais ou menos preparados para a morte.

Nestes últimos tempos, então a mania ou a loucura tem tomado proporções de tal ordem que se torna necessário um remédio que atenue o mal...

È fácil dizer-se que o suicídio é uma cobardia e um crime.. Tu leitor, que neste mesmo instante lês sereno, ao pé da tua filha linda e fresca, a sorrir no aconchego da tua sala, onde os crisântemos morrem deixando cair devagar as pétalas com um ruído de soluços não compreendes que um desgraçado ache a vida má e inútil e meta chumbo nos miolos ou se atire de um quarto andar para o lajedo da rua.

Não podes mesmo perceber que a vida pese e esmague; que haja fome; que, depois de uma luta desesperada, sem caminho para onde fugir, sem pão duro, sem coração para pulsar, criaturas pensem:- Para quê viver mais?

O País emigra....

«Nos jornais todos os dias se fala nos engajadores. O engajador é quem facilita a emigração ao campónio e ao simples, tirando-o muitas vezes, se não ao bem-estar pelo menos ao caldo e ao pão da casa paterna, para o atirar para a fome algumas vezes, para a morte quase sempre..

Em geral o lapuz que vai emigrar é preso a bordo e ao larápio que o levou àquela situação nem o incomodam sequer»

Texto retirado de “OS OPERÁRIOS” de Raul Brandão.por

João Brito Sousa

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

GENTE BOA DOS BRACIAIS


TOMÉ CRISTINA

O Tomé Cristina , filho da Alzira e do Firmino Cristina, era um grande amigo dos Braciais. Grande trabalhador, talvez até de mais, o Tomé era um grande amigo. Talvez dos melhores que eu tive. Era um homem que não se metia na vida de ninguém. Tinha prazer em andar a passear com o Tomé.
Não sei se foi na escola primária de Mar e Guerra que e o conheci pois não me lembro nada dele lá.
Estive à tempos com a irmã, a Helena e falámos dele. Faleceu na Austrália mas para mim não faleceu ainda. Está em Paris para onde foi há aí uns trinta anos. Tenho que lá ir vê-lo.... um dia destes....

De quem também não sei nada é do irmão, o ETELVINO, alto e magro, lembro-me que era grande companheiro do irmão do Zé Marques, o Agostinho. Que será feito deles?:..
E que será feito da Isilda, a vizinha do Tomé, que estudou comigo em Faro e depois perdi-a de vista.

Preciso de notícias desta gente. Quem as dá? Fico à espera.
O meu email é jbritosousa@sapo.pt

Sem mais, sou

João Brito Sousa

POESIA


PORTO, 2007.10.29


UMA BOA SEMANA


Hoje é o primeiro dia dela e como ele começar...
Se irá determinar o andamento destes cinco dias.
Faz tudo o que tens a fazer em primeiro lugar ...
Agora, liberto disso, acalma-te e nada de correrias.

Ou então é fazer como aquele amigo que faz assim:
Está complicado o assunto?... o é que vou fazer?..
Vou mas é deitar-me um bocado... porque no fim
Tudo, mas tudo.. mal ou bem se há-de resolver.

Ou como aquele que chamou gatuno ao bancário
Que lhe foi exigir pagamento... ó seu ordinário
Então estou eu a dormir a pensar na melhor maneira

De lhe arranjar o dinheiro para lhe pagar
E o senhor não é de modas vem-me cá chatear
Pois...não leva agora e terá de esperar a vida inteira.

João Brito Sousa

CONVERSAS COM NEW YORK



CONVERSAS COM NEWYORK

O MEU IRMÃO JOAQUIM FAZ HOJE 57 ANOS

Falei ontem com o meu irmão Joaquim Manuel de Brito Leal Silva, que faz hoje 57 anos. Homem amigo, grande mecânico que trabalhou na FORD com o jogador de futebol do Farense, o Ventura, trabalhou no Zé Basílio no Chelote, com o João Mocho e o Gabriel do Tomezinho, emigrou para a América aos dezoito anos onde se orientou bem, é grande proprietário nos BRACIAIS e na América e quer voltar à Terra.

São companheiros do seu tempo o António Lourenço (o filho da Tia GUIOMAR), o Luciano Mascarenhas, o Rogério Coimbra e mais uns quantos.

Nas corridas de bicicleta à noite era campeão. Deitava-se em cima da máquina e ganhava.

Foi jogador do Louletano em juniores onde jogou a defesa direito. Era o melhor a arrancar a bola de saída na pequena área. Parecia o REINA do Farense.

QUE SEJA UM DIA BOM PARA TI, SÃO OS VOTOS DO TEU IRMÃO

João Brito Sousa

O PROFESSOR

(escola magistério primário)


O PROFESSOR NORBERTO SILVA

Da obra “HISTÓRIAS À SOLTA NAS RUAS DE FARO” do Dr. Libertário Viegas, retiro informação que, entre os Largos do Castelo e da Sé, da cidade de Faro, situa-se a Rua do Trem, no local onde existiu um depósito militar de viaturas e bagagens, que cruza com a Rua Professor Norberto Silva, um sargento que vivia na casa contígua ao cemitério da Sé e que foi um prestigiado mestre - escola.

Não se sabem datas de nascimento do professor nem se é ou não natural da cidade de Faro. O que me chamou a atenção, foi o facto de se dizer na obra do Dr. Libertário - que por sinal considero muito bem conseguida - que Norberto Silva tinha sido sargento do exército e ainda mestre escola de prestígio.

Ora, estas são duas profissões do Estado, ou seja, o senhor Silva era funcionário público duas vezes e penso que seria interessante saber como é que isso era possível.. Consultada a Constituição de 1976 verifica-se que sim, que isso é possível, uma vez que no Artigo 269. (Regime da função pública) nº 4, pode ler-se: Não é permitida a acumulação de empregos ou cargos públicos, salvo nos casos expressamente admitidos por lei.

Está tudo na Lei, portanto. A lei é que nos comanda a vida e desde que a lei especifique em que condições pode haver sobreposição na função pública, tudo ok, não tem qualquer problema..

Não consegui saber como seria distribuído o tempo de trabalho do nosso mestre, quer na escola quer na tropa.. Um reparo apenas; será que não lhe daria direito ao posto de alferes o facto de ter estudos para mestre escola.? No meu tempo não dava, o que era uma injustiça, porque o curso do Magistério eram dois anos e mais cinco do Liceu, o que dá sete, o que poderia ser tido como equivalente ao sétimo ano do Liceu, que já dava para entrar na Escola de Oficiais.

Resta-me com esta crónica, por com ela pouco ter conseguido, ao menos prestar uma homenagem a todos os mestres escolas deste País, que era uma coisa que eu já há muito tempo deveria ter feito, pelo simples facto de todos nós termos passado pela mão de um professor primário.

E é na Escola Primária que se começa a formar o carácter do País. Por isso... eis a razão da minha homenagem. a essa classe de profissionais entre os quais se encontra o professor Norberto Silva.

João Brito Sousa

CRÓNICAS SOBRE A 1 ª REPÚBLICA

(parlamento)
O PAÍS DAS REVOLUÇÕES


A República oscila pendularmente entre intentonas conservadoras e radicais, frustradas ou vitoriosas. Com os seus bandos civis patrulhando as ruas e dando ordens nos quartéis de cinturões de balas em volta do peito, o 5 de Outubro estabeleceu o clima para esta constante tentação de mudar o rumo da política pela força..

Os batalhões de voluntários da República, nascidos no auge da revolução com o beneplácito do poder instituído, surgem por toda a parte substituindo-se ao frrágil estado português. O pais radicaliza-se pela acção dos mais diversos grupos políticos, formados por extremista de forma mais ou menos clandestinas e procurando suplantar-se uns aos outros pela violência

Para esta gente nada representam os direitos e garantia do cidadão, como se pode concluir do aviso fixado em Coimbra logo após a primeira incursão couceirista: "agora que a Pátria está sendo invadida por inimigos, previnem-se todos os indivíduos que por conta própria ou por conta de outrem tramem contra a vida de cidadãos republicanos que, averiguada que seja a culpabilidade, ainda que somente por provas morais serão justiçados onde quer que se encontrem.”
Não espanta que muitos só concebam a via das armas. Das revoluções que se banalizam em Lisboa ao longo da década avultam, pelo derramamento de sangue, o derrube da república.
João Brito Sousa

domingo, 28 de outubro de 2007

AO JAIME REIS


COMENTÁRIO AO COMENTÁRIO DO JAIME REIS


“Que saudades.

Nesse tempo , era o tempo em que as pessoas conviviam.

Hoje ninguem convive com ninguem.

Conviver é conhecer o outro.

Não conviver é desconhecer. Desconhecer é desconfiar.

Hoje somos um mundo de desconfiados”.


Jaime Reis


CARO JAIME REIS .

Aqui, no ADF, eu fiz um comentário ao texto do senhor Viegas Gomes, “CAFÉS E TERTÚLIAS”. Depois vem o senhor logo a seguir e deixa esse comentário que está aí em cima.

Não sei se o dito me é dirigido. Sim ou não, não interessa. O que me interessa é discutir essa do “mundo de desconfiados” que o Jaime Reis cita. Porque eu não estou de acordo.
Ter saudades desse tempo é ter saudades do passado. Claro que não é proibido ter saudades do passado.


Mas sobre essa forma de ver as coisas, Fernando Pessoa, é espectacular quando diz:- “ Vivo sempre no presente. O futuro não o conheço. O passado já não o tenho. Pesa-me um como a possibilidade de tudo, o outro como a realidade de nada. Não tenho esperanças nem saudades.


Conhecendo o que tem sido a minha vida até hoje - tantas vezes e em tanto o contrário do que eu a desejara - que posso presumir da minha vida de amanhã senão que será o que não presumo, o que não quero, o que me acontece de fora, até através da minha vontade? Nem tenho nada no meu passado que relembre com o desejo inútil de o repetir. Nunca fui senão um vestígio e um simulacro de mim.


O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto.”

Diz o senhor que “Conviver é conhecer o outro. Não conviver é desconhecer. Desconhecer é desconfiar”...

Ora isto pode não ser bem assim. Conviver é ter relações cordiais com outrem, dar-se bem com os outros, compartilhar o mesmo espaço.... e não necessariamente conhecer o outro. Não conviver pode não ser o que o senhor diz, Quanto a mim, não conviver é não desfrutar do prazer de ter relações cordiais com terceiros, não se dar com eles e não partilhar do mesmo espaço com eles e por aí adiante...

Em minha opinião, o convívio das pessoas umas com as outras continua igual.. Só que acontece sob outras formas e locais. Mas não tenha dúvidas que a malta se diverte.

O modelo do convívio e os locais é que mudaram. Desculpe-me a observação e aceite os cumprimentos do

João Brito Sousa

COMENTÁRIO FEITO POST


DEUS e DEUSES

Por Arnaldo Silva


comentário ao meu "PORQUE HOJE É DOMINGO"



O Homem, um dos seres que vão habitando este planeta, é, de todos eles, o que tem a componente espiritual mais desenvolvida. Inteligência, capacidade de discernimento, pensamento, capacidade de projectar-se no futuro, idealizando e materializando as suas ideias.


O Homem, albergando no seu físico a volátil capacidade de pensar, gera, por essa via, conceitos, preceitos, normas de conduta social, necessidades, emoções e depressões. E, nesse acto gestativo, vai contagiando os seus semelhantes.


Nessa acção de contágio, com maior ou menor capacidade de influência, o Homem "mais capaz" vai impondo as suas ideias ao vizinho, que as aceita, com mais ou menos contestação, com mais ou menos capacidade dubitativa, mas que as vai assimilando.

O Homem "mais capaz", nem sempre encontra explicações racionais para todos os eventos do mundo circundante pelo que tem necessidade de recorrer a algo de transcendente, a algo que a capacidade humana de discernir não atinge. Penso que é por isso que surge o Deus, a explicação do inexplicável.


Seja qual for o tipo de religião aceite por uma comunidade, mono ou politeísta, o Deus ou os Deuses existem para isso, para tornar acessível ao conhecimento do humano o que ele não sabe compreender ou explicitar usando as suas faculdades naturais.


O Homem "mais capaz", na sua capacidade criativa, dessiminou junto da sua comunidade o conceito do Deus. Assimilado que foi esse conceito e uma vez explicados os seus predicados e objectivos, O Deus passou a fazer parte da vida de cada um e, dependente do grau de dúvida com que foi aceite, passou a ser mais ou menos respeitado por cada homem.


Daí que uns cumpram mais escrupulosamente as normas de conduta que o Homem "mais capaz" estipulou como sendo exigidas para viver nas graças do Deus e outros quase ignorem essas normas e até mesmo questionem se esse Deus tem existência e é capaz de influenciar a sua vida.


E, dito isto, quero acrescentar que todo o Homem admite a existência do seu Deus. Todo o Homem necessita do seu Deus. Que mais não seja para poder exclamar o corriqueiro "Valha-me Deus!" quando se vê metido em alguma aflição.Indo à missa ou ignorando a sua existência, o Homem está sempre com o seu Deus. E está bem!


Arnaldo silva
Felizmente reformado

POEMA

(golf é poesia)

PORTO, 2007.10.28


A POESIA

Faz parte da minha vida .. transporta-me...
Para sítios e locais belos e distantes !...
Nela, o silêncio existe e a respiração corta-se-me
Porque o agora não é igual ao que era dantes.!...

A poesia é o caminho a direcção, o sinal...
Que nos alberga como a Mãe ao seu menino.
E leva-nos nas asas do vento para o tal local
Que Deus disse ser o local do nosso destino....

Poesia é construir o nosso futuro agora!...
É dizer a nós próprios que um Homem não chora
É lutar com ela contra a ditadura e a tirania


Um poeta é aquele que não desmerece e vence.!..
E apenas com a ajuda das palavras convence
Que a melhor arma para se vencer é a poesia....

João Brito Sousa


PORQUE HOJE É DOMINGO

(obra da natureza)


HOJE É DOMINGO


Hoje, é o dia que nós todos deveríamos ir à missa com a consciência de que teríamos Deus por nossa companhia. Mas não temos essa certeza. E esse é um problema que o Homem ainda não conseguiu resolver.

Poderemos perguntar se o homem precisa ou não de Deus e a resposta virá sim ou não, conforme os sentimentos de cada um. Mas o que o homem precisa não é deste Deus, mas sim, de saber a verdade acerca deste Deus. Precisa de saber se há um Deus verdadeiro ou se há um Deus qualquer como me parece ser este.

Talvez a vida fosse mais aliciante se tivéssemos a certeza da Sua existência

E hoje que é Domingo, interessa-nos reflectir sobre a vida e a envolvência que ela tem, no fim de contas, saber o que ela é e o que é que ela representa para nós. Saber o que é que a vida nos pode dar e nós a ela. Qual é o tipo da nossa relação. A isso chama-se “Questão Social”

Sobre este assunto escreveram escritores prestigiosos como Eça de Queiroz, argutos e bem informados publicistas, hoje ignorados ou mal conhecidos, como Augusto Fuschini, António de Serpa Pimentel, o Visconde de Ouguela e Ladislau Batalha, entre outros, que analisaram a crise social nascida da euforia capitalista e do deficiente funcionamento do sistema constitucional.


A própria Igreja Católica reconhecia a importância e a gravidade da questão social na última década do século XIX quando, em Maio de 1891, Leão XIII publicou a sua famosa encíclica Rerum Novarum, na qual afirma: «A sede de inovações, que há muito tempo se apoderou da sociedades e as conserva numa agitação febril, devia, cedo ou tarde, passar das regiões da política para a esfera vizinha da economia social....


joão brito sousa

sábado, 27 de outubro de 2007

AO PESSOAL DOS BRACIAIS


CRÓNICA DO MEIO DIA E QUINZE.


Aló BRACIAIS.


A esta hora o sítio dos BRACIAIS já está calmo. Os habituais clientes do Zé Raimundo já lá estiveram, o Florival já levou o pão, o Mateus Barras foi à praça comprar peixe, o meu amigo Zé da Cova foi a casa da filha dar uma visitada, o João Patuleia trabalha hoje e não pode ir buscar o jornal `a da Graciete Ladeira, o Zé Fava está em Pechão, onde o meu amigo Viegas almoça todos os sábados com os amigos dele. Já agora aí vai um abraço para o amigo Albertino Bota que eu conheci lá.


O meu tio Zé Maria a esta hora deve estar achegar a casa, vem da praia onde foi apanhar berbigões. O almoço hoje é peixe assado, diz a minha tia a quem acabei de ligar.

Quando vou aí vou almoçar ou à do Jorge ou à Roseira Brava é bom e barato. Até parece que estou a almoçar no Porto onde resido agora. Saio de casa da minha tia Maria do Carmo, passo `a do Zé Raimundo, dou-lhe um toque, viro `a esquerda, passo à do meu parente Zé Patuleia e aí estou eu no Roseira Brava. E depois no regresso tomo café no Zé Raimundo... era o nosso defesa esquerdo, o Zé era valente.. pergunto pelo João Matias ponta de lança do meu tempo... que está em França, dizem-me e volto a casa, descanso um bocado e depois vou até `a biblioteca, ao pé da Alameda em FARO

Às 5 da tarde, se eu estivesse aí ia `a procura do Daniel Joana ao Rio Seco, amigo que eu já não vejo `a muito tempo mas a quem envio um grande abraço.

E para toda a malta dos Braciais e do Patacão, igual.

João Brito Sousa.

BOM FIM DE SEMANA


PORTO, 2007.10.27


BOM FIM DE SEMANA


Para os meus filhos em ALMADA XAXÁ E PEDRO Para a minha nora e para a minha neta MARIANA

Para os meus irmãos em NEWARK, USA

Aló Solange, katy and Jack David, Daniela, Michele e respectivos....

Aló PAUL SPATZ e filhas

Aló primos e primas na Austrália e Perpingham em França em NEWARK, aló Tony and Quitéria Ilheu aló SIlvina no Canadá

Para a Celina e para o Aníbal, para o Zé ALEIXO Salvador esposa, Honorato Viegas e esposa, Peixinho e esposa em ALMADA,

Para toda a malta do 1º 4ª de 52 em especial para o Coelho Proença, Zé Maganão e Ludgero Gema,

Para o Gregório LONGO no Lar da Guia (até à primeira)

Para o Dr. Eduardo Graça e o seu ABSORTO

Para o Engº SOUSA DUARTE, esposa e filho

Para o amigo Carlos BARRIGA E ESPOSA e Filha nas FERREIRAS.

Para o Luís José Isidoro em ESTOI, amigo inesquecível

Para o Engº Neto e esposa em ESTOI ainda.

Para o Engº Manuel Carvalho e esposa

Para os meus compadres, Dr. Manuel Rodrigues e Drª Fátima Rodrigues e filha, a Drª Ana Luísa Rodrigues.

Para o enorme MÁRIO MONTEIRO que agora mora em CAMPO

e para o Guilherme, Marta esposo e filho,

Para o CARLINHOS LOURO, esposa e filhos e irmãos e respectivos, meu primo e velho amigo.

aló Custódio Clemente e Zé Mendes na AUSTRÁLIA,

Zé Lúcio, Florentino, Rosendo e Joaquim Carrega...

Victor e Célia Custódio e Leonilde Filhos e filhas.

Aló Montenegro SÃO E FILHAS ,

Tia Amélia.

Tias Alzira e Ti Manel

Eusébio e Júlia Lucília e Armando e Filhos

Silvina e Luís Alcantarilha e filhos

Mercedes e Alviro, BICAMA e BIZÉ E RESPECTIVOS

Maria do Carmo e Zé Maria e filhos (meu afilhado João Manuel) e noras netos

FLORIVAL EM França, esposa e filhas Para o CUSTOIDINHO, o filho do APOLINARIO, que diz que é teu amigo e com quem tive uma pega no restaurante o Jorge, no PATACAO.

Para: VIEGAS, DIOGO, PLÍNIO, ARNALDO SIVA, ZÉ GRAÇA, DIOGO TARRETA, REINALDO E SOLEDADE ...ainda há mais?... para todos

Aló ESTORIL Mário Fitas, Aló Porto Carlinhos Pereira, Adelino Oliveira em AZEITÃO. Romualdo Cavaco, Jorge Valente dos Santos e Zé Pinto Faria em Portimão. ADOLFO PINTO CONTREIRAS NOS GORJÕES E SOARES em TAVIRA. Feliciano Soares e Xico LEAL em Olhão e Zé Júlio na ilha da Culatra. Para a malta da Escola Comercial e Industrial de FARO, grandes amigos e colegas,

ROGÉRIO COELHO, LUÍS CUNHA, JORGE CACHAÇO E FRANKLIM MARQUES.

Para o JORGE CUSTÓDIO, o JORINHO que andou comigo na escola primária em Mar e Guerra, irmão da Fernanda e que agora mora em Faro e para o GABRIEL ferreiro na Falfosa.

CUSTÓDIO JUSTINO no Patacão e João ALCARIA em Mata LOBOS, distintos bancários.

Para as minhas primas Maria Emília na Falfosa, filhos e respectivas, Margarida em Santa Barbara de Nexe, Maria em Faro e Glorinha em Tavira.

Para o primos ROBERT em Nice, JOÃO no Patacão.

Para os tios Zé Bárbara e Vitalina em Vila Moura e tio António no Canadá..


UM BOM FIM DE SEMANA PARA TODA A GENTE

João Brito Sousa

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

BRACIAIS ANOS 50


O TRABALHO NAS HORTAS

Esta crónica é para o CIRILO

No trabalho das hortas, que aprendi pouca coisa, a minha especialidade era rega do milho.

Houve um tempo que eu é que fazia a rega da hortinha, uma horta da Mercedes Ladeira, que ficava lá ao pé dos Forjas, ao pé da linha do caminho de ferro.. Virava-se em frente ao armazém do Tomé Apolo, onde trabalharam o Zé Navalhas e o Clementino BAETA, passava-se em frente à horta do Ti João Patuleia e creio que do António Gaita e lá ia eu para a rega.

O meu padrasto ia lá engatar a mula no engenho para encher o tanque de água e a rega era comigo.

Levava os livros da escola da quarta classe, para estudar a História de Portugal e as Ciências Naturais, enquanto o tanque não enchia. Depois vinha a rega e lá se fazia o trabalho.

Quem me lá ia visitar de vez em quando era o meu amigo João Patuleia Filho, que um dia encontrou noutra especialidade. Diz ele que eu estava a ler aquela quadra que o Clementino Baeta, mandou à mulher da Venezuela e que dizia assim:

Se tu me visses MARIA
Só tenho a pele e o osso.
De fazer aquilo que fazia
No tempo que era moço.

Os grandes trabalhadores que por lá passaram foram o Luís Alcantarilha, grande trabalhador e matador de porcos, o Eduardinho casado com a Cecília Pereira, filha do Zé Conquilha e o Joaquim, o genro do Ze Lipardo

Na limpeza da nora passaram lá o Eusébio Ilhéu, o Zé da Cova e o Domingos Simão.

Além da rega gostava de lavrar terra, com a mula ou com os bois. Ainda fiz esses trabalhos ao lado do JOAQUIM BOIEIRO, o padrasto do Agostinho que trabalhou aí na Sacor. Fazia os regos direitinhos...

Era no tempo que andavam aí com os tractores o Zé Marques e o Joaquim Rebola, o pai da minha amiga NOÉLIA

Aló Engenheiro Neto de Estoi, como é? ..

Aí vai um abraço para toda a malta dos Braciais e do Patacão. E digam coisas....

João Brito Sousa

RIO DE FLORES


O RIO DAS FLORES

Do Miguel de Sousa Tavares


Não gosto da pessoa que é o escritor Miguel de Sousa Tavares. Concedo-lhe legitimidade para se abrigar debaixo da palavra escritor, apesar de ter nessa óptica escrito apenas duas obras, para que não se diga que estou aqui para embirrar com o autor.

Diz o Miguel em entrevista hoje ao JN/ PORTO:
"Quem me conhece sabe que deixei a minha pele toda neste livro. É o resultado de três anos de trabalho e de vida suspensa. Três anos muito duros, em especial neste último ano de escrita obstinada. Muitas vezes, a altas horas de madrugada, juro que me fui deitar pensando se conseguiria acabar o livro antes de morrer ou se conseguiria morrer antes de acabar o livro",

O livro tem quase setecentas páginas e escrevê-lo em três anos, incluindo neste período as constantes e inúmeras viagens que fez, é mais demérito do que mérito. Três anos é o que qualquer escritor leva, quase só para pensar em pôr de pé uma história. Truman Capote levou sete anos a escrever o seu “A Sangue Frio”. O ultimo de Baptista-Bastos levou igualmente sete anos a estar pronto

Deixar a pele no livro é publicidade barata. Deixar a pele porquê? Um livro também se faz com gosto. Vida suspensa?... como, se continuou a facturar na TV e no Jornal “A BOLA” onde ataca a postura do Benfica com ódio e defende serenamente o indefensável. Escritor este homem?...como?... se nas crónicas desportivas que escreve não me parece isento?....

Da entrevista ainda ao JN/ PORTO.

"Não escrevo para mim; escrevo para os outros", afirmou Sousa Tavares, confessando sentir muito orgulho - "e não vaidade" - pelo facto de ter sido várias vezes abordado na rua por pessoas que lhe diziam "Por favor, escreva mais".

Será que sim?....

"Tenho orgulho", frisou, "em saber que muita gente que nunca tinha lido um livro nos últimos 10 ou 20 anos leu um livro meu e quis ler mais". E acrescentou: "Não me interessa ser um génio incompreendido...

Do meu ponto de vista, MST não pode ser considerado, atendendo aos trabalhos que faz, simultaneamente, bom escritor e bom jornalista. A minha raiva contra ele é esta.

E porquê?

Porque, na minha opinião, MST é tendencioso e denota falta de isenção, nas crónicas desportivas que escreve?

Ou não será assim MST ?...

De qualquer maneira, não quero deixar de lhe desejar todo o sucesso na sua nova obra..

Queira aceitar os cumprimentos do


João Brito Sousa

CIDADE DE OLHÃO


EU GOSTO DE OLHÃO


OLHÃO é futebol e futebol em Olhão é CASSIANO.

Venho do lado das hortas para falar de Olhão. A minha terra é “Os Braciais”, que fica antes de chegar ao Patacão para quem vai de Mar e Guerra, a terra do senhor Manuel Garrocho, do caiador Manuel Piedade e do João Patuleia, o homem mais rico da terra pelos amigos que tem.

Nos Braciais produzimos as batatas e os tomates, as cebolas, as couves e demais verduras para acompanhar as boas sardinhas de Olhão que se comem naqueles restaurantes ao pé da praça.
.
Olhão é porto de pesca de bom peixe, e é Arcanjo, Parra, Poeira e Nuno, Grazina, Abraão e Loulé, Tamanqueiro, Abreu e Delfim.. . e Manuel Gancho.

Olhão é simpatia e aquela linha avançada formada pelo Manuel da Costa, Joaquim Paulo, Cabrita, Salvador e Eminêncio..

Uma vez no estádio de S. Luís em Faro, num jogo para a Taça de Portugal, jogava-se o SPORTING CLUBE FARENSE contra o SPORTING CLUBE DE PORTUGAL..Ás tantas, um cavalheiro atrás de mim ia tecendo alguns comentários e dizia: No meu tempo, era Pai contra Filho eu e o Zé Águas. E ele não levava a melhor.

Esse cavalheiro era o Grazina que jogava a back centro no Olhanense.

Grazina era o maior. Tinha tudo; COLOCAÇÃO NO TERRENO, VISÃO DE JOGO, PASSE, PODER DE ELEVAÇÃO ... tudo...tudo....

João Brito Sousa

TEATRO GREGO

(TEATRO LETHES)


O PRIMEIRO PERÍODO DE OURO DA TRAGÉDIA.


A tragédia é uma criação original do espírito grego. Nenhum outro povo da Antiguidade produziu obras deste género.

O primeiro grande dramaturgo foi Ésquilo que pessoalmente participou no grande drama cujas cenas se chamam Maratona, Salamina e Plateias. ÈSQUILO encontrava-se então na força da vida.

Ésquilo morreu em 456, com 70 anos de idade. A sua tragédia mais antiga que chegou até nós e, segundo todas as probabilidades, foi “As Suplicantes

CRÓNICAS SOBRE A 1 ª REPÚBLICA

(parlamento)
ALGUMAS NOTAS

Tendo antes apoiado os republicanos e levando à letra as suas promessas de uma sociedade mais justa, os assalariados reclamam agora a aplicação do seu conceito de justiça social.

A primeira grande greve, ainda em 1910, é a dos eléctricos de Lisboa (por oito horas de trabalho diário em seis dias da semana, 30 réis de aumento mensal e 12 dias de férias anuais pagas) .

Os patrões ingleses cedem, rompendo-se o dique. Seguem-se centenas de paralisações: do gás, dos sapateiros, dos padeiros e dos caixeiros em Lisboa, dos corticeiros e dos conserveiros em Setúbal, da têxtil no PORTO e em Braga, dos jornaleiros no Alentejo e no Ribatejo, da CUF no Barreiro e dos ferroviários do Sul e Sueste.

A tropa intervém, os carbonários atacam os sindicatos, os republicanos protestam na rua contra a ameaça ao regime. Decretada a greve geral na capital, fazem-se rusgas a sindicalistas e aumenta a violência entre grevistas e antigrevistas, mas a agitação operária não cessa ao longo da década. Greves como a dos ferroviários em 1914 (com mais de dois meses) degeneram em descarrilamentos, cortes de comunicações, bombas e assaltos a comboios.

O anarco-sindicalismo, cada vez mais forte, acaba adoptado em 1919 como linha oficial da Confederação geral do Trabalho, que sucede à União Operária Nacional, fundada em 1914 no I Congresso Nacional Operário.

João Brito Sousa

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

CRÓNICA DAS OITO

(caminhos das caminhadas)


CRÓNICA DAS OITO DA MANHÂ


Bom dia ao pessoal dos Braciais.

São oito e dez.

A esta hora já o Florival do Naicinho Moreno foi buscar o pão à venda do Zé Raimundo, já contou as suas histórias à malta (ele diz que é um computador), já deu instruções para o almoço de logo às dez horas, já disse ao padeiro para trazer o pão que o vinho trago eu, hoje são três litros, diz ele.

A Madinha já fez os carapaus alimados e o Adriano hoje não paga nada.

E o Litos que tem a mania de chegar tarde hoje vai levar uma carecada.

Com o seu boné às três pancadas o FLORIVAL é o maior. Conheço-o há mais de cinquenta anos. É um bom amigo. As hortas fizeram-lhe bem. Aprendeu a lidar com a terra ainda em moço e domina a situação. Sabe tudo do campo. Hoje pouco cultiva a não ser a vinha que é a sua paixão E lá vai indo. Um abraço para ti ó Florival.

A esta hora já o meu cunhado Santana passou à porta do Florival na sua caminhada diária. Vai até à do Joaquim Custódio e volta. O tio Zé Maria também já talvez tenha dado a volta dele, com passagem elo Horácio da venda, Zé da Cova, Rogério Coimbra, viragem à direita em direcção ao Firmino das hortas, do, Clemente, do Virgílio Catita, Víctor Bagacinho, à esquerda Manuel António e casa.


A esta hora os carapaus alimados já estão na mesa da venda do Zé Raimundo.

BOM ALMOÇO.


João Brito Sousa

ESQUADRÃO 149; A GUERRA E OS DIAS




MEU CARO ADOLFO,

Bom dia.

Muito obrigado pelo livro, “ ESQUADRÃO 149, A GUERRA E OS DIAS", que me enviaste.
Do pouco que já li, parece-me um trabalho idóneo e difícil de fazer.
Por isso,


PARA COMEÇAR ... PARABÉNS.


Ao camarada JOSÉ NEVES lá dos Gorjões....
Que escreveu histórias de guerra em poema.
Pensava que epopeias em verso só o Camões
Teria tido intuição para tratar tão difícil tema...

Mas o amigo ADOLFO, melhor, o Zé Neves!...
Tem no poema “A EPIDEMIA” a melhor descrição
Daquilo que é a guerra. Amigo, tão bem a descreves
Que fazes chorar os insensíveis e até o meu coração.

Meu caro, recebi hoje o livro e tenho-o aqui à mão,
E apercebi-me do exemplo dado pelo teu Esquadrão
Através da leitura que já fiz de partes da sebenta ...

E por pensar ser justo também me quero associar
Ao reconhecimento de honradez que se deve dar
Aos homens do Ten. Mil. Méd. João Alves Pimenta



Dar-te-ei notícias.

Aí vai um abraço do


João Brito Sousa

TEATRO


(aritófanes)

ARISTÓFANES

As primeiras comédias da história do teatro assemelhavam-se mais àquilo a que hoje damos o nome de revista `a portuguesa do que ao que chamamos de comédia. A sátira social constituía o seu elemento preponderante. As figuras mais destacadas: políticos, poetas, filósofos e outros, eram aí atacadas com violência.

Não sabemos, de fonte certa, onde e como nasceram, mas a palavra comédia mostra que é preciso procurar a sua origem nas festas celebradas em honra de Dionísio nos quatro cantos do mundo helénico; durante estas festividades grupos de homens embriagados divertiam-se com patranhas grosseiras, lançavam-se em danças desenfreadas e cânticos atrevidos. Este género de representação tinha a designação de Komos; as comédias gregas conservaram muito dos seus aspectos barrocos, mesmo depois de os poetas terem tratado este humorismo grosseiro com uma arte nova e de o haverem integrado numa acção coerente.

O género parece ter nascido na Sicília e foi, mais tarde , imitado em Atenas..

O maior comediógrafo foi Aristófanes. Nada sabemos da sua vida, a não ser que pertencia a uma família de ATENAS e nasceu por volta de meados do século V. Não se sabe onde nasceu, mas é provável que tivesse sido em Egina. A primeira comédia de Aristófanes foi representada em 472 antes de Cristo, ou seja, durante o quinto ano da Guerra do Peloponeso

A comédia trata de um camponês que foi instalar.- se em Atenas.

A mais bela comédia de ARISTÓFANES chama-se «As AVES», que foi representada pela primeira vez em 414, quando toda Atenas estava inquieta com a expedição à Sicília. A acção é, em grandes linhas o seguinte: dois cidadãos, fartos de todas as discussões que dividem Atenas, decidem fundar uma nova cidade, não assente na Terra, mas nos ares, no reino dos pássaros.. Os dois emigrantes Pistétero e Evélpido, levam com eles o estritamente necessário: vasos,. frigideiras, uma agulha de sapateiro etc...

O s dois amigos desejam em primeiro lugar encontrar a Poupa, de nome Tereia, pois, em tempos, este pássaro foi um homem e, portanto, deve ser capaz de lhe dar preciosos ensinamentos.


João Brito Sousa

CRÓNICAS DA 1ª REPÚBLICA

(parlamento)

CRÓNCAS DA PRIMEIRA REPÚBLICA

Ao contrário do que esperava Afonso Costa, o país não se ergue para aclamar em uníssono a lei da separação de poderes ESTADO/ IGREJA. O que acontece é que se cava antes uma profunda divisão entre uma população urbana militarmente anticlerical e um povo rural ofendido nas suas
crenças essenciais. O articulado não se limita a separar as águas: subjuga o poder eclesiástico ao poder civil. A igreja perde a identidade jurídica e a dependência de Roma, passando a ser considerado um culto interno sob licença estatal.

Os templos e todo recheio são propriedade do Estado, dependendo as manifestações exteriores de culto ( como as procissões) de prévia licença escrita da autoridade civil, só concedida em caso de «costume inveterado da generalidade dos cidadãos». As crianças em idade escolar ficam proibidas de participar em qualquer acto religioso `a hora das aulas. Os católicos podem associar-se para custear o culto e pagar aos sacerdotes, mas as associações ficam sob controlo das juntas de freguesia.

A suprema provocação é a atribuição de pensões às viúvas e aos filhos de padres. Apoiados pelo Vaticano, os bispos portugueses publicam um protesto colectivo contra a «prepotência» e o «propósito ostensivo e inegável de escravizar».A rebeldia dos prelados leva o bispo do Porto a ser chamado a Lisboa, com a selagem da sua habitação no paço episcopal. O patriarca de Lisboa é desterrado do distrito por dois anos (após uma manifestação de desagravo em S. Vicente de Fora, por sectores conservadores da sociedade durante a qual a igreja é invadida por gente vitoriando a República).

Em 1911 e 1912 são destituídos dois bispos, suspenso um e desterrados nove por dois anos. São julgados padres que mantêm as Igrejas abertas fora das horas de culto. Os saques nas igrejas prolongam-se por anos. Exemplo do fanatismo: o pessoal da empresa estatal dos caminhos de ferro impõe em 1911 o irremediável afastamento, devido às suas convicções religiosas, do secretário da administração, José Fernando de Sousa, tido como o maior técnico português..

João Brito Sousa

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

POESIA

(caves porto calemm em gaia)

CHEGOU A HORA...

De festejar os mil visitantes ao meu espaço...
A esse local onde as minhas emoções expresso...
Porque é aí que as coisas que eu mais gosto faço
E é a escrever que melhor me sinto e reconheço...

Faço isto por amor e dou a esse espaço o melhor
Que sei, que tenho; dentro e fora de mim!...
O meu dia só quando escrevo começa a ter cor
Só me sinto realizado e bem disposto estando assim...

A escrever para mim e para os que me procuram..
Para todos aqueles amigos que não descuram
A procura dos meu versos a todos os instantes...

Silabicamente, a minha poesia estará correcta ou não?!..
Mas penso haver poesia nos versos que aí estão
E que estão à disposição do meu milhar de visitantes.


João Brito Sousa.

CRÓNICA DAS OITO DA MANHÃ

( lá vai o comboio)


PORTO, 2007.10.24

Bom dia para todos.


Hoje é que é o meu dia grande. Por dois motivos. Primeiro porque cheguei aos mil visitantes no meu espaço na net e segundo porque joga o Benfica com o Celtic para a Champions.

Do ponto de vista do meu blog na net, comecei com aquilo numa brincadeira inicial e depois apaixonei-me pelo espaço a tal ponto de já não poder viver sem ele. Quase todo o meu tempo disponível está para aí direccionado.


Tenho pena de não ter o feed back, ou seja, tenho pena de não ter mais comentários às minhas crónicas, porque assim poderia estabelecer uma ligação mais forte aos que me lêem, corrigindo rotas se fosse caso disso.

Dou os parabéns a mim próprio pelo milhar de visitantes conseguidos em 6 meses. Muito bem. Vai sair poesia..

No que ao Benfica diz respeito é pena que deixasse que os outros lhe faltem ao respeito, ganhando, ao invés do Benfica que não ganha. Realmente naquela segunda parte em Itália com o Milan, Camacho deveria ter verificado que a equipa não tem pernas e houve períodos que se andou a arrastar pelo campo.

Com os outros, com quem perdeu em casa por 1/ 0, foi o querer e a ambição que ganharam. Em termos de jogar à bola nicles ou pouco mais. É preciso perceber que os adversários do Benfica estão, todos eles, a explorar essa passividade e falta de ambição do clube.

A equipa ganha se o Cardoso jogar mais. A táctica para ganhar é garrra e ambição para todo a equipa e o Cardoso aproveitar. É só!...

Como me dizia ainda ontem um camarada benfiquista: AINDA É UM GRANDE CLUBE..

Na imprensa de hoje, pode ler-se que o escritor transmontano-duriense António Cabral faleceu ontem, aos 76 anos, em Vila Real, vítima de complicações cardíacas súbitas.

A sua morte já foi lamentada pelo também escritor António Manuel Pires Cabral, entre outras individualidades, amigos e ex-colegas de trabalho ou funções. Pires Cabral recordou o amigo e autor de "O rio que perdeu as margens" (a sua última obra) como "um escritor que conseguiu transcender as fronteiras da região transmontana e impor-se na literatura nacional".

Para o escritor e director do Grémio Literário de Vila Real, "a região está muito mais pobre. O Douro perdeu o seu maior cantor. Mesmo acima de Miguel Torga. Um poeta magnífico, sobretudo quando ele mesmo queria ser magnífico, e que deixa uma obra incomparável em qualidade e quantidade, na região e até no país", acrescentou.

Sobre este último ponto, o meu comentário é:

Dizer que António Cabral está acima de Torga é caso para perguntar se o Pires Cabral tem a tensão arterial au point, porque alguma coisa ele tem errado na cabeça. E já ofendeu o morto, certamente.

PORQUE TORGA É ISTO...


HORA DE AMOR


Vem.
Adormece encostada a este braço
Mais débil do que o teu.
Entrega -.te despida
Nas mãos dum homem solitário
Que a maldição não deixa
Que possa nem sequer lutar por ti..
Vem,
Sem que eu te chame, ou te prometa a vida.
E sente que ninguém,
No descampado deste mundo, tem
A alma mais guardada e protegida.

Coimbra, 7 de Julho



È preciso respeitar aqueles que partem... ó camarada António Manuel Pires Cabral... e nunca mais diga essas palavras ... mesmo acima de Torga. Porque é pecado....

Os poetas, camarada, nunca estão acima uns dos outros....

São apenas poetas.


João Brito Sousa

CRÓNICAS SOBRE A 1ª REPÚBLICA

(parlamento)
Os afonsistas convocam uma manifestação de apoio ao Governo, em Lisboa, mas o desfile é desfeito à pancada e a bomba pelos «púrrias» rivais. Raul Brandão recorda «nunca vi bater tanto em Lisboa». Costa deixa de ser o senhor absoluto da rua, tendo provado o efeito do tratamento dado aos adversários. É substituído por Bernardino Machado que tenta o apaziguamento. Prosseguem as batalhas de rua e em Julho de 1914 até a Brasileira do Chiado, quartel general da Formiga Branca, é arrasada à pancada pelos evolucionistas

Continua porém a ser determinante a influência dos democráticos no Parlamento, travando todo o Governo que não tenha o seu apoio. A pretexto da demissão de um oficial do Exército por suposta motivação política, Machado dos Santos alia-se desta vez aos oficiais mais conservadores (entre os quais o General Pimenta de Castro) para organizar um pronunciamento em Belém, conhecido como Movimento das Espadas. O Presidente Arriaga é persuadido a nomear Pimenta de Castro para chefiar um Governo extraparlamentar. Está instalada a ditadura – denunciam os democráticos e outros republicanos históricos. São adiadas sine die as eleições e dissolvidas as câmaras municipais que protestam..

O assunto é agora mais sério e a parada mais alta. Acabar com a bagunça pela força de uma ditadura não encaixa nos princípios do 5 de Outubro. O Governo militar de Pimenta de Castro, que permite a abertura de centros monárquicos, acaba por concitar a oposição de quase todos os chefes republicanos. O desfecho lógico é mais uma revolução em Lisboa, onde os marinheiros, como em 1910, têm papel decisivo. È a «revolta constitucionalista» de 14 de Maio de 1915, desta vez mais violenta: 200 mortos, mais do dobro das vítimas do 5 de Outubro.

Seguem-se dias de vingança republicana: destruição dos centros monárquicos, arrasamento da redacção de “ O Intransigente” de Machado dos Santos (posto num barco de guerra para não ser linchado), assalto aos redutos resistentes (GNR e Polícia), ocupação da Escola de Guerra (que ganhara fama de monárquica) e fuzilamento de alguns dos seus estudantes. A calma só regressará quando entram no Tejo barcos de guerra de Espanha, França e Inglaterra, a pretexto de proteger os cidadãos estrangeiros.

Arriaga resigna. Os democráticos voltam ao poder, levando por arrasto Bernardino Machado para Belém. As atenções viram-se agora para o exterior. Portugal tem de definir uma posição perante a Grande Guerra. Por breve instante, as quezílias internas parecerão irrelevantes aos olhos dos políticos republicanos. Mas será também a guerra que levará mais tarde Sidónio Pais a intepor outro hiato na política dominante.

João Brito Sousa

UM BENEMÉRITO FARENSE

(casa de Domingos Guieiro em Faro.)


DOMINGOS JOAQUIM GUIEIRO (1853/ 1913)

DOMINGOS GUIEIRO foi um benemérito de Faro, que legou grande parte da sua fortuna à Misericórdia da cidade, incluindo a residência, que faz gaveto com a Praça Afonso I I I e onde funcionou o primeiro Governo Civil e posteriormente a Escola do Magistério Primário.

Portugal, nessa altura, não era um País rico do ponto de vista de disponibilidade financeira. Por isso, dei uma volta pela nossa História, para tentar apurar como se enriquecia nesse tempo. Este não é um trabalho de investigação científica mas uma vaga abordagem ao assunto, que deu nisto.

Sensivelmente por volta de 1861, tinha Domingos Joaquim oito anos, subiu ao trono em Portugal o segundo filho de D. Maria II e D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, o infante D. Luís, na sequência da morte de seu irmão mais velho, o Rei D. Pedro V

D.Luís viria a falecer no Palácio da Cidadela em Outubro de 1889 e a 28 de Dezembro seguinte, com 26 anos de idade, subiu ao trono D. Carlos que teve um reinado complicado. Pelo fim do século, Portugal não passava ainda de um País rural.

Com excepção de Lisboa e do Porto, apenas na área compreendida entre a margem Sul do Tejo e a margem norte do Sado se poderia encontrar alguma coisa vagamente parecido com uma fábrica.

Domingos Guieiro andaria na casa dos 39 anos na altura em que D. Carlos subiu ao trono, era um homem feito e certamente teria lançado já as bases do seu negócio e desenvolvido as suas fontes de rendimento.

D. Carlos era o Rei de um País dilacerado por anos e anos de má gestão, onde a corrupção, a fraude eleitoral e o caciquismo grassavam, um País onde ciclicamente era abalado por graves crises financeiras que atingiam todos os sectores, o que fazia crescer o descontentamento social

As razões do declínio de Portugal como potência mundial que havia começado no século XVI, foram estudadas pelos pensadores portugueses que concluíram estar na base desse comportamento, as seguintes crises catastróficas: as invasões francesas (1807/ 1811); a revolução liberal (1820/ 1823); a perda da sua maior colónia, o Brasil (1822) e a guerra civil entre monárquicos absolutistas e constitucionais, sobre a forma de governo que o país devia ter.

Depois deste período devastador seguiu-se o período da «Regeneração» (1851/ 1871).

Foi neste período do século XIX que, a pouco e pouco, se foi desenvolvendo em Portugal, uma classe de burgueses ricos, banqueiros e capitalistas. Essa classe social, era composta tanto por membros originários da média burguesia como representantes da pequena e até da grande nobreza tradicional, virados agora para a prática do comércio e da banca..

O seu número era, evidentemente, muito reduzido, mas foram eles, contudo, que praticamente governaram o País durante toda a centúria de Oitocentos e nos primeiros dez anos do século XX.

A princípio, o grande burguês comprava terras vendidas pelos nobres arruinados ou colocadas em hasta pública pelos governos liberais, depois da expulsão das ordens religiosas e das principais famílias miguelistas.

Talvez que um desses burgueses fosse Domingos Joaquim Guieiro, cujo nome a cidade de Faro perpetuou na rua que liga a rua Rasquinho à Praça Afonso I I I .

Bibliografia consultada: “O Poder e o Povo” de Vasco Pulido Valente
“A Primeira República Portuguesa” de A H Marques
“A Primeira Republica” de J.H.Saraiva.
“Histórias à Solta nas Ruas de Faro de Libertário Viegas.

João Brito Sousa

terça-feira, 23 de outubro de 2007

CRÓNICA DAS OITO DA MANHÃ

Ernesto Guevara ( el CHE)

Bom dia rapaziada

Estou no meu posto de trabalho porque gosto de estar aqui.. Ninguém me obriga a tanto. mas é um prazer e uma honra, estar a dialogar com os mil visitantes que espero conseguir hoje.

Esta coisa dos blogues é uma ideia que eu aceitei bem mas que, à medida que os visitantes vão surgindo, trazem-me alguma responsabilidade acrescida, por querer e dever querer fazer bem. .

Estava eu com a minha malta quando dei por mim a lamentar as ausências do Diogo Tarreta de Washington e da irmã, a Soledade Tarreta, que ainda não tenho o prazer de a conhecer. É que ambos eram importantes aqui..

Não posso crer que o meu amigo e colega de Escola Diogo Tarreta, me virasse as costas e me esquecesse. Um amigo de mais de cincoenta anos não se perde assim do pé para a mão. Meu caro Diogo, favor mandar-me crónica para publicação. Já...

Hoje vou até Coimbra em missão familiar. Vou dar uma volta no Renault e é a minha mulher que conduz. De resto sinto-me bem; estou agora a escrever umas crónicas acerca de personalidades vips de Faro e estou a gostar.

Escrever é a minha grande aposta neste momento.

Quero deixar aqui hoje uma mensagem de apreço especial, a todos os meus amigos e conhecidos que me têm visitado e que me têm encorajado a continuar neste trabalho a que me dedico todos os dias. É com muita satisfação pessoal que envio a todos um abraço e um muito obrigado. Porque,

ESCREVER

É uma necessidade que sinto ter de fazer.
E que sinto me ajuda a ser melhor pessoa....
E porque é isso mesmo o que eu quero ser
Sinto orgulhoso em possuir essa coisa boa.

Que é a vontade e necessidade de expressar
O desacordo que há entre mim e a humanidade
Porque eu gostava que pudéssemos mostrar
Que entre todos nós haveria solidariedade...

Camarada sim... por que não... qual é o mal?..
Não se assustem amigos.. o homem é igual ..
Seja o caminho comum o certo e o da verdade

Um homem que se preza terá de ser honrado...
Na sua caminhada isso terá de ser procurado
Não interessa a ideologia mas a igualdade....

João Brito Sousa

UM GRANDE FARENSE

(botânica Açoriana)

JOSÉ MARIA PESSANHA DE MENDONÇA BRANDEIRO

BRANDEIRO (1808/ 1878), foi uma personalidade da cidade de FARO que se distinguiu no campo da botânica, conforme informação retirada da obra do Dr. Libertário Viegas, “Histórias à Solta Nas Ruas de Faro”.
Pessoalmente, impressiona-me o facto de como ser possível há 170 anos atrás, estas pessoas serem detentoras de tais capacidades intelectuais que lhes possibilitaram desenvolver trabalhos de tal envergadura que se fizeram notar como homens que deram grandes contributos para a Ciência.

Rendo-me ás boas capacidades intelectuais deste ilustre Farense, porquanto era guarda-livros de profissão, uma matéria que nada tem a ver com a Botânica. Neste campo, Brandero, foi notável naturalista na condição de autodidacta, tendo descoberto e classificado várias espécies que receberam o seu nome e deram origem a artigos publicados no Boletim da Sociedade Broteriana.

Pertenceu ainda ao conselho municipal e ao tribunal de polícia correccional de Faro.
A cidade de Faro, reconhecendo-lhe todo o mérito, recorda-o atribuindo o seu nome a uma rua paralela à rua de São Francisco que é a Rua José Maria Bandeiro.

Este cientista popular, chamemos-lhe assim, desenvolveu trabalhos extraordinários numa altura em que Portugal era um País modesto, pequeno e pobre. Em 1900, três homens em cada quatro e seis mulheres em cada sete não sabiam ler nem escrever. Numa população total de cinco milhões de pessoas, sete em cada dez ainda vivem em freguesias rurais e dessas quase 90 por cento dependem apenas da actividade agrícola.

D. Carlos, que era o Rei de Portugal nessa altura, quase não tem dinheiro para esmolas. Os Bragança são os monarcas de mais baixos rendimentos em toda a Europa.e Portugal vivia em dificuldades. Mas isso, pelos vistos não impediu o senhor BRANDERO de deixar o seu nome ligado `a ciência

Já um bocado tarde, mas quero deixar aqui. o meu reconhecimento ao cientista José Maria Brandeiro, indiscutivelmente uma grande figura da cidade.


João Brito Sousa

HISTÓRIA DE PORTUGAL

(Estação de S. Bento, perto da rua 31 de janeiro)

“UMA INTRODUÇÃO À HISTÓRIA MODERNA DE PORTUGAL"

"Um povo que fez o que nós fizemos tem o direito moral de continuar a .existir"...


Miguel Torga, 3 de Abril de 1967

«Viva a República!» gritaram alguns deputados, ao saírem da sala do Congresso da Primeira República. A data era 31 de Maio de 1926 e estava a acabar a primeira experiência democrática de Portugal.

Dera-se um golpe militar sem efusão de sangue e os jovens soldados ocupavam a ruas de Lisboa.. O regime parlamentar mais instável da EUROPA ocidental tinha finalmente caído e um superlativo gerara outro; o sistema parlamentar mais desregrado da Europa tinha dado `a luz o sistema autoritário mais longo da Europa,

Este quebra-cabeças histórico, que foi o longo passado de Portugal, merece ser explicado. Portugal é um país que recusou morrer, mas, no entanto, a sua existência tem sido sempre precária. Há escritores que dizem que os Portugueses são um povo de paradoxos, com tendência para o auto - rebaixamento combinado inocentemente com o auto-engrandecimento. A Nacionalidade portuguesa é uma das mais antigas da Europa, mas, no entanto os seus chefes e os pensadores, mais de uma vez se têm sentido desesperados. Porque razão existe este pequeno pais?....


Favor comentar o texto.

João Brito Sousa

CRÓNICAS DA 1ª REPÚBLICA


CONTINUANDO

Outra frente de combate é o combate laboral, cuja movimentação é controlada pelos anarquistas. As greves são acompanhadas de ataques à bomba, cortes de comunicações e descarrilamentos de comboios. O regime, logo em Janeiro de 1912, fecha a Associação Sindical de Lisboa, colocando mais de 600 sindicalistas nos porões dos navios de guerra. Mas é Costa, uma vez no poder, que desencadeia a mais feroz repressão contra o anarco- sindicalismo, adquirindo nesse combate os galões de «racha-
sindicalistas»

Os afonsistas montam a sua própria rede de informadores, uma polícia secreta que trabalha apenas para os democráticos mas que recebe de um «saco azul»do Governo Civil de Lisboa. Os sindicalistas apelidam-na de Formiga Branca. O chefe operacional da Formiga Branca é João Borges, ou «João das Bombas», um cadastrado que tanto frequenta gabinetes ministeriais como casas de passe. Machado dos Santos, de início próximo dos movimentos de trabalhadores, responderá com o seu próprio grupo armado, a Formiga Negra.

Enquanto primeiro ministro, Costa adopta um discurso e uma prática muito mais moderados, ficando a braços com as suas «carrapatas», os grupos de agitadores que o apoiaram e agora exigem benesses. Em 10 meses, Costa anula três tentativas de golpe de Estado com envolvimento de «carrapatas » desiludidas. Ao mesmo tempo aproveita para desarmar associações carbonária s remanescentes e desarticular as unidades militares mais radicais.

Mas o peso das quadrilhas políticas não diminui. A rua continua dominada pelos bandos armados ao serviço dos partidos, que organizam, nos bairros que controlam, caçadas aos rivais. O embaixador inglês relata a Londres em 1913 que a «populaça» rejeita todo o Governo forte, coisa que Costa ousa impor, e que por isso a rua começa a odiá-lo. Outros grupos sociais cujos privilégios são atacados pelo Governo aproveitam o momento, havendo anarquistas e padres, carbonários e monárquicos unidos contra os democráticos.



João Brito Sousa