sexta-feira, 19 de outubro de 2007

A PRIMEIRA REPÚBLICA


Da multidão que forma a nova classe política portuguesa, emerge este pequeno grupo de destacados protagonistas que passamos a analisar:

MACHADO DOS SANTOS, antónio maria.

A sua perspicácia política é débil, mas o seu prestígio em 1910 aos trinta e cinco anos, é enorme. Irredutível na Rotunda, o carbonário e Oficial da Armada António Maria Machado dos Santos se deve o triunfo da revolução. Dão-lhe galões, mas é um insatisfeito. Preocupado com os «desvios» ao «republicanismo», lança o jornal O Intransigente, contra os «adesivos» as lutas de facções, a instabilidade, a corrupção e Costa.

Contribui também para a instabilidade. Alicia militares para intentonas e apoia as ditaduras de Pimenta de Castro e de Sidónio, sendo ministro deste.

BERNARDINO MACAHADO

Delicado e atencioso talvez em excesso, suscita desconfianças de outros republicanos, que vêem aí hipocrisia e manobrismo. Guerra Junqueiro defende que é autentico, mas a opinião sobre Bernardino Machado, catedrático de filosofia nascido em 1852, oscilará sempre entre um extremo e outro.
Sob elegantes maneiras, esconde uma enorme ambição pessoal. A sua carreira inicia-se como ministro das Obras Públicas de Hintze Ribeiro, ainda antes de aderir ao republicanismo, em inícios do século XX.. Após a revolução de 1910 alinha conjunturalmente ao lado de Costa.


JOÃO CHAGAS


No 5 de Outubro de 1910, aos 47 anos, João Chagas é um republicano célebre pelas suas aventuras na luta contra a monarquia: preso degradado, fugitivo, clandestino e recapturado, com passagens por meio mundo e textos demolidores para a Coroa. Embaixador do novo regime em Paris, preside ao primeiro Governo constitucional, demitindo-se ao fim de meses, acusado por Costa de debilidade na prevenção e combate
à primeira incursão monárquica.
Foi indigitado primeiro Ministro em Maio de 1915 após a queda de Pimenta de Castro. Quando vinha para Lisboa de comboio para tomar posse, foi atingido a tiro por um exaltado senador .João de Freitas. Não chegou a tomar posse..
Passou pela política activa como promessa não confirmada.


JOSÉ RELVAS...

Licenciado em Letras e filho de um abastado e culto proprietário ribatejano, cabe-lhe a gloria histórica de, aos 52 aos, proclamar a República da varanda da Câmara Municipal de Lisboa, em 5 de Outubro.
Violinista, amante das artes e um dos mais sofisticados intelectuais do regime, reúne o perfil ideal para convencer as potências estrangeiras a não intervir a favor da reposição da Monarquia em Portugal, missão que cumpre primeiro em Londres e depois em Madrid, onde é embaixador durante três anos
Ministro das Finanças no Governo provisório é responsável pela reforma monetária (com a criação do escudo) e prepara as bases de estabilidade financeira inicial da República.

MANUEL DE ARRIAGA

No dia 5 de Outubro ninguém pensa no republicano histórico Manuel Arriaga, então com 70 anos, natural da Horta, advogado e quatro vezes deputado do PRP pela Madeira. É porém reconhecido pela multidão no Terreiro do Paço e levado em triunfo (o mesmo acidente que promove Teófilo Braga à chefia do Governo provisório). A caba procurador da República. Em 1911 não integra a CONSTITUINTE, mas os adversários de Costa, em busca de um nome que se oponha à candidatura presidencial de Bernardino, lembram-se do velho Açoriano. Torna-se no improvável primeiro presidente português. Moderado e isento, tenta fazer pontes com a Igreja e situar-se acima das lutas de facções. Ao ceder à insubordinação militar de Janeiro de 1915, nomeando Pimenta de Castro, assina a sua sentença de morte política..

SEBASTIÃO DE MAGALHÃES LIMA.

Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano é a natural eminência parda de um regime cujos dirigentes são todos maçons. Nascido em 1850, advogado, de grande prestígio na Maçonaria internacional, pacifista e federalista, deputado à Constituinte, só terá outro cargo oficial: ministro da Instrução após Pimenta de Castro. Sob sua égide os maçons portugueses, que eram 2532 em 1906, atingem um máximo de 4351 em 1913. Preso por suspeitas de envolvimento de assassínio de Sidónio, volta ao cargo mas sem nada se provar. Os políticos respeitam-no mas não o querem na política. Dele dirá Raul Brandão: de uma vontade mole, achava talento a toda a gente, o que foi o suficiente para não lhe acharem a ele talento nenhum.

João Brito Sousa

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