quarta-feira, 24 de outubro de 2007

CRÓNICAS SOBRE A 1ª REPÚBLICA

(parlamento)
Os afonsistas convocam uma manifestação de apoio ao Governo, em Lisboa, mas o desfile é desfeito à pancada e a bomba pelos «púrrias» rivais. Raul Brandão recorda «nunca vi bater tanto em Lisboa». Costa deixa de ser o senhor absoluto da rua, tendo provado o efeito do tratamento dado aos adversários. É substituído por Bernardino Machado que tenta o apaziguamento. Prosseguem as batalhas de rua e em Julho de 1914 até a Brasileira do Chiado, quartel general da Formiga Branca, é arrasada à pancada pelos evolucionistas

Continua porém a ser determinante a influência dos democráticos no Parlamento, travando todo o Governo que não tenha o seu apoio. A pretexto da demissão de um oficial do Exército por suposta motivação política, Machado dos Santos alia-se desta vez aos oficiais mais conservadores (entre os quais o General Pimenta de Castro) para organizar um pronunciamento em Belém, conhecido como Movimento das Espadas. O Presidente Arriaga é persuadido a nomear Pimenta de Castro para chefiar um Governo extraparlamentar. Está instalada a ditadura – denunciam os democráticos e outros republicanos históricos. São adiadas sine die as eleições e dissolvidas as câmaras municipais que protestam..

O assunto é agora mais sério e a parada mais alta. Acabar com a bagunça pela força de uma ditadura não encaixa nos princípios do 5 de Outubro. O Governo militar de Pimenta de Castro, que permite a abertura de centros monárquicos, acaba por concitar a oposição de quase todos os chefes republicanos. O desfecho lógico é mais uma revolução em Lisboa, onde os marinheiros, como em 1910, têm papel decisivo. È a «revolta constitucionalista» de 14 de Maio de 1915, desta vez mais violenta: 200 mortos, mais do dobro das vítimas do 5 de Outubro.

Seguem-se dias de vingança republicana: destruição dos centros monárquicos, arrasamento da redacção de “ O Intransigente” de Machado dos Santos (posto num barco de guerra para não ser linchado), assalto aos redutos resistentes (GNR e Polícia), ocupação da Escola de Guerra (que ganhara fama de monárquica) e fuzilamento de alguns dos seus estudantes. A calma só regressará quando entram no Tejo barcos de guerra de Espanha, França e Inglaterra, a pretexto de proteger os cidadãos estrangeiros.

Arriaga resigna. Os democráticos voltam ao poder, levando por arrasto Bernardino Machado para Belém. As atenções viram-se agora para o exterior. Portugal tem de definir uma posição perante a Grande Guerra. Por breve instante, as quezílias internas parecerão irrelevantes aos olhos dos políticos republicanos. Mas será também a guerra que levará mais tarde Sidónio Pais a intepor outro hiato na política dominante.

João Brito Sousa

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