
AS HORTAS NOS ARREDORES DE FARO.
(este artigo, da minha autoria, foi publicado no jornal de Paderne “a AVEZINHA” no dia 18 de outubro de 2007)
É um facto que as hortas desapareceram. Depois da horta das Figuras, desapareceu a horta do Apolo sita nas Pontes de Marchil, depois a horta dos Guerreirões (nove filhos), a horta do Calhica, a horta dos Morenos, o Augusto, o Florentino e o Fernando que fica em frente àquela, no outro lado da estrada, a horta do Manuel Catrunfa também de nove filhos e duas noras, a horta do Manuel Janeira, a horta do Manuel Rebola, a horta do António Gaita, do João Patuleia e do Joaquim Páscoa, do Quintas e por último a horta do Zeca Baptista da Euroaço. Nos Braciais desapareceu a horta do Joaquim Madeira que era o homem mais rico da região e era o único que tinha carro nesse tempo, uma arrastadeira Citroen e depois teve um carro grande, de marca Humber. A filha, a Maria da Glória, andou lá na Escola Comercial connosco, no tempo do NESTLÉ.
As hortas desapareceram. Algumas estão no pousio, outras foram invadidas por estradas novas e outras por edifícios para habitação. Não sou muito entendido na matéria mas vejo que, duma maneira geral, as pessoas em Portugal são contra o cimento armado e contra os edifícios muito altos.
A mim essa paisagem não me agride. Já estive em New York quatro vezes e agrada-me até, ver o poderio daquelas bisarmas.
Mas esta transformação da periferia da cidade, alterou as suas condições de entrada. A cidade recebe-nos com dificuldades porque aquilo é um tráfego intenso e difícil. Eu penso que em termos de “DEFESA DA CIDADE DE FARO”, se as pessoas se transferiram para a periferia da cidade, os serviços também se deviam transferir para aí.
Não sei se será legítimo dizer isso. O que eu gostava, era que a minha cidade capital de Distrito, se tornasse mais harmoniosa, que dispusesse de uma vida mais calma e sem atropelos, que oferecesse mais espaços de lazer e que tivesse a preocupação de proporcionar aos seus naturais ou àqueles que optaram por nela viver, uma qualidade de vida tal, donde resultasse uma paixão duradoira entre a cidade e os que a utilizam.
Mas penso que se cometeram erros graves. O aeroporto, por exemplo, está situado praticamente no centro e isso não se vê nas grandes cidades. O aeroporto de Gotemburgo está a 80 Kms, o aeroporto de S. Paulo idem, Paris idem e se calhar muitos outros. Ora o ruído dos aviões e o tráfego resultante das constantes entradas e saídas de passageiros, intensifica o tráfego citadino.
O que poderia ter sido evitado. As cidades devem ter em atenção e consideração os seus habitantes. E para isso só terão de fazer uma coisa; proporcionar-lhe boas condições de habitabilidade.
Não sei se Faro dispõe de circuitos de manutenção, não sei se vai beneficiar do programa Pólis, não sei se a Câmara Municipal tem algum departamento especialmente direccionado para apoio ao cidadão, não sei em que medida as populações poderão participar nos destinos da cidade, não sei se há vontade e disponibilidade para isso de parte das populações, porque no fundo, uma cidade será sempre aquilo que os beneficiários queiram que seja.
Todavia não devemos ignorar o passado. Só se pode fazer coisas acertadas no futuro se tivermos conhecido bem o passado. Como diz o José Eduardo Agualusa, o passado é como o mar; está num desassossego permanente.
E o passado das aldeias portuguesas não pode ser esquecido. As taberna se o jogo da malha fazem parte do património cultural de outros tempos. Vamos falar disso.
João Brito de Sousa
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