terça-feira, 13 de novembro de 2007

CRÓNICAS DA 1ª REPÚBLICA

(assembleia da republica)

Antecedentes da revolução.

UM REI AUSENTE


D. Carlos vive entre caçadas, a prática de quase todos os desportos da época (ténis, tiro, hipismo, esgrima, natação, ciclismo, automobilismo, vela, bilhar...), a pintura (onde revela surpreendente talento), a oceanografia (de que é investigador de renome além fronteiras), a agro-pecuária (pelo que é premiado internacionalmente) e até a escultura, a cerâmica, a fotografia e a omitologia..

È de uma pontaria temível e faz da caça hobby preferido. Despende largas temporadas em Sintra, Cascais, Mafra e Vila Viçosa. São distantes as suas relações com a rainha. Apesar de hoje se duvidar da sua virilidade, também se inclui as mulheres no rol de caçador. Fascinado por carros tem nas garagens seis Peugeots, a sua marca favorita. Frequenta provas desportivas e touradas, que não começam sem a chegada de Sua Majestade. O irmão, infante D. Afonso, que se diz não casar por falta de dote, parece ter por única paixão o automobilismo: o gosto pela velocidade vai valer-lhe a alcunha de o “arreda”.

Nada disto ajudou a imagem da família real. Nem o Rei nem a rainha são considerados bons pais, ele pelo absentismo e ela pelo clericalismo. Desconfia-se por isso da educação dada aos infantes em particular ao príncipe real. Para complicar, Carlos viaja pelo estrangeiro mais do que exigem as obrigações do Estado. Em Paris, diverte-se, gasta, vive aventuras galantes e sustenta amantes, entre lamentos de que a sua terra é uma «piolheira». A País tão pobre não passa despercebido o espavento. Apesar das suas qualidades, Carlos acaba de ser mais apreciado no estrangeiro do que em Portugal.

Os «erros que de longe vêm» que atribui a alguns chefes políticos numa frase célebre, devem afinal ser-lhe imputados em primeiro lugar.

Entretanto,

O ESTADO e a IGREJA vivem em tal promiscuidade que, apesar do esmagador catolicismo dos portugueses, muitos se questionam acerca desta relação. O anticlericalismo não deixa de alastrar..

A política nacional vive presa a uma rotação contínua em torno do mesmo eixo formado por dois partidos. Mas o escândalo da concessão dos tabacos vai acabar com o vicioso sistema.

Em nome da ética, proclama-se nova política, mas que a política velha vai estrangular.

Maçonaria, Carbonária, Partido Republicano, Associação Propagadora do Registo Civil, Junta Liberal, Centros Republicanos, dissidentes do rotativismo, anarquistas, terroristas e bombistas estão em conjura permanente. A teia de opositores radicais à monarquia tem muitas ramificações e vive na promiscuidade. As filiações são difusas e os conspiradores que passam os dias nos cafés e tascas da baixa lisboeta, em permanente conjura, saltam livremente de um para outro grupo. Trata-se de «canalhas», gente urbana (sobretudo de Lisboa), que foge ao controle da Igreja: LOJISTAS, EMPREGADOS DE BALCÃO, FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS, OPERÁRIOS, DESEMPREGADOS JORNALISTAS, ESTUDANTES, MUITOS VADIOS.

O Partido Republicano, reforçado na contestação ao franquismo, é a grande ave sob cujas asas se acolhe esta criação.. .

Todo este ambiente é propício ao desenrolar do caminho para a revolução. ...

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João Brito Sousa

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