quinta-feira, 15 de novembro de 2007

CRÓNICA DAS 7 e QUARENTA


(isla cristina)


Para o António Cadeiras

Ando por aqui. Como os outros. Mas não sei o que eles fazem nem eu sei o que eu faço. E medito nisso. E concluo que não vale a pena. Então o que é que vale a pena, pergunto-me. E por muito que me interrogue não tenho a resposta na ponta da língua como tinha há 55 anos, quando a D. Helena nos reunia à volta da mesa e nos perguntava as produções dos Açores, de Angola, ou quais os afluentes do Douro, ou quais as serras do sistema galaico-duriense. E a gente sabia tudo.

Nesse tempo, tinha eu dez anos, nada tinha a opor à vida. Hoje também não tenho. Fui sempre um daqueles que aceitou, mais ou menos pacificamente, as suas imposições. Nesse tempo da escola primária até encarei bem as obrigações escolares e tudo o resto, as dificuldades da minha família, a doença do meu avô, o falecimento do meu Pai, enfim....

Mas, num certo sentido, tenho saudades dos tempos em que nos juntávamos à volta da mesa com a professora. Éramos quatro ou cinco, eu, a Maria de Jesus Lopo, a Piedade Barras (mãe do ciclista Luís Vargues), o Custódio filho do Clemente, O Zé Gabadinho do Bate Cú, perto de Faro e o João Silvino Gago da Senhora da Saúde. E éramos felizes... porque ainda não tínhamos percebido que isto, pelo menos para alguns, era uma grande maçada..

Foi nesse tempo que conheci o senhor António Cadeiras que tinha um comércio perto da escola e que vendia cadernos, lápis, borrachas e coisas para a escola. E era lá que eu ia comprar os meus utensílios escolares. E não sei como foi aquilo que me tornei num grande amigo do patrão lá da loja, o senhor Cadeiras ou, melhor o meu amigo, António Cadeiras.

Para ti, António, estejas onde estiveres, aí vai um abraço do

João


PS- E vai também um abraço para todo o pessoal do Patacão e dos Braciais.

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