terça-feira, 11 de dezembro de 2007

CRÓNICAS DA 1ª REPÚBLICA

(assembleia da república)


CRÓNICAS DA 1ª REPUBLICA

O Republicanismo Português

De uma maneira geral, o republicanismo português a partir de 1858 limitou-se a desenvolver e a precisar o ideário básico de Henriques Nogueira, com poucos acrescentos essenciais.. De resto, esse ideário era comum as outras ideologias de cunho republicano por toda a Europa.

O segundo grande impulso ao surto do republicanismo em Portugal saiu da geração de 1865-70.

Tal como vinte anos atrás, um pequeno grupo de jovens reclamou a sua fé nos ideais republicanos e o seu ódio e desprezo para com o regime monárquico. Todavia, ao contrário dos seus predecessores, os mais activos representantes da geração de 1865-70 (embora não necessariamente os seus melhores espíritos) morreram na juventude nem aderiram à sociedade estabelecida» à medida que iam envelhecendo.

Haviam mudado as condições na Europa e parecia mais esperançosa a perspectiva de um mundo republicano próximo.

A República triunfara em França (1870), fora proclamada em Espanha (1873-74) e encontrava solo fértil na Itália. Por outro lado, o Fontismo perdera boa parte do seu primitivo élan que tudo submergira e crises económicas iam abalando, de tempos a tempos, a confiança cega da burguesia.

Homens como Elias Garcia (1830-91), Teófilo Braga (1843-1924), Basílio Teles (1856-1923) e Sampaio Bruno (1857- 1915 ) tiveram uma acção decisiva na difusão do ideário republicano durante quarenta anos, precisando alguns dos seus pontos mais vagos e enriquecendo o seu conteúdo com elementos filosóficos, políticos e sociais.

Pregavam-se com paixão o cientismo e o positivismo, que a maioria dos Republicanos absorvia como antídoto contra a religião. De facto, a anti - religiosidade era o novo e importante acrescento trazido ao republicanismo dos tempos de Henrique Nogueira, a reacção contra o chamado Ultramontanismo ou excessiva centralização papal (o primeiro concílio do Vaticano, em 186969-70, definira o novo dogma da infalibilidade do Papa).Em contrapartida, o Republicanismo português foi gradualmente perdendo o elemento socialista que antes continha.

João Brito Sousa

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