sábado, 12 de janeiro de 2008

À SAÍDA DA CIDADE


À SAÍDA DA CIDADE

Andámos por aqui na cidade imensa e ficámos com um enorme sentimento de pequenez, de incompreensão dela ou incompetência ou sei lá do quê. Para mim a cidade são as pessoas, com elas é que eu me entendo, a manhã está luminosa mas a maior parte das vezes nem tenho corrente para ligar às tomadas de todos estes que andam por aqui.. Gostava de estar... mas estou onde não devo.

Vou-me embora com uma dúvida; não sei se deva levar a cidade comigo. Estou de passagem e há tanta gente que quer a cidade. As pessoas daqui querem muito à cidade. A curiosidade maior foi quando um residente e seu acérrimo defensor, não gostou que o cego tocasse no seu acordeão esfarrapado a canção cheira Lisboa...

É assim que se vive nesta cidade. A dar tudo Descobri aqui que cidade é uma cidade que desculpa. E interrogo-me se fosse o caso de eu ter sido educado por aqui se estaria com ela. É uma cidade que se deixou envelhecer porque não discute nem se interroga; aceita e perdoa mesmo o imperdoável, o que dá um brilho ao contrário nas pessoas nas coisas e também nas cidades. Que já não tem Cal Brandão nem Virgínia Moura nem Oscar Lopes nem D. António, nem Almeida Garrett, nem Camilo, nem... .

Agora tem a frieza clara do poeta que possui umas leituras intensas e largas do mundo em geral. Manuel Pina não fala do particular, fala de tudo porque é uma grande personalidade. A cidade tem muitos cientistas de grande valor intelectual e tem D. Januário, que é o paradigma da cidade. E um homem que perdoa ao diabo e ama a Deus.. Esta é, parece-me, uma cidade de januários.

Mas há a outra capacidade de amar. O Porto é calmo e perde tempo para amar o que chega. Não se importa com o que dizem de si e faz o seu trabalho de apoio e de conquista. E reza. Há muitos locais sagrados por aqui. E além disso tema as suas manhãs claras e alegres porque esta cidade tem esta particularidade; Trabalha e gosta daquilo que faz. Diverte-se a si própria e é uma cidade amiga e onde se pode fazer amigos E tem orgulho no seu Porto sentido.

Saia-se da cidade por onde se sair, a direcção é boa porque esta cidade só tem, bem vistas as coisas, uma coisa má...

João Brito Sousa

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