segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

DA IMPRENSA


A MAIORIA DOS ARGENTINOS CONSIDERA-SE POBRE


A recessão que se iniciou na Argentina em 1998 e foi agravada pela crise de 2001-2002 já está enterrada no passado. A taxa de desemprego, que no meio da crise chegou a 25% da população economicamente activa, actualmente é inferior a 9%. A pobreza, que assolava 57% dos argentinos em 2002, hoje afecta 23,4%. Apesar desses números, psicologicamente, a maioria dos argentinos se sente pobre.

Segundo uma pesquisa do Centro de Economia Regional e Experimental (CERX), 62,7% dos entrevistados consideram-se integrantes da classe baixa. Pouco mais da metade deles, porém, é realmente pobre.

Segundo uma pesquisa do Centro de Economia Regional e Experimental (CERX), 62,7% dos entrevistados consideram-se integrantes da classe baixa. Pouco mais da metade deles, porém, é realmente pobre.

O levantamento - que revela a “percepção de pobreza” entre os argentinos - mostra que 25,5% dos entrevistados consideram que um dos requisitos mais importantes para não ser pobre é ter casa própria. Em segundo lugar, para 16,6%, o mais importante é dar uma educação de qualidade para os filhos.

Os analistas afirmam que essa percepção de pobreza é provocada pela frustração da classe média argentina, que desfrutou tempos dourados décadas atrás, ao verificar que não existe relação entre seu nível de educação e seus salários ou receita.

Além disso, segundo a pesquisa, antes, o Estado fornecia saúde e educação de qualidadena rede pública, fato que permitia que a classe média prescindisse dos gastos que actualmente precisa realizar para contar com planos médicos privados e escolas particulares. A população, de forma geral, considera a situação econômica atual melhor do que na época da crise. No entanto, predomina a sensação de que hoje é preciso viver de forma mais espartana do que no período pré-crise.

Outra pesquisa, do Observatório da Dívida Social Argentina, indica que a recuperação económica - e o fato de ter mais dinheiro no bolso - não é suficiente para curar as frustrações acumuladas e restabelecer a capacidade de ter projectos.Segundo a pesquisa, cinco de cada dez argentinos ainda sentem algum grau de mal-estar psicológico apesar do crescimento económico dos últimos anos. Esses 50% não conseguiram recuperar seus projectos pessoais e superar o estresse que isso provoca

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O Mundo de hoje é um mundo selvagem.
João Brito Sousa

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