quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

2008 O ANO DAS INCERTEZAS

(haja alegria)

MAIS DESEMPREGO NO MUNDO
estado de S.Paulo

Mais desemprego no mundo O rápido crescimento da economia mundial nos últimos anos gerou milhões de empregos, mas nem assim foi possível evitar o aumento do número de desempregados, porque a quantidade de vagas abertas não foi suficiente para abrigar todos os que chegaram ao mercado de trabalho no período. O que acontecerá ao longo de 2008, quando o desempenho económico em todo o mundo deve ser pior do que o dos anos anteriores, ainda que não aconteça a recessão nos Estados Unidos?

O resultado, de acordo com pesquisa que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) acaba de divulgar, pode ser o acréscimo de 5 milhões de pessoas ao contingente de desempregados em todo o mundo.O informe anual da OIT Tendências Mundiais do Emprego faz uma avaliação prudente do quadro económico actual.

Mesmo o aumento do número de desempregados que projecta para este ano não chega a ser estatisticamente relevante. No ano passado, cerca de 3 bilhões de pessoas estavam empregadas em todo o mundo. Os desempregados, de acordo com a OIT, representavam 6% da força de trabalho total. Se em 2008 o número de desempregados aumentar em 5 milhões, o índice subirá para 6,1%, variação muito pequena.Mas a questão não é meramente estatística. O desemprego já atinge quase 200 milhões de pessoas e suas famílias. Além disso, a falta de emprego não é o único problema que afecta os trabalhadores e suas famílias no mundo inteiro. Boa parte dos que integram o grupo dos empregados vive em situação muito difícil.A OIT calcula que 487 milhões de trabalhadores ganham menos de US$ 1 por dia, quantia mínima para retirá-los da linha de pobreza.

A renda de 1,3 bilhão de empregados não chega a US$ 2 por dia. Ou, como resume o informe da OIT, “apesar de estarem trabalhando, 4 entre 10 trabalhadores são pobres”. Além disso, metade dos empregados está em situação considerada vulnerável pela instituição: não está legalmente contratada e por isso não dispõe da protecção do sistema de seguridade social.Na América Latina, ao contrário do observado em outras regiões, a proporção de empregos vulneráveis está crescendo.

Em 1997, segundo a OIT, esses empregos correspondiam a 31,4% do total; no ano passado, a proporção havia subido para 33,2%. Ou seja, um terço dos trabalhadores latino-americanos que estavam empregados tinha empregos de má qualidade. Na região, o sector que mais absorveu trabalhadores nos últimos anos foi o de serviços e, entre as pessoas empregadas nesse sector, o número de mulheres supera o de homens. É possível que boa parte dessas pessoas trabalhe por conta própria, com baixa eficiência, o que reduz a produtividade do trabalho na região, que é menor do que a produtividade média mundial.Para resolver esses problemas, bem como para conter o desemprego, a OIT recomenda que os governos utilizem melhor as oportunidades que surgem nos períodos de rápido crescimento económico para estimular a criação de empregos mais produtivos, com melhor remuneração.

O crescimento económico, por si só, não tem sido suficiente para melhorar as condições no mundo do trabalho, nem mesmo para conter o aumento do número de desempregados (em 2006, o total de desempregados no mundo era de 187 milhões; no ano passado, apesar do crescimento de 5,2% da economia mundial, o total subiu para 189,9 milhões de pessoas). Daí, segundo a OIT, a necessidade de os governos agirem para assegurar que o progresso económico se transforme num factor de inclusão social e não de aumento das desigualdades, como ocorre em muitos países.

Na avaliação da OIT, a crise actual é difeente das anteriores. Esta surgiu no mundo industrializado e, ao contrário do que aconteceu com as crises da década passada, não afectou de maneira notável os demais países - pelo menos até agora. Não há, porém, nenhuma segurança de que esse quadro se manterá. A questão, diz a OIT, é como o mercado de trabalho em todo o mundo reagirá à redução da actividade económica. “Este será o ano das incertezas”, resumiu o director-geral da OIT, Juan Somavia.
Recolha de
João Brito Sousa

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