terça-feira, 11 de setembro de 2007

A MORTE DE ANTERO DE QUENTAL


FAZ HOJE 116 ANOS QUE FALECEU ANTERO DE QUENTAL...


“A 11 de Setembro de 1891, morre Antero Tarquínio de Quental, escritor, político e poeta português. Pertenceu ao grupo da chamada geração de 70, tendo participado nas Conferências do Casino, com a palestra Causas da decadência dos povos peninsulares”...


UM POUCO DA SUA VIDA.

“Antero de Quental herdou em 1873 uma quantia considerável de dinheiro, o que lhe permitiu viver desafogadamente, dos rendimentos dessa fortuna.

Em julho de 1855 foi estudar em Coimbra. Matriculou-se na Faculdade de Direito em 1858. O primeiro ano decorreu de forma atribulada. Um excesso cometido durante a praxe aos caloiros custou a Antero de Quental oito dias de prisão. Era muito popular no meio académico. Concluiu o curso em julho de 1864.

Em 1865, foi um dos principais envolvidos na polêmica conhecida por Questão Coimbrã, em que humilhou António Feliciano de Castilho, seu antigo professor e renomado crítico literário que se tinha por cânone para os escritores nacionais: ao livro Odes modernas de Antero, Castilho respondeu com críticas duras sobre o aventureirismo de um jovem tolo que escrevia de forma assaz estranha e de gosto muito duvidoso.


Antero respondeu com o opúsculo Bom senso e bom gosto, a que definia a sua literatura por oposição à instituída: ao Ultra-Romantismo decadente, torpe, beato, estupidificante e moralmente degradado, Antero opunha o Realismo, a exposição da vida tal como ela era, das chagas da sociedade, da pobreza, da exploração: estas preocupações sociais levaram-no a co-fundar o Partido Socialista Português: Antero defendia a poesia como Voz da Revolução, como forma de alertar as consciências para as desigualdades sociais e para os problemas da humanidade.A polémica só terminou com um duelo entre Antero de Quental e Ramalho Ortigão, que se saldou com ferimentos ligeiros.


UM POEMA

Aspiração



Meus dias vão correndo vagarosos,

Sem prazer e sem dor parece

Que o foco interior já desfalece

E vacila com raios duvidosos.


É bela a vida e os anos são formosos,

E nunca ao peito amante o amor falece...

Mas, se a beleza aqui nos aparece,

Logo outra lembra de mais puros gozos.


Minha alma, ó Deus! a outros céus aspira:

Se um momento a prendeu mortal beleza,

É pela eterna pátria que suspira...


Porém, do pressentir dá-ma a certeza,

Dá-ma! e sereno, embora a dor me fira,

Eu sempre bendirei esta tristeza!



Antero de Quental

AS IDEIAS


Antero de Quental, um dos principais integrantes da chamada Geração de 70, grupo literário que deu início ao realismo português, apresentou uma produção literária que incluía obras de intenção social, filosófica e política.


Sendo dotado de uma vasta cultura e de um olhar crítico acerca das questões de seu tempo, foi ainda um dos principais divulgadores do pensamento socialista em Portugal, marcando a influência do cientificismo na mentalidade oitocentista.

A produção poética anteriana é considerada por muitos uma síntese de sua trajetória, tanto biográfica como literária. Desse modo, Raios de extinta luz e Primaveras românticas marcariam a primeira fase, na qual estão presentes o lirismo amoroso, o erotismo e a religiosidade. A estes se seguiriam as Odes modernas, obra caracterizada pela ação social e pela irreverência, sendo a mais expressiva de sua obra.


A última fase, pautada pela reflexão metafísica e pelo pessimismo, é presentificada por Sonetos.
Em Odes modernas, obra da fase realista propriamente dita da poesia anteriana, nota-se o engajamento de vertente político-filosófica - influenciada pelos pensamentos de Platão e Proudhon -, além da reflexão sobre o papel da poesia.


Nela se encontra a visão do homem da modernidade, dilacerado entre fé e progresso, entre religião e socialismo, lançando uma perspectiva filosófica sobre a sociedade do Portugal do século XIX.


Observe-se que o próprio título da obra parece indiciar a tônica da mesma: enquanto odes remete à orientação clássica, o adjetivo modernas aponta a perspectiva da modernização, uma das preocupações da Geração de 70, que tentara, com as Conferências do Cassino, reformar a mentalidade e a sociedade portuguesas.

Acreditando que os sonetos de Odes Modernas estabelecem, no plano estrutural e semântico, as etapas do processo dialético como estratégia de reflexão, nosso estudo propõe uma análise da obra anteriana à luz dos conceitos filosóficos como marca do pensamento racional e objetivo que norteou o olhar realista.

Um dos principais traços percebidos em Antero diz respeito a uma fé desvinculada da perspectiva meramente mística e fixada na Ética, que se traduz na busca de uma nova Idéia, aqui entendida como uma reformulação de conceitos baseada nas correntes filosóficas e científicas que surgiam.


Trata-se da fé como forma de elevação, destituída de simbolismo religioso, estando mais ligada à ética e à moral. Dessa forma, a Fé surge aqui como abstração, como conceito, e não em seu caráter subjetivo e dogmático, uma vez que este negaria o positivismo realista.

A nova Idéia buscada pelo eu-lírico anteriano entrelaça aspectos até então inconciliáveis, e a chegada a um ponto de equilíbrio assinala um processo quase dialético, em que se parte de uma tese, que será posteriormente negada por uma antítese, para que uma síntese seja alcançada. A tríade dialética não apenas mostra a influência de Hegel como aponta a estrutura formal mais freqüente na obra anteriana: o soneto é, por excelência, a estrutura que melhor serve ao processo dialético.


Segundo Maria Madalena Gonçalves, na apresentação crítica às poesias de Antero, o soneto transporia, para o plano da Forma, o processo dialético de captação da Idéia:


(textos retirados da internet)

João Brito Sosa

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