quinta-feira, 23 de agosto de 2007

A REVOLTA DO PORTO

(rua 31 de JANEIRO)


DE 31 DE JANEIRO de 1891


"QUALQUER REVOLUÇÃO TRAZ SEMPRE UMA MENSAGEM DE ESPERANÇA"...


A causa próxima e única da Revolução de 31 de Janeiro de 1891, foi o conflito anglo- português.

Estava-se em princípios de Janeiro de 1891 na governação de José Luciano e Castro, quando os jornais começaram a referir-se com insistência à possibilidade de um conflito com a Inglaterra, a propósito das pretensões desta nação sobre os territórios do Nyassa, onde algumas expedições portuguesas de carácter científico operavam ao tempo.

Duas horas da manhã de 31 de Janeiro.


Na cidade há um grande silêncio.


Um nevoeiro opaco cobre como um manto pesado e espesso a casaria, cujos telhados se perdem na bruma negra e húmida.

Os candeeiros da iluminação pública apenas se distinguem como pontos rubros, _ pequenos pedaços de ferro incandescente, sem difusão luminosa na atmosfera densa. As ruas mal se divisam e as linhas dos prédios mais próximos, logo se esbatem confusamente numa obscuridade quase impenetrável.

De madrugada, embora haja chovido durante quase toda a noite, está frio, um frio que penetra nos ossos.

A essa hora matinal, por aquele frio húmido, por aquele nevoeiro cerrado, tudo parece dormir repousadamente, bem aconchegado nas roupasde lã de camas quentes e suaves.


Quem passasse aquela hora pelo Campo de Santo Ovídio, ou Campo da Regeneração, não podia suspeitar que uma hora depois se faria ali um grande, um enorme movimento de tropas, de gente curiosa, a bradar em gritos estonteadores, entusiásticos e ferventes de

Viva a Republica, Abaixo a Monarquia.

A Revolução ia começar...


(texto retirado da obra de Sampaio Bruno

da Biblioteca Almeida Garrett, no Porto)



João Brito Sousa

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