sexta-feira, 30 de maio de 2008

HISTÓRIA DE PORTUGAL

(Dr. Antónío José de Almeida)
CRÓNICAS DA 1ª REPUBLICA

A NOITE SANGRENTA

Na noite de 19 de Outubro de 1921, uma tragédia maculou e envergonhou a memória política da primeira República. Um bando de revolucionários, que pareciam obedecer às ordens de um cabo marinheiro, foi buscar a sua casa o ex-presidente do Ministério de António Granjo (que desagradara muito à Armada por não atender à exigência dos prés da marinhagem), o comandante Machado dos Santos, o comandante Carlos da Maia vedeta naval em 5 de Outubro, o comandante Freitas da Silva chefe do Gabinete do Ministro da Marinha que vedara o acesso dos marinheiros ao ministro e o coronel Botelho de Vasconcelos tido como partidário de Sidónio, sendo que todos foram conduzidos ao arsenal e aí assassinados.

O golpe é promovido por radicais e dissidentes do partido democrático.

O parlamento foi dissolvido e as novas eleições foram marcadas para Dezembro, mas, por evidente escassez dos prazos, foram transferidas para 8 de Janeiro e logo depois para 29, resultando daqui que o único governo viável era com o partido democrático, tendo o Presidente da República, António José de Almeida (1919/1923) nomeado o engenheiro António Maria da Silva, chefe do partido de formar um governo, que se conservaria, até Novembro de 1923.

Entretanto o clima de mal-estar social continuava.. A desvalorização do escudo acentuou-se nos anos que se seguiram `a guerra. Nos círculos operários os salários não acompanhavam a alta do custo de vida e as greves eram frequentes; os investigadores afirmam ter-se registado 21 greves em 1919, 39 em 1920, 10 em 1921, 21 em 1923 e 25 em 1921.
O 19 de Outubro de 1921 foi o fim da 1ª República. Formalmente ela continuou até 28 de Maio de 1926. Pelo meio, alguns episódios grotescos de um regime em degenerescência: as governações de António Maria da Silva, o carbonário tornado o chefe todo poderoso do PRP e dos respectivos caciques, directas ou por interpostos testas de ferro; a eleição de Teixeira Gomes para a Presidência da República, uma manobra de Afonso Costa para tentar regressar ao poder; a renúncia de Teixeira Gomes quando percebeu que nem conseguia o regresso de Afonso Costa, nem passaria de um títere nas mão do odiado chefe do PRP: renunciou e abandonou o país no primeiro barco que zarpou da barra de Lisboa com destino ao estrangeiro.

João Brito Sousa

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