sábado, 15 de setembro de 2007

BOM FIM DE SEMANA


PORTO, 2007.09.15


BOM FIM DE SEMANA


Para os meus filhos em ALMADA XAXÁ E PEDRO Para a minha nora e para a minha neta MARIANA

Para os meus irmãos em NEWARK, USA

Aló Solange, katy and Jack David, Daniela, Michele e respectivos....


Aló PAUL SPATZ e filhas


Aló primos e primas na Austrália e Perpingham em França em NEWARK, aló Tony and Quitéria Ilheu aló SIlvina no Canadá

Para a Celina e para o Aníbal, para o Zé ALEIXO Salvador esposa, Honorato Viegas e esposa, Peixinho e esposa em ALMADA,

Para toda a malta do 1º 4ª de 52 em especial para o Coelho Proença, Zé Maganão e Ludgero Gema,

Para o Dr. Eduardo Graça e o seu ABSORTO

Para o amigo Carlos BARRIGA E ESPOSA EM FERREIRAS.

Para o Luís José Isidoro em ESTOI, amigo inesquecível

Para o Engº Neto e esposa em ESTOI ainda.

Para o Engº Manuel Carvalho e esposa

Para os meus compadres, Dr. Manuel Rodrigues e Drª Fátima Rodrigues e filha, a Drª Ana Luísa Rodrigues.

Para o enorme MÁRIO MONTEIRO que agora mora em CAMPO

e para o Guilherme, Marta esposo e filho,


Para o CARLINHOS LOURO, meu primo e velho amigo.




aló Custódio Clemente e Zé Mendes na AUSTRÁLIA,

Zé Lúcio, Florentino, Rosendo e Joaquim Carrega...


Victor e Célia Custódio e Leonilde Filhos e filhas.


Aló Montenegro SÃO E FILHAS ,


Tia Amélia.

Tias Alzira e Ti Manel


Eusébio e Júlia Lucília e Armando e Filhos


Silvina e Luís Alcantarilha e filhos

Mercedes e Alviro, BICAMA e BIZÉ E RESPECTIVOS

Maria do Carmo e Zé Maria e filhos (meu afilhado João Manuel) e noras netos


FLORIVAL EM França, esposa e filhas Para o CUSTOIDINHO, o filho do APOLINARIO, que diz que é teu amigo e com quem tive uma pega no restaurante o Jorge, no PATACAO.


Para: VIEGAS, DIOGO, PLÍNIO, ARNALDO SIVA, ZÉ GRAÇA, DIOGO TARRETA E REINALDO E SOLEDADE ...ainda há mais?... para todos


Aló ESTORIL Mário Fitas, Aló Porto Carlinhos Pereira, Adelino Oliveira em AZEITÃO. Romualdo Cavaco, Jorge Valente dos Santos e Zé Pinto Faria em Portimão. ADOLFO PINTO CONTREIRAS NOS GORJÕES E SOARES em TAVIRA. Feliciano Soares e Xico LEAL em Olhão e Zé Júlio na ilha da Culatra. Estamos em: Para a malta da Escola Comercial e Industrial de FARO, os garndes amigos e colegas,
ROGÉRIO COELHO, LUÍS CUNHA, JORGE CACHAÇO E FRANKLIM MARQUES.

Para o JORGE CUSTODIO, o JORINHO que andou comigo na escola primária em Mar e Guerra, irmão da Fernanda e que agora mora em Faro.


http://bracosaoalto.blogspot.com/


http://braciais.blogs.sapo.pt/


http://bracadas.blogs.sapo.pt/


http://estudarfaro.blogspot.com/


Dêem uma vista de olhos.


UM BOM FIM DE SEMANA PARA TODA A GENTE


João Brito Sousa

APRESENTE-VOS

(Escola Comercial e Industrial de Faro; 1º Ano 4ª Turma de 52)
O “COSTELETA” COELHO PROENÇA

Apresento-vos hoje o Mário Coelho Proença Leonardo, nascido em Faro em 1941 e que foi meu contemporâneo na Escola Comercial e Industrial aí na cidade. Eu entrei em 52 e o Coelho Proença não sabe bem, diz que foi em 52 ou 53. Mas, mais coisa menos coisa, andámos por lá na mesma altura.

Apesar de andarmos na Escola na mesma época, viemos travar o nosso ainda precário relacionamento fora dela. È que o Coelho Proença é visitante do meu blog, apreciador e conhecedor de futebol, e apareceu-me aqui há dias a fazer um comentário acerca do desporto rei num post meu. E disse-me que era costeleta dos anos 50.

Não o conheci na altura nem o conheço ainda hoje. Dele sei que fez uma brilhante carreira na Banca Comercial ao lado do Ludgero Gema, que conheço muito bem, apesar de já não o ver há muitos anos. Mas ainda ontem o Carlos Barriga de Boliqueime me dizia .que o Coelho Proença é boa praça.

Das nossas conversas resultou que pedi ao Coelho Proença uma história. E ele já mandou e vou publicá-la hoje. E esta história do Proença vou dedicá-la aos nossos colegas e amigos da turma o Proença de 52, o célebre 1º ano 4ª turma.

Aí vão os nomes dos recordados de hoje, citados de cór:: Ludgero Gema, Zé Maganão, Bartolo, Carlos Gomes, Jacinto Bassora e Ventura de Olhão.... a quem peço igualmente me enviem uma história, para publicar aqui, dos tempos de costeleta em Faro.


Aí vai a história.

Texto do Coelho Proença..


“Foi na Escola Comercial e Industrial de Faro, que por volta de 1952 ou 1953 iniciei a 2ª fase da minha vida de estudante. A 1ª foi na escola oficial do Largo da Feira em Olhão.

Em Faro para onde me deslocava diáriamente no comboio das 7,45 h.lá passava o dia regressando a casa no comboio da 18,40 h. As aulas acabavam por volta das 17,00 horas pelo que aproveitávamos o tempo até ao comboio para jogar renhidos desafios no Largo de S. Francisco.

Também no recreio da escola que, naquela altura,era povoado de pequenos calhaus colocados por cima do pavimento de alcatrão jogavamos bons desfios. Foi, num dessas jogatanas que aconteceu o que lhes vou contar.Jogava eu a guarda-redes, quando me aperta a fome e, lesto, vou à pasta de cabedal branco buscar um papo-seco com manteida que todos os dias trazia de casa para lanchar.

Descuidado estava guardando a baliza, pois o jogo desenrolava-se na baliza adversária, quando, num repente, a outra equipa lança um contra.ataque rápido e vejo na minha frente o Carlos Gomes que à queima-roupa dispara forte remate que vem de encontro ao papo-seco carregado de manteiga.

Na aflição e sem saber o fazer, naquele momento, respiro fundo e entra-me pelo nariz toda a gordura comportada pelo pão. Fiquei sufocado e quase sem poder respirar. Jogo interrompido para assistir o guarda-redes comilão, que se recompõe com facilidade.

Com facilidade é uma força de expressão pois durante anos, nem pude cheirar manteiga a quilometros



Fico a aguardar história s como esta para publicação como esta.
Podem enviar para jbritosousa@sapo.pt.

Aí vai um abraço para todos do

João Brito Sousa

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

POESIA DE ÁLVARO DE CAMPOS


POESIA DE ÁLVARO DE CAMPOS.


Ler Álvaro de Campos é ler qualquer coisa de extraordinário Parece que até acreditamos na existência de Deus, porque o artista/poeta nos transporta para zonas desconhecidas que a gente parece conhecer bem ou que já lá esteve.

Umas serão assim; outras nem por isso ...

Sim, ser vadio e pedinte, como eu sou
Não é ser vadio e pedinte, o que é corrente
E ser isolado na alma, e isso é que é ser vadio
É ter de pedir aos dias que passem, e nos deixem, e isso é que é ser pedinte

Tudo mais é estúpido como um Dostoiewsky ou um Gorky.

Este Álvaro de Campos terá necessariamente de ser um homem diferente de todos os outros por escrever assim diferente dos outros e pensar assim diferente de todos...

Feliz o homem marçano
Que tem a sua tarefa quotidiana normal, tão leve ainda que pesada

.........................

Se em certa altura
Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita
Se em certo momento
Tivesse dito sim em vez de não, ou não em vez de sim;
Se em certa conversa
Tivesse tido as frases que só agora, no meio-sono, elaboro
Se tudo isso tivesse sido assim,
Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro
Seria insensivelmente levado a ser outro também.

.........................

Sempre, sempre, sempre,
Est angústia excessiva do espírito por coisa nenhuma,
Na estrada de Sintra, ou na estrada do sonho, ou na estrada da vida...


Recolha de


João Brito Sousa

CIENCIAS SOCIAIS


(la grand place BRUXELAS)


O RESSURGIMENTO DA CIDADANIA E A IMPERIOSIDADE DA DEMOCRACIA

Os ideais que conduziram ao início do processo europeu sãoeminentemente políticos: afastar a possibilidade de conflitosarmados na Europa, substituir as rivalidades pela cooperação, partirdos interesses próprios para os interesses comuns, são objectivosválidos e pertinentes hoje como eram na década de cinquenta., só queagora não são um exclusivo da EUROPA.

Em Portugal como no resto da Europa a diminuição do apoio popular aoprocesso europeu não deve ser ofuscada pelo retomar do crescimentoeconómico. A exigência dos cidadãos de exercerem os seus direitos,tanto nos seus respectivos países como na União, é real e exigerespostas credíveis por parte dos governos e das instituiçõeseuropeias. A nova etapa do processo europeu, que Mastricht iniciou,deve ser reforçada; a Europa política só pode, naturalmente serdemocrática.
Quando em Janeiro de 1990, Jcques Delors exortava a ComunidadeEuropeia a responder à tremenda aceleração da História, provocada pelaqueda simbólica do muro de Berlim, pouca gente terá dado a devidaatenção ao profundo significado das suas palavras. Mas o visionárioque presidiu durante dez anos a comissão de Bruxelas sabia exactamente o que dizia ...

( texto retirado de uma obra da Biblioteca Almeida Garrett no Porto.)


O MEU COMENTÁRIO

Cidadania e Democracia são indispensáveis, sendo possível conciliar os seus interesses.

João Brito Sousa

COISAS INTERESSANTES

(universidade do PORTO)
- COISAS INTERESANTES.....


O PRINCÍPIO DA AUTORIDADE E OS MOTINS ANTIFISCAIS DE 1862



Entre Abril e Agosto de 1862 verificou-se em Portugal uma vaga deagitação antifiscal que com diferentes intensidades se expressou emmotins, assaltos a dependências fiscais, ataques a funcionários efogos postos.

Normalmente estes actos eram protagonizados pelas populações dasfreguesias rurais, que se juntavam ao tocar dos sinos e marchavam comestrondo em direcção à sede da comarca fiscal.

Os episódios de maior dimensão sucederam-se na região do Minho, nasBeiras e nos Açores, mas também se verificaram agitações em váriasterras de Trás- os - Montes, Coimbra e na serra do Algarve.

Apesar de o principal objecto de descontentamento terem sido asobrigações fiscais da nova contribuição territorial (predial), queafectava os proprietários agrícolas na Covilhã, protestou-se contra aContribuição industrial que era imposta aos assalariados da indústriados lanifícios e noutros lugares contra os impostos municipais, adesamortização dos bens das confrarias ou os pesos e medidas dosistema métrico decimal.

Além do mais no próprio contexto de agitação, várias povoações deViseu e Aveiro amotinaram-se e marcharam para destruir as instalaçõesdas minas de chumbo do Braçal a cujos fumos eram atribuídas às pragassofridas na horticultura, a praga de oidiun

Dadas as razões dos amotinados, as formas de acção e geografia, algunsobservadores consideraram este ciclo de insurgências uma nova «Mariada Fonte» ou, pelo menos, um fenómeno que ameaçava transformar-se emtal.Para o ser efectivamente faltou a este fenómeno uma articulaçãopolítica com um partido legitimista ( isto é, miguelista)suficientemente estruturado e entrada em cena, aproveitando amobilização, das Juntas urbanas da oposição liberal nas localidadesassediadas pelos amotinados.

Os governadores civis que tiveram de organizar a repressão dos motinsreferiam nos seus relatórios a participação de alguns padresmiguelistas nos tumultos, assim como de agitadores nãoidentificados.; no entanto simultaneamente afirmavam o carácterespontâneo dos motins e a inexistência de um plano de insurreiçãogeral.O pronunciamento militar de Braga de Setembro desse mesmo ano, chegouquando a agitação popular já se tinha acalmado, para alem de se terautodissolvido devido `a debilidade dos compromissos sobre queassentava.

No contexto europeu, estes motins englobam-se nos frequentes episódiosde resistência popular à penetração impositiva e administrativa dosEstados e à criação de espaços económicos e políticos nacionais; duascaracterísticas da transição do mundo moderno para o mundocontemporâneo.


Em Portugal estes motins, continuaram a verificar-se de forma pontuale dispersas durante todo século XIX com outro pico de conflituosidadecoincidente com os arrolamentos prediais de 1867-1870 (antes e depoisda Janeirinha).

Mesmo em 1899, a resistência popular


(texto retirado de uma revista da Universidade de Coimbra)

João Brito Sousa

FIGURAS DA LITERATURA


JOSÉ SAMPAIO (BRUNO)

A RAÇA... O MAL É DA RAÇA.



Texto retirado das Memórias (Tomo III ) de Raul Brandão.


JOSÉ PEREIRA DE SAMPAIO (BRUNO) foi um conversador extraordinário.

Uma vez, passeava altas horas pelas ruas denegridas e húmidas do PORTO, com dois ou três amigos, falando, parando, discutindo até alta madrugada.

Vinha tudo à baila: Deus, o Universo, os filósofos e a política.

Agregavam-se às vezes àqueles homens alguns rapazes que os ouviam fascinados. E diziam eles:

- Escusam de procurar... a nossa ruína não vem dos políticos nem do regime. Mudaremos o regime e ficaremos na mesma. O mal é mais profundo – o mal é da raça.
- A raça?... Mas, com esta raça descobrimos o mundo!...
- Sim, mas repare, se quisermos modificar o País, temos e fazer exactamente o mesmo que se faz com os cavalos, temos de mandar vir homens do Norte, ingleses, escandinavos ou suecos e de montar aqui e além postos de cobrição.

O homem será tanto maior quanto maior for a sua capacidade de sonhar. De sonho inútil. A única vida possível é a vida artificial, a vida que não existe, a vida que construímos ao lado da vida, a vida que nos afasta dos bichos.


Talvez a felicidade consista realmente em nos aproximarmos da natureza, em lavrar, em nos contentarmos com a enxerga, o colmo que nos cobre, em reduzirmos a vida às linhas essenciais.


A felicidade é comezinha Ouvi sempre dizer que os homens felizes não têm História...

A OBRA

A obra de Sampaio Bruno situa-se, temporalmente, na transição entre os séculos XIX e XX. Do ponto de vista filosófico foi um dos marcos do pensamento heterodoxo português, escrevendo toda a sua vida profundamente marcado pelo sentido da diferença, ao mesmo tempo que lutava arduamente pelo fim da monarquia e pelo advento do regime republicano, luta que dele fez um dos exilados do 31 de Janeiro.

A despeito dos seus primeiros escritos, marcados pela sedução do positivismo conteano (Análise da Crença Cristã (1874)), o qual viria rapidamente a abandonar e a criticar em O Brasil Mental (1898), constituiu núcleo essencial da sua obra a ideia da opacidade do mundo, do seu carácter misterioso, conferindo à linguagem a missão de traduzir essa mesma opacidade, vedada que estava a expressão da verdade na sua nudez singela.

Para Bruno, a verdade não é um absoluto dado, e nele se palpa, tanto no pensamento como na sua expressão escrita, o sentido do oculto, ou não fosse a verdade «o erro, aproximando-se indefinidamente da verdade verdadeira, desconhecida». Daí que seja habitualmente considerado um autor difícil, com uma prosa recortada, sinuosa e tantas vezes labirintica, nos antípodas da clareza dos geómetras.

Bruno abriu-se ao mito, à profecia, à revelação, às alucinações auditivas (de que disse ter sido alvo), às sociedades secretas, ao mesmo tempo que expurgou o messianismo do que considerava a sua dimensão acessória para o focar no essencial: a redenção do homem e, com ele e através dele, a redenção universal, acabando por nos traçar uma metafísica da redenção que parte do mistério das origens para terminar na redenção não só do homem, pois recusou a perspectiva antropocêntrica de um certo evolucionismo imperante que à luz do seu critério tem por imoral, mas a redenção universal e fraterna de toda a cadeia dos seres, da natureza no seu conjunto, num processo que se lhe apresentava como a revelação sucessiva de fins divinos, rumo à perdida perfeição de um absoluto misteriosamente alterado...

(texto retirado da net), por



João Brito Sousa

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

A SELECÇÃO FALHOU


PORTO, 2007.09.14


SCOLARI PARA A RUA


Foi impensável o que aconteceu à Selecção Nacional de Futebol:- no final do jogo de ontem à noite, o seleccionador nacional deu um murro num jogador adversário.

Scolari sujou a sua imagem e arrastou, negativamente, a imagem de Portugal para a imprensa internacional. Nada fazia supor que tal iria acontecer porque as coisas não estando a correr bem também não estavam a correr mal.

Mas com o golo sofrido a quatro minutos do fim, ainda por cima em posição off side, Scolari passou-se..

A equipa não jogou bem porque Scolari não a renovou bem. Bruno Alves não é jogador de selecção Vejamos:

RICARDO – Fora de forma. Se a defesa jogar bem... tudo bem. Ontem até nem teve culpa no golo.... e não foi por ele, que ...

BOSINGUA – Parece um galgo, mas aquela corrida toda não dá nada porque não sabe centrar. Só uma vez criou algum perigo. O Rui Santos gosta muito dele mas eu não. O lugar é do Paulo FERREIRA.

BRUNO ALVES E MEIRA - Deviam de ter visto, nos anos 60, o Reina do Olhanense jogar à bola, para saberem como é. Os lugares são do R. Carvalho e do J. Andrade.

PAULO FERREIRA À esquerda rende metade

MANICHE - Às vezes marca uns golitos. Ontem nada....

DECO: Já não há Deco.

PETIT Acho que jogou bem. Aliás o único.

CRISTIANO RONALDO Este puto ... E dizem que é o melhor do mundo. Este tipo não joga nada. Então de trivela vale zero ...

SIMÃO Acho que jogou bem.

NUNO GOMES - Aquele remate de cabeça podia ter entrado que ajudaria na exibição.

Temos obrigação jogar mais e jogar mais é saber atacar e saber defender.



Agora Manuel José para seleccionador.

Scolari está gasto e cheio de dinheiro. Venha outro.


João Brito Sousa

DA IMPRENSA

(madre Teresa)

JORNAL DE NOTÍCIAS


VEM VER A MINHA LUZ


“A recente publicação do livro "Madre Teresa Vem Ser a Minha Luz" veio assinalar de forma algo polémica o 10.º aniversário do falecimento de Agnes Gonxha Bojaxhiu, conhecida como a "Santa dos Pobres".


A revelação de correspondência particular com alguns dos seus confessores e outras pessoas, ao longo de mais de 60 anos, mostra que sofreu "uma agonia indescritível" ao não sentir a presença

de Jesus.


Agnes desde os 12 anos dizia querer ser missionária e aos 18 entrou como noviça para as Irmãs do Loreto, uma ordem católica irlandesa orientada para a educação. Três anos depois adoptou o nome de Maria Teresa e foi ensinar Geografia para Calcutá, o que a ocupou até aos 36 anos.


Nessa altura, foi fazer um retiro no sopé dos Himalaias. No regresso, durante a viagem de comboio, dizia ter ouvido Jesus pedir-lhe para abandonar o ensino e passar a trabalhar com "os mais pobres dos pobres".


"Vem, vem, leva-me aos buracos dos pobres" ter-lhe-ia ele dito; "vem ser a minha luz".Pouco tempo depois abandonou o convento, fez um curso intensivo de enfermagem, abriu uma escola para indigentes em Calcutá e fundou a congregação religiosa das Missionárias da Caridade, que fazem voto especial de se consagrarem exclusivamente aos mais miseráveis.


Dedicou o resto da sua vida física a recolher das ruas os sem-abrigo, doentes e moribundos, proporcionando a muitos milhares de seres um fim digno, rodeado de amor e carinho, sem olhar à sua etnia, à sua cor política ou ao seu credo religioso.


Fundou, um pouco por todo o mundo, centenas de orfanatos, casas de sopa, albergues e clínicas, mostrando uma imensa força interior, uma grande determinação e uma enorme capacidade de realização.Madre Teresa tinha visões e ouvia vozes, de forma semelhante à descrita para outras pessoas, o que actualmente é fonte de estudo por diversos investigadores universitários.


Ela relatava ter visto e ouvido diversas vezes Jesus, até ao momento em que começou a tratar dos pobres e moribundos.Pelas cartas agora reveladas, muitas das quais preservadas contra a sua vontade, parece que ela se terá dedicado a Jesus como se ele fosse seu marido, sentindo a sua ausência - "quanto mais o quero menos sou querida" - como se se tratasse de um esposa "abandonada".


Talvez esta perspectiva menos espiritualista criasse condições que inviabilizavam o contacto de Jesus. Talvez o sofrimento que viveu discretamente se enquadrasse na sua trajectória de evolução espiritual.

O MEU COMENTÁRIO.

Entendi colocar aqui este texto, porque ao lê-lo pela primeira vez, percebi que Madre Teresa teria concluído que essa coisa de Jesus era ....

Tinha percebido que Madre TERESA teria concluído que essa de Jesus não dava garantia nenhuma da sua existência.

Porque o meu grande problema é não perceber porque é que existe Jesus e existem também desigualdades sociais. Sendo Cristo O amor não faz sentido haver tanto desamor.

È que se não houver Deus, que é o Pai, percebe-se bem a bagunça que por aqui vai. Agora, havendo Deus não há hipótese de se perceber este assunto porque não há coerência naquilo que se vê.

A notícia da imprensa diz que se crê em Deus, através de uma perspectiva mais ou menos espiritualista. É um comportamento fabricado e de conveniência...

Publiquei o artigo porque preciso de certezas. Afinal, não existe nada de novo...


João Brito Sousa

UM CONVITE PARA VISITAR FARO


Venho convidá-lo para visitar Faro.

Disponibilize um espaçozinho no seu dia de hoje e venha até à cidade. Convide um casal amigo e venha. Faça um dia diferente... venha ver. Converse... dialogue... viva.

Arrume a viatura onde puder, entre pelo Arco da Vila, suba pela rua do Município, tire umas fotografias às cegonhas que têm o ninho no topo do Arco e normalmente estão lá, faça como os camones ... dispare pelo melhor ângulo a sua máquina. E continue a subir até chegar ao Largo da Sé. Poderá até já ter estado aí umas cem vezes, mas pense que é a primeira. Vai ver que se sente mais jovem. E entre na Igreja da Sé

Admire... e fique a saber que:

A Igreja Matriz de Santa Maria, situada na Vila-Adentro, no Largo da Sé, foi mandada construir após a reconquista cristã em 1251, pelo Arcebispo de Braga, D. João Viegas, que para isso enviou os dominicanos Frei Paio e Frei Pedro. Posteriormente esta Igreja, foi entregue à Ordem militar de São Tiago, que promoveu diversas campanhas de obras, sendo as duas capelas góticas e o primeiro piso da torre fronteira à fachada principal, vestígios do século XV.

Em 1577 tornou-se sede do assento episcopal, tendo o Bispo e o Cabido vindo de Silves. As tropas inglesas do conde de Essex saquearam e incendiaram a cidade em 1596, arruinando gravemente o templo.

As colunas foram reconstruídas e os respectivos arcos, de acordo com o formulário da arquitectura chã, tendo-se mantido diversas capelas, que foram remodeladas nos séculos XVII e XVIII.

Os terramotos de 1722 e 1755 motivaram igualmente algumas importantes campanhas de obras.

Os Bispos e o Cabido, por um lado, as Confrarias do Santíssimo das Almas e de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, por outro, promoveram a ornamentação das suas próprias capelas.

No interior da Sé de Faro, pode ser apreciado um dos melhores conjuntos de talha e imaginária algarvia.

Gostou?....
Da próxima vamos até ao Paço Episcopal..

Promova a sua cidade.

Visite-a.

João Brito Sousa

DA IMPRENSA


Análise política por BAPTISTA-BASTOS


Aristóteles dizia que a tragédia, para o ser, tinha de falar de dois sentimentos essenciais ao humano: o horror e a compaixão. Harold Pinter assegura que o teatro, em geral, é a história de uma criança magoada.


E ambos ensinam que a vida constitui uma imperfeição desculpável. Aplico estes conceitos ao teatro político português e o resultado é plausível, embora parcial. Os principais actores em cena oscilam entre a preeminência do horror sobre a compaixão e uma prática moral infantilizada. O que os impele a acções socialmente desprezíveis e politicamente reprováveis.

No domingo, Marcelo Rebelo de Sousa, que dorme duas horas e meia, lê tudo, dá aulas, assina pareceres e nada, vigorosamente, aos fins-de-semana, assinalou as semelhanças entre José Sócrates e Marques Mendes.


No retrato patusco, o dirigente "socialista" saiu beneficiado. As frases, molhadas em cicuta. Sócrates é melhor do que o outro porque mais desenvolto, tem um físico moldado em ginástica e em corridinhas, é veemente e "determinado", veste melhor, o verbo roça a eloquência.


Comum a Mendes, o prazer da política, o gosto inextinguível de poder e a infatigável circunstância de ambos não saberem fazer outra coisa - disse Marcelo.

Tendo em conta os preopinantes da TVI, da SIC e da SIC Notícias, da RTP2 e da RTPN, o professor de Direito é, dizível e visivelmente, o melhor. Inflecte, suavemente, para o disparate, quando repete: "há dois anos atrás", mas sobra-lhe em verve e em ambiguidade o que a todos os outros escasseia em ironia e em risco. Marcelo disse, no domingo, que os dois actores assinalados são iguais no melodrama português.


A constituição ideológica de ambos é atávica: procedem do mesmo ninho e da mesma periferia. O primeiro lê; o segundo evita. Mendes traz consigo o odor abafado e antigo dos solares do Minho. Sócrates, lisboeta de afinidade e adopção, o calafrio da frescura matinal serrana. A astúcia dos dois não representa presteza de espírito: fundamenta a manha provinciana de quem almeja conquistar a cidade grande.


Fazem lembrar Rastignac, a personagem de Balzac no Père Goriot, quando grita, perante Paris: "Et maintenant, à nous deux!"

A herança é esta, sugere, sibilino, Marcelo: não há solução "alternativa", tendo em conta a ausência de opção. Um apenas veste melhor do que o outro. Eis a clamorosa diferença. O sistema de equilíbrios neutraliza qualquer fenómeno político, que o pretenda alterar substancialmente, reduzindo-o a versões diferentes da mesma atitude fundamental.

Sócrates e Mendes caracterizam dois modos da mesma relação "moderna" com os valores: uma cacofonia por detrás da qual estão a insegurança e a frivolidade


O MEU COMENTÁRIO

Muitas vezes Marcelo abusa do poder de que dispõe. Diz, diz diz e não diz nada.


João brito Sousa

A CASA DO COMPROMISSO EM FARO

(casa do compromiso marítimo em Faro)

HISTÓRIA
A casa do Compromisso fica situada na esquina da rua de S. Pedro com a Rua do Compromisso Marítimo

Trata-se de um edifício que se julga datar do Séc. XIV, ainda que tenha sido totalmente reconstruído em 1709, no local da casa anterior.

Este edifício de dois pisos, com beirado saliente e telhado de tesoura, constitui um bom exemplo da permanência do formulário da Arquitectura Chã nos princípios do século XVIII. O responsável pelo projecto foi o mestre pedreiro algarvio Ignácio Mendes um dos mais prestigiados de então.

Destacam-se na fachada lateral do edifício, os dois arcos de volta perfeita, que correspondiam outrora ao açougue dos mareantes. O edifício pertence hoje ao Centro Regional da Segurança Social.

A actual denominação pretende chamara atenção para o Compromisso Marítimo de Faro, benemérita associação dos marítimos que, como Confraria do Bom Jesus dos Mareantes, já existia em 1336, sendo por isso das mais antigas instituições portuguesas do género.

No conceito medieval, Confraria era uma associação voluntária em que se agrupavam os irmãos para um auxílio mútuo, tanto no campo material como no espiritual.

No campo especifico dos mesteres há seguros indícios de que a afinidade da profissão tenha conduzido ao agrupamento de ofícios na mesma associação, também designada confraria e regulando-se por um compromisso, que não era mais do que a expressão da vontade dos irmãos.

Os compromissos marítimos eram associações das gentes dedicadas às fainas do mar, que, para além do culto religioso, defendiam os privilégios, isenções e interesses dos associados, fornecendo o «Cmpromisso às famílias dos marítimos, de serviços médicos, cirurgião, sangrador, botica e socorros pecuniários quando estão doentes, velhos e pobres para cujos fundos todos concorrem com parte dos seus lucros, quer sejam de pescas, quer de viagens».

A Confraria do Senhor Bom Jesus dos Mareantes, é uma Associação Pública de Fiéis, erecta na Igreja Paroquial por sua Santidade o Papa Paulo III por Bula de 26 de Maio de 1549.

A Confraria do Bom Jesus dos Mareantes está missionada para atingir, em nome da Igreja e em relação com o Conselho Pastoral Paroquial, quando existente, o fim principal de exercer culto e veneração do Senhor, a prestação de socorros aos seus associados, a administração dos rendimentos certos e eventuais da mesma Confraria, a prestação de sufrágios aos Irmãos já falecidos e outros fins litúrgicos que a Assembleia Geral julgue conveniente.

BIBLIOGRAFIA – Histórias à solta nas ruas de Faro de Libertário Viegas (Dr)
Faro, Edifícios Notáveis, Edição da Câmara Municipal de Faro.

Dicionário de História de Portugal d e Joel Serrão.



João Brito Sousa

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

A CASA DOS RAPAZES DE FARO

(casa dos rapazes/FARO)
A INSTITUIÇÃO CASA DOS RAPAZES

A Instituição Casa dos Rapazes tem todo o meu respeito e apreço..

Ocorre-me falar dela aqui, porquanto me parece ser uma obra de interesse inquestionável para a cidade. E é uma Instituição honrada, generosa, credível mas sobretudo humilde. E que cultiva os valores da honra e da solidariedade.

Nunca lá estive, não conheço nenhum dos seus dirigentes, ninguém me pediu para escrever isto, não li nada,. Mas a obra está aí... à vista de todos. E, penso eu, é de enaltecer.

O objectivo desta crónica é fazer relembrar à cidade de Faro que a Instituição existe, porque penso, e oxalá me engane, ela não é suficientemente conhecida de todos. E entendo que a cidade deveria ser totalmente solidária com ela e, sobretudo, deveria sentir-se orgulhosa dela e ajudá-la por todos os meios tidos como possíveis.. Se é isto que está acontecer fico satisfeito e retiro as minhas palavras de dúvidas.

Falar de quê, então?...

De pessoas, obviamente. Tenho esta pancada de gostar das pessoas. Cada pessoa que conheço pela primeira vez é uma conquista e deixa-me satisfeito, porque entendo que nos conhecemos mal uns aos outros, somos invejosos, somos chatos, somos isto e mais aquilo e já Cristo disse que o caminho não era esse: amai-vos uns aos outros, esse é o caminho.

E falar de pessoas para quê?...

Fundamentalmente para enaltecer as virtudes da Instituição, se concluirmos isso e para recordar aí uns amigos do meu tempo de aluno da Escola Comercial e Industrial da cidade. O que eles fizeram, é o reflexo do desempenho deles próprios e da Instituição que os acarinhou, neste caso a CASA DOS RAPAZES. Só conheço exemplos de sucesso, por isso, na minha leitura a Instituição Casa dos Rapazes é uma Instituição de sucesso.

Começarei por recordar aqui o meu colega de turma lº ano do Ciclo Preparatório, José Mateus Ferrinho Pedro que fez o Curso Comercial comigo e teve um desempenho de grande relevo na banca comercial. Foi um bom aluno e um bom profissional.

Quase todos eles, pelo menos aqueles que conheci na Escola tinham muita aptência para o desporto, como o Queixinho, o Zé, o Sebastião, o Pescada, o Barracosa, o Dias,o Jesuíno e o Eleutério .. e outros tinham menos como o Hélio, o Ladari....

Daquilo que sei estão todos bem na vida. E assim sendo só me resta felicitar a Instituição que os apoiou; A CASA DOS RAPAZES.

Com todo o respeito.

João Brito Sousa,.

HAVERÁ HERÓIS NA GUERRA?...


GUERRA E... HERÓIS DE GUERRA...

Acerca do meu post “POESIA NA GUERRA DA GUINÉ”, aqui colocado no passado dia 8 Setembro, o Adolfo Pinto Contreiras, comentou o meu post, nos seguintes termos:

JOÃO,
Exactamente pelos motivos que agora evocas também eu considerei(está preto no branco no meu livro de 2003,"O Esquadrão 149, A Guerra e os Dias)os meus camaradas de guerra como heróis.Foi contra esse ponto de vista que opinaste e de tal modo que pensei que tinhas um pensamento estruturado contra a guerra tal como um pacifista ou religioso fundamentalista(quero dizer com fundamento filosófico).


Era respeitável.Mas no teu comentário de Maio tudo o menos que fizeste foi passar a mão pelo pelo da palavra herói, pelo contrário cortáste-lhe a cabeça, braços e pernas duma penada.Os teus heróis,tal como os meus,provém duma actitude de guerra, contudo ns altura tanbém disseste:-"O orgulho perante uma situação de guerra não é muito normal,porquanto a actitude guerreira não colhe no sentido humano da vida.


"Por fim rematas com:-"A guerra não é um produto da minha paixão.Sou contra.Sou mais pela solidariedade."-Todos somos contra a guerra e pela solidariedade o problema é que também somos todos mais solidários com uns do que com outros.Um abraço do Adolfo


A MINHA RESPOSTA FOI:


Para responder cabalmente ao teu comentário sobre o meu post “A POESIA DA GUERRA NA GUINÉ”, dividi-o em sete pontos.

O que se passa aqui, no fundo, é saber se “UM HOMEM MOBILIZADO PARA A GUERRA E MATA ... PODERÁ SER TIDO COMO UM HERÓI?....

Teremos que começar por dizer que, este militar, no cenário em discussão, se não matar pode morrer. . Portanto o militar em questão tem de matar para sobreviver. No fundo ele não vai à guerra para matar... vai para vencer uma guerra e isso só se consegue matando.

Assim sendo, o acto de matar não é deliberado nem cruel. É uma atitude de defesa o que a torna como normal.

O herói vem de seguida se as em que aluta se desenrolou são abissalmente diferenciadas. Condições. Isso acontece na guerrilha, uma guerra surpresa com muitos qui pró quos...

Passemos à análise, ponto por ponto.


1) Exactamente pelos motivos que agora evocas também eu considerei(está preto no branco no meu livro de 2003,"O Esquadrão 149, A Guerra e os Dias)os meus camaradas de guerra como heróis.

Resposta - Concordo.

2) Foi contra esse ponto de vista que opinaste e de tal modo que pensei que tinhas um pensamento estruturado contra a guerra tal como um pacifista ou religioso fundamentalista(quero dizer com fundamento filosófico).Era respeitável.


Resposta: Se opinei contra, foi no sentido pacifista do termo, como dizes, porque entendo que a guerra não deveria ter lugar e, consequentemente os heróis também não. Mas a guerra existe; logo há a possibilidade de haver heróis.

3) Mas no teu comentário de Maio tudo o menos que fizeste foi passar a mão pelo pelo da palavra herói, pelo contrário cortáste-lhe a cabeça, braços e pernas duma penada.


Resposta: Aceito mas peço-te e aceites isso na óptica de que o óptimo era não haver guerras ...


4) Os teus heróis, tal como os meus, provém duma atitude de guerra..

Resposta: Sim

5) contudo na altura também disseste:- "O orgulho perante uma situação de guerra não é muito normal, porquanto a atitude guerreira não colhe no sentido humano da vida."


Resposta: Eu quis dizer que tenho dificuldade em considerar-me orgulhoso por vencer uma guerra, se bem que a malta de La Lys se tivesse sentido orgulhosa disso. Eu penso que teria dificuldades... mas aceito...


6) Por fim rematas com:- "A guerra não é um produto da minha paixão. Sou contra. Sou mais pela solidariedade."-


Resposta: MANTENHO

7) Todos somos contra a guerra e pela solidariedade o problema é que também somos todos mais solidários com uns do que com outros.

Resposta: Correctíssimo.


Gostei dos teus argumentos. Aceita um abraço do

João Brito Sousa

A FRASE DE HOJE

(leo longanesi)
“O pior que pode acontecer a um génio é ser compreendido “...
Longanesi. L.


A frase é de LeoLonganesi, (Bagnacavallo, Ravenna, 30 de agosto de 1905 - Milano, 27 de setembro de 1957), foi um gráfico, pintor, escritor, humorista, jornalista e editor..., ).


O MEU COMENTÁRIO.


Um génio é suposto não ser (bem) compreendido... pelos outros. Se o fosse não seria génio.

Tenho um bom exemplo para isso: dois amigos meus ( e por sua vez também amigos entre si) têm cada um o seu filho na Universidade. São dois bons alunos Mas um diz do outro: - É UM GÉNIO.

Portanto, um reconhece a genialidade do outro, facilmente e espontaneamente..
Este é o primeiro factor a decidir se se é génio ou não. O ser aceite como tal....

Quando se diz: ele é m génio, esse plano está reconhecidamente aceite por ambos, porque também é preciso que o génio aceite ser génio. Porque se o tido como génio o não assumir, assume o comportamento do contido no âmbito da frase..

Se efectivamente o génio aceita que é compreendido, passa a considerar-se uma pessoa vulgar.

E, ou bem que se é génio ou pessoa vulgar.


João Brito Sousa

LITERATURA


1) UM BOCADO DE FLORBELA ESPANCA

11 Janeiro de 1930 ( DO DIÁRIO DO ÚLTIMO ANO)


Para mim? Para ti? Para ninguém. Quero atirar para aqui, negligentemente, sem pretensões de estilo, sem análises filosóficas, o que os ouvidos dos outros não recolhem: reflexões, impressões, ideias, maneiras de ver, de sentir – todo o meu espírito paradoxal, talvez frívolo, talvez profundo.

Foram-se, há muito, os vinte anos, a época das análises, das complicadas dissecações interiores. Compreendi por fim que nada compreendi, que mesmo nada poderia ter compreendido de mim. Restam-me os outros.. talvez por eles possa chegar às infinitas possibilidades do meu ser misterioso, intangível, secreto.

Nas horas que se desagregam, que desfio entre os mês dedos parados, sou a que sabe sempre que horas são, que dia é, o que faz hoje, amanhã, depois. Não sinto deslizar o tempo através de mim, sou eu que deslizo através dele e sinto-me passar com a consciência nítida dos minutos que passam e dos que se vão seguir.

Como compreender a amargura desta amargura?

Onde paras tu, ó Imprevisto, que vestes de cor-de-rosa tantas vidas? Deus malicioso e frívolo que tão lindos mantos teces sobre os ombros das mulheres que vivem? Para mim és um fantoche, ora amável ora rabugento, de que eu conheço todos os fios, de quem eu sei de cor todas as contorções. «Attendre sans espérer» poderia ser a minha divisa, a divisa do meu tédio que ainda se dá ao prazer de fazer frases. Não tenho nenhum instinto especial ao escrever estas linhas, não viso nenhum objectivo, não tenho em vista nenhum fim

Quando morrer, é possível que alguém, ao ler estes descosidos monólogos, leia o que sente sem o saber dizer, que essa coisa tão rara neste mundo – uma alma – se debruce com um pouco de piedade, um pouco de compreensão, em silêncio, sobre o que eu fui ou o que julguei ser.

E realize o que eu não pude: conhecer-me.

12 – Viver não é parar: é continuamente renascer.
A PROSA DA FLORBELA


Não sei se a prosa da Florbela é triste?...
Mas vigorosa é... e autêntica e pura também!....
A gente lê... pensa... medita e não resiste .
A reflectir sobre tudo o que a vida contem ...


Ler Florbela... é sair um pouco de nós....
E procurar a razão certa do nosso sentir....
É esperar, é espreitar é escutar aquela vós
Que anunciará a esperada hora de partir.....

Viver não é parar; é continuamente renascer...
É olhar para dentro de nós para conhecer...
Aquilo que a nossa alma só a nós revela...

Amor e ódio ... alegria, sofrimento... afinal,
O que é a vida.... a felicidade é utopia ou real?
É nesta dúvida que vive a prosa da Florbela......


João Brito Sousa

terça-feira, 11 de setembro de 2007

POLÍTICA; CIDADANIA E LIBERDADE


A GOLPADA DA CONSTITUIÇÃO DE 1821; LIBERDADE E CIDADANIA


As definições de

CIDADANIA – Qualidade ou condição que decorre da circunstância de o indivíduo ser nacional por nascimento, o que lhe dá o direito de participar na vida política..

e

LIBERDADE – Conjunto de direitos reconhecidos ao indivíduo, considerado isoladamente em face da autoridade política perante o Estado, poder que o indivíduo tem de exercer a sua vontade dentro dos limites que lhe faculta a Lei..

Parecem sinónimas, mas...

Cidadania e Liberdade, são assuntos tratados na constituição da República.. Cidadania é o direito usufruído (deriva do facto de sermos cidadão) para poder participar na vida política; Liberdade é um conjunto de direitos disponibilizados ao indivíduo que os poderá exercer dentro do limites da Lei.

Na Constituição de 1821, no preâmbulo, os deputados às Cortes Geraisafirmam que as "desgraças públicas" que tinham oprimido e aindaoprimiam os portugueses, se devia ao "desprezo pelos direitos doscidadãos" e ao "esquecimento das leis fundamentais da Monarquia"; porisso, no Capítulo único do título I, ao longo de vários artigos, se (r)estabeleciam esses direitos: o direito `a liberdade, à segurançapessoal e à propriedade ("direito sagrado e inviolável que tem qualquer português, de dispor à sua vontade de todos os seus bens segundo as leis"); à livre expressão e comunicação do pensamento, semcensura prévia; à igualdade de todos os cidadãos perante a lei; aodireito de todos os portugueses acederem a quaisquer cargos públicos"sem outra distinção que não fosse a dos seus talentos e virtudes"; odireito de todo o português apresentar, por escrito, às Cortes e aopoder executivo reclamações, queixas ou petições, assim como o direitode denunciar qualquer infracção à Constituição e requerer aresponsabilidade do infractor.

Mas se a Lei fundamental vintista consagrava uma relativa autonomia política ao cidadão (liberdade, segurança, propriedade, igualdade perante a lei e participação no poder através dos representantes da Nação) a verdade é que essa mesma Lei excluía, do direito de voto, ao abrigo do art º 33º, os menores de 25 anos (que não fossem casados), os criados de servir (com exclusão dos feitores e abegãos), os vadios (isto é, os que não tinham emprego, ofício ou modo de vida conhecido), os eclesiásticos regulares (mas não só eclesiásticos dasOrdens militares nem os secularizados) assim como os que não sabiam ler nem escrever; eram ainda inelegíveis, para além dos já citados,"os que não tinham rendas suficientes para se sustentar, procedentes de bens de raiz, comércio, indústria ou emprego".


Ora, estes impedimentos, mostravam bem que a liberdade e cidadania não eram sinónimos, ainda que a liberdade individual elevasse, de facto, o projecto de cidadania ao primeiro plano das aspirações das camadas sociais que dele eram excluídas. Por isso na Constituição Vintista, a cidadania é meraficção para a maioria do povo e privilégio para alguns - embora compreceitos interessantes; como a existência de juízes de facto deeleição popular.

O MEU COMENTÁRIO

No papel tudo bem; dá-se tudo com as duas mãos e depois com uma tira-se umas fatias, com uma das mãos.

É um bocado injusto, na Constituição da Republica vir falar em vadios, nos que não sabiam ler nem escrever, nos que não tinham rendas suficientes, e outros desgraçados... porque é um dever ético dos Governos promover o emprego e o bem estar das populações.

A cidadania continua a ser mera ficção para uns (a maioria) e privilégio para alguns.(minoria).

A ditadura do proletariado já...

BIBLIOGRAFIA: FORUM, UNIVERSIDADE DO Minho, conselho cultural..

João Brito Sousa

A MORTE DE ANTERO DE QUENTAL


FAZ HOJE 116 ANOS QUE FALECEU ANTERO DE QUENTAL...


“A 11 de Setembro de 1891, morre Antero Tarquínio de Quental, escritor, político e poeta português. Pertenceu ao grupo da chamada geração de 70, tendo participado nas Conferências do Casino, com a palestra Causas da decadência dos povos peninsulares”...


UM POUCO DA SUA VIDA.

“Antero de Quental herdou em 1873 uma quantia considerável de dinheiro, o que lhe permitiu viver desafogadamente, dos rendimentos dessa fortuna.

Em julho de 1855 foi estudar em Coimbra. Matriculou-se na Faculdade de Direito em 1858. O primeiro ano decorreu de forma atribulada. Um excesso cometido durante a praxe aos caloiros custou a Antero de Quental oito dias de prisão. Era muito popular no meio académico. Concluiu o curso em julho de 1864.

Em 1865, foi um dos principais envolvidos na polêmica conhecida por Questão Coimbrã, em que humilhou António Feliciano de Castilho, seu antigo professor e renomado crítico literário que se tinha por cânone para os escritores nacionais: ao livro Odes modernas de Antero, Castilho respondeu com críticas duras sobre o aventureirismo de um jovem tolo que escrevia de forma assaz estranha e de gosto muito duvidoso.


Antero respondeu com o opúsculo Bom senso e bom gosto, a que definia a sua literatura por oposição à instituída: ao Ultra-Romantismo decadente, torpe, beato, estupidificante e moralmente degradado, Antero opunha o Realismo, a exposição da vida tal como ela era, das chagas da sociedade, da pobreza, da exploração: estas preocupações sociais levaram-no a co-fundar o Partido Socialista Português: Antero defendia a poesia como Voz da Revolução, como forma de alertar as consciências para as desigualdades sociais e para os problemas da humanidade.A polémica só terminou com um duelo entre Antero de Quental e Ramalho Ortigão, que se saldou com ferimentos ligeiros.


UM POEMA

Aspiração



Meus dias vão correndo vagarosos,

Sem prazer e sem dor parece

Que o foco interior já desfalece

E vacila com raios duvidosos.


É bela a vida e os anos são formosos,

E nunca ao peito amante o amor falece...

Mas, se a beleza aqui nos aparece,

Logo outra lembra de mais puros gozos.


Minha alma, ó Deus! a outros céus aspira:

Se um momento a prendeu mortal beleza,

É pela eterna pátria que suspira...


Porém, do pressentir dá-ma a certeza,

Dá-ma! e sereno, embora a dor me fira,

Eu sempre bendirei esta tristeza!



Antero de Quental

AS IDEIAS


Antero de Quental, um dos principais integrantes da chamada Geração de 70, grupo literário que deu início ao realismo português, apresentou uma produção literária que incluía obras de intenção social, filosófica e política.


Sendo dotado de uma vasta cultura e de um olhar crítico acerca das questões de seu tempo, foi ainda um dos principais divulgadores do pensamento socialista em Portugal, marcando a influência do cientificismo na mentalidade oitocentista.

A produção poética anteriana é considerada por muitos uma síntese de sua trajetória, tanto biográfica como literária. Desse modo, Raios de extinta luz e Primaveras românticas marcariam a primeira fase, na qual estão presentes o lirismo amoroso, o erotismo e a religiosidade. A estes se seguiriam as Odes modernas, obra caracterizada pela ação social e pela irreverência, sendo a mais expressiva de sua obra.


A última fase, pautada pela reflexão metafísica e pelo pessimismo, é presentificada por Sonetos.
Em Odes modernas, obra da fase realista propriamente dita da poesia anteriana, nota-se o engajamento de vertente político-filosófica - influenciada pelos pensamentos de Platão e Proudhon -, além da reflexão sobre o papel da poesia.


Nela se encontra a visão do homem da modernidade, dilacerado entre fé e progresso, entre religião e socialismo, lançando uma perspectiva filosófica sobre a sociedade do Portugal do século XIX.


Observe-se que o próprio título da obra parece indiciar a tônica da mesma: enquanto odes remete à orientação clássica, o adjetivo modernas aponta a perspectiva da modernização, uma das preocupações da Geração de 70, que tentara, com as Conferências do Cassino, reformar a mentalidade e a sociedade portuguesas.

Acreditando que os sonetos de Odes Modernas estabelecem, no plano estrutural e semântico, as etapas do processo dialético como estratégia de reflexão, nosso estudo propõe uma análise da obra anteriana à luz dos conceitos filosóficos como marca do pensamento racional e objetivo que norteou o olhar realista.

Um dos principais traços percebidos em Antero diz respeito a uma fé desvinculada da perspectiva meramente mística e fixada na Ética, que se traduz na busca de uma nova Idéia, aqui entendida como uma reformulação de conceitos baseada nas correntes filosóficas e científicas que surgiam.


Trata-se da fé como forma de elevação, destituída de simbolismo religioso, estando mais ligada à ética e à moral. Dessa forma, a Fé surge aqui como abstração, como conceito, e não em seu caráter subjetivo e dogmático, uma vez que este negaria o positivismo realista.

A nova Idéia buscada pelo eu-lírico anteriano entrelaça aspectos até então inconciliáveis, e a chegada a um ponto de equilíbrio assinala um processo quase dialético, em que se parte de uma tese, que será posteriormente negada por uma antítese, para que uma síntese seja alcançada. A tríade dialética não apenas mostra a influência de Hegel como aponta a estrutura formal mais freqüente na obra anteriana: o soneto é, por excelência, a estrutura que melhor serve ao processo dialético.


Segundo Maria Madalena Gonçalves, na apresentação crítica às poesias de Antero, o soneto transporia, para o plano da Forma, o processo dialético de captação da Idéia:


(textos retirados da internet)

João Brito Sosa

REFLEXÃO FILOSÓFICA

(mário sá carneiro)


O texto que vem a seguir, “A Impossibilidade de Renunciar””... , é da autoria de Mário de Sá-Carneiro, in "Cartas a Fernando Pessoa”...

Aí vai o texto:


“Eu decido correr a uma provável desilusão: e uma manhã recebo na alma mais uma vergastada - prova real dessa desilusão.

Era o momento de recuar.

Mas eu não recuo.

Sei já, positivamente sei, que só há ruínas no termo do beco, e continuo a correr para ele até que os braços se me partem de encontro ao muro espesso do beco sem saída. E você não imagina, meu querido Fernando, aonde me tem conduzido esta maneira de ser!...

Há na minha vida um bem lamentável episódio que só se explica assim. Aqueles que o conhecem, no momento em que o vivi, chamaram-lhe loucura e disparate inexplicável.

Mas não era, não era.

É que eu, se começo a beber um copo de fel, hei-de forçosamente bebê-lo até ao fim. Porque - coisa estranha! - sofro menos esgotando-o até à última gota, do que lançando-o apenas encetado.

Eu sou daqueles que vão até ao fim. Esta impossibilidade de renúncia, eu acho-a bela artisticamente, hei-de mesmo tratá-la num dos meus contos, mas na vida é uma triste coisa.

Os actos da minha existência íntima, um deles quase trágico, são resultantes directos desse triste fardo. E, coisas que parecem inexplicáveis, explicam-se assim. Mas ninguém as compreende. Ou tão raros...



QUEM É MÁRIO SÁ CARNEIRO?


Na fase inicial da sua obra, Mário de Sá-Carneiro revela influências de várias correntes literárias, como o decadentismo, o simbolismo, o ou saudosismo, então em franco declínio; posteriormente, por influência de Pessoa, viria a aderir a correntes de vanguarda, como o intersecionismo ou o futurismo.

Nessas pôde exprimir com à-vontade a sua personalidade, sendo notórios a confusão dos sentidos, o delírio, quase a raiar a alucinação; ao mesmo tempo, revela um certo narcisismo e egolatria, ao procurar exprimir o seu inconsciente e a dispersão que sentia do seu «eu» no mundo – revelando a mais profunda incapacidade de se assumir como adulto consistente.

O narcisismo, motivado certamente pelas carências emocionais (era órfão de mãe desde a mais terna puerícia), levou-o ao sentimento da solidão, do abandono e da frustração, traduzível numa poesia onde surge o retrato de um inútil e inapto.


A crise de personalidade levá-lo-ia, mais tarde, a abraçar uma poesia onde se nota o frenesi de experiências sensórias, pervertendo e subvertendo a ordem lógica das coisas, demonstrando a sua incapacidade de viver aquilo que sonhava – sonhando por isso cada vez mais com a aniquilação do eu, o que acabaria por o conduzir, em última análise, ao seu suicídio.

Embora não se afaste da metrificação tradicional (redondilhas, decassílabos, alexandrinos), torna-se singular a sua escrita pelos seus ataques à gramática, e pelos jogos de palavras. Se numa primeira fase se nota ainda esse estilo clássico, numa segunda, claramente niilista, a sua poesia fica impregnada de uma humanidade autêntica, triste e trágica.

Por fim, as cartas que trocou com Pessoa, entre 1912 e o seu suicídio, são como que um autêntico diário onde se nota paralelamente o crescendo das suas frustrações interiores.


O MEU COMENTÁRIO


Mário de Sá Carneiro não recua. Por princípio vai até ao fim das coisas, mesmo vislumbrando o perigo. É uma pessoa determinada... um artista. E, como todos os artistas tem o seu comportamento pessoal e distinto.

E acho que um poeta da estirpe de Mário Sá Carneiro não se discute. Tenta-se entender apenas...

MSC era um bocado narcisista e talvez excêntrico. Excedia-se ... daí a impossibilidade da renúncia que ele adorava.

Como se diz no seu historial, “MSC revelou sempre a mais profunda incapacidade de se assumir como adulto.”

Penso ser esta a explicação.


POEMA

Fim



Quando eu morrer batam em latas,

Rompam aos saltos e aos pinotes,

Façam estalar no ar chicotes,

Chamem palhaços e acrobatas!


Que o meu caixão vá sobre um burro

Ajaezado à andaluza...

A um morto nada se recusa,

Eu quero por força ir de burro.



Mário de Sá Carneiro

(retirado da internet)


João Brito Sousa

PERSONALIDADES

(magalhãs LIMA)


MAGALHÃES LIMA

Gosto de leituras acerca de vidas de pessoas que foram de algum modo importantes, digamos assim. Magalhães Lima foi um desses Aí vai um pouco da sua vida...

TEXTO RETIRADO DAS CRÓNICAS DE RAUL BRANDÃO

In Memórias (TOMO III)


A Magalhães Lima .


Morreu um dia destes (Dezembro, 1928) Magalhães Lima, grão-mestre da maçonaria que teve inimigos rancorosos. Havia quem mudasse de expressão ao encontrá-lo e um meu amigo disse-me um dia:- Vejo-o sempre coberto de sangue...

Afirmava-se que fora ele quem mandara matar o Sidónio, logo ele, que era incapaz de mandar matar ma mosca..

Morava num segundo andar da Rua do Mundo, numa casa mal mobilada, meia dúzia de cadeiras e coisas insignificantes e gastas. . Não sinto necessidade de conforto, costumava dizer.

Morreu mais cedo talvez por isso, ou talvez por desleixo ou talvez porque não se tratou a tempo como se devia ter tratado. Uma senhora que foi visitá-lo, conta que quis pôr-lhe papas de linhaça e não havia em casa um lenço em termos..

A criada propunha-lhe cortar um pedaço do lençol, mas esse homem rico só tinha quatro lençóis. Resolveram pôr-lhe as papas num papel. Vivia quase como um estudante de Coimbra. Fazia tudo num grande penico e como o penico esbeiçasse, tirou o fundo de palha a uma cadeira para se poder sentar.

Mas não tem outro?... perguntaram-lhe.. e ele... não quero outro. Seria pobreza?.. Não. Magalhães Lima, deixou dinheiro para comprar todos os penicos de Lisboa; mil e seiscentos contos.
Para se lhe entrar em casa subia-se por uma escada carunchosa e sem patamar, que dava a impressão de ser a escada de uma velha nau a desconjuntar-se, e ao fundo da qual havia uma janela com dis vidros partidos. Quem lá entrasse apanhava pelo menos uma constipação.: - Não volto lá enquanto você não mandar pôr os vidros, disse-lhe um amigo .Já escrevi ao senhorio para os mandar pôr...

Tinha um palácio na Rua do Salitre. Mas recebia a renda e era ali na Rua do Mundo, que introduzia os seus, as suas relações internacionais que os procuravam, com um robe de chambre muito antigo e muito gasto e que a criada remendara com um pedaço de saia preta.

Tal era o homem a quem Junqueiro chamou caixeiro-viajante da república. Bom – um pouco fraco- bastante grave e já fora de moda – como um poeta de terceira ordem que teima em viver e em sorrir para o mundo moderno.

Mesmo em novo o seu louro devia ser desbotado. Duma vontade mole, achava talento a toda a gente, o que foi suficiente para não lhe acharem talento nenhum.


João Brito Sousa

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

SONETO PARA UM AMIGO


AO FRANKLIM MARQUES,



Conheço-te há uma porrada de tempo. Somos amigos. Por isso, ao ler a crónica do LUÍS CUNHA no adefesadefaro, falando no Joaquim Borrego como pseudónmo de Franklim Marques, fiquei ligeiramente ofendido.


O meu amigo Franklim.. BORREGO?!... nada disso.


Aí vai um soneto explicando as coisas....


SONETO


AO JOAQUIM BORREGO


Soube apenas hoje pela crónica do L. Cunha,
Que passas agora a atender por Joaquim!...
Se eu estivesse aí convosco eu é que te punha
O pseudónimo indicado a ti e não era assim..

Frank... tu.... borrego?... quem disse isso... anh!...
Tu és o melhor homem do mundo, podes crer...
E porque sempre te vi com cabelo de pouca lã...
Para pseudónimo ...todos, mas esse não pode ser.

Joaquim... ainda vá que não vá ...é de dançarino...
Coisa que tu foste sempre desde moço pequenino,
E velhaco? Foste?.. não... dizer isso até parece mal...

Então... e porque tenho muita honra em ser teu amigo
Borrego nem pensar... chamar-te por isso não consigo
Acho melhor que sejas o Joaquim Cavalheiro Leal..


João Brito Sousa

POETAS DA MINHA TERRA

(escola bernardo de passos)
POETAS DA MINHA TERRA...

BERNARDO DE PASSOS

Nasceu em S.Bras de Alportel em 29 de Outubro e faleceu em Faro a 2 de Junho de 1930.

Filho de jornalista e republicano desde a infância, assim se pode dizer, como também do mesmo modo se poderá dizer que foi poeta quando descobriu a veia, por volta dos nove anos.

A obra de Bernardo de Passos, pouco extensa, é toda ela de expressão lírica. O que o poeta escreveu é reflexo da sua vida interior, o espelho de muita sensibilidade e deu uma consciência.

O seu amor ao Belo, da sua ternura pelo fraco, pelo desvalido, pelo pobre, pelo desamparado.

Deste modo a sua bondade, a ternura, a delicadeza, a timidez, o sorriso, são as notas dominantes do seu lirismo.


SONETO

Tão triste eu ando já, e descontente,
Que meus olhos de todo se fecharam
A visão radiosa que sonharam...
Um lar, um ninho e um amor ardente....

Gastei a mocidade loucamente,
E a alma, ou a perdi ou má levaram,
Enquanto a delirar juntos andaram
Cantando amores, coração e mente...

E andando assim da Fé apartado,
E tão sozinho nesta solidão
De quem descrente vive do que amou.

Sou qual um túmulo vazio e abandonado,
Só encerrando a mesma escuridão...
Sepulcro de mim próprio, eis o que sou.
Recolha de João Brito Sousa

A FRASE DE HOJE

(baltazar grácian morales)
A FRASE DE HOJE

“A CONFIANÇA É A MÃE DO DESCUIDO"... de baltazar grácian
A frase acima é de Baltasar Gracián y Morales (Belmonte de Gracián, 8 de janeiro de 1601Tarazona, 6 de dezembro de 1658) que foi um importante prosador espanhol do século XVI ao lado de autores como Francisco Quevedo e Miguel de Cervantes, além de teólogo e filósofo

É conhecido como líder do concepticionismo, estilo literário caracterizado pela sobriedade e a concisão. Sua obra inclui seis livros: alguns sobre a arte da escrita e outros sobre a ética da vida, nos quais publicou usando um pseudônimo.

Estes livros tiveram sua verdadeira autoria descoberta e o autor foi punido com a proibição de publicar seus escritos e a perda da cátedra.

É um escritor do Século de Ouro (Siglo de Oro). Entre sua prosa didática destacou-se a obra A arte da prudência. Gracián influenciou pensadores como La Rochefoucauld, Voltaire, Jacques Lacan e principalmente os filósofos Schopenhauer e Nietzsche.

Em 1985, a o município onde nascera foi renomeado para Belmonte de Gracián (Belmón de Grazián em aragonês) em homenagem a ele. A paróquia da cidade conserva o documento de baptismo de Baltasar Gracián y Morales que data o dia de 8 de janeiro de 1601:
Baltasar Galacián hijo del Licenciado Galacián y de Angela Morales conyuges fue baptizado en 8 de janeiro por Mosen Domingo Pascual, padrinos Mosen Martín Carrasco y María Fabián.

Seu pai, Francisco, era médico natural de Sabiñán e sua mãe, Ángela, de Calatayud. Teve sete irmãos, alguns, como ele mesmo, religiosos. Passou a infância em Toledo com seu tio Antonio Gracián, padre capelão de San Juan de los Reyes.

Ingressou na Companhia de Jesus com dezoito anos e em 1641 já era pregador de renome. Foi reitor dos colégios jesuítas de Tarragona e Valência e, em 1646, portou-se heroicamente na Batalha de Lérida contra os franceses, da qual deixou interessante descrição epistolar.


O MEU COMENTÁRIO

BALTAZAR Grácian era um homem culturalmente evoluído. Era um estudioso e professor pelo que a as frase “ a confiança é a mãe do descuido” está, na minha opinião, perfeitamente ajustada à realidade.

Isto quer dizer que no mundo da ciência e do conhecimento as coisas evoluem tão rapidamente que o que é verdade hoje pode já não ser amanhã.

A coisa era muito mais evidente nos tempos académicos de Baltazar, quando a ciência estava em pleno desenvolvimento e os académicos descobriam novas regras e teorias muito rapidamente.

Nessa altura, os académicos não poderiam estar descuidados mas sim atentos aquilo que ia acontecendo. A atitude vigente deveria passar por se considerar que nada estava descoberto mas sim que tudo estava em evolução....

Se houvesse confiança nos nossos conhecimentos, a investigação poderia diminuir e os resultados obtidos, poderiam ficar afectados por isso.

CONFIAR... nunca.

João Brito Sousa

ESCOLA COMERCIAL E INDUSTRIAL ( II )

(arco do repouso)
Esta crónica é para o
amigo JOAQUIM BORREGO


QUANDO eu cheguei à Escola em 52, a sua equipa de futebol, jogava nos campeonatos da Mocidade Portuguesa e tinha grandes jogadores, como o Poeira, o Parra e o Nuno que integraram a selecção Nacional de juniores.

Estes três jogadores, jogaram todos na segunda divisão, no Olhanense, nomeadamente e o Poeira ainda jogou noutros clubes, inclusive no Farense.

A equipa de futebol de 52 era: Malaia, Honorato, Caronho e Pinto Faria. Zeca Bastos e Julião. Júlio Piloto, Eugénio, Jacinto Ferreira, Xavier e Queixinho

Havia mais jogadores como o Pires da Cruz, o Zé Félix e mais outros.

No andebol a equipa era quase a mesma... Era assim: Palminha, Caronho Julião ? ? ?

O grande timoneiro desta grande nau era o professor de ginástica, o Professor Américo que era um gentleman e muito amigo da malta toda. O jogo começava logo no primeiro ano; era o Hóquei palmadinha, que era jogado com as mãos..

A Escola Comercial e Industrial foi uma boa base de lançamento para as nossas vidas. E houve lá bons alunos que hoje estão aí muito bem colocados na vida. Desde Gestores, Economistas, Bancários, Advogados, Engenheiros e por ai fora... Uma coisa interessante; todos nós nos empregámos sem grandes dificuldades .

Os melhores amigos que eu tenho advêm dos tempos da escola. Às vezes ainda nos encontramos por aí, sobretudo no almoço anual e isso dá para matar saudades. Juntam-nos e professores e alunos.

Dos professores nunca é demais falar deles, porque foram todos eles nossos grandes amigos. Quem andou no comércio não poderá esquecer nunca as aulas do professor Américo da Ginástica, do Zé da Uva e do Mestre Carolino.

Uma vez, encontrei o Mestre no Banco, ao balcão e, entabulei conversa com ele. Que não estava a ver quem eu era, disse, mas às tantas, fez-se luz. Algum trejeito que eu dei e logo o Mestre ... olhe agora é que eu o estou a conhecer.

Tentar tirar qualquer dúvida com o Mestre Carolino era complicado. Tal como era com o Dr Uva. Já contei aqui aquela cena do Quinta Nova com o Uva. Senhor Doutor, tenho aqui uma dúvida, disse o aluno. E o velho... uma dúvida?... e nisto, meio exaltado, dá um murro na secretária, num envelope que estava por cima dos óculos que ali havia há pouco colocado por baixo. Pois os óculos acabaram-se logo ali... tal foi a obra de Mestre Zé da Uva...

Com Mestre Carolino era a mesma coisa: Senhor Mestre tenho uma dúvida. E o Mestre implacável: pergunte `a máquina, dizia.

Bons tempos esses, apesar de tudo.

João Brito Sousa

domingo, 9 de setembro de 2007

O EMPATE DA SELECÇÃO


DA IMPRENSA


RETIRADO DO JORNAL O JOGO.

“A Selecção Nacional deixou fugir ontem, no Estádio da Luz, uma excelente oportunidade para dar um passo de gigante rumo à qualificação para o Euro'2008. A vencer a Polónia por 2-1, a equipa das quinas não foi capaz de segurar o triunfo e permitiu o empate, que a deixou mais longe do primeiro lugar do grupo, precisamente ocupado pela selecção polaca. Não obstante esta desilusão, não é caso para entrar em pânico, uma vez que o apuramento continua a estar perfeitamente ao alcance dos lusitanos, até porque se qualificam os dois primeiros classificados. E Portugal tem, como se constata facilmente, um calendário bastante favorável..”.

O MEU COMENTÁRIO

1) DESPORTO

O jogo de ontem teve momentos em que a Selecção rendeu muito menos do que pode e sabe. Na primeira parte, em especial, o conjunto orientado por Scolari ficou bastante aquém do que pode produzir, como se viu, aliás, na segunda metade do encontro.

1.1) MAU JOGO DE PORTUGAL E CULPA DE SCOLARI.

1.1.1) A selecção nacional de futebol empatou ontem em casa com a sua congénere da Polónia.
O resultado não é mau, do ponto de vista que uma derrota é bastante pior e ainda, porque o empate deixa abertas as portas da qualificação para o Mundial

Até aqui tudo bem.

Agora, acho que devemos considerar:

A forma como os golos portugueses foram consentidos, uma vez que foram remates de fora da grande área.

No primeiro a defesa que jogou sempre longe do guarda redes, não estava lá e permitiu a recarga.. O segundo golo foi um frango do Ricardo que não me parece ser, na minha opinião. um jogador de selecção.

Não gostei da dupla de centrais.

Gostei da resposta ao 1/0 da Polónia, no início da segunda parte. Porquê abrandar? Scolari aqui não esteve bem..

1.2) Pessoalmente não sou um fanático pela Selecção como sou pelo meu clube. Hoje a nossa Selecção provoca em mim, o mesmo estado de descrença que provoca o meu País. Não consigo estar de mal com o meu País e de bem com a Selecção.

Acho que Scolari não explicou bem aos jogadores o que é que queria durante o jogo. Aquilo não dá para os rodriguinhos do Cristiano, que, apesar de tudo marcou um golo.....de arte ou de sorte. Só ele saberá explicar.

Quanto ao Quaresma, capaz do bom e do péssimo, viu-se bem que tinha instruções severas de Scolari para chegar à linha e centrar.

Foi pena aquele abrandamento no segundo tempo depois dos 2/1. Porquê?


Scolari é culpado.


E o golo a três minutos do fim?

João Brito Sousa.

sábado, 8 de setembro de 2007

A AULA DE HOJE...

(a aula de Hoje...)

(poema para um amigo)

PORTO, 2007.09.08

A AULA DE HOJE


Quem dá a aula hoje... sou eu... ó meninos!...
Porque eu tenho coisas bonitas para vos dizer ...
Umas... aprendi com vocês quando pequeninos
E outras com alguém que jamais pude esquecer...

Na aula, sabes o que nos valia...ó companheiro!
Não foram só os livros não... aquilo que nos valeu,
Foi termos tido uma professora... amiga primeiro ...
E depois quase mãe ... que tanto carinho nos deu..

E que nos ensinou o que sabia e ainda foi estudar...
Para que pudéssemos com segurança caminhar....
E não sermos conhecidos por insuficiente preparação.

No nosso tempo havia brio, honra e conhecimentos
Ao contrário de hoje onde só temos aborrecimentos
E não temos professores para nos dar a formação...

João Brito Sousa

POESIA DA GUERRA NA GUINÉ

(guerra na Guiné)

(poema para um amigo...)

CAROS AMIGOS...


E camaradas!..

Amigos...

Só podemos ser isto
Amigo e camarada...

Não podemos ser mais nada...

Porque dizer amigo
Não pode ser uma palavra dita à toa..
Essa palavra dita por nós
Tem de querer dizer uma coisa boa

Por exemplo
amizade.. solidariedade...

È que nós andámos lá na batalha...
Não podemos ser amigos
Só por dá cá aquela palha....

Nós somos os amigos de verdade
E não deixámos entrar a falsidade...

Fomos solidários
E coesos
E dentro de nós ainda temos bem acesos

Os cagaços que apanhámos
E nos cagámos ....

Não direi de medo,
Porque era outro o enredo....

Mas da validade da guerra...

Esta é que era a verdade

A guerra não resolve nada
E a humanidade não está preparada...

Para a evitar...
Afinal.. o que é sabe o homem?
Porventura saberá ele ao menos amar?

É que nós . fomos além do normal...
Ainda sofremos um tormento maior...

È que fizemos a guerra com amor

Aliás... fizemos tudo por amor

Combatemos no plano e na serra
Para ganhar a guerra...

Não foi assim ó Dias Sequeira.?..

Ó rei dos algarvios
Tu que passaste serras e rios..
Sempre em defesa
Da honradez

Ó Dias Sequeira....
Lembras-te daquela vez
Em que fixaste atascado na lama?

E depois passaste oito dias na cama?

Aquilo é que foi ó Sequeira!....

Heim!
Como ele se lembra bem...

Rapaziada ...
Só temos motivos para sorrir
Demos-lhe tudo
E não fomos nós que quisemos ir...

E tu ó Costa Campo?...
Leão de Cufar..

Vocês foram todos uns heróis...
Melhor do que em Aljubarrota
Quando vencemos os espanhóis.

Companhia 763
Lembro-me bem de vocês ..

Todas as horas .. todos os dias

E lembro-me de tudo aquilo que tu ó soldado português ...
Fazias....

Aos pretos e `a preta
Em particular

Quando ela ia buscar a roupa para lavar.

E fiquemos por aqui...

Mais coisas não quero recordar.


João Brito Sousa.
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