quarta-feira, 22 de agosto de 2007

A VANTAGEM DA FRIVOLIDADE

(Milan Kundera)


O TEXTO QUE SE SEGUE, É de Milan Kundera, in "A Imortalidade"
e é SIMPLESMENTE FANTÁSTICO....


“O respeito que a tragédia inspira é muito mais perigoso do que a despreocupação de um chilrear de criança. Qual é a eterna condição das tragédias? A existência de ideias, cujo valor é considerado mais alto do que o da vida humana. E qual é a condição das guerras? A mesma coisa.


Obrigam-te a morreres porque existe, dizem, alguma coisa que é superior à tua vida.


A guerra só pode existir no mundo da tragédia; desde o começo da sua história, o homem apenas conheceu o mundo trágico e não é capaz de sair dele. A idade da tragédia só pode ser encerrada por uma revolta da frivolidade. As pessoas já só conhecem da Nona de Beethoven os quatro compassos do hino à alegria que acompanham a publicidade dos perfumes Bella. Isso não me escandaliza.


A tragédia será banida do mundo como uma velha cabotina que, com a mão no peito, declama em voz áspera. A frivolidade é uma cura de emagrecimento radical. As coisas perderão noventa por cento do seu sentido e tornar-se-ão leves. Nessa atmosfera rarefeita, desaparecerá o fanatismo.


A guerra passará a ser impossível.

QUEM É MILAN KUNDERA?


Milan Kundera (1 de abril de 1929, em Brno, Tchecoslováquia) é um autor tcheco.
Vida

Nascido no seio da erudita família de classe-média do senhor Ludvik Kundera (1891-1971), um pupilo do compositor Leoš Janáček e um importante musicólogo e pianista, o cabeça da Academia Musical de Brno de 1948 à 1961. Kundera aprendeu a tocar piano com seu pai. Posteriormente, ele também estudou musicologia. Influências e referências musicológicas podem ser encontradas através de sua obra, a ponto de poder-se encontrar notas em pauta durante o texto.

O autor completou sua escola secundária em Brno, em 1948. Estudou literatura e estética na Faculdade de Artes da Universidade Charles mas, depois de dois períodos,
transferiu-se para o curso de cinema da Academia de Artes Performáticas de Praga onde realizou suas primeiras leituras em produção de scrpits e direção cinematográfica


OBRA

Em seu primeiro romance, "A Brincadeira", Kundera nos oferece quase uma sátira da natureza do totalitarismo do período comunista. Por força de suas críticas aos soviéticos e a invasão de seu país em 1968, Kundera foi adicionado à lista negra do partido e suas obras foram proibidas imediatamente após a invasão soviética. Em 1975, Kundera mudou-se para a França.

Na França, Kundera escreveu O Livro do Riso e do Esquecimento no ano de 1979. Constituindo-sede uma inusitada mistura de romance, contos curtos e ensaios do próprio autor, o livro ditou o tom de suas obras pós-exílio.

No ano de 1984, Kundera escreveu A Insustentável Leveza do Ser, seu trabalho mais popular. O livro é como uma grande crônica acerca da frágil natureza do destino, do amor e da liberdade humana. Mostra como uma vida é sempre um rascunho de si mesma, como nunca é vivida por inteiro e como é impossível de repetir-se. A obra, sucesso de público e crítica, ganhou sua versão cinematográfica no ano de 1988.


O diretor Phillip Kaufmann prouziu uma adaptação de moderado sucesso. Por qualquer motivo, Kundera proibiu, a partir de então, a adaptação cinematográfica de seus outros livros.
Em 1990 Kundera escreve A Imortalidade. O romance é o mais "cosmopolita" até então, sem situar o enredo dentro do universo social e político da República Tcheca como fizera até então. Possui um conteúdo explicitamente filosófico e pode-sedizer que é o início de uma segunda fase da obra do autor.

Kundera reafirma publicamente que deseja ser entendido como um romancista em termos gerais, não um escritor político. É notório que o conteúdo político foi, a partir de A Imortalidade, substituído pela temática filosófica. O estilo de Kundera, entrelaçando digressões e ensaios filosóficos é grandemente inspirado em Robert Musil, Henry Fielding e na prosa do filósofo Friedrich Nietzsche.


O MEU COMENTÁRIO.

O autor vem tentar com a sua obra demonstrar que a guerra e a tragédia são matérias a refutar, quando diz que o “homem apenas conheceu o mundo trágico e não é capaz de sair dele”...

As ideias nunca poderão ser de valor maior que a vida humana. A vida humana é o bem supremo e as ideias serão sempre o seu suporte.

É opinião do autor que a frieza de raciocínio poderá melhorar a qualidade de vida em geral e dar ao homem o rumo certo que não tem tido até aqui.

A tragédia deverá ser banida do mundo com a voz áspera. A frivolidade é uma cura de emagrecimento radical.

As coisas perderão noventa por cento do seu sentido e tornar-se-ão leves. Nessa atmosfera rarefeita, desaparecerá o fanatismo. A guerra passará a ser impossível.

OK.

João Brito Sousa

terça-feira, 21 de agosto de 2007

1ª CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA PORTUGUESA


FAZ HOJE 96 ANOS QUE FOI APROVADA A PRIMEIRA
CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA PORTUGUESA.


A Constituição Política da República Portuguesa de 1911 foi a quarta constituição portuguesa, e a primeira constituição republicana do país, como se pode ver:




Constituição Política da República Portuguesa (1911)




CARACTERÍSTICAS DO TEXTO CONSTITUCIONAL


A Constituição Política da República Portuguesa de 1911, diploma regulador da vida política da I República, destaca-se por ter consagrado um novo regime político (a República), para além de ser o mais curto texto da história constitucional portuguesa – tem apenas 87 artigos, agrupados por sete títulos, a saber:

Da forma do Governo e do território da Nação Portuguesa;

Dos direitos e garantias individuais;

Da Soberania e dos Poderes do Estado;

Das Instituições locais administrativas;

Da Administração das Províncias Ultramarinas;

Disposições Gerais;

Da Revisão Constitucional.


Embora ao longo dos quase cem anos de existência da República em Portugal, muitos historiadores tenham afirmado peremptoriamente que «a única originalidade da Constituição de 1911 foi a substituição do Rei pelo Presidente» (o que, só por si, acarreta outras mudanças, como a substituição da sucessão hereditária pela eleição política do Chefe do Estado), uma análise sumária da Constituição permite demonstrar o contrário.

(Texto retirado da net)


João Brito Sousa

COMERES TÍPICOS DO ALGARVE









(Pratos de xarém algarvio)



PORTO, 2007.08.21

O XARÉM ALGARVIO



(texto dedicado ao Prof. FANKLIM MARQUES,
velho amigo)


Acerca de um post meu, colocado no

http://braciais.blogs.sapo.pt/

onde falei da horta do Ti Xico Quintas, o meu amigo Arnaldo Silva, parece que gostou e comenta o meu post, numa sua croniqueta muito bem concebida, acerca do XAREM algarvio que também falo lá no post.

Por entender que a descrição está perfeita, digna de um Franklim Marques, aí vai o texto completo.

E mais uma ve z, os meus parabens ao Arnaldo Silva, pelos belos textos que produz e que eu aproveito para publicar dado a sua excepcional qualidade, o que dá assim um enorme contributo para o engrandecimento do blog. Para ele o meu muito obrigado.


O XAREM
texto de Arnaldo Silva.

Como é óbvio, não conheci o Ti Xico nem a sua horta ainda que Patacão e Mar e Guerra me sejam locais familiares.

Locais que, outrora verdejantes, luxuriantes mesmo na proliferação da variedade de culturas que se espraiavam pelas variadíssimas hortas ao sabor das estações do ano, estão hoje votados ao abondono ou invadidos por vias alcatroadas e casas de habitação e altamente poluídos pelo excesso do monoxido de carbono que o super saturante tráfico de veículos automóveis por ali vai libertando.

Sou natural do Sotavento algarvio e, por isso mesmo, bem familiarizado com os produtos das hortas, com as árduas tarefas que solicitavam para os produzir, com o bucolismo do chilrear dos pintassilgos que povoavam as romãzeiras que ladeavam as alamedas de acesso às casas senhoriais ou com o cantar da água ao cair dos alcatruzes das noras nas quentes tardes de Maio ou de Junho.

Mas o que verdadeiramente aqui me traz é a tua evocação do xarém. Saudade!Em casa dos meus avós sempre se quedavam umas sacas de milho. Milho amarelo, refira-se. Daquele que, provindo da horta, remanescia dos vários destinos económicos que lhe era dado. E havia por lá uma mó manual.

Duas pedras circulares, com um diâmetro de cerca de quarenta centímetros, a superior com um buraco ao centro e uma empunhadura de madeira, fixada próximo da sua periferia, onde a mão humana se agarrava para lhe imprimir o movimento rotativo necessário para se moer o milho que era introduzido pelo citado buraco.

Era dia de xarém! Alegria duplicada para os putos da minha idade de então! Alegria pelo ritual da moagem. Alegria recompensada e redrobada pelo almoço de xarém!As mós eram instaladas dentro de uma corbelha( EU DIRIA CAPACHA) que recebia a farinha proveniente do milho moído. Sentava-se no chão o humano, motor da acção de moer, de pernas abertas contornando a corbelha, mão direita fazendo rodar a mó e mão esquerda alimentando-a de milho .

Imagine-se o prazer espantado do puto ao ver a transformação de grãos duros e secos em ameno e aveludado pó amarelo que era cuspido de entre as duas mós e ao seu redor! Milagres de uma rústica tecnologia! E que dizer da incontida satisfação do puto quando lhe era dada permissão para dar ele umas voltas com a mó milagrosa?! Indescritível!Mas até o xarém chegar à mesa faltavam ainda algumas operações.

Havia que peneirar a farinha obtida com a moagem, expurgando-a de farelos que, além de serem de difícil ingestão no xarém, eram necessários para alimentar as aves de capoeira que sempre coabitavam com os donos ou caseiros das hortas.Vinha então o ritual da cozedura do xarém.

Aqui as preferências e os gostos dos apreciadores de tal prato dividiam-se entre dois tipos de utensílios para o cozer. Perfilhavam uns a convicção de que o xarém só deveria ser cozinhado em tacho de barro. Contrapunham outros que só em tacho de arame - entenda-se um tacho feito de um metal amarelo (EU DIRIA TACHO DE COBRE), uma qualquer liga que não sei bem definir - se poderia obter o verdadeiro xarém!.

Certo é que, confeccionado num ou noutro tacho, o xarém era uma deliciosa refeição, qualquer que fosse a variante em que era apresentado: simples, com café, com conquilhas, com peixe frito ou até mesmo com leite!Saudade!No olvidar das tradições e na metamorfose dos gostos sabe bem recordar como sabia bem um prato de xarém! Com milho da horta do Ti Xico ou de qualquer outra horta Algarvia!

Arnaldo silvaFelizmente reformado

João Brito Sousa

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

LITERATURA

(Leonardo Coimbra
(1883-1936) Natural da vila da Lixa, próximo de Amarante, foi uma das figuras mais proeminentes do movimento da Renascença Portuguesa, que fundou, juntamente com Teixeira de Pascoaes, António Sérgio e Raul Proença entre outros. Entre 1919 e 1931 foi professor de Filosofia na Faculdade de Letras do Porto, por ele criada quando, pela primeira vez, ocupou o cargo de ministro da Instrução Pública.
POESIA/ SAUDOSISMO
(de leonardo coimbra, pascoaes, sérgio e raul proença)

O SAUDOSISMO,
no sentido estrito, é uma atitude perante a vida que, segundo Pascoaes e muitos outros, constitui feição típica da literatura portuguesa, tanto culta como popular, logo traço definidor da «alma nacional».

Essa atitude interpretou-a o autor de Marânus atribuindo à saudade amplas dimensões e profundo significado, arvorando-a mesmo em princípio enformador dum ressurgimento pátrio. A atmosfera mental portuguesa estava então impregnada do idealismo e do nacionalista tradicionalista que se haviam desenhado na última década do séc. XIX e de que Alberto Oliveira fora um primeiro doutrinador.

Segundo Joel Serrão, a ideação de Sampaio Bruno exposta em O Encoberto (1904), em que se debruça sobre a decadência dos povos peninsulares, «exerceu influência decisiva, conquanto difusa (como é timbre do esoterismo) nas ideias-forças da 'Renascença Portuguesa' (1912) e constituiu, possivelmente, um dos impulsos iniciais do saudosismo». A «Renascença Portuguesa» congregou muitos espíritos animados do desejo de, agindo no plano da cultura, promover a reconstrução do país, minado pelas dissenções políticas que a instituição da República não viera sanar


TEIXEIRA DE PASCOAES em Versos Pobres.


Que saudades eu sinto desta flor,
Que vai murchar!
E desta gota de água e de esplendor,
Um pequenino mundo que é só mar.
E desta imagem que por mim passou
Misteriosamente.
E desta folha pálida e tremente
Que tombou...
Da voz do vento que me deixa mudo,
E deste meu espanto de criança.
Que saudades de tudo eu sinto, porque tudo
É feito de lembrança...



COMENTÁRIO

A saudade, essa palavra bem portuguesa, aqui tão bem expressa nestes versos de Joaquim Pascoaes..

"Viver em poesia, por obra e graça da Imaginação, é também viver saudosamente. Misto de lembrança e aspiração, logo simultaneamente virada para o passado e para o futuro, a saudade permite ora evocar com doce melancolia, ora reviver jubilosamente a infância, recuperando a inocência perdida, diz JACINTO PRADO COELHO..

Poesia... espaço de prazer.

Vamos poetar...


João Brito Sousa

UMA FIGURA DA PRIMEIRA REPUBLICA

(Afonso Costa)


AFONSO COSTA

«É opinião minha que, se o País está moralmente em baixo, é por causa da monarquia e do Trono...»

Março de 1980

Foi, no seu tempo, o mais amado e simultaneamente o mais odiado dos políticos republicanos. Afonso Costa pertence àquela pequena galeria de homens, que passaram à História envoltos por lendas. Ora idealista e patriota. Ora ambicioso e sem escrúpulos. Ora democrata. Ora ditador. Chegou dele a dizer-se que batia na mãe.. .

Nasceu «fraco, com escrófulas e achacado» a 6 de Março de 1871. A sobrevivência seria a primeira grande luta ganha por Afonso Costa, que veio ao mundo na freguesia rural de S. Tiago, a três quilómetros da Vila de Seia, junto à serra da Estrela.
Professor Catedrático de Direito advogado de sucesso, era, contudo no campo da política, que se sentia como peixe na água. Era um homem de acção e de dinamismo exacerbado. Que gostava de grandes lutas De «aperto de mão forte» e «presença segura». Sabia definir uma estratégia, planificar uma táctica e distinguir os objectivos imediatos e de longo prazo. Tinha habilidade para a intriga, para manipular nos bastidores da política, para dissimular, insinuar e mentir quando necessário. «Pazes políticas» eram com ele.

Formara-se numa cultura académica profundamente influenciada pelo Positivismo de Augusto Conte, cuja doutrina inspirava um entendimento linear da História da Humanidade, onde a nova ciência social se poria ao serviço do colectivo. Numa altura em que a «questão social» tomava conta do pensamento europeu., Afonso Costa, profundamente influenciado pela cultura francesa, viu na República um instrumento de mudança social. Dizia ele: «Se há um facto característico no começo do século XX é a ascensão das classes trabalhadores à vida política.

Durante o período de oposição à monarquia, Afonso Costa só acidentalmente se referia ao socialismo. Apresentar-se-ia, fundamentalmente, como o defensor de um regime, a República, que para ele era o único capaz de assegurar as liberdades fundamentais, o poder civil, acima de qualquer outro, a democracia (O sufrágio universal), a moralização da administração pública, o interesse nacional face às grandes potências e a justiça social.

Afonso Costa ambicionou para a família o que o mais acabado burguês lisboeta poderia aspirar. Um pequeno mundo organizado, hierarquizado e próspero, afectuoso, tranquilo e orgulhoso. Mas, foi afastado do País, silenciado pela ditadura despede-se da vida quase em silêncio.

Teria sido um bom político?

Não há bons políticos.

João Brito Sousa

domingo, 19 de agosto de 2007

O DOMINGO NA PRAIA DA ALTURA



COMENTÁRIO COM DIREIRO A POST

Por Arnaldo Silva
Felizmente reformado

AO MEU, HOJE É DOMINGO, DE HOJE


Hoje é Domingo, dizes tu.


Na tua grande cidade, tua por adopção, é evidente que ser Domingo faz a diferença.Atravessarás as ruas com mais displicência, andarás por elas com muito menos encontrões das gentes apressadas e absortas no compromisso de chegar a horas aos seus destinos; aquelas gentes que durante a semana têm que labutar e lutar para a sobreviver.


Encontrarás os pombos da cidade passeando-se muito mais pacatamente pelas praças habituais, livres do frenesim de se terem que afastar de distraídos e atarefados transeuntes. Sentirás no ar o ressoar dos sinos das igrejas, chamando os fiés para cumprirem o ritual da missa dominical.


Até o apelo do estomago, digo eu, parece aperceber-se que é Domingo e traz à lembrança aquele restaurante onde uns rojões ou uns filetes de sardinha com feijão encarnado fazem as delícias de um bom 'gourmet'.


É o espírito de Domingo que ao longo de anos se entranhou nos hábitos de quem vive nas grandes urbes.Hoje é Domingo. Por aí, na tua cidade grande.Por aqui, na minha aldeia turística e balnear, hoje é Domingo igualmente, por força do calendário, mas poderia dizer-se que é segunda ou quarta ou qualquer outro dia dos sete que cada semana comporta, porquanto a azáfama dos veraneantes aqui arribados se concentra sempre e invariavelmente nos caminhos que conduzem às praias.


Como formigas bem carriladas, carregados de sacos, sacolas, raquetas de 'beach-ball' e sombrinhas, povoam os trilhos que levam ao mar. Curiosamente, no marulhar das suas vozes, sobressai o sotaque da pronúncia do norte. Das gentes da tua cidade.Hoje é Domingo. Para quem trabalhou durante a semana.Para quem trabalha é fácil imbuir-se do espírito de Domingo. É a força do hábito, a inércia da rotina repetida.


Por aqui, onde os dias de lazer se repetem, muito rapidamente para a maioria, o espírito de Domingo está ausente.Aqui é sempre Domingo. Tido como dia de descanso, emtenda-se!Que o seja por muitos anos!


Arnaldo silva

Felizmente reformado


O MEU COMENTÁRIO


PORTO, 2007.08.19


AQUI É SEMPRE DOMINGO...


Na Praia da ALTURA... dizes tu que é assim...
Sempre domingo... sempre dia de descanso...
E eu, que só trabalhando sinto dentro de mim
A vida... porque só assim é que nunca me canso.

È que, no meu fraco entendimento, o trabalho..
Pede descanso e que este o reponha da fadiga.
E eu, se a alcanço fico ali desperto como um alho
Para que a vida em toda a plenitude prossiga.

Descansar é não termos nenhum compromisso?...
Ok. Mas o que é que o médico te dirá sobre isso?...
Se calhar diz-te: mexa-se já daqui para fora!...

Camarada Silva, como eu tão bem te entendo...
A vida são dois dias , vamos comendo e bebendo
E descansando como o temos feito até agora..


João Brito Sousa

HOJE É DOMINGO

Palácio de Cristal (PORTO)


HOJE...


Vou andar por aí...

Da parte da manhã
vou ao café tomar a bica....
como se diz
lá pelos meus lados.
(Aqui, no Porto, ainda dizem café...)

E vou comprar o jornal
(o Sô Lopes não vai aos domingos...)
Porque ao domingo vêem os roteiros
do Silva Germano.

Que a gente lê,
gosta e diz que vai fazer
mas não vai
o que vai é adiando
de ano para ano...

À tarde saio e levo a máquina
E tiro as fotos que me apetecer
a esta cidade
que procura a minha identidade

e que quer saber quem eu sou
mas ainda não me encontrou.

João Brito Sousa

sábado, 18 de agosto de 2007

UM BOM FIM DE SEMANA




Para os meus filhos em ALMADA

XAXÁ E PEDRO

Para a minha nora e para a minha neta MARIANA



Para a Celina e para o Aníbal (imperdoável esquecimento) em ALMADA


Para o Luís José Isidoro em ESTOI, amigo inesquecível


Para o Engº Neto e esposa em ESTOI ainda.




Para o enorme MÁRIO MONTEIRO que agora mora em CAMPO

e para o Guilherme, Marta esposo e filho,


Para o CARLINHOS LOURO, meu primo e velho amigo.
E para os irmãos, Zé Louro e TOI, respectivas e filhos.

Para os meus irmãos em NEWARK, USA

Aló Solange, katy and Jack David, Daniela, Michele e respectivos....


Aló PAUL SPATZ e filhas


Aló primos e primas na Austrália e Perpingham em França
em NEWARK, aló Tony and Quitéria Ilheu aló SIlvina no Canadá


aló Custódio Clemente e Zé Mendes na AUSTRÁLIA,

Zé Lúcio, Florentino, Rosendo e Joaquim Carrega...


Victor e Célia Custódio e Leonilde Filhos e filhas.


Aló Montenegro SÃO E FILHAS ,


Tia Amélia.

Tias Alzira e Ti Manel ( como é que correu essa coisa?...)


Eusébio e Júlia Lucília e Armando e Filhos


Silvina e Luís Alcantarilha e filhos

Mercedes e Alviro, BICAMA e BIZÉ E RESPECTIVOS

Maria do Carmo e Zé Maria e filhos (meu afilhado João Manuel) e noras netos


FLORIVAL EM França, esposa e filhas

Para o CUSTOIDINHO, o filho do APOLINARIO, que diz que é teu amigo e com quem tive uma pega no restaurante o Jorge, no PATACAO.


Para os amigos de sempre,
VIEGAS, DIOGO, PLÍNIO, ARNALDO SIVA, ZÉ GRAÇA, DIOGO TARRETA E REINALDO E SOLEDADE ...ainda há mais?...


Aló ESTORIL Mário Fitas, Aló Porto Carlinhos Pereira, Adelino Oliveira em AZEITÃO.

Romualdo Cavaco, Jorge Valente dos Santos e Zé Pinto Faria em Portimão.

ADOLFO PINTO CONTREIRAS NOS GORJÕES E ZÉ MAGANÃO e SOARES em TAVIRA.

Feliciano Soares e Xico LEAL em Olhão e Zé Júlio na ilha da Culatra.
Estamos em:

http://bracosaoalto.blogspot.com/








Dêem uma vista de olhos.


MAI UMA VEZ, UM BOM FIM DE SEMANA PARA TODOS.


João Brito Sousa

A VIDA E RAUL BRANDÃO

(Os homens da Presença...Aquilino, Raul Brandão...)


COMENTÁRIO DO ARNALDO SILVA

TRANSFORMADO EM POST


Amigo Brito,

Folgo em verificar que a "rentrée" nestas andanças das coisas da Literatura e suas publicações no Blog vem retomando o ritmo, a intensidade e a qualidade que se vinha desfiando até à partida para férias, presenteando-nos com temas de qualidade e interesse irrefutáveis.

Estamos aí, contigo. Disponíveis para receber e comentar. E para demonstrar ao Raul Brandão que a vida não tem que ser necessariamente e não o é, em definitivo, um acto religioso e muito menos é um acto estúpido e inútil. A vida é simplesmente a vida!

E cada um de nós tem uma vida. Própria. Pessoal. Distinta de todas as outras vidas de todos os outros viventes.

Dizer que a vida é um acto estúpido e inútil apenas porque se sabe de antemão que ela não é eterna é no mínimo característico de um ser que não aprendeu a viver.

A vida vive-se numa permanente e renovada corrente de sentimentos. É na qualidade desses sentimentos que reside a utilidade e a qualidade da vida.Esqueça-se o pessimismo de Raul Brandão!

Viva-se a vida! Por ela, com ela e para ela! Sempre!

Arnaldo silva
Felizmente reformado

O MEU COMENTÁRIO

O camarada Arnaldo Silva, afilhado de casamento, colega de curso, de quarto alugado no Sacramento à Lapa e amigo firme entre outros atributos, leva vantagem sobre todos nós outros, que andamos por aqui a arranjar desculpas pela suposta ingratidão da vida, simplesmente porque o Arnaldo Silva gosta e sobretudo sempre gostou da vida.

Posso dizer, porque constatei isso durante anos, que o Silva é um apaixonado da vida e apaixonado pela vida.

Felizmente que tem uma vida boa, quero dizer, tem a vida que quis ter e funciona dentro dela como peixe na água. E por esta ordem de ideias é um acérrimo defensor da vida. Aliás, sempre foi...

Mas, e perguntar-se-à? E se as coisas não tivessem corrido tão bem assim ao camarada Silva, como seria a sua abordagem à vida?...

Por exemplo, se tivesse tido o azar que teve um amigo comum que, após um acidente de viação, perdeu a esposa jovem ainda e levou para uma cadeira de rodas, totalmente inoperativo, um filho de dez anos, que sobreviveu até aos trinta, sempre na condição de dependente?...

È claro que o acidente, também faz parte da vida. Mas depois do acidente, que veio provocar desajustamentos profundos no quotidiano, poderá continuar-se a ter pela vida a mesma consideração, apego e amor de outrora?...

A vida não é possuída de um comportamento linear; tem oscilações e por vezes graves e injustas. A reparação do acidente muitas vezes não se faz e daqui pode surgir o desamor à vida.

E poder-se-à ter amor e consideração por uma situação injusta?

Raul BRANDÃO, que eu particularmente aprecio, no seu texto “BALANÇO À VIDA”, diz efectivamente que “Ou a vida é um acto religioso- ou um acto estúpido e inútil”

Mas depois continua com este naco de prosa fantástico: “Considero os meses mais felizes da minha vida aqueles em que eu e a minha mulher fomos viver para uma aldeia remota. Ainda hoje me penetra a solidão perfumada dos montes. A casa não tinha vidros e à noite o silêncio doirado de estrelas entrava pelas janelas e desabava sobre nós... Há horas em que as coisas nos contemplam e estão por um fio a comunicar connosco. Às vezes é um nada, um momento de êxtase em que distintamente ouvimos os passos da vida caminhando. O homem sozinho está mais perto de Deus e das coisas eternas. Sabe-lhe melhor a vida; compreende melhor a morte. Um pormenor que o interesse, entranha-se-lhe na alma para sempre, como um perfume que nunca mais se esvai... Ainda este ano o MAIO foi tão quente que toda a noite se lavrou ao luar”...

Quem escreve isto e desta maneira, tem de, forçosamente amar a vida...

Como o Arnaldo Silva e eu e mais uns milhares... a amamos.

João Brito Sousa

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

LITERATURA


VERGÍLIO FERREIRA

Continuo às voltas com o Vergílio. Tem umas coisas boas, outras muito boas e outras que não percebo nada. Estou a ler agora o "PENSAR". Abro ao acaso e retiro do ponto 185 da págna 143, o seguinte: «Deixai entrar a morte, a iluminada/ a que vem para me levar»: São versos da Florbela Espanca. Ela vivia a vida com intensidade dobrada... (fecho o livro).

Tenho reparado na leitura do Vergílio, que aquela coisa de ter frequentado o Seminário do Fundão, arranjou na pessoa do escritor Vergílio Ferreira um inimigo de Deus. Eu estou de acordo com isto porque Deus nunca nos veio ver nem dar uma ajuda nos tempos difíceis. Não foi Pessoa que disse... nunca o vi?....

Estou convencido que este problema da existência ou não de Deus, esgota um bocado as pessoas. Não sabemos o que fazer nem para onde ir. É que as coisas não correm mal na vida; correm sempre mal porque não se sabe o que é isso de correr bem. O culpado disto é o povo que diz: tudo corre bem quando acaba bem. O diabo é que esta coisa da vida nunca acaba bem e tem na sua ponta final o seu grande nó cego.

O Raul Brandão é que diz que: "ou a vida é um acto religioso- ou um acto estúpido e inútil"

Toda a literatura de Vergílio Ferreira anda à volta de desvendar este problema da vida. Florbela quis vivê-la intnsamente e, de tal modo o fez, que tomou os comprimidos às onze horas da noite e entretanto pediu à criada para não a acordar.

Foi a intensidade da vida a funcionar.

E tu, estás preparado para a tal intensidade?....

João Brito Sousa

A RUA ONDE MORO


Esta Rua evoca a Constituição de 1842, que marca o fim do período setembrista e dá início ao período cabralista (de Costa Cabral), do Liberalismo em Portugal (reinado de D. Maria II)
*
* *

A RUA DA CONSTITUIÇÃO é o nome da rua onde resido. Ando por aqui, É uma zona interessante onde não nos falta nada. Mercearias das antigas, cafés, restaurantes, bancos, lojas, salões de cabeleireiro, talhos e muitas coisas mais. Bom serviço a bom preço.

Eu já conhecia o nome da rua derivado das minhas leituras sobre futebol, uma actividade que sempre me apaixonou. É que o nome de rua da Constituição ligou-me ao campo de futebol, o Campo da Constituição, que fica situado aqui nesta rua e foi o principal recinto de jogos do F.C.PORTO, no pedriodo de 1913 a 1952, altura em que foi substituído pelo estádio das Antas.

Hoje, é utilizado pelas equipas dos escalões de formação do clube

Aproveito a ocasião para citar dois nomes de jogadores de futebol que foram grandes glórias no FCPorto. Refiro-me ao extremo Hernâni que vi jogar e que me deliciou e ao madeirense Pinga, que conheci apenas através da leitura. Certamente que haverá outros, mas estes dois são as minhas grandes referências.

A Rua da Constituição tem uma Universidade da Terceira Idade para malta a partir dos sessenta o que é relevante porque a cidade do Porto é uma cidade de cultura.

De manhã, eu e a minha mulher, vamos ao café dos «intelectuais» cá da área e lá estão quase sempre o Sô Manel, o Sô Lopes e o Sô Almeida, todos especialistas em palavras cruzadas.

A D. Mena é que nos serve os cafés. Normalmente lemos aí o jornal `a borla, o JN, que é um jornal que considero muito bom periódico.

Normalmente chegamos às dez horas com um livro na mão que levamos para ler, e estamos por lá até às onze.
O SENHOR LOPES

Trabalho népia... nunca vi o Lopes fazer nenhum!...
Chega, cumprimenta com um bom dia na manhã amena
E vai ver do jornal; de lá do fundo vejo-o vir com um
E lá se senta e diz entretanto para a patroa, a D. Mena

É um pingo D. Mena diz ele já de jornal na mão..
E segreda-me: isto é um vício ler o jornal de graça.
Olha em redor e conta os fregueses que lá estão
E diz – me que já me dá o jornal porque sou boa praça.

E é pelo empresário Lopes que não paga para ler
E pelos outros todos que fazem igualmente por ser
Iguais ao Lopes porque o jornal não querem comprar...

Que está justificado a crise na bolsa de cada um
(Dizem que ano igual a este não virá mais nenhum)
Mas, enquanto houver estrada é para continuar .


João Brito Sousa

MODERNISMO, em mário de sá carneiro

(mário sá carneiro)

O MODERNISMO EM MÁRIO SÁ CARNEIRO



Hoje, dia de todos os demónios
Irei ao cemitério onde repousa SÁ-CARNEIRO
A gente às vezes esquece a dor dos outros
O trabalho dos outros o coval
Dos outros


Ora este foi dos tais a quem não deram passaporte
De forma que embarcou clandestino
Não tinha política tinha física
Mas nem assim o passaram
E quando a coisa estava a ir a mais
Tzzt... uma porção de estricnina
Deu-lhe a moleza foi dormir

Preferiu umas dores no lado esquerdo da alma
uns disparates com as pernas na hora apaziguadora
herói à sua maneira recusou-se a beber o pátrio mijo
deu a mão ao Antero, foi-se, e pronto,
desembarcou como tinha embarcado

Sem Jeito Para o NegócioMário Cesariny, Discurso sobre a Reabilitação do Real Quotidiano,1952

Em Sá CARNEIRO a imagem da ponte é-lhe uma das mais gratas para exprimir a passagem do eu para o outro.
"Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o outro
O drama de Mário Sá Carneiro é ficar no meio da ponte, perplexo e indeciso: O seu drama é não permanecer «aquém» nem chegar «além», como nos diz no poema «QUASE»
«Um pouco mais de sol- eu era brasa,
Um pouco mais de azul- eu era além
Para atingir, faltou-me um golpe de asa
Se ao menos eu permanecesse «aquém»

João Brito Sousa

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

A CIDADE DO PORTO

(casa da música no Porto)

A CIDADE DO PORTO

É aqui que vivo agora e é aqui que leio e escrevo!...
É aqui que passo os dias alegremente....observando
A história das ruas antigas sobre as quais me atrevo
A ler o seu passado enquanto nelas vou passeando...

Ruas com o vestígio de grandes unidades industriais
De Bancos, de Seguradoras, de Comércio e de vários!...
E é esta a grande cidade que antigamente foi das tais
Que nunca esqueceu a nobre função dos seus operários.

Cidade liberal, honrada, nobre democrática e séria...
Que de ninguém recebeu lições acerca de tal matéria
E que se impôs ao Mundo pela sua hospitalidade....

E está preparada para a luta quando amanhece
E fala mal do poder central porque este não reconhece
Nela a grandiosidade de uma autêntica cidade ...

João Brito Sousa

CRÓNICA DA CORTELHA



CENAS DA ESCOLA COMERCIAL DE FARO

Por Romualdo Cavaco


Recebi do Romualdo, velho amigo e colega lá na Escola em Faro, década de 50, a crónica que aí deixo a seguir.


Caro João Brito Sousa:
Um abraço do Sul.
Vou ser breve. Ass.: Óculos do Dr. Uva:
Sempre rimos da desgraça que acontece aos outros".
Estão presentes no nosso coração quer o Dr. Uva quer o aluno a ser chamado nesse dia: O João Manuel Pinheiro Canal. (a cuja campa poderemos deslocarnos um dia em romagem, desde que juntemos um grupo de ex~clegas. Ele tem uma rua com o seu nome em Estoy (não Estói como alguns querem que seja)
O João Canal foi chamado e levava como habitualmente o Livro de Direito e o Caderno..Na pasta, juntamente com os livros, quando os alunos não tinham a senha para a cantina vinha uma marmita com o conduto para o almoço, da qual, por vazes transbordava gordura servindo o caderno de mata-borrão.
O Dr, Uva ao vê-lo, disse logo ..."isto é caderno que se apresente?" ... Entretanto fez menção de rasgar o caderno ao meio, Como eram 30 folhas, desistiu. E fechou o caderno deixando o par de óculos dentro a marcar a página da lição desse dia,Foi quando o Quinta Nova entrou em sena, como sabes. Aí, o Dr. Uva dá uma palmada sobre o caderno para pôr respeito na aula, esquecendo-se de que entre as folhas estavam os óculos.
Um abraço e até breve.

Romualdo Cavaco.


ALGUMAS NOTAS (para quem desconhece).

O Dr. Uva foi um professor único, daqueles que se tem uma vez na vida. Duma maneira geral, poderemos dizer sem falhar, que o Zé da Uva não ensinava corno, mas também é justo dizer que a rapaziada estudava muito menos ainda ou nada mesmo.

Não obstante isso todos os seus alunos trazem o velho professor Uva no coração. E contam-se histórias engraçadíssimas desse tempo e dessas aulas. O Dr. Uva ou o Velho Uva , como nós também lhe chamávamos (com o máximo respeito) era macaco.

A avaliação era feita mediante chamadas orais. Em todas as aulas havia chamadas à lição e o Uva não explicava nada. No início da aula o Velho, dizia: apresenta-se algum voluntário? No primeiro dia de aulas do período oferecia-se o Alex , que dizia ele, não se chateava mais até ao início do próximo período. De resto... excepção a mais um ou dois dos bons alunos, não havia mais oferecimentos.

Como era preciso ter alunos a responder à chamada e ocupar o tempo da aula., quando não havia voluntários o Velho atirava a caderneta ao ar e segurava-a na queda, de forma a que esta ficasse aberta na ficha do aluno.

Este método infalível dava quase sempre DONALDO, e, perante tal escolha, o velho dizia : venha cá o Pato E era um alívio, porque ninguém sabia nada mas o Donaldo ainda sabia menos que nós.

Interessante saber que na turma dos iguaisinhos, que eram gémeos, quando a caderneta abria num deles, o Velho chamava os dois à lição. Para não ser enganado, dizia ...

Os ingredientes para a operação, era levar o livro e o caderno diário, impecavelmente apresentado. E é aqui que entra o João Canal, de que falaremos um dia destes..

Só uma última nota: disse-me o João Mário de Moncarapacho, que se licenciou em Direito, que fez a cadeira de Direito Comercial na Faculdade com aquilo que aprendeu com o Velho Uva. Por ser verdade aqui fica esta pequena homenagem ao método de ensino do Dr.Uva.

Quanto à homenagem ao Prof. João Canal, vamos programá-la.

João Brito Sousa

DA IMPRENSA

(Faculdade de Medicina do PORTO)

CRÓNICA PUBLICADA NO JN/PORTO

Centralizar e desenvolver
Nuno Grande, Médico e professor universitário

O desenvolvimento de um povo tem implícito o direito de acesso às conquistas do conhecimento que dignifiquem a condição humana dos cidadãos.


Assim, não há desenvolvimento num sistema político e administrativo centralizado que agrava as desigualdades regionais para favorecer o crescimento financeiro de algumas instituições privadas e públicas que influenciam os órgãos de decisão governamental.


De facto, os grupos económicos, principalmente financeiros, afirmam-se contra a regionalização pois pretendem estar próximo dos órgãos de decisão política e governativa que procuram condicionar e influenciar.Assim, as sedes dos grandes grupos banqueiros e das grandes empresas económicas estão situadas em Lisboa e Vale do Tejo que é a região administrativa em que a população tem em média um poder de compra muito superior ao dos habitantes de outras regiões do país particularmente das situadas no interior.


O centralismo governativo torna irrealistas muitas das medidas assumidas com o objectivo de corrigir desigualdades quando se projectam em áreas que não correspondem s linhas programáticas que se pretendem implementar.


De facto, as forças sociais existentes estão ainda muito influenciadas por um espírito corporativista e reivindicando o direito à liberdade de defesa dos direitos, nem sempre respeitam o dever à responsabilidade democrática.Em qualquer caso, o centralismo governativo não tem contribuído para o desenvolvimento da comunidade portuguesa, agravando a desigualdade de oportunidades nas diversas autarquias portuguesas, pelo que se torna cada vez mais evidente a necessidade de promover a regionalização que desenvolva o associativismo e o voluntariado na realização de programas de desenvolvimento local e regional.


Esta forma de democracia participativa torna-se urgente como resposta ao desafio europeu que pretende abrir o espaço de colaboração com o continente africano e sul-americano, o que irá demonstrar a necessidade de descentralizar as possibilidade de promover práticas de desenvolvimento em cada realidade social.


O MEU COMENTÁRIO


O Dr.. Nuno Grande é médico e professor universitário.

Por um lado oferece-me apresentar-lhe os meus sinceros parabéns por ter chegado a esse distinto patamar profissional. Mas por outro lado não, porque o Professor ainda não percebeu que as reivindicações a fazer, estão condenadas se continuarem a ser feitas por esta via e modelo.

Assim, não se consegue nada e isso está testado porque já foram escritos centenas de artigos donde nada resultou..

A questão nuclear apresentada é esta:

“De facto, as forças sociais existentes estão ainda muito influenciadas por um espírito corporativista e reivindicando o direito à liberdade de defesa dos direitos, nem sempre respeitam o dever à responsabilidade democrática”

Ora é isso aí, responsabilidade democrática.... atitude que não é praticada pela maior instituição do Norte do País e nunca vi o Dr. Nuno Grande insurgir-se contra ela. E não se pode exigir aos outros que sejam democráticos se nós não formos. Não concorda Dr.?

João Brito Sousa .

DA IMPRENSA


JN/PORTO

"Governo é o campeão das desigualdades"
Jerónimo de Sousa considera Portugal "o triste campeão das desigualdades sociais". Ontem, num piquenique-convívio do PCP em Monte Gordo, Vila Real de Santo António, o líder comunista traçou um panorama negro da situação no país, a tal ponto que que "não é coisa de que este Governo se possa gabar".


O líder do PCP criticou outros "tristes recordes" do país, como o nível do desemprego, a precariedade do trabalho, o "ataque" aos salários e o aumento "inaceitável" do custo dos bens e serviços essenciais.


"O Governo promete convergir em 2009. É sempre lá mais para a frente, sempre para um dia que nunca mais chega", afirmou.No seu discurso perante os mais de 200 apoiantes que participaram no encontro na mata de Monte Gordo, o dirigente comunista acusou o Governo de José Sócrates de seguir uma "política de direita".Jerónimo de Sousa apontou o dedo à "ofensiva diversificada e profunda do PS" em diversos sectores, como a educação, a saúde, a segurança social e os direitos dos trabalhadores, nomeadamente com a flexigurança.


"Não pode ser de esquerda um Governo que combate e reprime quem luta e exerce os direitos constitucionais consagrados", defendeu. A política seguida pelo executivo de Sócrates, sustentou Jerónimo de Sousa, cria uma "contradição insanável" no seio do PSD. "O PSD não pode fazer oposição a uma política que seguiria se estivesse no Governo.


No que é estruturante, o PSD com ou sem Marques Mendes tem um problema não é capaz de ser alternativa porque o PS é o melhor instrumento do capital para levar por diante a política de direita, de regressão e de injustiça", sublinhou. Jerónimo de Sousa criticou também o ministro das Finanças pelos resultados do crescimento de 1,6% da economia portuguesa no segundo trimestre do ano.


"O ministro das Finanças ficou ontem (terça-feira) contente com a subida lenta, lenta da nossa economia, que comparou a um balão. Não conhecem a expressão 'ó patego, olha o balão', ficamos a olhar para o balão que nunca mais sobe", disse Jerónimo de Sousa, acrescentrando que o PCP "reforça a sua argumentação e alarga o seu recrutamento", com a entrada de 4.500 novos militantes, dos quais mais de um terço com menos de 30 anos.

O MEU COMENTÁRIO

Totalmente de acordo com Jerónimo de Sousa

João Brito Sousa

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

SONETO PARA OS GORJEIOS


(mansão dos Gorjões)

PORTO, 2007.08.15

Para o APCGORJEIOS

Do amigo ADOLFO PINTO CONTREIRAS.



BOAS FÉRIAS


Para todos os bloguistas... mas em especial
Para o A. Contreiras lá do APCGORJEIOS.
Para que venha de férias com a vontade total
De melhorar o seu blog por todos os meios.

Porque é já um grande espaço da cultura
Onde a informação é tratada com rigor.
Coloca muito bem os assuntos e não mistura
Os que não sabe com os que sabe de cor.

É assim este excelente espaço dos Gorjões
Onde se colocam bons artigos e opiniões
Que são publicadas e colocados à disposição

De todos aqueles que por isto se interessam
Que gostam de discutir ideias e participam
Na discussão de todos os assuntos da região.

João Brito Sousa

DA IMRENSA


(Armando Baptista Bastos)


DIÁRIO DE NOTÍCIAS



TORGA: ESQUECIDO E PRESENTE

Baptista-Bastosescritor e jornalistab.bastos@netcabo.pt



Ainda bem que o Governo esteve ausente nas homenagens a Miguel Torga. O Governo não tem nada a ver com Torga. E, se pouco tem a ver connosco, nada tem a ver com a cultura. O Governo desconhece que a cultura é um dos interesses da política e que a política é uma disciplina da cultura.


Embora ajam em esferas diferentes. Um político inculto possui algo de deformado. E um homem culto que se diz indiferente à política revela amolgadelas de carácter: mente porque, em rigor, defende pareceres desonrados. O Governo não se lê porque não lê. Para actuar em consonância com a ética da cultura seria necessário que pensasse culturalmente.


Não dei conta de nenhuma manifestação de desagrado, por módica que fosse, daqueles destemidos intelectuais, apoiantes discretos ou descarados deste Executivo. Aguardam benesses e sinecuras, atenções.


Há ministros e adjacências que, habitualmente, fazem parte de júris de prémios, e para atribuição de "bolsas"; são "comissários" de feiras e de "embaixadas" culturais; designam adidos; decidem sobre quem vai ou não, aqui e acolá, representar a "cultura" portuguesa; os escolhidos pertencem sempre ao mesmo grupo, dispõem de idêntico sainete, cortejam iguais gostos, nomeiam os mesmos autores. Nada de correr riscos desnecessários.



Os destemidos intelectuais são brandos, cuidadosos, cautos, prevenidos. Também eles nada têm a ver com Miguel Torga, que nada teria a ver com eles. São paixões em tudo opostas, desordens do espírito só explicáveis pela natureza abúlica de uma gente que embaça e desacredita, moralmente, os testamentos herdados.


Observamos os nomes destes cúmplices no silêncio e certificamos que traíram os antecedentes, sem os substituir ou sequer lhes suceder. Os contemporâneos de Torga eram: Aquilino, Tomaz de Figueiredo, Jorge de Sena, Nemésio, Pessoa, Pascoaes, Miguéis, Almada, Raul Brandão, João de Araújo Correia, Ferreira de Castro, Régio, Casais Monteiro, Gaspar Simões, Branquinho da Fonseca, Domingos Monteiro, José Gomes Ferreira, Armindo Rodrigues, Eugénio de Andrade, Sophia, Redol, Carlos de Oliveira, Manuel da Fonseca, Irene Lisboa, Maria Judite de Carvalho, Abelaira, Mário Dionísio, Namora, José Cardoso Pires. Foram estes que, em diversos momentos, reafirmaram o perfil da pátria medular e cívica.Em meados dos anos de 60, Jorge Amado, de visita a Portugal, encontrou-se com Ferreira de Castro, amigo de sempre. A RTP quis fixar o momento. Com altiva dignidade, Castro apostrofou: "A televisão, que ignorou Mestre Aquilino, não me filma, certamente, porque a proíbo!"


Esta gente era a minha e a nossa gente.


O MEU COMENTÁRIO


Inteiramente de acordo com o texto de Baptista-Bastos.


João Brito Sousa

terça-feira, 14 de agosto de 2007

TRÊS SONETOS

O SONETO COMO FORMA DE ARTE
O soneto é em si uma obra de arte. Não são poucos os sonetos que se conservaram tal como foram escritos, com a assinatura do autor, e as alusões a sonetos em forma de imagens criando, assim, a arte pela arte.
(Sá de Miranda)

SONETO
O sol é grande, caem co'a calma as aves,
do tempo em tal sazão, que sói ser fria;
esta água que d'alto cai acordar-m'-ia
do sono não, mas de cuidados graves.
ó cousas, todas vãs todas mudaves,
qual é tal coração qu'em vós confia?
Passam os tempos vai dia trás dia,
incertos muito mais que ao vento as naves.

Eu vira já aqui sombras, vira flores,
vi tantas águas, vi tanta verdura,
as aves todas cantavam d'amores.

Tudo é seco e mudo; e, de mestura,
também mudando-m'eu fiz doutras cores:
e tudo o mais renova, isto é sem cura!
Sá de Miranda

(Florbela Espanca)


VAIDADE

Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho...E não sou nada!...

Florbela Espanca

(Fernando Pessoa)

AH UM SONETO!!!


Meu coração é um almirante louco
que abandonou a profissão do mar
e que a vai relembrando pouco a pouco
em casa a passear, a passear...

No movimento (eu mesmo me desloco
nesta cadeira, só de o imaginar)
o mar abandonado fica em foco
nos músculos cansados de parar.


Há saudades nas pernas e nos braços.
Há saudades no cérebro por fora.
Há grandes raivas feitas de cansaços.


Mas - esta é boa! - era do coração
que eu falava... e onde diabo estou eu agora
com almirante em vez de sensação?...

Fernando Pessoa

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

ESTOU A ESCREVER UM LIVRO; EXCERTOS.

PROCURO A VERDADE


A vida tem muitos lugares aonde nos possamos dirigir. Como as ofertas da vida se situam no campo das boas ou más, assim, também os lugares são bons ou maus. A primeira pessoa a falar-nos disso é a professora primária, que juntamente com a nossa mãe é a pessoa que nos quer melhor. Vais poder confirmar isso quando fores para a escola. Ou já foste? Já andaste por lá? Se sim podes confirmar isso..


Tudo isto é uma escola, a vida é uma escola, a ida ao café é uma escola, a ida ao Banco, a ida um lado qualquer, todas as idas são aprendizagem, melhoria de conhecimentos, a pessoa está sempre a conhecer-se melhor a cada momento que passa , os dias não são todos iguais, as atitudes também não, os homens igualmente, os cães, os gatos, todos os animais, todas as terras... tudo, tudo, tudo... tudo é desigual e então há que harmonizar, por classes, talvez, para que não demos com os burrinhos na água.


Nessa escola da vida que estamos aqui a falar, os professores são muitos e trazem-nos, cada um, a sua experiência de vida, como prepararam a sua caminhada, aquilo que de bom e de mau apareceu nas suas vidas, como seleccionaram os aspectos positivos e negativos, o prazer da vida, o prazer de a viver, o prazer do amor, essa mola que nos conduz ao bem estar e à satisfação de estarmos vivos.


Mas lembra-te que nem sempre é assim, isto não é um mar de rosas, se há satisfação de viver é porque as coisas correm bem, as águas são límpidas, programa-se e cumpre-se e naturalmente as coisas fluem. Mas há o reverso, o outro lado , o lado negro da situação, se está quente podes gostar –se do frio, se és pobre gostarias de ser rico... e se tens satisfação de viver pode haver uma recaída e muda-se tudo de um momento para o outro, agora já não gostas de viver, tens aversão `a vida, ou porque o teu ordenado não chega para as despesas do mês, ou porque o patrão é chato, ou o teu marido, ou a tua amiga, eu sei lá tanta coisa...


Aquilo que deves privilegiar é o amor. Deveremos assegurar tudo aquilo que gostamos mas o amor é a nossa arma principal, aquela arma que devemos trazer sempre no coltre. Sem problemas nenhuns e assumir que amamos ou que somos amados, por pessoas e coisas., ou só por pessoas ou só por coisas. Seremos melhores se houver amor, para dar e para receber. Como se vê há sempre dois aspectos a ter em conta.. No amor, ou bem que há ou bem que não há. E é bom que haja.

João Brito Sousa

A MENTIRA EM PASCOAES

(Teixeira de Pascoes)


"A MENTIRA É A BASE DA CIVILIZAÇÃO MODERNA. "

Teixeira de Pascoaes em “A Saudade e o Saudosismo”


"É na faculdade de mentir, que caracteriza a maior parte dos homens actuais, que se baseia a civilização moderna. Ela firma-se, como tão claramente demonstrou Nordau, na mentira religiosa, na mentira política, na mentira económica, na mentira matrimonial, etc... A mentira formou este ser, único em todo o Universo: o homem antipático.

Actualmente, a mentira chama-se utilitarismo, ordem social, senso prático; disfarçou-se nestes nomes, julgando assim passar incógnita. A máscara deu-lhe prestígio, tornando-a misteriosa, e portanto, respeitada. De forma que a mentira, como ordem social, pode praticar impunemente, todos os assassinatos; como utilitarismo, todos os roubos; como senso prático, todas as tolices e loucuras

A mentira reina sobre o mundo! Quase todos os homens são súbditos desta omnipotente Majestade. Derrubá-la do trono; arrancar-lhe das mãos o ceptro ensanguentado, é a obra bendita que o Povo, virgem de corpo e alma, vai realizando dia a dia, sob a direcção dos grandes mestres de obras, que se chamam Jesus, Buda, Pascal, Spartacus, Voltaire, Rousseau, Hugo, Zola, Tolstoi, Reclus, Bakounine, etc. etc.

E os operários que têm trabalhado na obra da Justiça e do Bem, foram os párias da Índia, os escravos de Roma, os miseráveis do bairro de Santo António, os Gavroches, e os moujiks da Rússia nos tempos de hoje. Porque é que só a gente sincera, inculta e bárbara sabe realizar a obra que o génio anuncia? Que intimidade existirá entre Jesus e os rudes pescadores da Galileia? Entre S. Paulo e os escravos de Roma? Entre Danton e os famintos do bairro de Santo António? Entre os párias e Buda? Entre Tolstoi e os selvagens moujiks? A enxada será irmã da pena? A fome de pão parecer-se-á com a fome de luz?."..


QUEM FOI TEIXEIRA DE PASCOAES.

Teixeira de Pascoaes, pseudónimo literário de Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos, (Amarante, 2 de Novembro de 1877, 17h00 – 14 de Dezembro de 1952), foi um escritor português, principalmente poeta e um dos mais notáveis representantes do saudosismo. Em 1901 licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, mas apenas exerceu durante cerca de dez anos.
Com António Sérgio e Raul Proença foi um dos líderes do chamado movimento da “Renascença Portuguesa” e lançou em 1910 no Porto, juntamente com Leonardo Coimbra e Jaime Cortesão, a revista “A Águia”, principal órgão do movimento. Grande parte da sua vida foi passada no solar da sua família na Serra do Marão, onde cultivava a terra e escreveu muita da sua poesia contemplando a paisagem.
O MEU COMENTÁRIO

O texto de Pascoaes está muito bem escrito e tem o meu aval. Não creio que se possa chamar de Vencido da Vida a Pascoaes, mas ele foi sem dúvida um homem que se autodesligou. Foi para a serra semear batatas e foi lá que escreveu grande parte da sua poesia. È de homem que sabe o que quer.

Eu concordo que a mentira prolifera e faz lei. A mentira é que domina. Uma mentira tanta vez repetida faz-se verdade Como diz Manuel da Fonseca no conto o Largo; à falta de melhor lá ia uma mentira, saída do Largo, que se aguentava e às tantas era verdade. Tinha a força o Largo.

O problema principal é que ninguém põe termo a isto e, enquanto criança dizemos a elas que digam sempre a verdade. Mas quando homens, parece que têm vaidade em fazer ao contrário e mentir. Mente-se em todos os patamares da vida portuguesa.

João Brito Sousa

domingo, 12 de agosto de 2007

1907- NASCIMENTO DE TORGA




CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE ADOLFO ROCHA.


"É preciso fazer um esforço contínuo para amar o presente"...
Torga, in Diário IV.

Gerez, 12 de Agosto de 1947

ANIVERSÁRIO

Mãe:
Que visita tão pura me fizeste
Neste dia!
Era a tua memória que sorria
Sobre o meu berço.
Nu e pequeno como me deixaste,
Ia chorar de medo e de abandono.
Então vieste, e outra vez cantaste,
Até que veio o sono.

Torga, in Diário IV


ANIVERSÁRIO

Meu caro ADOLFO, hoje é o dia
que faz anos em que nasceste, que alegria...
que teus Pais deveriam ter sentido.
Por isso, não quero esquecer esse momento
E cá estou a comemorar o teu nascimento
E mandar-te um abraço para o teu abrigo.

João Brito Sousa

sábado, 11 de agosto de 2007

EU E A XAXÁ

UM BOM DIA PARA TI, MINHA FILHA.
Com um beijinho do Pai/João Brito Sousa

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

UM BOM FIM DE SEMANA

PORTO, 2007.08.10

BOM FIM DE SEMANA

Para os meus filhos em ALMADA, nora e neta,

Para o CARLINHOS LOURO, meu primo e velho amigo.
Para os meus irmãos em NEWARK, USA.
Aló Solange, katy and Jack David, Daniela, Michele e respectivos.... Aló PAUL SPATZ e filhas


Aló primos e primas na Austrália e Perpingham em França em NEWARK,
aló Tony and Quitéria Ilheu aló SIlvina no Canadá

aló Custódio Clemente na AUSTRÁLIA, Zé Lúcio, Florentino, Joaquim Carrega... Victor e Célia Custódio e Leonilde Filhos e filhas.

Aló Montenegro SÃO E FILHAS ,
Tia Amélia. Tias Alzira e Ti Manel ( como é que correu essa coisa?...)
Eusébio e Júlia Lucília e ARMANDO E FILHOS

Silvina e Luís ALcantarilha e filhos
Mercedes e ALVIRO, BICAMA e BIZÉ E RESPECTIVOS
Maria do Carmo e Zé Maria e filhos e noras netos

FLORIVAL EM França, esposa e filhas

Todos

Para todos VIEGAS, DIOGO, PLÍNIO, ARNALDO SIVA, ZÉ GRAÇA, DIOGO TARRETA E REINALDO E SOLEDADE ...

ainda há mais?...

para todos Estamos em:


http://bracosaoalto.blogspot.com/

http://braciais.blogs.sapo.pt/

http://bracadas.blogs.sapo.pt/

http://estudarfaro.blogspot.com/

Dêem uma vista de olhos.

UM BOM FIM DE SEMANA PARA TODA A GENTE

João Brito Sousa

AS FARPAS DE BB NO JN DE HOJE


“estamos a precisar de gostar uns dos outros”...

Baptista-Bastos.


Li a entrevista/Farpas de Baptista-Bastos no JN de hoje. Fantásticas e frescas respostas como só o Armando sabe dar.

Não sei se me percebem, ler BB dá-me força para continuar nesta saga que é a vida. A tal ponto que, onde está o Armando tenho de estar eu. À coca, como diria o Eça..

O Armando é um homem de coragem e é capaz de dar duas galhetas num tipo que o chateie. E diz não quando é não. O Vergílio Ferreira uma vez atirou-lhe com aquela do Bau-Bau, mas sem razão. O Armando é um camarada vertical; dos que não vergam a espinha.

O Lobo Antunes mandou um recado para o Sartre de Fontanelas, ou seja para o Vergílio Ferreira, mas o meu cabeleireiro, o sô Fernando, que é admirador das sinfonias do Mozart e da Maria João Pires, da música de Jaques Brel, da pintura da Maluda, da poesia de Camões e Pessoa e dos jovens investigadores da cidade do Porto, disse-me que detestava o Lobo Antunes e que vibrava com Baptista Bastos.

O Armando Baptista Bastos, sim. Foi ele que disse: “não é este o País que me prometeram”... Armando, estou contigo, diz o sô Fernando.

Li hoje que o Armando Baptista Bastos está a esboçar as suas memórias. Se sim, é de felicitar o Armando, porque certamente vai fazer uma referência ao Manuel da Fonseca, esse fantástico autor de “O FOGO E AS CINZAS”, que, no conto “O LARGO”, diz:

“Também à falta de notícias, era aí que se inventava alguma coisa que se parecesse com a verdade. O tempo passava, e essa qualquer coisa inventada vinha a ser verdade. Nada a destruía; tinha vindo do LARGO.

È por estas coisas que a literatura é fascinante.

João Brito Sousa

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

ESBOÇO DE UM ROMANCE.


"Quem tiver uma pena na mão e pense em escrever, apenas poderá escrever a verdade."
Eça de QUEIROZ

Sempre meti na caçbeça que era capaz de escrever um livro. É o que estou a tentar.

COISAS QUE ME OCORREM

Cheguei ao fim dos noventa minutos do jogo vida, aquele período onde não podemos falhar ou onde devemos falhar menos e é nossa obrigação dar o melhor de nós próprios. Já estou no prolongamento. Agora é hora do balanço, não obrigatório, é certo, mas que posso optar por fazê-lo ou não.

Optei sim.

Naquilo que fiz na vida, é evidente que não me arrependo de nada, mas se começasse hoje não fazia da mesma maneira, pois penso que fiz muita coisa errada ou quase tudo. Cometi erros tremendos que só agora dei por eles Ou talvez não sejam erros assim tão significativos. Na vida tudo é relativo. A vida não veio para ficar; a vida vai-se.

Apesar de tudo e de todos os momentos menos bons que vivi no passado, não dou por mim a queixar-me deles. Não estou contente por aí além. Tenho dores como qualquer um, sofri alguma coisa e sofro. Por coisas alheias à minha vontade e tenho a certeza a que não interferi em nada para piorar as coisas.

Gosto da palavra vida e do que ela encerra de misterioso talvez. E penso que a vida é um mistério e dos grandes. Tantas são as asneiras que se fazem e conseguimos subsistir. É verdade que são muitas e que mais tarde pagaremos a factura como resultado dessas asneiras todas.

Resta da vida uma única coisa boa: os amigos e, como consequência disso, a família, se os laços criados na relação forem laços de amizade. Às vezes não existem esses laços. São inimigos como irmãos, costuma dizer-se. Os interesses criados não são compatíveis com a ambição de cada um.

Surge a agressão. A vida tem graça e piada até se for levada com calma e com consideração uns pelos outros. E é pena que acabe tão depressa..
Nunca estipulei nenhum estilo de vida. Vivi a vida. Com regras umas vezes outras vezes sem elas.

Casei-me aos vinte e seis anos talvez porque os outros o fizeram também. Senti talvez a mesma necessidade do que eles.. A vida é a dois porque a sós não temos a noção total dos problemas que ela contem. A vida tem problemas que às vezes são grandes e de difícil resolução. Mas em princípio tudo se resolve. Bem ou mal. Resolver mal também é resolver o problema. Resolver aqui quer dizer que ele deve deixar de existir.

Já faleceram a minha Mãe e o meu Pai, aqueles que mais directamente me interessa saber que já não estão comigo. Ou estarão? Não se sabe nada disso o que nos torna a resolução deste problema da vida ainda mais complicado. Ou será que o que nos preocupa será o problema da morte?...

João Brito Sousa

OS RICOS

( o Mèxico pobre)
O MEXICANO CARLOS SLIM

O homem mais rico do mundo é agora Carlos Slim. O empresário mexicano, com interesses em Portugal, tem uma fortuna calculada em 42,8 mil milhões de euros, de acordo com a revista Fortune.


Bill Gates ocupa o segundo lugar, com 42 mil milhões.


Filho de emigrantes libaneses, Carlos Slim, 67 anos, tem um império com negócios bastante diversificados, mas é nas telecomunicações que é rei. É dono da Telemex (antiga companhia estatal de telefone fixo, privatizada no início dos anos noventa), da América Móvel (empresa da rede móvel, que controla a operadora brasileira Claro) e da Prodigy (Internet). Em Portugal, tem 3,41% do capital da Portugal Telecom, através da Telmex.Considerado um trabalhador nato e um homem austero, Carlos Slim deve parte da sua fortuna à compra e venda de empresas em dificuldades financeiras, que reestruturava e "devolvia" ao mercado com valores bastante superiores.


O empresário tem hoje participações em mais de 200 companhias, sendo responsável por mais de 5% do produto interno bruto mexicano. As suas empresas são responsáveis por um terço do valor do principal índice bolsista. Além das já mencionadas operadoras de telecomunicações, estão na sua lista o grupo Carso, a Inbursa, Ideal e Saks Inc. As suas operações pertencem a sectores tão dispares como os serviços financeiros, hotelaria, minas, construção, restauração, tabaco, infra-estruturas (estradas de plataformas petrolíferas) e componentes industriais.


Os primeiro investimentos foram feitos com apenas 12 anos, com a compra de acções do Banamex - o maior banco do México na altura. Carlos Slim têm ainda demonstrado interesse pela filantropia. Tem duas fundações e três institutos que actuam nas áreas da saúde, educação e desporto. Estas iniciativas vão ter um investimento de 7,3 mil milhões de euros nos próximos quatro anos.


O MEU COMENTÁRIO


Isto será mesmo assim?


João Brito Sousa