sábado, 19 de julho de 2008

IMPRENSA/ O SOL


O MUNDIAL-2018 e a ECONOMIA PORTUGUESA.
Por Fernando Gaspar, Economista

Houve uns rumores. Parece que o presidente da FPF sonha trazer para Portugal o Mundial de 2018. Terá mesmo desenvolvido contactos para promover uma candidatura conjunta com Espanha.

Estas breves notícias foram o suficiente para desencadear reacções negativas ao mais alto nível no país.

País curioso este! Sempre que alguém se atreve a pensar em sair da mediocridade surgem imediatamente os arautos do ‘não’! Não se pode fazer um Mundial enquanto as prioridades do país não estiverem resolvidas. Não se pode entrar nisso enquanto os problemas nucleares do futebol não forem solucionados.

Fazem lembrar o outro que dizia que não se podia fazer um aeroporto enquanto houvesse listas de espera para operações nos hospitais.

Então, é por causa do aeroporto que existem listas de espera? Caso não tenham reparado, o aeroporto não se fez e as listas subsistem. Só que, agora, foram informatizadas. E despediram-se os médicos que estavam a fazer muitas operações (e podiam assim reduzir essas listas), porque ganhavam demais…

Já com o Euro-2004 foi o mesmo. O investimento era demasiado, tínhamos coisas mais importantes a fazer, outras prioridades. Já agora… quais prioridades?

E, no entanto, as infra-estruturas necessárias até já estão feitas. Os únicos investimentos necessários seriam a organização e a promoção do evento e, mesmo esses, a dividir com os espanhóis.

Ou seja, Portugal até tem condições para realizar um evento de altíssima visibilidade com um investimento muito moderado e com condições para fechar as contas no positivo.

Claro que, à boa maneira portuguesa, os arautos do ‘não’ nunca se baseiam em estudos concretos, embora eles existam.

A título de exemplo, a International Association of Sports Economists publicou, em Julho do ano passado, um estudo de Wolfgang Maennig demonstrando que o último Mundial trouxe à Alemanha resultados muito positivos para o défice público (mais facturação nos serviços, especialmente no turismo, significou mais impostos), para o défice externo (só as receitas resultantes da ‘exportação’ das imagens televisivas foram de muitos milhões) e para o emprego (mesmo depois do evento, mantiveram-se milhares de novos empregos nas indústrias da cerveja, dos jogos electrónicos e dos fabricantes de ‘futebol de mesa’).

Para além do pormenor de a organização ter registado um lucro de €155 milhões, o mais importante, segundo o mesmo estudo, foi a contribuição para a auto-estima dos alemães e para a imagem externa do país. Não esquecer que a Alemanha foi, até ao ano passado, o maior exportador do mundo (até a China a ultrapassar).

E isso, para Portugal, que interesse tem?

É muito melhor pagar um balúrdio por ‘campanhaszinhas’ do tipo ‘Allgarve’. Isso sim, não coloca em causa as nossas ‘prioridades’.
Publicação de
João Brito Sousa

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