quinta-feira, 2 de julho de 2009

CARTA A UM AMIGO


CARTA A UM AMIGO


Meu caríssimo Prof. Feliciano Oleiro.

Viva

Dirigir-me por escrito ao Prof. Feliciano Oleiro, ou ao senhor Delegado Escolar, ou ao meu Delegado Escolar, é um trabalho difícil porque exige de mim o meu melhor. Meu caro amigo e colega, vesti o meu melhor fato, coloquei a mais bonita gravata e um bom desodorizante também, e só assim me senti em condições de me sentar à secretária para escrever esta carta.

Meu velho amigo, tenho tido alguns dias de alegria na minha vida, mas o passado dia 30, em que me acompanhaste no lançamento do meu livro, no Fórum Romeu Correia da tua cidade, foi um dos mais importantes e dos que melhor confraternizei, porque senti grande alegria de viver, senti carinho em meu redor, senti o verdadeiro valor da amizade, senti solidariedade e senti honradez e dignidade, em todos os que me acompanharam.

Mas quero abrir uma excepção.

Quero felicitar-te Feliciano Oleiro, pela tua postura de homem culto, acompanhada do teu sorriso e da boa disposição que te acompanharam ao longo da vida, também presentes nesse dia, pelas palavras que proferiste como verdadeiro professor e homem de letras que és e a que sempre estiveste ligado, e, se me permitisses, queria transferir para o teu coração, toda a alegria por mim sentida, porque nesse dia 30, fui eu que senti a grande honra de me sentar ao lado da grande figura de homem que é o Prof. Oleiro.

Mas isto antes de ler as tuas crónicas no jornal da Associação dos Professores. Porque depois de ler aquelas “MEMÓRIAS RÚSTICAS” do lindo poldro baio, o escritor é o Feliciano Oleiro.

Meu velho amigo, face a tudo o que disse, com toda a minha humildade e grande apreço pelas tuas enormes qualidades de homem da literatura, envio-te uma obra minha, a segunda, que já está na editora para revisão, para que me dês uma opinião válida sobre a mesma. É assim entre escritores.

E tem outra coisa, se a obra te agradar, quero que me autorizes a colocar a tua opinião no prefácio.

Sem mais, sou o
João Manuel de Brito de Sousa
Aí vão as palavras do PROFESSOR Feliciano Oleiro.

Foi com surpresa que aceitei o encargo desta apresentação, o que não obsta que teça com muito agrado, algumas considerações sobre o Dr. Brito Sousa, tanto em relação à sua personalidade, como ao seu “curriculum”, no lançamento do livro da sua autoria “Lucidez de Pensamento”.
O nosso relacionamento vem de longe e devo dizer que sempre o entendi como fiel representante das suas raízes algarvias, cuja vivacidade e agitação facilmente o denunciavam. Vivia repartido por dois amores – o Mar e a Terra. O chamamento da pequena cabotagem e a sua ligação à gleba, eram as forças antagónicas com as quais intimamente se debatia e que facilmente indiciavam a sua insatisfação.
O convite para o apresentar transportou-me à década de sessenta do século passado e explicito porquê.
A escola Conde de Ferreira – a “Escola dos Rapazes”, (era este o seu nome de guerra) recebeu uma “lufada de ar fresco” com a vinda de um número considerável de novos professores no início de funções.
Este grupo de jovens, consubstanciado pela diversidade de culturas e origens, cuja abrangência ia das Beiras no interior, ao Alentejo e Algarve, (meio país, vejam só), não passou despercebida à margem da minha observação. Com todos, muito aprendi e eles sabem bem disso porque eu nunca oculto a origem das fontes.
Este breve comentário centra-se apenas no grupo dos solteiros, porque outros colegas, igualmente dignos da minha atenção, tinham já arrumado a «vidinha» através do casamento. Este aumento inusitado do quadro docente resultou da explosão demográfica do concelho de Almada, a partir do início dos anos cinquenta.
Alguns vieram para ficar e afirmaram-se como bons docentes. Falo com conhecimento de causa pela boca dos seus ex-alunos, o que me leva a concluir que trataram bem as «Encomendinhas» que lhes foram confiadas, parafraseando Trindade Coelho.
Outros rumaram nos mais diversos sentidos, para outras metas, ao encontro dos seus sonhos e há quem tenha aparecido com obra feita.
Eu, na postura de director de escola e cumulativamente Delegado Escolar, encantava-me naquele universo de irrequietude própria da idade.
Alguns iniciaram funções anteriormente ao cumprimento do serviço militar.
Com a finalidade de quebrar este isolamento e também para melhor nos conhecermos, reuníamo-nos por vezes, em jantares - convívio em minha casa, o que para além da saudável confraternização, contribuíam para cimentar amizades que ainda hoje perduram.
Confesso que vi partir alguns com pena… pelo facto de verificar a sua «queda» para o ensino. Nestes casos, eu sempre vaticinava: «Lá se perde um bom professor». Ora, o meu, o nosso amigo Brito de Sousa, pertence ao número daqueles jovens que não se quedaram por Almada. Calcorreou mundo e, se não foram as «sete partidas», andou por perto. Hoje temo-lo entre nós a completar a trilogia a que o homem, como ser pensante, deve estar abrigado.
Vejamos o seu curriculum:
- Em Faro, sua terra natal completou o Curso Geral do Comércio e seguidamente habilitou-se ao Magistério Primário também na sua cidade.
Iniciou funções docentes em Almada, na Escola Conde de Ferreira, como elemento do grupo de jovens professores atrás mencionado.
Licenciou-se em Lisboa no I.S.C.A.L. em Contabilidade e Administração Fiscal. Frequentou a Universidade da Estremadura em Badajoz, onde tentou o Doutoramento. Do seu curriculum constam ainda contactos no exercício de funções com a T.A.P., Pan American World Airways, Inc e na Companhia de Diamantes de Angola.
Iniciou-se na escrita, na imprensa regional do Sul, nomeadamente em jornais algarvios como: “A Avezinha, O Olhanense, Brisas do Sul, Notícias de S. Brás, Algarve Mais”, entre outros. Hoje traz-nos o seu livro “Lucidez de Pensamento” cuja apresentação cabe ao Dr. Ildo Santos, também ele parte integrante da ala jovem à qual já aludi.
Resta-me felicitar o autor e desejar-lhe que a mensagem intimista contida na obra, atinja aqueles que muitas vezes passam em corrida louca, sem atentarem no mundo dos afectos, onde afinal existe algo de belo que a vida sempre tem para nos dar.

Parabéns Bom e “Velho” Amigo

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