terça-feira, 23 de junho de 2009

O PROBLEMA DO IRÃO


O PROBLEMA DO IRÃO

TEERÃO - Cerca de mil manifestantes opositores voltaram às ruas no centro de Teerão nesta segunda-feira, 22, segundo testemunhas, apesar as ameaças da Guarda Revolucionária do Irão de reprimir qualquer manifestação contra o resultado da eleição.

Membros da polícia antiprotestos e a milícia Basij, força paramilitar ligada ao regime, dissiparam o protesto com tiros disparados para o alto e bombas de gás lacrimogêneo na praça Haft-e-Tir. Segundo a CNN, pelo menos oito pessoas foram presas.

O órgão que supervisiona as eleições no Irã, o Conselho dos Guardiões, reconheceu nesta segunda-feira, 22, que houve irregularidades em mais de 50 zonas eleitorais nas eleições presidenciais do último dia 12. O Conselho declarou que o número de votos contados em 50 cidades ultrapassou o de eleitores registrados, mas acrescentou que isso não iria afectar o resultado geral da eleição, vencida pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad.


É a primeira vez que um órgão do governo de Teerã admite a possibilidade fraude na votação, denunciada pela oposição. Oficialmente, o presidente Mahmoud Ahmadinejad teve 63% dos votos e o candidato da oposição Mir Hussein Mousavi, 34%.

Também nesta segunda-feira, o Ministério do Exterior iraniano acusou países ocidentais de inflamar os protestos contra o resultado das eleições, espalhando "vandalismo e anarquia".


Teerão amanheceu quieta, mas tensa, nesta segunda-feira, com segurança reforçada nas ruas para evitar novos protestos como os vistos na semana passada. O candidato presidencial derrotado, Mir Hussein Mousavi, afirma que houve fraude a favor do actual presidente Mahmoud Ahmadinejad, e exige a convocação de uma nova eleição. Mousavi pediu aos seus simpatizantes que continuem os protestos, mas sem colocar suas vidas em risco. "Protestar contra mentiras e fraude é seu direito. Em seus protestos, continuem a demonstrar calma".

Pelo menos dez pessoas teriam sido mortas em choques entre forças de segurança e manifestantes, durante os protestos de sábado. Outras 457 teriam sido presas por conta da violência, de acordo com a rádio estatal iraniana. A violência se seguiu a um alerta do líder supremo do Irã na sexta-feira, Aiatolá Ali Khamenei, que afirmou que novos protestos contra os resultados da eleição não serão tolerados.

Falando em uma conferência de imprensa nesta segunda-feira, o porta-voz do Ministério do Exterior Hassan Qashqavi acusou os governos ocidentais de apoiar abertamente os violentos protestos, com o objectivo de minar a estabilidade da República Islâmica do Irão.
Segundo o porta-voz, o Ocidente está agindo de maneira "antidemocrática", em vez de elogiar o compromisso do Irão com a democracia. Ele ainda voltou a lembrar que o resultado da eleição não será anulado. Nos últimos dias, o Irão vem criticando fortemente os governos americano e britânico, e Qashqavi citou nominalmente a BBC e a rede Voz da América, qualificadas por ele como "canais do governo".

Desde a semana passada, a BBC e outras empresas estrangeiras de mídia vêm reportando do Irão sob severas restrições. No domingo, o governo pediu ao correspondente permanente da BBC em Teerã, Jon Leyne, que deixe o país. "Eles (a BBC e a Voz da América) são porta-vozes da diplomacia pública de seus governos", disse Qashqavi. "Eles têm duas orientações em relação ao Irão: primeiro, intensificar divisões éticas e raciais dentro do Irão e, segundo, desintegrar os territórios iranianos." "Qualquer contacto com algum desses canais, sob qualquer pretexto ou qualquer forma, significa contactar o inimigo da nação iraniana."

De acordo com analistas, as declarações de Mousavi e os protestos nas ruas são o maior desafio já enfrentado pelo Estado em seus 30 anos de existência como república islâmica. No domingo, milhares de agentes de segurança patrulhavam as ruas, mas não houve protestos


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JBS

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