quinta-feira, 17 de abril de 2008

IMPRENSA / EXPRESSO


OS TESOUROS DO IRAQUE
texto de Clara Ferreira ALVES


NUMA DAS SALAS do Museu Britânico, perto dos centauros alados da Assíria e dos tesouros da Mesopotâmia, existe um mapa com fotografias na parede. Nele se assinala que a guerra do Iraque, as duas guerras e invasões do Iraque destruíram monumentos e vestígios de brilhantes civilizações da região, e que no lugar da cidade de Babilónia existe hoje um campo militar americano.

Vê-se na fotografia, numa terraplanagem, helicópteros e soldados armados vagueiam sobre os restos da cidade de Nabucodonosor. Nos desertos de areia e nas montanhas rochosas que fazem a fronteira com o Irão, à beira dos rios Tigre e Eufrates ou no Chat-al-Arab, nos confins com a

Turquia ou a Síria, em Bagdade ou em Bassorá (onde uma guerra civil alastra agora entre xiitas), tudo o que constituía a herança patrimonial e arqueológica de uma das regiões mais importantes da História do homem foi destruído, saqueado, bombardeado, queimado, pulverizado. Todos nos lembramos da famosa frase de Donald Rumsfeld quando lhe perguntaram a opinião sobre o saque do Museu de Bagdade, que ocorria ao mesmo tempo que a Casa Branca celebrava mais uma das suas vitórias militares libertadoras dos povos. "Stuff happens", disse o homem que inventou Guantánamo.

Esta é uma das consequências da guerra que os que ainda andam por aí a tentar defender com argumentos falaciosos a sua falha de razão nunca mencionam. Em 1999, estive em Babilónia. Ou no que restava então de Babilónia, a cidade ajudada a construir pelos judeus de Jerusalém no degredo. Uma cidade repartida por alguns dos maiores museus do mundo, entre eles o Museu Pergamon de Berlim, o Museu de Istambul e o Museu Britânico.

Os grifos e seres alados das paredes e do Corredor das Procissões que conduzia à Porta de Ishtar, uma das maravilhas do Mundo Antigo, estão reconstituídos em Berlim ou deixados com a patine do tempo noutros lugares, que não consegue ocultar a beleza dos tijolos pintados com pigmento amarelo e turquesa e que parecem cobertos de uma camada de verniz, uma técnica de revestimento semelhante à da loiça vidrada que preservou as cores e os desenhos.

Em 1999, com Saddam no poder, Babilónia estava deserta e parecia uma paisagem de Chirico, com o sol e a sombra a desenharem ângulos oblíquos que tornavam o conjunto arquitectónico uma cidade fantasma, onde um ou dois guardas fingiam vigiar os muros de tijolo e pediam um dólar. Não havia visitantes. Apenas os vestígios de uma reconstituição artificial dos muros da cidade, com tijolos de barro amassado, que tinha por objectivo devolver a Saddam Hussein a glória e esplendor de Babilónia de que ele se sentia o novo rei e o descendente directo de Nabuco.

A megalomania tinha acrescentado, mesmo ao lado da cidade e encostado aos seus muros periféricos, um gigantesco palácio de cor de betão, com a forma mais ou menos deformada de uma mastaba, impenetrável e guardado por tanques e solados armados. Supõe-se que Saddam gostava de ali se recolher para contemplar o crepúsculo dos deuses. A obra e a reconstituição de Babilónia, com a participação monetária e simbólica dos governos que transaccionavam com Saddam (todos os europeus e mais os americanos, antes de 1991), fora interrompida durante a primeira guerra do Golfo. Antes, durante a longa carnificina com o Irão, e quando o Iraque começou a deixar de ter dinheiro para o esforço de uma guerra que não conseguiu ganhar, Babilónia ficou para trás.

O palácio, hoje sede dos militares americanos, transformado em caserna e quartel-general, é a representação de tudo o que aconteceu de errado no Iraque.E quem quiser ver Babilónia ou o Código de Hamurabi (ou Ur, ou Ctesiphon), é melhor ir à Turquia, à Alemanha, a Londres, onde os muros de Babilónia suspiram no exílio que os protegeu da loucura humana. É pena que do Iraque vá sobrar tão pouco, como sobrou tão pouco no Afeganistão, cujas antiguidades e relíquias budistas menores ainda há bem pouco tempo eram vendidas embrulhadas em papel de jornal nos hotéis, antiquários e bazares de Islamabade por milhares de dólares. Muito do que foi roubado nos últimos anos foi roubado por americanos, muitos deles oficiais da CIA que passavam no aeroporto com caixas de alumínio carregadas de tesouros (eu vi, em Cabul) que escapavam ao controlo oficial.

E o que sobrar, fora o que os responsáveis e arqueólogos conseguiram esconder, terá de ser recomprado aos privados por estes países espoliados, se alguma vez saíram do atoleiro. Em Nova Iorque, muitos dos artefactos da Mesopotâmia, da Suméria e da Assíria continuam a ser vendidos a coleccionadores particulares. Pode ser que um dia os vejamos numa fundação ou num museu de um mecenas generoso. Pode ser que se percam para sempre no labirinto da ganância.

Este é um preço da guerra do Iraque de que ninguém fala, para não o comparar ao preço em vidas humanas. Nenhum país pode ser espoliado do seu passado ou da sua história, e os tesouros do Iraque ajudavam a fundar uma identidade comum que hoje se esboroa e se acaba. O Iraque, enquanto país, acabou. O Iraque será pelo menos três países e etnias que disputam uma interpretação religiosa e os poços de petróleo. Cinco anos mais tarde, vir dizer que valeu a pena esta guerra é uma obscenidade moral e intelectual.

Publicação de
João brito Sousa

quarta-feira, 16 de abril de 2008

CRÓNICA DE WASHINGTON


RETALHOS DE PENSAMENTOS.
por DIOGO COSTA SOUSA

Caro amigo, tu regressas e os temas validos para discussão aparecem!

Apesar de ser do Expresso o tema/artigo sobre a nova ponte, chega ao conhecimento da maioria de nós pela tua iniciativa de o republicares para nossa apreciação.....e, a controvérsia ou talvez não do artigo do MST ai' esta.

Ha poucas semanas perguntava Tavares se, tal como no tempo de D.Sebastião não havia vida para alem da corte e, eu velho observador e calejado que nem um chimpanzé'.....pensei e disse:- Há, mas ha mais na corte! Ora ,queria eu dizer, a "corte" ainda e' quem decide na vida das grandes empresas e empórios deste pequeno país. Os grandes negócios, de construção e outros sempre envolveram a "corte" e seus correligionários......E obvio que por detrás do projecto da nova ponte estão os "lobys" da construção civil e autárquicos...e, quem pensar que não, esta enganado.

Mas isto vem de longe.....pensem só que por detrás da maior rede de estadas e auto estradas do mundo, a dos Estados Unidos, estavam os "lobys" da industria automóvel da época com Henry Ford a' cabeça.. ...Na altura ninguém via necessidade de tão vasto empreendimento....Foi um visionário ou um comerciante com a visão de que o seu produto seria mais vendável ?

Aqui eu sairia um pouco do artigo do MST, iria 2 dezenas de anos atrás e punha uma pergunta:- Quem sabe em Portugal a não ser os intervenientes, de que a China não queria a construção do aeroporto de Macau pela simples razão que num raio de 60 km já tinham dois internacionais, o de Hong- Kong e Tzen-Seng {pode estar mal escrito} a funcionar..

Quem forcou a construção do dito que hoje esta praticamente às moscas? E porque'?
Os "sugadores" "parasitas" das cortes sempre existiram !Ha sim que regulamenta-los, travar-lhes a demasiada influencia e, não diminuir o numero...quando competem pelas benesses da "corte" os preços baixam....isto e' um facto

Feliz regresso meu velho e diz-me se estou errado
Diogo ainda no activo

MEU COMENTÁRIO

Sou um bocado anjinho nessas matérias. Para mim é tudo gente sadia mas nem sempre é. O homem . como dizia o Eça, sempre teve o olho posto no lucro. E o Eça, que era um diplomata e escritor mas que andava sempre teso, parava em frente das tascas e via ou ouvia o taberneiro fazer tilintar as moedas e dizia lá para consigo: aquele cão está safo.

Portanto onde há dinheiro o homem grande está sempre lá.

Publicação de
João brito Sousa

DA IMPRENSA/ EXPRESSO











O MEU COMENTÁRIO

O problema está aí. Que fazer com os velhos ou o que fazer aos velhos? Um tio meu disse-me uma vez que os filhos hoje andam com os cães ao colo e põem os pais (os velhos) no Lar.

Vi uma vez um filme, em que a grande preocupação que o actor tinha, um polícia, era amealhar dinheiro para a sua boa reforma.

No mundo empresarial substituir um operário velho mas experiente por um novo mas analfabeto, é prejudicial

Mas cada caso é um caso.

Recolha de
João brito Sousa

terça-feira, 15 de abril de 2008

OPINIÃO

ARTIGO SOBRE FUTEBOL

O futebol, talvez seja das áreas mais controversas que se instalou na sociedade portuguesa.. Quando digo falar de futebol, não me estou a referir aos golos obtidos pelas grandes linha avançadas do futebol Mundial, como a da selecção Argentina de 46, “la máquina”, como lhe chamavam, mas falar do futebol derrota e do futebol vitória.

É uma triste constatação verificar que a vitória no jogo, quando não é consensual, é praticamente apenas reconhecida pelo vencedor como intocável. Qualquer associado ou adepto de um clube de futebol, como dizia num grande jornal desportivo um jornalista credenciado na matéria, quererá que o seu clube vença mesmo com batota. E é aqui que está o problema.

Eu penso que a imprensa da especialidade é o principal veículo gerador da controvérsia que se instalou no futebol português. Vejamos porquê.

Em primeiro lugar, os títulos dos jornais são escolhidos a dedo por pessoas que devem ser tudo menos jornalistas, por me parecerem não ser isentos nas suas análises. Na imprensa de hoje, escrita e falada, ainda se comenta uma derrota de um clube tido como mais forte face a outro tido como menos forte, como se isso fosse um acontecimento impossível..

É preciso dizer às pessoas que isso é possível, mesmo que o clube tido como menos forte, apenas tivesse ganho dois ou três jogos em trinta, parece-me, dos que já foram disputados na competição em curso; a disputa do campeonato nacional da primeira Liga.

Resulta daqui que o treinador do clube vencedor, foi elevado aos píncaros da ciência do treino, um homem excepcional que utilizou uma grande táctica e coisas assim. Ora, eu estou pessoalmente convencido que o citado treinador o que esperava seria não perder por muitos, por não haver argumentos para pensar outra coisa, até porque o clube vencedor não ganhava no campo do vencido há mais de cinquenta anos e antes disso teria aí ganho uma única vez.

Face a isto é ver o sorriso irónico com que os jornalistas dão as notícias, querendo deliberadamente atingir o vencido.

Quanto a mim esta é uma atitude que não tem honra.

Mas também acontece ao contrário.

Na vitória por 2 a 1 dum determinado clube, onde o golo da vitória é marcado com ajuda das mãos, irregular portanto, não foi analisado através de fotos, como foi o primeiro, a quem o jornal dedica meia página .

E este clube, que no penúltimo jogo disputado ganhou com a ajuda do árbitro, através da transformação de um penálty não existente, o jornal considera – o um clube de grandes feitos.

E o presidente, colocado agora no banco dos reús para julgamento, parece-me, ataca os órgãos de soberania do Pais, violentamente e diz que apenas acredita na Justiça Divina.

E a imprensa parece que aplaude.

Será que isto tem alguma coisa a ver com aquilo que o Dr. Alberto João Jardim chama bando de loucos ...

Incoerência, essa de certeza que existe.

SOUSAFARIAS.

IMPRENSA/ VISÃO




É SÓ RUÍDO...
Por José Carlos Vasconcelos

Na actual política portuguesa, e à portuguesa, às vezes fica-se com a ideia de que à míngua de princípios e valores vale mais ou menos tudo e o importante é o espectáculo, o ruído. Por isso me ocorre a famosa frase de Pinheiro de Azevedo, quando rebentou um petardo na manifestação de apoio ao seu Governo, em 1975, no Terreiro do Paço: «É só fumaça, é só fumaça...»; e penso: «É só ruído, é só ruído...» Acresce que amiúde falta inteligência, equilíbrio, bom senso. Até o simples bom senso que impediria alguns protagonistas políticos de fazerem as figuras que fazem e alguns media de lhes darem o relevo injustificado e acrítico que dão.

Sem prejuízo de haver ainda quem à «causa pública», lembram-se?, sinceramente se devote, parece haver cada vez menos ideais, ideologia, pior, ideias, e cada vez mais interesses, propaganda, pior, embustes. Assim, não espanta que técnicas de publicidade e agências de comunicação assumam cada vez maior importância, em detrimento da política, quando não da ética que para alguns, talvez fora do tempo, lhe deve estar associada.

Ora, a última semana foi, neste domínio, significativa. Para lá do que se pode ler nas páginas anteriores, exemplo acabado de a tendência para a imagem se sobrepor a tudo o resto e os profissionais da propaganda comandarem a política está na mudança de «cor» do PSD. Se a substituição das três setas de sempre por uma só já é pelo menos polémica, a substituição do tradicional, identificador e fundador laranja (que deu e ainda dá nome aos militantes do partido) pelo azul mostra também a que ponto chega a tal falta de inteligência política ou de simples bom senso...

Assim, Luís Filipe Menezes juntou mais uma acha à fogueira para se queimar. Quando é notório que a sua acção tem ultrapassado as piores expectativas e a sua principal prioridade é conseguir manter-se como líder, inclusive através de um «retrocesso» estatutário que se presta a manigâncias há muito conhecidas, põe em causa princípios básicos de qualquer eleição, como o de saber com antecedência quem vota, e suscitou generalizada discordância dos anteriores secretários-gerais e outras figuras gradas do partido.
No sábado seguinte ao da gigantesca manifestação dos professores em Lisboa, o PS fez um comício no Porto. Não como resposta, disse, mas para comemorar os seus três anos de Governo.

Está no seu direito, pode-se queixar de lhe ter sido atribuída uma intenção que não seria a sua e de muitos media começarem a dá-la por assente. Mas a verdade é que tinha obrigação de prever ser essa pelo menos uma «interpretação» possível – e por isso foi um erro não deixar o comício para mais tarde. O que também não justifica o tempo dado, por exemplo, pela RTP, a Menezes, e não só, para comentar esse comício. De resto, pode ser que haja mas não conheço nenhuma televisão de nenhum país democrático que dê tanta «antena» a notícias sobre a actividade dos partidos, declarações dos seus líderes, política de «paleio», visitas ministeriais, etc... Mais uma originalidade, a que valerá a pena voltar, de par com outras como a da acumulação das funções de dirigente e comentador político!

Ainda quanto ao comício do Porto, o que impressiona, da leitura da comunicação social, é não se descortinar ter surgido aí, por parte de José Sócrates, o reconhecimento de alguma coisa mal feita ou não realizada, alguma ideia nova, o mínimo de pista de reflexão sobre o futuro do País... A fazer fé nos relatos, só orgulho e satisfação, auto-estima e autocontentamento, benfiquismo partidário e retórica, com a demagogia própria da circunstância. Enfim, parece que se cumpriu a extraordinária orientação do porta-voz do PS («...como fizemos muitas coisas bem, não temos de perder tempo com aquilo que fizemos mal»!) e os militantes se entusiasmaram com o «regresso» de Jorge Coelho, a sua oratória, a sua mineralógica metáfora segundo a qual «quando toca a doer estamos unidos que nem uma pedra». Que nem uma pedra!

Publicação de
João Brito Sousa


segunda-feira, 14 de abril de 2008

DA IMPRENSA / EXPRESSO


UMA NOVA PONTE
por Miguel SousaTavares

Confesso que não tinha pensado muito no assunto, talvez porque, tendo gasto demasiado tempo e atenções a perceber bem o que era o embuste do aeroporto da Ota ou o luxo do TGV não me sobrou igual atenção e disponibilidade para olhar mais de perto a questão da nova ponte sobre o Tejo.. Resolvida, parcialmente bem, a questão do novo aeroporto de Lisboa (eu faço parte do restrito número dos que ainda não estão convencidos da necessidade de novo aeroporto), resolvida, como mal menor ou bem inútil, a megalomania do TGV, aí está, por acréscimo e decorrente das duas decisões anteriores, a nova ponte sobre o Tejo.

Escutando e lendo o que se dizia sobre o assunto, concluí que a discussão versava apenas sobre a sua melhor localização: o Governo queria Chelas-Barreiro, a CIP queria Beato-Montijo, e alguns outros, a que se veio juntar o líder do PSD, queriam Algés-Trafaria. E foi só quando o Governo apresentou a sua “decisão final” por Chelas-Barreiro (já se percebera que, tendo cedido no aeroporto, não iria ceder na ponte, por uma questão de imagem de autoridade), que eu comecei a olhar melhor para os fundamentos da decisão e, de súbito, me assaltou a pergunta: para que serve a nova ponte?

Vejamos: a ponte será rodoviária, com seis faixas de rodagem, e ferroviária, com duas faixas para o TGV e outras duas para comboios normais. Olhemos então para cada uma destas utilidades.
A utilidade rodoviária é incompreensível: a Vasco da Gama, inaugurada há dez anos, está muito longe, longíssimo, do limite da sua capacidade e não será o trânsito do novo aeroporto de Alcochete que a irá esgotar. A necessidade de fazer uma nova estrutura rodoviária para uma procura que não existe é, aliás, uma tendência que se vem acentuando no lançamento de uma teia de auto-estradas, anunciadas com orgulho pelo Governo ou de paternidade reclamada pela oposição.

Há dias, um casal estrangeiro meu amigo, que tinha acabado de conhecer a A-2 e a A-6 num dia de semana, comentava comigo que nunca, em lado algum, tinha visto auto-estradas tão boas e tão desertas, ao que eu respondi que nós éramos um país bem mais rico do que as estatísticas económicas mostravam: um terço da população activa, com crise ou sem ela, viaja compulsivamente para destinos exóticos distantes, no Verão, no Natal e na Páscoa; temos 1,5 fogos por habitante e continuamos desenfreadamente a construir segundas habitações no que resta de litoral ou interior ainda disponível; temos mais de um automóvel por família e mais de um telemóvel por habitante; e temos auto-estradas para todo o lado e algumas sem portagens, que fazem corar de inveja esses casos de sucesso económico sem auto-estradas nem TGV que são a Irlanda, a Suécia, a Noruega, a Dinamarca. Logo, a nova travessia rodoviária do Tejo em Lisboa (ainda no ano passado se inaugurou mais uma, em Santarém) é inútil para as necessidades existentes.

Mas é, sem dúvida, muito útil para as necessidades a criar. Se eu vivesse no Barreiro - ou no Montijo ou na Trafaria - de certeza que acharia brilhante a ideia de me fazerem uma ponte à porta de casa e ligada a Lisboa: em vez de vir de barco, vinha de carro. Mas aí, justamente, é que está o gato: a nova ponte, segundo o estudo do LNEC, terá um tráfego de 65.000 carros/dia em cada sentido, dos quais apenas uma parte será roubada à ponte 25 de Abril. Assim, mais uns 40.000 carros chegarão todos os dias a Lisboa, ajudando a congestionar uma das saídas da cidade, já hoje congestionada ao final do dia, e tratarão de ajudar a entupir mais ainda o trânsito no centro e a agravar a situação caótica do estacionamento.

Ou seja: não servindo para resolver um problema que não existe, a nova ponte vai, por si só, criar um problema novo. Não deixa de ser notável que o presidente da Câmara, António Costa (que mantém teimosamente em vigor a demagógica proibição de circulação de carros na Baixa, aos domingos) a única coisa que tenha a dizer sobre isto é que espera receber parte das receitas das portagens: consente que durante cinco dias da semana haja mais 40.000 carros na cidade e, aos domingos, dá uma de politicamente correcto!

Mas a nova ponte vai servir também para comboios. Para comboios normais e para o TGV Lisboa-Madrid. E aqui é que as coisas se tornam ainda mais chocantes: o TGV Lisboa-Madrid, confessado pela própria secretária de Estado dos Transportes, é uma obra cujo investimento nunca será recuperado - é a fundo perdido - e cuja exploração “dificilmente será rentável”. Isto é, os custos da sua exploração serão inferiores às receitas e pela simples razão de que não há clientes que justifiquem o TGV: é uma obra reconhecidamente inútil à partida e que só vai para a frente porque Sócrates, à semelhança de todos os outros construtores que o antecederam, acha que “Portugal não pode ficar fora da rede europeia de alta velocidade”. Parece que é uma questão de prestígio patriótico. Vamos, pois, ter uma ponte para servir um TGV que não serve para nada, a não ser para perder dinheiro do Estado. Se isto não consegue escandalizar os portugueses, já nada mais conseguirá.

Resta a utilidade de servir comboios normais que servirão o novo aeroporto. Independentemente de eu ainda não estar convencido também da necessidade do novo aeroporto, acredito que, sendo uma coisa necessária, a outra também seja e que esta é a melhor solução para tal.

Mas, sendo assim, a nova ponte poderia ser simplesmente uma ponte ferroviária de duas vias para comboios normais. Seguramente que teria muito menos impactos ambientais e paisagísticos sobre as vistas de Lisboa, minimizaria em muito os danos à navegação do estuário do Tejo de que se fala e, certamente, não custaria os 1.700 milhões de euros anunciados pelo Governo - e que, se tivermos sorte e conforme é de costume, acabarão por ser apenas o dobro. Além de mais, evitava-se ainda uma factura extra e não contabilizada, que é o custo da indemnização a pagar à Lusoponte, concessionária da ponte Vasco da Gama. Pois que se descobriu agora que anteriores governos, decerto assessorados por excelentes advogados, garantiram à Lusoponte, não só a prorrogação do prazo da concessão na vigência do contrato, mas ainda a exclusividade das receitas das travessias do Tejo, sob pena de indemnização. É verdade, sim, houve quem, em nome do Estado português, cedesse a uma entidade privada o direito exclusivo à cobrança de portagens na travessia de um rio - coisa jamais vista desde o feudalismo medieval.

E assim, meditando no assunto, cheguei a esta conclusão, seguramente absurda: a nova ponte Chelas-Barreiro não serve para nada. Isto é, serve para alimentar o lóbi das obras públicas, o mais poderoso do país, e a crença de que o Estado deve ser o motor da economia e o maior cliente da mal chamada iniciativa privada, deste modo desmentindo na prática todas as anunciadas apostas de José Sócrates na qualificação, nas novas tecnologias e na investigação como instrumentos de transformação e modernidade do país. Esta é a mesma velha política de sempre e uma das raízes mais fundas do nosso atraso económico e da perversão da nossa democracia.


Publicação de
João Brito Sousa

domingo, 6 de abril de 2008

VOU ESTAR FORA


Vou estar uma semana fora e não sei se, para o lugar onde vou, tenho possibilidade de aceder à net.

O blogue, que eu não gostaria de ver parado, VAI TER QUE ESTAR, porque não me ocorreu tratar do assunto a tempo e horas, levando o assunto à Administração, para se nomear um outro colaborador para dar seguimento a este trabalho.

Esta e uma gaffe que tenho de suportar por falta também de alguma experiência.

Mas prometo estar mais atento e gostaria de ouvir opiniões e críticas sobre este lapso de agora e de outros que entretanto surgirem.

Digam coisas .... apareçam aqui.

Entretanto até lá aceitem um abraço do

João Brito Sousa

sábado, 5 de abril de 2008

BOM FIM DE SEMANA


PORTO, 2008.04.05

BOM FIM DE SEMANA (Novo)

Para os meus filhos em ALMADA XAXÁ E PEDRO Para a minha nora e para as minhas netas MARIANA e SOFIA

Para os meus irmãos em NEWARK, USA

Aló Solange, katy and Jack David, Daniela, Michele e respectivos....

Aló PAUL SPATZ e filhas

Aló primos e primas na Austrália e Perpingham em França em NEWARK, aló Tony and Quitéria Ilheu aló SIlvina no Canadá

Para a Celina e para o Aníbal, para o Zé ALEIXO Salvador esposa, Honorato Viegas e esposa, Peixinho e esposa em ALMADA,

Para toda a malta do 1º 4ª de 52 em especial para o Coelho Proença, Zé Maganão e Ludgero Gema,

Para o Gregório LONGO no Lar da Guia (até à primeira)

Para o aluno da Escola COMERCIAL e INDUSTRIAL de FARO que elegi como o melhor de todos os tempos, o Contra Almirante ANTÓNIO MARIA PINTO DE BRITO AFONSO.

Para o Eng º ANSELMO DO CARMO FIRMINO e esposa, outro aluno brilhante e dos melhores de sempre da Escola COMERCIAL e INDUSTRIAL com quem tive dúvidas na atribuição do melhor aluno de sempre, tendo sido prejudicado por ser de uma ou duas gerações depois da minha.

Para o Dr. José Martins Bom, outro brilhante aluno da Escola COMERCIAL E INDUSTRIAL e para o igualmente brilhante e talentoso ARNALDO SILVA..

Para o Dr. Eduardo Graça e o seu ABSORTO

Para o grande poeta ROBERTO AFONSO

Para o Engº SOUSA DUARTE, esposa e filho

Para o amigo Carlos BARRIGA E ESPOSA e Filha nas FERREIRAS.

Para o Luís José Isidoro em ESTOI, amigo inesquecível

Para o Engº Neto e esposa em ESTOI ainda.

Para o Engº Manuel Carvalho e esposa

Para os meus compadres, Dr. Manuel Rodrigues e Drª Fátima Rodrigues e filha, a Drª Ana Luísa Rodrigues.

Para o enorme MÁRIO MONTEIRO que agora mora em CAMPO

e para o Guilherme, Marta esposo e filho,

Para a viúva do CARLINHOS LOURO, filhos e irmãos e respectivos.

aló Custódio Clemente e Zé Mendes na AUSTRÁLIA,

Zé Lúcio, Florentino, Rosendo e Joaquim Carrega...

Victor e Célia Custódio e Leonilde Filhos e filhas.

Aló Montenegro SÃO E FILHAS ,

Tia Amélia.

Tias Alzira e Ti Manel

Eusébio e Júlia Lucília e Armando e Filhos

Silvina e Luís Alcantarilha e filhos

Mercedes e Alviro, BICAMA e BIZÉ E RESPECTIVOS

Maria do Carmo e Zé Maria e filhos (meu afilhado João Manuel) e noras netos

FLORIVAL EM França, esposa e filhas Para o CUSTOIDINHO, o filho do APOLINARIO, que diz que é teu amigo e com quem tive uma pega no restaurante o Jorge, no PATACAO.

Para: VIEGUINHAS de Pechão e respectiva equipa do almoço de sábado, o ZÉ GRAÇA, o BOTA de ESTOI e o ENGENHEIRO

Para a malta do 1º ano 1ª Turma de 52/53

Chefe de turma: CÉLIO MARTINS SEQUEIRAALUNOSJosé Bartílio da PalmaLuís Rebelo GuimarãesHerlander dos Santos EstrelaReinaldo Neto RodriguesAntónio Inácio Gago ViegasHumberto José Viegas GomesManuel Cavaco Guerreiro.Joaquim André Ferreira da CruzJoão BaptistaJosé Mateus Ferrinho PedroJosé Vitorino Pedro RodriguesIvoFrancisco Gabriel Carvalho CabritasJoão António Sares ReisFernando Manuel MoreiraAntónio Manuel Ramos JoséFrancisco Paulo Afonso ViegasManuel GeraldesJoão Manuel de Brito de SousaJorge Manuel AmadoJoão Vitorino Mendes BicaCarlos Alberto Arrais CustódioJosé Júlio Neto ViegasManuelJoão dos SantosJosé Pedro SoaresJosé Marcelino Afonso Viegas


Para o meu afilhado em Washington CARLOS ALBERTO DIOGO esposa e filhos

Para o DIOGO TARRETA e esposa e filho, o grande Engº JOÃO PAULO SOUSA

Para o REINALDO TARRETA, esposa e filho, o Engº Rui Tarreta e para a SOLEDADE e respectivo...

Aló ESTORIL Mário Fitas, Aló Porto Carlinhos Pereira, Adelino Oliveira em AZEITÃO. Romualdo Cavaco, Jorge Valente dos Santos e Zé Pinto Faria em Portimão. ADOLFO PINTO CONTREIRAS NOS GORJÕES E SOARES em TAVIRA. Feliciano Soares e Xico LEAL em Olhão e Zé Júlio na ilha da Culatra. Para a malta da Escola Comercial e Industrial de FARO, grandes amigos e colegas,

ROGÉRIO COELHO, LUÍS CUNHA, JORGE CACHAÇO E FRANKLIM MARQUES.

Para o JORGE CUSTÓDIO, o JORINHO que andou comigo na escola primária em Mar e Guerra, irmão da Fernanda e que agora mora em Faro e para o GABRIEL ferreiro na Falfosa.

Para CUSTÓDIO JUSTINO esposa e filhos, ANÍBAL PEREIRA e esposa no Patacão e João ALCARIA em Mata LOBOS , distintos bancários.

Para as minhas primas Maria Emília na Falfosa, filhos e respectivas, Margarida em Santa Barbara de Nexe, Maria em Faro e Glorinha em Tavira.

Para o primos ROBERT em Nice, JOÃO no Patacão.

Para os tios Zé Bárbara e Vitalina em Vila Moura e tio António no Canadá..


UM BOM FIM DE SEMANA PARA TODA A GENTE

João Brito Sousa

sexta-feira, 4 de abril de 2008

IMPRENSA / VISÃO


ONDE O ESCRITOR COMEÇA
Texto de António Lobo Antunes

Vou começar a escrever o meu livro no dia 25 de fevereiro. Como tenho sempre muito medo marco uma data para obrigar-me a trabalhar e entretanto armo um esboço de plano para o destruir em seguida, plano que inclui o número de capítulos, nomes, inícios de frases, uma estrutura que não seguirei mas de que necessito como ponto de apoio para depois a destruir à medida que o texto se faz, ou eu o faço, ou nos fazemos um ao outro. Um pouco de tudo isto, acho eu. Não sei o que vai acontecer, sei que comporei uns sete ou oito primeiros capítulos, a repetir para mim mesmo

– Não é isto, não isto

até as palavras encontrarem a sua ordem e o seu caminho. Durante dois ou três meses é assim, tentativa e desistência, tentativa e desistência, tentativa e desistência, continuando à espera que as frases se tornem as certas. A partir do momento em que o material encarreira o texto principia a andar mais ou menos sozinho, com cada vez menos tropeções. A segunda metade do livro demora um terço do tempo que demora a primeira, porque as páginas já ganharam uma alma e uma solidez que lhes pertence a elas, não a mim. Um ano, um ano e meio para a primeira versão e depois meses de correcções e uma grande fatia daquilo tudo, desnecessária, para o lixo.

Cortes, cortes, cortes, cortes, cortes. Começando a 25 de fevereiro ficará pronto em que altura? Não me pergunto isso, e no caso de me perguntar desconheço a resposta. Um livro é uma surpresa, enviesa-se, torce-se, segue por outros caminhos. No final tudo se torna claro: era o que eu queria sem saber o que queria, e surpreende-me ser exactamente assim. Conheço pouco de escrever

(quem conhece muito de escrever?)

e nos momentos bons escrevo melhor que eu. De que zona, que região minha nasce o que redijo? Há em nós uma ciência das coisas que não fazemos ideia de possuir, e é a partir dessa ciência que se compõe. Do último livro para este passarem cerca de três meses. Três meses sem outra ocupação salvo estas croniquetas e o receio fundo de não ser capaz, a impressão de haver secado para sempre, a certeza que a papa doce terminou. E se a papa doce terminou o que será de mim?

Fico vazio, sem sentido, desbossulado. Quase não leio, quase não me mexo, respiro mal, uma culpabilidade esquisita amarga-me, não me acho eu, não sou eu. Quem me é próximo sabe que vivo de quase nada, só não vivo sem uma caneta na mão.

Não sou ninguém sem caneta ao passo que com a caneta ainda valho algum chavo: justifica-me e confere-me nexo aos dias. Só espero que me concedam dar o livro por findo: há anos que peço isto a Deus: não me leves com o papel incompleto, carregado de defeitos, imperfeições, asneiras.

É curioso este sentido de missão, de acto

(perdoem-me não estar a exagerar)

sagrado. Fiz muitos erros na vida e, em certa medida, perdoo-me alguns. Não me perdoo erros na escrita. O meu pai costumava citar Herculano que dizia a propósito de Garrett

– Por meia dúzia de moedas o Garrett é capaz de todas as porcarias menos de uma fase mal escrita.

Para Herculano e para o meu pai essa era a pior das porcarias e eu concordo com eles. Estou seguro que nos sete ou oito últimos livros que fiz não há uma frase mal escrita, e as patetices que encontro nos primeiros e não me sinto no direito de emendar indignam-me como um pecado sem remédio.

Não me sinto no direito de emendar dado que a pessoa responsável por elas não sou eu: ao fazê-las era um outro, um espécie de antepassado em que me reconheço mal e me escapa. Quer dizer a vida dele foi a minha, a obra dele não e, no entanto, necessitei de ter sido outro para ser eu agora. Este. Movo-me hoje numa região interior que finalmente me pertence e na qual espero habitar mais uns quantos livros. Estava a precisar de fazer esta crónica para dar fé do peso da mão, embora a textura da crónica seja muito diferente. Não padeço o que padeço nos romances que não são romances nenhuns, são tudo. Pelo menos quero que sejam tudo. Não: exijo que sejam tudo.

E não devem nada a ninguém: não existe uma só voz alheia na minha voz, não devo seja o que for seja a quem for hoje em dia. Eis-me sozinho sem dedos alheios na minha massa. Isto nem sequer é orgulho visto que sou humilde: é verdade. Não passo de um pobre homem a contar com uma criação que o excede, de um escaravelho empurrando a sua bola. Para onde? Na direcção dos leitores, se calhar, na direcção de onde estamos todos, espero eu. Na nossa direcção. Não faço ideia do que vai ser de mim. Um dia morro. Paro. Metem-me num buraco, fechado numa caixa.

Mas, e isso é a minha salvação, hão-de ficar uns quantos tijolos de palavras a abrigarem a chamazinha frágil do meu nome. E são os tijolos, não o nome, o que realmente importa. Obrigado, vida, por me teres dado tempo de os construir. Foi tudo o que pretendi, desde que me conheço.

E, dito isto, posso começar.

Publicado por
João brito Sousa

quinta-feira, 3 de abril de 2008

IMPRENSA

Do EXPRESSO, artigo de opinião política de Miguel Sousa Tavares
Faz hoje oito dias, José Pacheco Pereira escreveu no ‘Público’ o primeiro de dois anunciados artigos onde procede à sua defesa, do director do ‘Público’ e de outros mais que caíram na esparrela montada pela Administração Bush no Iraque, cinco anos atrás.

Por causa da amizade e admiração que sempre tive pelo José Pacheco Pereira, não vou deixar em claro aquilo que chega a ser uma indecente alteração das coisas e um notável exercício de transferência de responsabilidades autorais.

Servido pelo seu habitual brilhantismo, o veredicto que ele extrai é capaz de impressionar esquecidas gentes: eles, os defensores da invasão do Iraque pelos «marines», são perseguidos, por “delito de opinião”, por uma “pequena turba, alimentada pelo silêncio de muitos” que exige contra aqueles “punição, censura, opróbio, confissão pública de crime”.

E é a essa maioria silenciosa que Pacheco Pereira apela para que percebam que os que não viram na invasão do Iraque um momento empolgante da luta pela liberdade é porque foram movidos “pelo antiamericanismo militante, por razões puramente ideológicas e, acima de tudo, por uma ignorância militante” que os leva a achar que “os factos contam pouco” e são facilmente substituídos por “meias verdades e muitas falsidades”.

Comecemos então pelos factos e pelas verdades indesmentíveis e passemos depois à ignorância.

Os factos são que, a seguir ao Vietname, o Iraque é já a segunda guerra mais longa de todo o longo cadastro de guerras travadas pelos Estados Unidos no estrangeiro, e não se vê o fim para ela - pela razão simples e elementar de que não se sabe e nunca se soube qual era o fim pretendido para a guerra, fora os pretextos inventados e fabricados para a desencadear.

Facto é que morreram já quatro mil americanos e 200.000 civis no Iraque. Facto é que a economia do Iraque está arruinada e que o país produz hoje 20% da sua capacidade extractiva de petróleo, o que contribuiu para que o preço do barril de crude passasse em cinco anos de 35 para mais de cem dólares.

Facto é que, apesar do derrube da ditadura de Saddam e da realização de eleições vagamente democráticas (as primeiras e provavelmente últimas por muitos e bons anos), o Iraque não consegue estabelecer um poder civil credível e capaz e é virtualmente ingovernável - no dia em que os americanos se retirarem, o Irão abocanhará a parte xiita, a Turquia a parte curda e o resto do país será resolvido pelas armas entre as três etnias principais.

Nem Pacheco Pereira é capaz de dizer o que podem os Estados Unidos fazer agora no Iraque.

Ora, isto aconteceu justamente devido à ignorância e à ganância. A ganância dos que forneceram e armaram os destruidores do Iraque e dos que vieram atrás para a “reconstrução” - empresas como a General Dynamics, a Grumman, a McDonnell/Douglas, a Halliburton, etc., cujos lucros dispararam entre 50 a 200% desde que a guerra começou.

E a total ignorância de um «comander-in-chief» (George W. Bush), célebre, entre outras coisas, por julgar que o Kosovo ficava na Ásia e que o Brasil não tinha negros. Não deixa de ser surpreendente que alguém tão preocupado com a manipulação das informações e da opinião pública, como Pacheco Pereira, não tenha tido a serenidade de espírito suficiente para perceber a operação de manipulação montada por Bush - e que não era assim tão difícil de perceber.

Basta conhecer um pouco da forma como funciona o marketing político americano e de como se forma uma opinião pública movida por raciocínios maniqueístas primários, para entender qual a íntima razão que levou Bush para o Iraque: porque ele queria absolutamente comprar uma guerra, uma guerra que lhe desse a ele, falhado em tudo - na carreira académica, militar e nos negócios - a vaidade de poder proclamar “sou um Presidente em guerra”. E, nessas coisas, os americanos obedecem cegamente a uma regra de patriotismo idiota: “pelo meu país, com razão ou sem ela”.

Basta que um Presidente se anuncie em guerra para que todos cerrem fileiras atrás, mesmo que o seu gesto mais corajoso seja o de aparecer de surpresa às tropas em guerra no «Thank’s giving», carregando ao alto um peru de doze quilos… que depois se descobre ser de plástico.

Claro que pessoas que embarcaram nisto, como Pacheco Pereira, podem sempre usar o eterno argumento do “não sabíamos”. Não sabiam que para justificar a «casus belli», Bush e Blair chegaram ao despudor de fabricar supostas provas de que Saddam apoiava a Al-Qaeda e escondia um poderoso arsenal de armas de destruição maciça... Bem, alguns não saberiam, outros talvez: Durão Barroso jurou ter visto “provas” das armas de Saddam, mas a prova de que não viu provas é que as armas não existiam - logo, ou se deixou enganar como um papalvo ou mentiu quando disse isso.

Mas Pacheco Pereira deixou-se enganar porquê? Porque quis. Talvez por americanismo primário militante.

Quando Colin Powell mostrou na reunião decisiva do Conselho de Segurança fotografias e documentos que atestariam a construção de depósitos de armas nucleares e químicas no Iraque e a presença de elementos da Al-Qaeda, Dominique de Villepin, então ministro dos Estrangeiros da França, respondeu-lhe tranquilamente que essas “provas” eram velhas e tinham já sido cabalmente denunciadas como “falsificação grosseira”.

E Powell calou-se, incomodado (mais tarde veio dizer que também ele fora enganado pela Casa Branca e pelo Pentágono). E quando El Baradei, presidente da Agência Internacional de Energia Nuclear, e Hans Blix, encarregado da ONU para o desarmamento do Iraque, vieram dizer que não tinham encontrado nada e precisavam de mais umas semanas para confirmar se existiam ou não armas e, mesmo assim, Bush forçou a invasão sem esperar, sem mandato da ONU e sem apoio dos Aliados, à excepção de Blair, Barroso, Berlusconi e Aznar, Pacheco Pereira também não desconfiou de nada?

A guerra era assim tão urgente que não podia esperar duas ou três semanas?

Tudo isto tem a importância que tem e que se lhe quiser atribuir. Eu não atribuo uma importância por aí além ao facto de ter feito parte da “pequena turba” que a tempo previu o desastre que se preparava no Iraque. Mas, já que José Pacheco Pereira parece viver tão incomodado com o seu erro de análise ao ponto de pretender reescrever a história, então convém lembrar que o mundo é hoje infinitamente pior do que era antes da invasão do Iraque e por causa dela; que o terrorismo islâmico é hoje uma causa alimentada pela invasão do Iraque e com muitos mais militantes; que a razão profunda para tal - a questão palestiniana - está agora muito mais longe de uma solução do que então; que morreram 200.000 iraquianos e quatro mil soldados americanos convocados pelo seu Presidente para combater uma ameaça que ele sabia não existir; e que tão cedo nenhuma opinião pública estará disposta a ver morrer soldados para enfrentar uma outra ameaça, essa sim real.

Deus me livre de querer a ‘punição’ ou a ‘censura’ de Pacheco Pereira. Mas, já que fala nisso, também não acho que aqueles que, fazendo opinião, ajudam a formar as dos outros, possam passar por cima de tudo o que escrevem com a insustentável leveza de apostar sempre na falta de memória alheia. E, se bem me lembro, já são várias as vezes que José Pacheco Pereira embarca nos grandes embustes planetários: o «bug» do milénio, o terrorismo do antrax, as armas do Saddam e a “pandemia” da gripe das aves. Caramba, Zé!

Que o mundo vai acabar, vai. Mas a seu tempo.

MEU COMENTÁRIO

Não há comentário a fazer. Estou totalmente de acordo com o texto.
Para que não restem dúvidas, direi que na literatura admiro o escritor MST (tenho isso escrito já há tempos), nos artigos de opinião, políticos, sou admirador confesso desde há muito.
Na nortada futebolística... não.

PUBLICAÇÃO DE
João Brito Sousa

quarta-feira, 2 de abril de 2008

A LIDERANÇA EM PINTO DA COSTA


A LIDERANÇA DE PINTO DA COSTA
J. BRITO SOUSA


O líder é um génio. É aquele que dispõe do raciocínio mais rápido para tudo e entre todos. É o que dispõe de uma frieza total perante qualquer, eu disse qualquer, acontecimento. O líder é um vencedor em qualquer terreno. Não há nem podem haver dois líderes no mesmo espaço.

O significado da palavra liderança é universal. Mas significado e aplicação ou utilização do termo é que poderá ser diferente. Mas quem tiver a ousadia de puxar os galões da liderança, terá que possuir, melhor, deverá possuir, esclarecidamente, o conhecimento total do caminho que quer percorrer e onde quer chegar. E depois conseguir, não interessa como.

Conseguir é o ponto chave da liderança.

Fundamental é conhecer o alvo, os aspectos fortes e fracos do meio, que eventualmente possam existir e acreditar que existem sempre. A liderança não pode ter quebras, será líder sempre 100% líder e em todas as circunstâncias.

O líder é treinado para ter uma voz forte e que não vacile. A sua presença tem que ser forte e deve inspirar confiança e não medo. A sua presença deverá ser acolhedora no interior do grupo e demolidora para o exterior, atacando no momento certo e não pode ser outro.

A liderança democrática, ao estilo daquele modelo democrático quem manda aqui sou eu é a que mais legitima o seu utilizador. É a chamada de liderança participativa ou consultiva e é um tipo de liderança voltado para as pessoas onde há participação dos liderados, mas no processo decisório a última palavra é do líder.

Este é o estilo da liderança, parece-me, de Pinto da Costa, que quando pela primeira vez se sentou na cadeira da presidência, cumpriu com o que prometeu e não deu hipóteses à concorrência. Podemos questionar o método; a liderança não. Mas um grande líder, sabe intuitivamente as palavras que há – de dizer, porque dizendo ou não a verdade ele diz sempre a verdade.

Um líder tem igual serenidade nos bons e maus momentos. Aliás um líder não tem momento maus. E a parece e discute sempre, com igual frontalidade.

Um líder faz-se acompanhar sempre de pessoas tidas no meio como credíveis ao mais alto nível. E o líder quer fazer sempre melhor e faz .Terá de o fazer forçosamente.

Por isso Pinto da Costa diz que tem muitas alegrias a dar a FCPorto.

E eu acredito.

SOUSAFARIAS

TROCA DE IDEIAS CO O PROF.JORGE ALVES



TROCA DE IDEIAS COM O JORGE ALVES

Não tenho o prazer de conhecer o senhor JORGE ALVES, mas meti -.me com ele e deu nisto.

Eu escrevi,,

Ao senhor Jorge AlvesViva,Apesar de não perceber onde é que quis chegar com a chamada de atençãodesses dois erros de ortografia, agradadeço-lhe a simpatia.É que havia uma crítica literária no meio disto tudo que não foi objecto de nenhuma observação.Enfim..OK. Queira aceitar os meus cumprimentos.JOÃO SOUSA


e recebi do senhor Jorge Alves, o seguinte.

Caro Sr. João Sousa,


Eu não o quis ofender de forma nenhuma, até porque sei que quando se escreve num pc os erros ortográficos são mais do que possível.

Quanto à sua crítica a VF, eu não sou crítico nem escritor, mas sei que o acto de escrever será um dos actos cognitivos mais solitários, dolorosos e difíceis. Contudo, as opiniões divergem, pois se para Agustina Beça Luís ele será fácil e fluente, para VF já não o é, para outros é algo como esculpir a pedra bruta até a tornar num objecto estético, correndo o perigo de estragar a matéria prima, como o disse a pintora Vieira da Silva que sempre que tinha de enfrentar a tela vazia, morria com o medo de a estragar.

Relativamente a VF li o trivial, i.e., Aparição, Manhã Submersa e Cântico Final, tendo sido este último o que mais me cativou. Contudo, VF não me cativa, não pela sua escrita, mas pelo peso da sua problemática com a qual não me identifico, como não me identifico com a voz da sua narração.


Mas isso é uma questão de sensibilidade, e cada um tem a sua!

Relativamente ao que o Senhor escreveu "Escrever é um acto de solidariedade para com os outros. É pensar por eles." Concordo totalmente! Acrescentaria que é também um acto que completa a vida, pois a torna ainda mais completa e universal.Relativamente ao facto do Senhor expressar opiniões acerca do que lê e pelo simples facto de ler, só o posso louvar, pois neste mundo de hoje em que o que tem mais valor é aquilo que se aparenta ser, o que se veste e o recheio de cartões de crédito na carteira, raras são as pessoas que se importam com aquilo que os nossos, e os dos outros escritores escrevem ou deixam de escrever.Uma vez mais apresento as minhas desculpas por me ter feito entender mal com o meu comentário anterior.


CumprimentosJ Alves


PUBLICAÇÃO DE

jbs

terça-feira, 1 de abril de 2008

EDUCAÇÃO


PONTO DE VISTA
artigo de Mário Crespo

Acho espantoso que sobre a ocorrência na Carolina Michaelis várias opiniões insistam que a professora não devia ter entrado em "braço-de-ferro" com a aluna por causa do telemóvel. Não houve "braço-de-ferro" nenhum. A Professora recusou-se a capitular. Não deixou que lhe tirassem à força algo que, no exercício das competências em que está investida, tinha achado por bem confiscar.

E não cedeu face a pressões selváticas. E não capitulou face a agressões verbais. E manteve-se digna no posto que lhe foi confiado pela sociedade, com elevação e consistência, cumprindo as expectativas depostas na sua missão. A Dra. Adozinda Cruz é um modelo de coragem que o país tem que aplaudir.

Que a nossa confusa sociedade precisa de aplaudir porque é uma sociedade carente de pessoas como ela. A Professora de francês fez aquilo que tinha que ser feito. Sozinha. Porque trabalha numa escola onde o Conselho Directivo tolera que a placa com nome do estabelecimento, baptizado em honra de uma excepcional pedagoga que foi a primeira mulher portuguesa a conseguir leccionar numa universidade, esteja conspurcada, num muro com inenarráveis graffitis que mandam cá para fora a mensagem que lá dentro tolera-se a bandalheira.

Numa escola onde durante minutos se ouviu a algazarra infernal dessa bandalheira, onde ela estava a ser agredida e nenhum colega ou funcionário ou aluno se atreveu a abrir a porta e ver se podia ajudar. Foi dessa cobardia geral e conformismo abúlico que a Dra. Adozinda Cruz se demarcou quando não deixou que a desautorizassem. É por isso funesto não lhe reconhecer a coragem e diminuí-la num bizarro processo de culpabilização da vítima.

Estar a tentar encontrar fragilidades comportamentais num ambiente de tal hostilidade é injusto. E o facto é que não fora a louvável e pronta actuação do Procurador-geral da República a Dra Adozinda Cruz ficaria sozinha. Abandonada pelo Ministério que a tutela, porque entende que o seu calvário é resolúvel nas meias tintas do experimentalismo burocrático, distante das realidades do terreno e que os problemas de segurança da escola são questões menores que se decidem dentro dos muros cheios de graffitis ameaçadores, em ambientes onde circulam armas e drogas.

Abandonada pelas organizações laborais porque não está filiada. Com assinalável candura Mário Nogueira confessou em entrevista que a Fenprof não tinha feito nenhuma intervenção nem a faria porque "a colega não está sindicalizada". Abandonada no arrazoado palavroso do Bastonário da Ordem dos Advogados que, desconhecedor da Lei, achava que tinha que haver queixa para que a Procuradoria iniciasse algum procedimento e que, como tal, a professora deveria ser deixada ao sabor das indecisões da desordem que reina dentro dos muros graffitados. Felizmente o Estado não se limita a estas entidades.

O Procurador-geral actuou a tempo e o Presidente da República, ao chamá-lo a Belém, diz ao país e em particular ao governo que o caso não está nem resolvido nem o executivo conseguiu um vislumbre de solução. Talvez fosse importante reforçar esta mensagem de preocupação, solidariedade e cidadania recebendo em Belém a Professora que não se intimida e é capaz de ser firme no meio do caos em que se tornou a educação pública em Portugal. As famílias entenderiam que a tolerância cúmplice e desleixada do Ministério, das escolas, sindicatos e acratas irresponsáveis iria acabar e poderiam começar a mudar o seu próprio comportamento.

MEU COMENTARIO

Concordo

Publicação de
João Brito Sousa

segunda-feira, 31 de março de 2008

A VISITA DE UM POETA


PORTO, 2008.03.30


ADIVINHA


Se tens algum palpite dentro de ti!
Que te diga que tal te vai acontecer
Deixa-te desses pensamentos e sorri
Porque nada de grave vai ocorrer....

Olha para dentro de ti e analisa bem
Se alguma coisa negativa te ocorre
E não esqueças de considerar também
Que quem ama está vivo e não morre

O que pensas fazer amanhã ... onde vais?
Visita o teu coração e não sofras mais
Não quero a tua vida infeliz como a minha...

Não tenhas medo de nada e vem comigo
Porque sou eu o teu verdadeiro amigo
Esta é a verdade não é uma adivinha.

A visita do VIEIRA CALADO
É só para cumprimentá-lo.Um abraço.
31 de Março de 2008 1:47

deu nisto.

PORTO, 2008.03.31

A VISITA


Olá poeta .. que vieste à minha janela...
E aí me deixaste numa frase pequena
Uma mensagem de grande cortesia nela
Que torna a minha vida mais amena ...

E confiante também ... ó meu caro amigo!
O gesto que foste detentor muito me agrada
E tenho pena de não poder ombrear contigo
Nos versos que te envio que não são nada!

Será isto poesia? Seria ... se eu fosse poeta..
São apenas escritos que coloco na gaveta
Por não possuírem arte propriamente dita!..

Mas não vou desistir... vou sim continuar
Porque há por aí uns temas para me inspirar
E até porque dum grande poeta tive visita

João Brito Sousa

A EDUCAÇÃO EM PORTUGAL


CRÓNICA DE MANUEL POPPE
Jornalista

GEORGE BERNANOS, em "Diário dum padre de aldeia", escreve "o mal é que a justiça dos homens chega sempre tarde: castiga certos actos sem ir além de quem os cometeu".

Por que trago o grande romancista católico, tão incómodo e implacável a denunciar a covardia e a hipocrisia?

Serve à infeliz história de uma aluna e de uma professora da Escola Carolina Michaëlis. O que está por trás do incidente? Até que ponto é responsável a aluna? E o que poderia fazer a professora, naquele momento, sem que os "juízes" improvisados da opinião pública lhe caíssem em cima? Assistimos ao desastre que poder e política do ensino foram provocando.

Há anos (nos últimos tempos, perfidamente) que os professores são desprestigiados, desautorizados, rebaixados -e ninguém mais do que o aluno se aproveita dessa desclassificação social. E o aluno, por sua vez, quem é? Outra vítima: um adolescente, um jovem atirado às ortigas, na sociedade de indiferença e solidão.
Basta olhar à volta para perceber que confrontos desses podem acontecer -provavelmente acontecem- todos os dias. A sociedade em que vivemos olha ao lucro, não olha à pessoa que a tecnocracia não liberta escraviza. Acontece a evolução regressiva. Transformam-nos em peças, objectos. O quotidiano, para a esmagadora maioria, representa corrida, a toque de caixa. Pais e adolescentes estão separados, desconhecem-se, e o professor, que o sistema analfabetizante sufoca, não pode ser professor.

OPINIÃO DE
MIGUEL VEIGA

Idade 71
Profissão Advogado
"Andei numa escola pública e não tenho memória de indisciplina, havia um grande respeito pela figura do professor.

Faziam-se algumas picardias aos funcionários, mas não faltas de respeito. Não éramos santos, havia conversas, copianços, os professores tinham alcunhas, faltávamos às aulas para ir jogar bilhar, mas tudo se resumia a isso mesmo. Num momento de maior barulho na sala de aula o franzir de sobrolho do professor ou da professora bastava para que voltasse o silêncio.

Recordo-me de ter sido repreendido pelo reitor do liceu. Tinha ganho um prémio nacional, que era um pergaminho. Como não lhe dei importância um colega quis comprá-lo por 10 paus (escudos), claro que vendi. O reitor, que era um autoritário, eram todos do regime, chamou-me e advertiu-me solenemente que eu tinha tido um comportamento indigno.

Havia também muito medo".


MEU COMENTÁRIO:

Sempre estive do lado dos professores, porque estive lá dentro e senti algumas dificuldades em desempenhar a profissão.

Para um professor, não dominar uma turma, é frustrante. E, duma maneira geral, o professor não tem tido o apoio que é necessário.

Subscrevo totalmente o que diz Manuel Pope na sua crónica e não percebo nem vejo razão nenhuma para que o PS realizasse o comício contra, penso eu, os professores, facto que considero muito estranho.

Publicação de
João Brito Sousa.

domingo, 30 de março de 2008

A GRANDE VERDADE DA VIDA


A VIDA É UM CRAVO VERMELHO

POESIA ETERNA
de CURVO SEMEDO
O Velho, o Rapaz e o Burro

O Mundo ralha de tudo,
Tenha ou não tenha razão,
Quero contar uma história
Em prova desta asserção.
Partia um velho campónio
Do seu monte ao povoado,
Levava um neto que tinha
No seu burrinho montado:
Encontra uns homens que dizem:
"Olha aquela que tal é!
Montado o rapaz que é forte,
E o velho trôpego a pé."
"Tapemos a boca ao mundo",
O velho disse: "Rapaz,
Desde do burro, qu'eu monto,
E vem caminhando atrás."
Monta-se, mas dizer ouve:
"Que patetice tão rata!
O tamanhão de burrinho,
E o pobre pequeno à pata."
"Eu me apeio", dis prudente
O velho de boa-fé,
"Vá o burro sem carrego,
E vamos ambos a pé."
Apeiam-se, e outros lhe dizem:
"Toleirões, calcando lama!
De que lhes serve o burrinho?
Dormem com ele na cama?"
"Rapaz", diz o bom do velho,
"Se de irmos a pé murmuram,
Ambos no burro montemos,
A ver se inda nos censuram".
Montam, mas ouvem de um lado:
"Apeiem-se, almas de breu,
Querem matar o burrinho?
Aposto que não é seu."
"Vamos ao chão", diz o velho,
"Já não sei qu'ei-de fazer!
O mundo está de tal sorte,
Que se não pode entender.
É mau se monto no burro,
Se o rapaz monta, mau é,
Se ambos montamos, é mau,
E é mau se vamos a pé:
De tudo me têm ralhado,
Agora que mais me resta?
Peguemos no burro às costas,
Façamos inda mais esta."
Pegam no burro: o bom velho
Pelas mãos o ergue do chão,
Pega-lhe o rapaz nas pernas,
E assim caminhando vão.
"Olhem dois loucos varridos!",
Ouvem com grande sussuro,
"Fazendo mundo às avessas,
Tornados burros do burro!"
O velho então pára e exclama:
"Do qu'observo me confundo!
Por mais qu'a gente se mate
Nunca tapa a boca ao mundo.
Sirvam-nos estas lições;
É mais que tolo quem dá
Ao mundo satisfações."
Publicação de
João Brito Sousa

À MALTA DOS BRACIAIS


Este texto de lembranças é dedicado ao meu amigo JOSÉ ANTÓNIO AMARO, um homem que toda a gente admira e de quem tenho muita honra em ser amigo.

A lembrança mais antiga que tenho da minha Terra, dos Braciais, é da Ti Gertrudes Faísca e do filho, que tinha uma bicicleta de corrida e que moravam em frente da venda do Zé Manelinho, onde está hoje o Zé Raimundo.

A Ti Faísca vendia na praça em Faro, que nesse tempo, ficava ao pé do apeadeiro de S. Francisco, ali para os lados dos Bombeiros. Tinha um carro e uma mula e lá ia de manhã para as vendas.

Outras gentes que me lembro desse tempo antigo, mas que já residiam no Patacão, moravam onde morou o João do Mato, é da Ti Adelina que parece tinha dois netos um era o Virgolino e o outro era o José da Silva, que ainda andaram comigo na primária e foram para a Argentina há muitos anos.

Outras pessoas que me recordo desse tempo longínquo é do Manuel Branco, que morou em frente das casas da minha mãe e parece que vivia com a Senhorinha da Cova, era muito doente e morreu muito cedo.

Recordo-me ainda dos mestres de obras, Mestre Andrade e Ti Palino, que tinha dois filhos, o Joaquim e o José. E do primo Zé Figueiras, que está na Argentina vai para sessenta anos e que me jogava ao ar quando eu tinha cinco e por lá aparecia ao pé dos mais velhos.

Publicação de
João Brito Sousa

sábado, 29 de março de 2008

O AMIGO BLE AMARO


MEU CARO BLE AMARO,

BOM DIA.

Não sei se o conheço apesar de a minha mãe morar em frente da casa onde morava o senhor Manuel Amaro, pai do Primitivo, da Maria Hermínia, da Gracinha e do Zé António.

NÃO TENHO O PRAZER DE O CONHECER E AGRADEÇO-LHE MUITO A SUA PRESENÇA AQUI.

ACEITE UMA ABRAÇO DO

João Brito Sousa

7 de Dezembro de 2007

UMA BONITA CRÓNICA DO PATACÃO

UMA BONITA CRÓNICA Por João Patuleia
Hoje é Sábado....
Olha lá Fernando, queres ir hoje ao cinema; então que filme é, o cantiflas; não é os Dez Mandamentos, é pá isso é um grande filme; vamos. Então despacha-te que eu vou a casa comer alguma coisa e vestir-me, não podemo-nos demorar porque está de chuva e é quase sol posto e eu não tenho luz atrás.. Tinha uma pedaleira e o Fernando uma de corrida;
Tá bem eu quando me despachar vou ter contigo...Abalámos.. È melhor deixar as bicicletas ao pé do jardim da doca porque está lá sempre um policia. Ainda é cedo vamos jogar uma bilharada, no café Aliança, não aquilo é para gente fina, o Acordion também não só tem duas mesas, vamos é para o Olímpico é aonde a malta se junta... E assim começaram a chegar, João Elias, Feliçio Diogo, o meu Irmão, Heliodoro Elias, Diogo e Reinaldo Tarreta, José Celestino entre outros .
Olha João o melhor é não jogar-mos mais ,vamos mas é comprar os bilhetes porque o filme é bom; È melhor, perder ou ganhar não interessa entre amigos ninguém perde. Chegamos á rua Vasco da Gama e já a bicha chegava á rua ;é pá ainda falta uma hora para abrir a bilheteira; mas tem que ser...È pá o filme é mesmo bom , o Moisés faz cá um papel.. Então o que dizes Fernando aquele golo do Matateu nem o Costa Pereira a viu passar, mas o Águas também é um grande jogador.« era os comentários antes do filme como locutor Alves dos Santos» È pá já está a chover outra vez; Ò João tenho é fome, mas tenho pouco dinheiro, olha eu tenho aqui duas milharinhas «são moedas 2,50» vamos mas é comer umas sandes de chocos á os dois irmãos, pois vamos ; e seguimos para o Olimpico.

À porta estavam dois senhores de meia idade dizia é pá esta chuva é uma riqueza para os montanheiros; Já viste Fernando estes gajos não sabem o que estão dizendo, então o meu pai anda muito preocupado porque se estraga tudo com tanta chuva ,batatas, cenouras repolhos;
Não faças caso são uns ignorantes não sabem o que dizem.
Acabou chover vamos embora para casa .... Até á manha
Não te esqueças a? jogo com Bordeira.....

Publicada por João Brito de Sousaem 9:06
2 comentários:
Anónimo disse....
uMA CRONICA MUITO BEM PREPARADA PELO O NOSSO GRADE AMIGO JOAO PATULEIA MAS DEIXOU-ME UM POUCO A PENSAR QUAL ERA O FERNANDO QUE IA COM ELE AO CINEMA. ERA O FERNANDO MORENO O FERNANDO SANTOS, NAO FACO IDEA.AMIGO JOAO POIS O NOSSO AMIGO JOAO PATULEIA DEVE TER MUITAS HISTORIAS DO NOSSO CARVALHO (HORACIO COELHO) ELE QUE COMECE A PUBLICAR UMAS QUANTAS,JOAO VE SE CONSEQUES SABER ALGUMA COISA COM RESPEITO O ROGERIO MATINHOS (O MILTINHO) PELO JEITO NAO TEM ANDADO MUITO BEM PODES ENVIAR UM EMAIL UM GRANDE ABRACO DOS PRIMOS DA TERRA DOS KANGAROOS E PARA TODOS QUANTOS TE VISITAM NESTE SITE UM FELIZ NATAL E UM PROSPERO ANO NOVO JA ME ESQUECIA E PARA TI TAMBEM E PARA TODA A FAMILIA. MESTRE VICTOR
7 de Dezembro de 2007 23:12
Anónimo disse...
Pois eu como sou do Patacão e tenho muito praser em selo e mesmo não sendo das idades do João Patoleia e dos restantes que ai recordão quero do fundo do coração dare-lhes os parabens por falarem da nossa terra sem mais um grande abraço do Jose Amaro mais conhecido por ble Amaro28 de Março de 2008 18:12

BOM FIM DE SEMANA


PORTO, 2008.03.29


BOM FIM DE SEMANA


Para os meus filhos em ALMADA XAXÁ E PEDRO Para a minha nora e para as minhas netas MARIANA e SOFIA

Para os meus irmãos em NEWARK, USA

Aló Solange, katy and Jack David, Daniela, Michele e respectivos....

Aló PAUL SPATZ e filhas

Aló primos e primas na Austrália e Perpingham em França em NEWARK, aló Tony and Quitéria Ilheu aló SIlvina no Canadá

Para a Celina e para o Aníbal, para o Zé ALEIXO Salvador esposa, Honorato Viegas e esposa, Peixinho e esposa em ALMADA,

Para toda a malta do 1º 4ª de 52 em especial para o Coelho Proença, Zé Maganão e Ludgero Gema,

Para o Gregório LONGO no Lar da Guia (até à primeira)

Para o aluno da Escola COMERCIAL e INDUSTRIAL de FARO que elegi como o melhor de todos os tempos, o Contra Almirante ANTÓNIO MARIA PINTO DE BRITO AFONSO.

Para o Eng º ANSELMO DO CARMO FIRMINO e esposa, outro aluno brilhante e dos melhores de sempre da Escola COMERCIAL e INDUSTRIAL com quem tive dúvidas na atribuição do melhor aluno de sempre, tendo sido prejudicado por ser de uma ou duas gerações depois da minha.

Para o Dr. José Martins Bom, outro brilhante aluno da Escola COMERCIAL E INDUSTRIAL e para o igualmente brilhante e talentoso ARNALDO SILVA..

Para o Dr. Eduardo Graça e o seu ABSORTO

Para o grande poeta ROBERTO AFONSO

Para o Engº SOUSA DUARTE, esposa e filho

Para o amigo Carlos BARRIGA E ESPOSA e Filha nas FERREIRAS.

Para o Luís José Isidoro em ESTOI, amigo inesquecível

Para o Engº Neto e esposa em ESTOI ainda.

Para o Engº Manuel Carvalho e esposa

Para os meus compadres, Dr. Manuel Rodrigues e Drª Fátima Rodrigues e filha, a Drª Ana Luísa Rodrigues.

Para o enorme MÁRIO MONTEIRO que agora mora em CAMPO

e para o Guilherme, Marta esposo e filho,

Para a viúva do CARLINHOS LOURO, filhos e irmãos e respectivos.

aló Custódio Clemente e Zé Mendes na AUSTRÁLIA,

Zé Lúcio, Florentino, Rosendo e Joaquim Carrega...

Victor e Célia Custódio e Leonilde Filhos e filhas.

Aló Montenegro SÃO E FILHAS ,

Tia Amélia.

Tias Alzira e Ti Manel

Eusébio e Júlia Lucília e Armando e Filhos

Silvina e Luís Alcantarilha e filhos

Mercedes e Alviro, BICAMA e BIZÉ E RESPECTIVOS

Maria do Carmo e Zé Maria e filhos (meu afilhado João Manuel) e noras netos

FLORIVAL EM França, esposa e filhas Para o CUSTOIDINHO, o filho do APOLINARIO, que diz que é teu amigo e com quem tive uma pega no restaurante o Jorge, no PATACAO.

Para: VIEGUINHAS de Pechão e respectiva equipa do almoço de sábado, o ZÉ GRAÇA, o BOTA de ESTOI e o ENGENHEIRO

Para a malta do 1º ano 1ª Turma de 52/53

Chefe de turma: CÉLIO MARTINS SEQUEIRAALUNOSJosé Bartílio da PalmaLuís Rebelo GuimarãesHerlander dos Santos EstrelaReinaldo Neto RodriguesAntónio Inácio Gago ViegasHumberto José Viegas GomesManuel Cavaco Guerreiro.Joaquim André Ferreira da CruzJoão BaptistaJosé Mateus Ferrinho PedroJosé Vitorino Pedro RodriguesIvoFrancisco Gabriel Carvalho CabritasJoão António Sares ReisFernando Manuel MoreiraAntónio Manuel Ramos JoséFrancisco Paulo Afonso ViegasManuel GeraldesJoão Manuel de Brito de SousaJorge Manuel AmadoJoão Vitorino Mendes BicaCarlos Alberto Arrais CustódioJosé Júlio Neto ViegasManuelJoão dos SantosJosé Pedro SoaresJosé Marcelino Afonso Viegas


Para o meu afilhado em Washington CARLOS ALBERTO DIOGO esposa e filhos

Para o DIOGO TARRETA e esposa e filho, o grande Engº JOÃO PAULO SOUSA

Para o REINALDO TARRETA, esposa e filho, o Engº Rui Tarreta e para a SOLEDADE e respectivo...

Aló ESTORIL Mário Fitas, Aló Porto Carlinhos Pereira, Adelino Oliveira em AZEITÃO. Romualdo Cavaco, Jorge Valente dos Santos e Zé Pinto Faria em Portimão. ADOLFO PINTO CONTREIRAS NOS GORJÕES E SOARES em TAVIRA. Feliciano Soares e Xico LEAL em Olhão e Zé Júlio na ilha da Culatra. Para a malta da Escola Comercial e Industrial de FARO, grandes amigos e colegas,

ROGÉRIO COELHO, LUÍS CUNHA, JORGE CACHAÇO E FRANKLIM MARQUES.

Para o JORGE CUSTÓDIO, o JORINHO que andou comigo na escola primária em Mar e Guerra, irmão da Fernanda e que agora mora em Faro e para o GABRIEL ferreiro na Falfosa.

Para CUSTÓDIO JUSTINO esposa e filhos, ANÍBAL PEREIRA e esposa no Patacão e João ALCARIA em Mata LOBOS , distintos bancários.

Para as minhas primas Maria Emília na Falfosa, filhos e respectivas, Margarida em Santa Barbara de Nexe, Maria em Faro e Glorinha em Tavira.

Para o primos ROBERT em Nice, JOÃO no Patacão.

Para os tios Zé Bárbara e Vitalina em Vila Moura e tio António no Canadá..


UM BOM FIM DE SEMANA PARA TODA A GENTE

João Brito Sousa

sexta-feira, 28 de março de 2008

O CASAMENTO


O CASAMENTO

O casamento é uma união de vontades e um desejo que se revela em duas pessoas de sexos opostos. Até aqui nada de novo porque a mulher nasceu para, em condições normais se aproximar do homem realizando-se nessa aproximação e entrega. Nesta fase a união é pacífica porque obedece a uma ordem natural das espécies, resultando desse desejo o acasalamento.

O problema do casamento e seu reflexo numa vida a dois, se é que existem problemas e eu entendo que sim, é o desconhecimento total ou quase, acerca da nova condição das pessoas.

As pessoas querem casar mas muitas vezes não perderam um minuto, sequer, para pensar nisso. Aparentemente se, no período do namoro surge qualquer complicação não será nada que um beijo mais ardente não resolva. Agora quando é mais difícil de resolver, sendo aí que os casamentos falham, é a partir do momento em que se começa a partilhar com o outro toda a nossa vida e grande parte do nosso espaço.

E aqui só o amor pode ajudar.

Mas o problema é que muitos homens não sabem o que é o amor. E quando é assim não estão em condições de dar esse passo. Daí resulta afastamento em vez de aproximação. E o casamento, com amor, dará certamente harmonia e felicidade. Quem souber o que é o amor, não vai ter problema algum em condições normais; quem não souber não vai chegar ao fim .

A solução é o amor.

Mas afinal o que é o amor?

O amor é o condimento que exige do homem um relacionamento com o outro, assente na ternura. Amor é sacrifício; ternura também Amor é suavidade. Amor é compreensão, tolerância cedência, firmeza, respeito, carinho e filhos.

Os filhos são o elo de ligação do ontem com o amanhã e são mais um elemento a exigir dádivas que unem os progenitores ou o casamento.

O amor trará o orgulho pelos que vierem mais tarde, que terão de aprender com a realidade da vida .

Amor é cedência.

Só assim casamento perdura.

Texto de
João Brito Sousa

IMPRENSA/JN PORTO


O CANTINHO DO PINA

Por outras, palavras,
Manuel, António, Pina

O arcebispo de Pamplona, Fernando Sebastián, aproveitou recentemente a Sexta-Feira Santa para exortar os católicos a aceitar a morte sem medo do sofrimento e a recusar cuidados paliativos. Assim seguiriam o exemplo de Cristo, "que morreu sem cuidados paliativos".

O sofrimento, que, em boa parte do Antigo Testamento, é escândalo e maldição de que os homens serão libertados pelo Messias, transforma-se, no Novo Testamento, em beatitude a partir do exemplo de Cristo, que, "em vez da alegria que lhe foi proposta, suportou a cruz" (Hb 12,2). Até ao ponto de S. Paulo dizer que se "compraz (…) com o sofrimento e a angústia" (2 Co 12, 10).

Muita da oposição da Igreja Católica à eutanásia (mesmo a passiva) funda-se nas alegadas virtudes redentoras do sofrimento. Daí até a aspirina ou o ben-u-ron serem criações do demónio vai um pequeno passo teológico que clérigos integristas como o de Pamplona não hesitam em dar.

Para quem não for suficientemente santo é, porém, difícil ver beatitude numa dor de dentes, num cancro terminal como o de Chantal Sébire ou na doença de Alzheimer de Hugo Claus. Não se inconformou Cristo na cruz "Pai, pai, por que me abandonaste?". Por que haviam a professora francesa e o escritor belga de se ter conformado com o seu inútil sofrimento

Publicação de

Jooão Brito Sousa

POLÍTICA INTERNACIONAL


DA IMPRENSA/Expresso

TIBETE

A crise no Tibete prova que a China teima em recorrer a velhas tácticas que a impedem de crescer.
A ascensão da China é a grande história política e económica dos nossos tempos. No cerne desta questão está um sonho absolutamente extraordinário - transformar a China, um país caótico, extremamente violento, pobre, rural e faminto durante o século XIX e XX, numa potência mundial num curto espaço de décadas. Este sonho envolve números extraordinários. E envolve também uma série de dilemas políticos bastante exigentes. Os números e os dilemas ficaram bastante claros na semana que agora acaba.

O ‘The Economist’ da semana passada incluía um estudo sobre o tremendo apetite chinês por matérias-primas. Nos últimos anos, a busca de Pequim por petróleo, gás natural, carvão e metais tem sido incessante. As necessidades da economia chinesa explicam este enorme apetite. A revista inglesa fala em números que nos fazem pensar. A China consome actualmente metade do cimento, um terço do aço e mais de um quarto do alumínio mundial. Se olharmos para as importações de minério de ferro, vemos que elas têm aumentado em média 27% ao ano nos últimos quatro anos. As necessidades chinesas de carvão são tão grandes que em Junho do ano passado havia uma bicha de 79 navios no porto australiano de Newcastle à espera de vez para carregar.

A Agência Internacional de Energia estima que daqui a vinte e dois anos a China terá de triplicar as suas importações de petróleo.

Os números do ‘The Economist’ mostram que uma parte do sonho chinês implica o fim da sua autonomia económica internacional. Depois de um estudo exaustivo da ascensão das grandes potências ao longo da história e daquilo que aconteceu em Singapura, Hong Kong e Taiwan, a liderança chinesa concluiu que é realmente possível ascender à condição de potência mundial nas próximas décadas. Para que esta ascensão seja uma realidade, Pequim precisa de conseguir quatro coisas ao mesmo tempo.

A primeira é um longo período de paz com as principais potências internacionais. A segunda é uma espécie de enorme aceleração da história da economia e sociedade chinesa. Para os decisores chineses, esta aceleração é extremamente arriscada do ponto de vista político mas é também essencial para a transformação do país. No coração desta transformação está a rápida modernização da economia, a saída dos campos e a vinda para as cidades chinesas de quase quatrocentos milhões de pessoas nos últimos anos.

Os números desta enorme migração interna vão continuar a aumentar nos próximos anos, e tal só será viável do ponto de vista político se continuar a existir crescimento económico e empregos.

A terceira coisa que é essencial para Pequim é a modernização de toda a sua rede de infra-estruturas, de maneira a tornar o rapidíssimo processo de urbanização apetecível para a nova classe média do país. Esta classe média precisa de casas, escolas, hospitais, estradas, pontes, aeroportos e linhas de caminho-de-ferro. Por último, a ascensão e a prosperidade chinesa dependem cada vez mais da progressiva integração no sistema de regras e instituições do capitalismo internacional. Estas regras e instituições são cruciais para que a China continue a poder exportar os seus produtos para todo o mundo.

Ao nível político, todavia, a China não está nada interessada em prescindir da sua autonomia interna. A furiosa reacção de Pequim aos distúrbios, manifestações e protestos que se tem vindo a realizar no Tibete nas últimas duas semanas mostram isso mesmo. Esta autonomia faz, por assim dizer, parte do código genético do regime chinês. O problema, como os últimos dias estão a mostrar, é que é cada vez mais difícil manter e praticar esta autonomia de uma forma tradicional.

Do ponto de vista da liderança chinesa, o que está a acontecer no Tibete é um enorme embaraço político. A poucos meses do início dos Jogos Olímpicos, um acontecimento crucial para o sonho chinês, a última coisa que Pequim precisa é de um desafio claro à sua autoridade política e prestígio interno. Em tempos não muito distantes, digamos 1989, Pequim resolveria o problema de Tibete de uma forma rápida, brutal e sangrenta. Na véspera dos Jogos Olímpicos, o preço político de uma opção destas seria exorbitante mesmo para os decisores mais duros de Pequim.

Os manifestantes dentro e fora do Tibete sabem isso muito bem. A oportunidade de uns é a frustração dos outros.

A edição do ‘The Economist’ e os acontecimentos no Tibete mostram a tensão que existe no coração do extraordinário sonho chinês. Este sonho envolve uma enorme convulsão social e económica. Esta convulsão envolve riscos políticos enormes e só será ultrapassada através de uma espécie de um grande mergulho no sistema económico internacional. O sonho também tem envolvido uma espécie de surdez e indiferença em relação ao exterior. Manter estas duas partes do sonho em equilíbrio será cada vez mais difícil para Pequim. Digamos que esta semana foi um bom resumo dos desafios e dilemas que os decisores chineses terão de enfrentar nos próximos anos.

Vinte e cinco anos depois

E se as pessoas livres pudessem viver seguras no conhecimento de que a sua segurança não assentava na ameaça de uma retaliação dos EUA para dissuadir um ataque soviético, que nós poderíamos interceptar e destruir mísseis balísticos estratégicos antes de eles chegarem ao nosso solo ou ao solo dos nossos aliados?”. A 23 de Março de 1983, Ronald Reagan chocou praticamente toda a gente - os Democratas, grande parte da sua Administração, as chefias militares no Pentágono, os aliados europeus e a liderança soviética - ao defender que os sistemas de defesa contra mísseis balísticos podiam e deviam desempenhar um papel fundamental na segurança internacional.. Vinte e cinco anos depois, tudo indica que este tipo de defesas virão a desempenhar um importante papel geopolítico e militar na defesa dos países europeus.

Publicação de
João brito Sousa