sexta-feira, 16 de maio de 2008

A MINHA CIDADE (IV)


FARO, A MINHA CIDADE


Eu o engº Carlos Alberto Diogo, acompanhávamos mais com o Valêncio, o irmão. Uma história boa para contar era a história dos alfaiates de Faro. O melhor e também o mais caro era o Pintassilgo, cuja loja se situava perto do Largo e ainda o Barros que ficava lá em cima na rua da circunvalação, que vai do Refúgio ate ao mercado.

Mas voltando ao Largo é imperioso não esquecer que é ali a sede do SCFarense, orgulho dos Farenses, cujas histórias mais antigas me eram contadas pelo João Coelho, que tinha sido jogador do clube e na época tinha um táxi e que me dizia que a vida dele tinha sido como a do Marlon Bando no filme “Há Lodo no Cais”. Há ali também o Grémio da Lavoura onde os camponeses iam vender o milho e outros cereais resultante da exploração agrícola. O Distrito de Reserva também lá está com o amigo Rocha à cabeça.

No largo juntava-se o pessoal do campo com a malta da cidade em perfeita harmonia. De Mar e Guerra vinha o comerciante António Cadeiras, das Pontes de Marchil vinha o Toíca Guerreirão negociante de gado que todos os dias de manhã ia comprar uma maço de cigarros Português Suave à venda do Viriato nas Pontes de Marchil com uma nota de mil escudos (uma fortuna naquele tempo), do Montenegro vinha o Mateus Marinhas, da Chaveca vinha o Joaquim Caco, homem de cento e vinte quilos de peso e o mais forte aí dos arredores da cidade. Uma vez, o Caco e o Mateus Bolas, aí da Jardina, pegaram um toiro de cernelha na feira da Malveira e saíram em ombros.

O objectivo do encontro desta velhada era almoçar no Restaurante dos “Dois Irmãos”, que ficava situado no Largo.

Nesse tempo, anos cinquenta, almoçava-se no restaurante “Os Dois Irmãos” no Largo da Palmeira, por cinco escudos. Tinha muita clientela e os irmãos Silva, os proprietários ou os que o exploravam, tinham jeito para o negócio, sorriam para quem chegava tornando o ambiente acolhedor. O restaurante ainda lá está e toda a gente da cidade o conhece. Serviam um prato que deveria dar pouco lucro, porque dá muito trabalho a confeccionar que era os carapaus alimados, coisa que nunca mais vi servir em lado nenhum. Os carapaus eram cozidos, depois tiravam-se-lhes as serrilhas e eram servidos assim com duas ou três batatas cozidas , azeite e limão. Era só à sexta feira e a malta do campo ia lá por causa disso. Os “montanheiros” juntavam-se nos cubículos particulares e falavam de mulheres bonitas (eles dizem boas), discutiam preços e faziam negócios dos artigos vendáveis que possuíam. É interessante referir o modo como eram valorizados os produtos. Por exemplo, se estava em discussão o valor de uma cabeça de gado, a conversa era mais ou menos assim... então diga lá você quanto vale o bezerro... e logo o outro, vale trinta notas (a referencia era a nota que valia cem escudos), e o bezerro valeria três mil escudos. E assim por diante. O restaurante “os Dois Irmãos” desempenhou um papel social importante na cidade, reunia gente de todas as camadas sociais, havia grande movimento, parecia o centro de Manhatan em Nova York

Saindo dos “Dois Irmãos e virando `a esquerda, estamos no restaurante a “Nortenha” que era um restaurante chique nos anos cinquenta, bom serviço e ligeiramente mais caro. Quer um quer outro restaurante que aqui falo deveriam ser recordados nestas crónicas por alguém que soubesse disto mais do que eu, talvez o Professor Franklim Marques, talvez o único homem bom do mundo, porque é costeleta como eu, porque foi professor primário como eu e sobretudo porque tem muito mais jeito do que eu para contar estas histórias. Aqui fica um convite ao mestre.


Texto de

João Brito Sousa

quinta-feira, 15 de maio de 2008

FARO A MINHA CIDADE (III)


A MINHA CIDADE


A rua Filipe Alistão era uma rua de muito comércio, apesar de não ficar sediada na zona central da cidade. Depois do estabelecimento do Gago, vinham as loja das Viúva Carminho e era também aí que o pessoal do campo ia comprar os tecidos para as fatiotas. As pessoas sentiam-se à vontade, havia sempre um pouco de conversa e havia boa disposição e sobretudo carinho com os fregueses. As Carminho tinham muito jeito para o negócio e eram muito conhecidas. De seguida vinha um talho, o colégio dos rapazes, o Arnaldo fotógrafo e o Nugas, estabelecimento de barbearia e vendedor de jogo. Em frente ao Colégio no outro lado da rua ficava aí uma casa de reparação de bicicletas, que era pertença do senhor Lamy que era o marido da D. Helena, a minha professora Primária em Mar e Guerra..

As pessoas que por ali passavam, encontravam por vezes o Regedor da freguesia, um tipo de nome Mestre e pediam-lhe coisas O Regedor Mestre que tinha uma certa relevância na cidade emigrou mais tarde para os Estados Unidos da América, ficando o filho no seu posto, mas não sei onde está agora. Já agora dizer que a figura do Regedor foi criada em Portugal em 1835 e era a antiga autoridade administrativa de uma freguesia. Antes dos regedores, tinham existido os comissários de paróquia, nomeados em 1834. Após o 25 de Abril de 1974, com a aprovação da nova constituição da república, o cargo de regedor viria a dar lugar á Junta de Freguesia. Ainda que a Junta de freguesia seja um órgão colegial, constituído por um presidente, um secretário, um tesoureiro e vogais, a figura do Regedor acabaria por ser transferida para o presidente da Junta de Freguesia, sendo, por consequência o seu equivalente no novo regime constitucional.

Instalado a 4 de Outubro de 1835, muitos foram as pessoas que, em cada uma das suas freguesias constituintes exerceram o cargo de regedor.

Quem fosse ao consultório médico do Dr. Vicente de Brito, na rua Filipe Alistão à esquerda quando se desce e, à saída da porta virasse à esquerda, daí a pouco estaria no Largo da Palmeira.


O pessoal do campo nesses anos cinquenta, ia muito ao consultório do Dr. Brito (chamavam-lhe assim), que era uma pessoa que tinha boas ligações a eles, pois creio que os seus familiares eram de Santa Bárbara de Nexe. O Dr. Brito era um bom médico que sabia falar com aquele pessoal, indo, quando fosse preciso a casa de cada, dar uma consulta. E conversava com aqueles compadres todos, mais ou menos nestes termos: então o que é que “vomeceias” estão semeando agora?... já mataram o porco?... fizeram o presunto?... e coisas assim. Era um bom conversador.


Fui lá uma vez com a minha mãe quando a minha avó esteve muito doente.

O Largo da Palmeira tinha a sua arrogância, passava ali a gente ilustre da cidade todo os dias, como o Dr. Júlio Carrapato, advogado distinto, o pintor e escultor Sidónio, o Prof. Xico Zambujal o Prof. Fortes e o Prof. Daniel Faria que andavam sempre juntos e cujo poiso era no café a Brasileira, o Prof. Ferradeira na sua cadeira de rodas, o Prof. Santos que dava explicações de Inglês que depois do almoço tomava café no Aliança, o Prof. Gil, grande figura da cidade a explicar matemática aos alunos do Liceu, o Rialito, espanhol e camisa dez, grande jogador de futebol do Farense, o Zé Nanotas, igualmente grande jogador futebol e camisa sete, o Teca a vender jogo e à procura do Sampas, o filho do coronel e tantas e tantas figuras relevantes da cidade. Se para ir ao médico a minha mãe ia ao Dr. Brito, para comprar vassouras, pás, enxadas, alviões, martelos, tesouras de poda e coisas assim ela ia à Casa Telles. A Casa Telles era uma casa de ferragens que ficava á esquina da Rua Filipe Alistão já no Largo da Palmeira em frente à barbearia do Nugas Tinha de tudo na sua arte e era uma referência na cidade Continuando à esquerda, surge uma rua que vai dar a S. Pedro.


Texto de

João brito SOUSA

quarta-feira, 14 de maio de 2008

A MINHA CIDADE (II)


FARO, A MINHA CIDADE

Como me competia, estive lá no funeral dele e o senhor padre, que acompanhou a cerimónia final, teve um discurso deste tipo: Tens muito dinheiro...olha (e com o indicador apontava para o caixão...), como que a dizer que isso não vale de nada, tens ar condicionado?... e apontava, tem isto tens aquilo e apontava sempre. Saí de lá convicto que somos mesmo pó e que não valemos nada.

Continuando, agora à esquerda, ficava aí a sapataria Limpinho, cujo “boss” era casado com a Teresinha, que tinha sido minha mestra de escola paga, na Senhora da Saúde. E seguindo, estava agora à esquerda uma casa que recebia raparigas estudantes e depois entrava-se no Largo de S. Pedro, onde está a Igreja e onde eu fui baptizado pois sou natural de S. Pedro e afilhado do Padre Zé Gomes.

Quem vem da rua da cadeia, dos lados de S. Sebastião e quartel da GNR vai desembocar ao Largo de S. Pedro. É aí que está a igreja do mesmo nome, onde eu ia à missa nos anos cinquenta e tais. Apesar de puto ainda, gostava da solenidade daquele acto e assistia sempre que podia. Hoje perdi o hábito. A igreja enchia de fiéis e eu ficava impressionado com a pompa do senhor Abade, o meu padrinho de crisma o Padre José Gomes. Era um homem que, dentro da igreja via tudo, tinha um poder de observação terrível e atirava-se aos paroquianos quando o assunto era sério.

Mas era bom homem e foi lá que fiz a primeira comunhão. Como fui órfão de pai muito cedo, a minha mãe casou lá pela segunda vez e eu ainda me lembro de ter assistido à cerimónia. A missa durava aí uma hora, mais ou menos, o senhor Padre lia o Missal e, tal como hoje, explicava o significado daquele domingo em termos bíblicos. Às tantas vinham os “cobradores”, tal como hoje e lá se iam cinco ou dez tostões. Quando tocava o sino, já sabia que era para baixar a cabeça com fé em Cristo. As coisas não mudaram muito, só que hoje beijam-se à direita e à esquerda e apertam as mãos. Não tenho nada contra.

Antes da entrada no Largo, à esquerda, ficava ali uma oficina de reparação de bicicletas, cujo proprietário era o senhor Zé Linocas que era genro do senhor Virgílio Rosa , lá da minha terra, o Patacão. Uma vez, na récita da Sociedade Recreativa lá do sítio, o actor e poeta, e muitas coisas mais, Clementino Baeta, que era um génio no palco, representou uma cena com uma bicicleta que tinha a campainha avariada. Recordo-me que a páginas tantas, o actor se virou para a campainha muito sério e, falando com ela disse-lhe: “Então puta, tu também não tocas?... então, estou aqui estou a levar-te à do Zé Linocas. (desculpar o palavrão.)

Já dentro do Largo, ficava à esquerda de quem vem de S. Sebastião uma mercearia, que não sei como era porque nunca me abasteci lá. Depois ficava a Escola de Condução, cujo filho, Jacinto, andou lá na Escola Comercial e Industrial comigo e havia ainda outro filho, o Alfredo, que andava nos carros a ensinar a malta a conduzir e jogava à bola, a defesa direito, no Olhanense e a imprensa desportiva da época, chamava-lhe o “Bassora.”

Faro, uma saudade.

Quem vem de S. Pedro até ao Largo da Palmeira ela lá está. É uma rua que só tem sentido descendente, com dois hectómetros de comprimento e em menos de nada estamos na barbearia do Nugas, onde a malta do campo cortava o cabelo e mandava fazer a barba, quando ia à “cedade”. Quando era puto e ia para estas bandas com a minha mãe, íamos muitas vezes à mercearia do senhor Gago, o primeiro estabelecimento de mercearias finas, à esquina da rua e à direita quando se desce. Os Gagos, ele e a esposa, eram segundo creio, naturais de Santa Bárbara de Nexe e ter-se-iam instalado em Faro em tempos idos. E recebiam bem a malta do campo, pois, naquele tempo, as pessoas conheciam-se umas às outras, mais que hoje e perguntavam uns pelos outros, então como é que vai lá o mê compadre Xico e mais este e mais aquele e vivam felizes como diria a Maria Vilhena.

Texto de
João Brito Sousa

terça-feira, 13 de maio de 2008

A MINHA CIDADE


A MINHA CIDADE

FARO é a minha cidade.

Ali fiz os meus primeiros exames académicos, ali fiz os estudos secundários e obtive ali o diploma de professor do ensino primário, que foi a minha primeira profissão. Nunca trabalhei na cidade; apenas nela me preparei para a vida. Passei uma década a passeá-la enquanto andei com os livros.

No meu tempo, as hortas chegavam até à periferia da cidade e os respectivos habitantes entendiam-se nas visitas recíprocas que faziam uns aos outros. A vida era pacífica e a cidade servia de base ao escoamento dos produtos do campesinato, tipo hortaliças, batatas, alguns galináceos e outros. Esses produtos, que eram vendidos no mercado da cidade, obrigavam `a deslocação dos produtores até ela e promovia-os aí, colocando frente a frente duas classes sociais que estavam empenhadas em entender-se, quer pela via negocial, quer pela via social.

Foi sempre assim desde que me conheço.

Estamos no Largo de S. Sebastião e vamos visitara cidade.

O Largo desempenhou grande função social nas aldeias, vilas e cidades, pois era ali que, noutros tempos, se juntava gente aos magotes para comemorar qualquer acontecimento que valesse o apoio do Largo.

O Largo era o centro das localidades e era através do Largo que o povo comunicava com o mundo, como diz Manuel da Fonseca em “o Fogo e as Cinzas”. À falta de notícias, era aí que se inventava alguma coisa que se parecesse com a verdade. Nada a destruía; tinha vindo do Largo.

Estas crónicas constituem um elo de ligação à cidade que continuo a adorar, porque Faro é a minha cidade, a cidade que muito contribuiu para o estatuto de homem que hoje possuo.

Falar de Faro, para mim, constitui uma aproximação às origens, e na minha escrita por impulsos, apraz-me recordar locais e nomes de pessoas e contar algumas peripécias de outros tempos, que tenham acontecido comigo ou que tenha sido testemunha aí para essas bandas de S. Sebastião.

Quem entra em Faro e vem do Posto da Polícia de Viação e Trânsito em direcção ao refúgio Aboim Ascensão, à esquina da primeira rua à esquerda, que antigamente ia dar à estrada da Senhora da Saúde, ficava aí um estabelecimento comercial de comes e bebes e mercearia, salvo erro, cuja exploração pertencia a um polícia, cujo filho, é o Zézinho “Polícia”, que me parece estar a residir em Coimbra e costumava andar aí com a gente. Continuando em direcção ao Refúgio, primeira à direita é o Largo de S. Sebastião, zona de residência da minha colega de Magistério, a Professora Marciana.

Gente “célebre” daí do meu tempo eram os irmãos Primitivo, o Jorge e o Teófilo, o Joaquim Padeiro (um rapaz adorável) o Jorge Tavares e o Ludovico, todos lá da Escola Comercial. O Teófilo e o Ludovico eram excelentes jogadores de futebol, sendo o Ludovico até um super dotado na matéria.

O Joaquim Padeiro evidenciou-se no andebol escolar, pois era detentor de um remate alto lá com o charuto. Saindo de S. Sebastião em direcção a S. Pedro, fica à direita o Posto da GNR, onde nós, os da Escola Comercial íamos aos sábados aprender a manejar armas não sei para quê; era o serviço de Milícias. Era aí que o Quinta Nova, um rapaz lá da Escola Comercial que tinha queda para militar, dava as suas instruções técnicas.

Mas não matámos ninguém. Segue-se depois à direita ainda, a cadeia antiga, onde esteve preso o Rui Rebola lá do Patacão, por ter sido apanhado pela polícia a conduzir um tractor agrícola sem carta de condução. Ainda me lembro de ir ver o Rui, aos sábados, mas não consegui entrar na cadeia, vi-o cá de fora. Ao lado da cadeia há ali uma capela onde ficam uns cadáveres à espera do enterro. Foi de lá que saíram os funerais do Xico Zambujal, grande figura de professor e de artista de Faro e de pessoal ali do Patacão, entre os quais o meu padrasto.

Texto de
JOÃO BRITO SOUSA

ROF. MIGUEL BELEZA E Dr. AGUIAR


EM DEFESA DO FCPORTO

ARTIGO DE OPINIÃO

Estiveram hoje no programa PRÓS E CONTRAS, da RTP 1, da jornalista Fátima Campos Ferreira, o Professor Miguel Beleza, em defesa do FCPORTO com uma prestação do mais fágil que imaginar se pode...

Igual a intervenção do Dr.José Guilherme de Aguiar.

Publicação de
João Brito Sousa

segunda-feira, 12 de maio de 2008

IMPRENSA/ EXPRESSO


TUDO CONTRA SÓCRATES ... À DIREITA E À ESQUERDA
por Pires de Lima

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Em 2004 os deputados José Sócrates e Vieira da Silva contaram-se como dos mais ferozes críticos do apelidado ‘código de Bagão Félix’. O segundo terá participado mesmo naquelas ruidosas manifestações organizadas pelos sindicatos que, urrando insultos, anunciavam o fim dos tempos caso o Código fosse aplicado.

Os governantes José Sócrates e Vieira da Silva decidiram avançar em 2008 com propostas de alteração ao código do trabalho. Será que as mudanças agora propostas pelos socialistas visam repor as regras vigentes antes dos governos PSD/CDS, desde logo as alterações mais criticadas por Vieira da Silva, como a caducidade dos contratos colectivos quando uma das partes se recusa a negociar ou o alargamento do tempo de férias? Claro que não. É como dizia o poeta: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades! Ou, em linguagem politiquês, a “situação de 2003 é diferente da de 2008”. Vieira da Silva dixit.

O que era péssimo antes, virou uma boa base de trabalho. Como não podia deixar de o ser? Lembre-se o exemplo da contratação colectiva: foi dinamizada com o ‘código Bagão Félix’ e, só em 2007, 1,6 milhões de trabalhadores - o valor mais alto desde 1996 - estavam ao coberto deste tipo de negociação. Daí que nas palavras envergonhadas do agora ministro da Segurança Social, o código de Bagão Félix “teve mérito... mas não excessivo”. Quem diria?

Ressalvada a incoerência, uma prática pouco abonatória e recorrente na governação de Sócrates, o que importa agora começar por reconhecer é a coragem de, a um ano de eleições, um governo que já conheceu melhores dias, avançar com propostas supostamente flexibilizadoras das relações laborais. A contestação grotesca por parte dos sindicatos já começou e, creio, não vai dar

tréguas ao governo durante o próximo ano. Valerá a pena o bom esforço de Sócrates?

Vejo como positivas as propostas que projectam flexibilidade e adaptabilidade no trabalho já adquirido, procurando acomodar a força de trabalho às necessidades e ritmos das empresas num mundo moderno que não se compadece com excessiva rigidez laboral. São também arrojadas e muito positivas as propostas que vão no sentido de conjugar melhor maternidade com vida profissional.

No entanto - e atendendo ao ruído que aí vem - lamento que as propostas socialistas não toquem no essencial, o despedimento individual. Ou procurem lá chegar de forma enviesada e pouco séria. O argumento da ‘inadaptação’ é propício a juízos ambíguos e a todo o tipo de abusos.

Preferível seria que o governo aceitasse a regra do despedimento sem justa causa com indemnizações pré-definidas e substanciais (pelo menos, 1,5 meses por cada ano de trabalho, com seis meses de salário como «plafond» mínimo). Com regras claras como esta, os trabalhadores quando dispensáveis estariam melhor protegidos.

Em nome da flexibilidade avançou o governo com propostas de revisão do código. Ao optar-se por penalizar os contratos a termo, não se abrindo portas objectivas para a dispensa de trabalhadores, corre-se o sério risco do “tiro sair pela culatra”. Terminaremos a legislatura com leis laborais ainda mais rígidas do que antes? Assim sendo, não irá diminuir o desemprego jovem, um dos maiores flagelos sociais com que nos confrontamos e que impede a renovação e a modernização de muitas empresas em Portugal.

Sócrates decidiu comprar uma guerra com os sindicatos. Vai custar-lhe caro e irá beneficiar eleitoralmente os partidos extremistas à sua esquerda. Uma guerra que valeria a pena se a proposta socialista fosse ao essencial do que precisa ser modificado. Não me parece que seja o caso.

Publicação de
João Brito Sousa

domingo, 11 de maio de 2008

ESTA EQUIPA FOI BENFICADA?

OPINIÃO

DO JORNAL A BOLA DE ONTEM
"Não tenho nada a conversar sobre este caso. Aliás desde sempre optei por não me pronunciar em nada relativamente a este processo. Confio plenamente na SAD do FCPorto. O que decidiu está bem decidido, é para issso que existem estes órgãos dentro dos clubes"

Engª Elisa Ferreira, deputada em Bruxelas

"Foi uma atitude digna do Presidente"

Dr.Pôncio Monteiro

" Tudo o que disser Carolina Salgado, entra-me por um ouvido e sai por outro"

MST em tempos, no telejonal das 20h na TVI

O MEU COMENTÁRIO

A mim, parece-me que os comentários das personalidades acima citadas são de apoioo ao PRESIDENTE. Serão? É que esta tolerância parece-me não ser benéfica para o FCPorto. É que o Povo, costuma dizer, "QUEM CALA.. CONSENTE"

Eu não me calaria.

Texto de
João Brito Sousa

IMPRENSA/ EXPRESSO


BOB GELDOF e o GOVERNO de ANGOLA

Geldof disse uma coisa que quase todos nós sabemos e quase sempre calamos por pura conveniência. Mas deveremos viver sempre num silêncio cúmplice ou temos o dever da verdade ainda que inconveniente? Por mim, não tenho dúvidas

Esta é uma posição pessoal, mas é uma posição que, em consciência, não posso deixar de tomar.
Compreendo que a voz dos negócios não seja a voz política, mas a dos interesses. E respeito a prudência de quem fala quando pode e cala quando deve. Mas o jornalismo não se fez para isso, pelo contrário.

Também respeito os interesses do Estado, embora neste ponto duvide do excesso de reverência com que tratamos Angola. Mas eu não sou o Estado, sou um jornalista que, apesar de ter visitado Angola diversas vezes em reportagem, há muito não vai lá. Mas que há muito segue com interesse o que lá se passa. E é com toda a tranquilidade que afirmo: penso que Bob Geldof tem toda a razão.

Indignamo-nos com o Zimbabwe, mas esquecemos que as únicas eleições em Angola foram no já longínquo ano de 1992. E que as presidenciais nem sequer chegaram ao fim, pois os resultados indicavam uma segunda volta. Seguiu-se um massacre em Luanda (culpas divididas entre Unita e Governo) e depois uma guerra que terminou com o assassínio de Savimbi, que era ele próprio um assassino.

Depois, os interesses, o petróleo, os diamantes fizeram esquecer a necessidade da democracia, da dignidade pessoal, da entreajuda, do auxílio aos que passam fome e morrem de doenças banais. Angola é um «farwest», é uma terra gerida há tempo demais por gente sem escrúpulos que apenas pensa no seu enriquecimento pessoal. É um país com leis que dependem do estatuto e do dinheiro de cada um.

Todos os empresários portugueses, todos os trabalhadores portugueses em Angola o sabem.


Apenas o escondem por medo de perder o emprego ou por medo de perder o negócio. E Angola trata-nos ao nível dos medrosos, com a arrogância do ‘quero, posso e mando’. Dou graças a Deus por Angola não ser uma potência dominante no mundo. Ao lado daquele Governo até Bush parece um santo!

Quando Mário Soares chamou a Angola uma “cleptocracia”, ou seja, um governo de ladrões, tinha razão. O que Geldof disse que fez correr tanta tinta é uma coisa que todos nós sabemos - aqui e em Angola - mas calamos por via de duas conveniências: uma é a do politicamente correcto, do facto de sermos a ex-potência colonial (mas dizer que Angola é assim por causa do colonialismo era como dizer em 1968 que a ditadura de Salazar se mantinha por causa da República); a outra é a conveniência dos interesses. Quem não tem vergonha nem culpa da nossa História nem interesses em Angola pode falar com liberdade.

Foi o que fez Bob Geldof!

publicação de

JOÃO BRITO SOUSA

sábado, 10 de maio de 2008

IMPRENSA / EXPRESSO


ARTIGO DE MST


Alguém que eu muito amei e que aprendi a admirar ao longo da vida dizia que não há nada mais perigoso do que políticos sem ideias mas cheios de iniciativas. Cada vez mais me convenço de que é uma grande verdade, confirmada dia a dia pela observação da vida política portuguesa: não há nada mais assustador do que os decisores desatarem a tomar decisões que ninguém lhes pediu e cuja necessidade ninguém sente. Apenas porque acham que assim estão a mostrar serviço.
Alguém sente necessidade de um acordo ortográfico, de matar as consoantes mudas (excepto as que os brasileiros usam)? Alguém o reclamou, tirando os ‘especialistas’ da língua da Academia das Ciências que, de outro modo, não teriam maneira de justificar a sua importância e as viagens de estudo que fazem ao Brasil e aos PALOP? Quem, de entre os que fazem da língua portuguesa a sua ferramenta diária de trabalho - escritores, editores, professores, jornalistas - pediu a normalização ortográfica com o Brasil, Timor ou a Guiné-Bissau? Porque hão-de então os ‘sábios’ impor-nos a sua vontade e a sua «expertise» - a língua não é nossa?
E quem sentiu a necessidade urgente de mais auto-estradas a rasgar todo o interior já deserto, de um novo aeroporto para Lisboa, de um TGV de Lisboa para Madrid, outro do Porto para Vigo e de uma nova ponte sobre o Tejo para o servir? Quem foi que andou a gritar “gastem-me o dinheiro dos meus impostos a fazer auto-estradas, pontes, aeroportos e comboios de que não precisamos”?
Porque razão, então, o lóbi das obras públicas, os engenheiros, projectistas, banqueiros e advogados que os assessoram, mais a ilusão keynesiana do primeiro-ministro, nos hão-de impingir o que não pedimos?
Fomos nós, porventura - ou os autarcas, os especuladores imobiliários e os empresários do turismo - que reclamámos a legislação de excepção dos Projectos PIN para dar cabo da costa alentejana e do que resta do Algarve? Foi nossa a decisão que a Comissão Europeia classificou como uma batota para contornar as normas de protecção ambiental e ordenamento do território?
Fomos nós que reclamámos a privatização da electricidade para depois a pagarmos muito mais cara ou que, inversamente, protegemos até ao limite o monopólio da PT nos telefones fixos, em troca de termos o pior e o mais caro serviço telefónico da Europa?
Fomos nós que nos revoltámos contra o queijo da Serra feito em mesas de mármore, a galinha de cabidela ou o medronho da Serra de Monchique? É em nome da nossa vontade e da nossa cultura que o «ayatollah» Nunes e a sua ASAE aterrorizam e enfurecem meio país?
Fomos nós que estabelecemos uma sociedade policial contra os fumadores, que quisemos encher Lisboa de radares para controlar velocidades impossíveis e ajudar a fazer da caça à multa o objectivo principal da prevenção rodoviária?
Fomos nós que concordámos em que os agricultores fossem pagos para não produzir, os pescadores para não pescar, as empresas para fazer cursos de formação fantasmas ou inúteis, alguns escritores para terem ‘bolsas de criação literária’ para escrever livros que ninguém lê, os privados para gerir hospitais públicos com o dobro dos custos?
Fomos nós que aceitámos pagar por caças para a Força Aérea que caem todos sem nunca entrar em combate, helicópteros que não voam por falta de sobressalentes, submarinos que não servem para nada, carros de combate que avariam ao atravessar uma poça de água?
Fomos nós que decretámos que o Euro-2004 era “um desígnio nacional” e, para tal, desatámos a construir estádios habitados por moscas, onde jogam clubes que vegetam na segunda divisão ou se aguentam na primeira sem pagar aos jogadores, ao fisco e à Segurança Social? E é a nossa vontade colectiva que anda a animar uns espíritos inspirados que já por aí andam a reclamar um Mundial de Futebol ou mesmo uns Jogos Olímpicos?
Ah, e a regionalização, essa eterna bandeira de almas ingénuas ou melífluas, que confundem descentralização com jardinização? Esse último disparate nacional que falta fazer e com o qual nos ameaçam ciclicamente com o argumento de que está na Constituição, embora nós já tenhamos respondido, clara e amplamente, que dispensamos a experiência, muito obrigado?
Será que não se pode acalmar um bocadinho os nossos esforçados governantes? Pedir-lhes que parem com os “projectos estruturantes”, os “desígnios nacionais”, os “surtos de desenvolvimento”, os PIN, os aeroportos, pontes e auto-estradas, que deixem de se preocupar tanto com o que comemos, o que fumamos, o que fazemos em privado e o que temos de fazer em público? Eu hoje já só suspiro por um governo que me prometa ocupar-se do essencial e prescindir do grandioso: um governo que prometa apenas tentar que os hospitais públicos funcionem em condições dignas e que não haja filas de espera de meses ou anos para operações urgentes, que os professores e alunos vão à escola e uns ensinem e outros aprendam, que os tribunais estejam ao serviço das pessoas e da sua legítima esperança na justiça e não ao serviço dos magistrados ou dos advogados, que as estradas não tenham buracos nem a sinalização errada, que as cidades sejam habitáveis, que a burocracia estatal não sirva para nos fazer desesperar todos os dias.
Um governo que me sossegue quanto ao essencial, que jure que não haverá leis de excepção nem invocados “interesses nacionais” que atentem contra o nosso património: a língua, a paisagem, os recursos naturais.
Mas não há dia que passe que não veja o eng.º Sócrates a inaugurar ou a lançar a primeira pedra de qualquer coisa. E encolho-me de terror perante esta saraivada de pedras, que ora ajuda a roubar mais frente de rio a Lisboa, ora entrega mais uma praia a um empreendimento turístico absolutamente necessário para o “desenvolvimento”, ora lança mais uma obra pública inútil e faraónica destinada a aliviar-me ainda mais do meu dinheiro para o dar a quem não precisa. Vivo no terror dos sonhos, dos projectos, das iniciativas de governantes, autarcas e sábios de várias especialidades. Apetece dizer: “Parem lá um pouco, ao menos para pensar no que andam a fazer!”
Além de mais, já não percebo muito bem o que justifica tanto frenesim. Já temos tudo o que são vias de transporte concessionado para as próximas gerações: auto-estradas, pontes, portos, aeroportos (só falta o comboio, mas os privados não são parvos, vejam lá se eles querem ficar com o negócio prometidamente ruinoso do TGV!). Já temos tudo o que é essencial privatizado (só falta a água e palpita-me que não tarda aí mais esse ‘imperativo nacional’). É verdade que ainda faltam alguns Parques Naturais, Redes Natura e REN por urbanizar, mas é por falta de clientes, não por falta de vontade de quem governa. Já faltou mais para chegarmos ao ponto em que os governos já não terão mais nada para distribuir..
Talvez então se queiram ocupar dos hospitais, das escolas, dos tribunais. Valha-nos essa esperança.

O MEU COMEMNTÁRIO
O seu artigo publicado no Expresso e que eu aqui transcrevo, está brilhante.
Mas quero ver este brilhantismo na sua "nortada" de 3ª feira próxima, no jornal "A BOLA", porque se não tiver essa atitude o senhor é pior que o Sócrates e este artigo de brilhante passa a mentira.
E não tem de deixar de ser sócio do seu clube; quero apenas, nas suas análises, respeito pelos outros e pela competição.
Que não tem havido.
publicação de
João Brito Sousa

BOM FIM DE SEMANA



PORTO, 2008.05.10

BOM FIM DE SEMANA


Para os meus filhos em ALMADA XAXÁ E PEDRO Para a minha nora e para as minhas netas MARIANA e SOFIA

Para os meus irmãos em NEWARK, USA

Aló Solange, katy and Jack David, Daniela, Michele e respectivos....

Aló PAUL SPATZ e filhas

Aló primos e primas na Austrália e Perpingham em França em NEWARK, aló Tony and Quitéria Ilheu aló SIlvina no Canadá

Para a Celina e para o Aníbal, para o Zé ALEIXO Salvador esposa, Honorato Viegas e esposa, Peixinho e esposa em ALMADA,

Para toda a malta do 1º 4ª de 52 em especial para o Coelho Proença, Zé Maganão e Ludgero Gema,

Para o Gregório LONGO no Lar da Guia (até à primeira)

Para o aluno da Escola COMERCIAL e INDUSTRIAL de FARO que elegi como o melhor de todos os tempos, o Contra Almirante ANTÓNIO MARIA PINTO DE BRITO AFONSO.

Para o Eng º ANSELMO DO CARMO FIRMINO e esposa, outro aluno brilhante e dos melhores de sempre da Escola COMERCIAL e INDUSTRIAL com quem tive dúvidas na atribuição do melhor aluno de sempre, tendo sido prejudicado por ser de uma ou duas gerações depois da minha.

Para o Dr. José Martins Bom, outro brilhante aluno da Escola COMERCIAL E INDUSTRIAL e para o igualmente brilhante e talentoso ARNALDO SILVA..

Para o Dr. Eduardo Graça e o seu ABSORTO

Para o grande poeta ROBERTO AFONSO

Para o Engº SOUSA DUARTE, esposa e filho

Para o amigo Carlos BARRIGA E ESPOSA e Filha nas FERREIRAS.

Para o Luís José Isidoro em ESTOI, amigo inesquecível

Para o Engº Neto e esposa em ESTOI ainda.

Para o Engº Manuel Carvalho e esposa

Para os meus compadres, Dr. Manuel Rodrigues e Drª Fátima Rodrigues e filha, a Drª Ana Luísa Rodrigues.

Para o enorme MÁRIO MONTEIRO que agora mora em CAMPO

e para o Guilherme, Marta esposo e filho,

Para a viúva do CARLINHOS LOURO, filhos e irmãos e respectivos.

aló Custódio Clemente e Zé Mendes na AUSTRÁLIA,

Zé Lúcio, Florentino, Rosendo e Joaquim Carrega...

Victor e Célia Custódio e Leonilde Filhos e filhas.

Aló Montenegro SÃO E FILHAS ,

Tia Amélia.

Tias Alzira e Ti Manel

Eusébio e Júlia Lucília e Armando e Filhos

Silvina e Luís Alcantarilha e filhos

Mercedes e Alviro, BICAMA e BIZÉ E RESPECTIVOS

Maria do Carmo e Zé Maria e filhos (meu afilhado João Manuel) e noras netos

FLORIVAL EM França, esposa e filhas Para o CUSTOIDINHO, o filho do APOLINARIO, que diz que é teu amigo e com quem tive uma pega no restaurante o Jorge, no PATACAO.

Para: VIEGUINHAS de Pechão e respectiva equipa do almoço de sábado, o ZÉ GRAÇA, o BOTA de ESTOI e o ENGENHEIRO

Para a malta do 1º ano 1ª Turma de 52/53

Chefe de turma: CÉLIO MARTINS SEQUEIRAALUNOSJosé Bartílio da PalmaLuís Rebelo GuimarãesHerlander dos Santos EstrelaReinaldo Neto RodriguesAntónio Inácio Gago ViegasHumberto José Viegas GomesManuel Cavaco Guerreiro.Joaquim André Ferreira da CruzJoão BaptistaJosé Mateus Ferrinho PedroJosé Vitorino Pedro RodriguesIvoFrancisco Gabriel Carvalho CabritasJoão António Sares ReisFernando Manuel MoreiraAntónio Manuel Ramos JoséFrancisco Paulo Afonso ViegasManuel GeraldesJoão Manuel de Brito de SousaJorge Manuel AmadoJoão Vitorino Mendes BicaCarlos Alberto Arrais CustódioJosé Júlio Neto ViegasManuelJoão dos SantosJosé Pedro SoaresJosé Marcelino Afonso Viegas


Para o meu afilhado em Washington CARLOS ALBERTO DIOGO esposa e filhos

Para o DIOGO TARRETA e esposa e filho, o grande Engº JOÃO PAULO SOUSA

Para o REINALDO TARRETA, esposa e filho, o Engº Rui Tarreta e para a SOLEDADE e respectivo...

Aló ESTORIL Mário Fitas, Aló Porto Carlinhos Pereira, Adelino Oliveira em AZEITÃO. Romualdo Cavaco, Jorge Valente dos Santos e Zé Pinto Faria em Portimão. ADOLFO PINTO CONTREIRAS NOS GORJÕES E SOARES em TAVIRA. Feliciano Soares e Xico LEAL em Olhão e Zé Júlio na ilha da Culatra. Para a malta da Escola Comercial e Industrial de FARO, grandes amigos e colegas,

ROGÉRIO COELHO, LUÍS CUNHA, JORGE CACHAÇO E FRANKLIM MARQUES.

Para o JORGE CUSTÓDIO, o JORINHO que andou comigo na escola primária em Mar e Guerra, irmão da Fernanda e que agora mora em Faro e para o GABRIEL ferreiro na Falfosa.

Para CUSTÓDIO JUSTINO esposa e filhos, ANÍBAL PEREIRA e esposa no Patacão e João ALCARIA em Mata LOBOS , distintos bancários.

Para as minhas primas Maria Emília na Falfosa, filhos e respectivas, Margarida em Santa Barbara de Nexe, Maria em Faro e Glorinha em Tavira.

Para o primos ROBERT em Nice, JOÃO no Patacão.

Para os tios Zé Bárbara e Vitalina em Vila Moura e tio António no Canadá..


UM BOM FIM DE SEMANA PARA TODA A GENTE

João Brito Sousa

sexta-feira, 9 de maio de 2008

IMPRENSA/ VISÃO


FICÇÃO E REALIDADE
por Zé Carlos vasconcelos

Quando Luís Filipe Menezes assumiu a liderança do PSD e Santana Lopes a do seu grupo parlamentar, escrevi aqui (VISÃO de 18/10/07) que «na política portuguesa a realidade ultrapassa a ficção como se isso fosse a coisa mais natural do mundo». Há duas semanas, a propósito daquela mesma liderança e de Alberto João Jardim, falava de «grau zero da política, ou ainda menos».

Estava longe de pensar que, nesse mesmo dia, Menezes se demitiria. Porventura para, ao contrário do que disse, numa variante de «ópera bufa», se recandidatar na sequência de uma vaga de fundo das famosas «bases». Só que não houve vaga, nem de fundo nem de superfície. E agora?Santana Lopes, Jardim e Menezes constituem uma rara espécie de triângulo das Bermudas do PSD.

E são, cada um a seu modo, figuras de proa de um sector do partido pontuado por personalidades menos proeminentes, mas nem por isso menos pitorescas, como Ribau Esteves, Mendes Bota, Jaime Ramos e outras. Sendo demasiado optimista dizer que representam um «espaço político» dentro do partido, aproxima-os uma série de afinidades e interesses, bem como um populismo vulgar. Pensava-se, assim, que tivessem uma posição comum nas próximas eleições. Afinal, para já não, porque quer Jardim quer Santana entenderam dever ser o principal protagonista e o segundo avançou primeiro...

Mas o que pode levar o ex-líder e primeiro-ministro, «indigitado» por Durão Barroso, a pensar que pode ganhar o partido e o Governo, depois de ter feito o que fez e ser estrondosamente derrotado por José Sócrates? Para mim é um mistério. De facto, Santana é o adversário ideal para o PS e para Sócrates – mais «ideal» talvez só Jardim... Se não o reconhece, quer dizer que se tem em excessiva conta e não tem nada em conta o discernimento, até a memória, dos portugueses.

E só me ocorre repetir que, uma vez mais, a realidade parece ultrapassar a ficção...
Olhando para os candidatos à liderança no terreno, obviamente avulta, pelo currículo, pela credibilidade, seriedade e força políticas, Manuela Ferreira Leite. Por muito que dela se discorde, por mais que os adversários prefiram não seja ela, de longe a mais bem colocada para o efeito, a líder e candidata do PSD à governação, creio que quem queira combater o desprestígio dos partidos, da política e até das instituições não pode desejar outra coisa.

Cunha(s) Vaz & outros, de que jaez? O estado a que se chegou em domínios como a política e os interesses, os partidos e os negócios, os media e a ética ou a ausência dela; as promiscuidades inaceitáveis; a falta de dimensão e qualidade humana de certos «protagonistas» – tudo isto transparece com clareza de uma entrevista do Público a António Cunha Vaz, dono de uma agência de comunicação. Surpreendeu-me a enorme manchete de 1.ª página, com um título discreto e alguns destaques não reflectindo o mais palpitante do interior, o que para quem sabe de jornalismo deixa uma dúvida... Afinal, concluí depois de ler, talvez não fosse muito excessiva tal manchete: o entrevistado é pouco conhecido, mas a «matéria» dá-nos um retrato quase arrepiante, e quase de corpo inteiro, de um certo país, da degradação de uma sociedade em que tudo mais ou menos se compra, se vende ou, pelo menos, se «influencia» através dos que fazem disso profissão e para o efeito são muito bem pagos! E que são cada vez mais decisivos, inclusive a nível de partidos, políticos, entidades privadas e públicas, órgãos de soberania.

Cunha Vaz confessa que trabalha com políticos porque isso o diverte: «Ficamos a conhecê-los melhor. É como ir ao circo.» E também porque (razão para aceitar ser o consultor e promotor de Menezes) «apesar de ter uma boa carteira de clientes, interessava-me poder aceder a outros clientes, mais próximos do Estado». Terminando por dizer: «Só vou para a política, se for para mandar.» Uma entrevista para ser analisada em detalhe, que vale por muitos documentos e deve ter consequências.

RECOLHA DE
JoãoBrito Sousa


À DO ZÉ RAIMUNDO


À DO ZÉ RAIMUNDO

Ontem, quinta feira, passei pelo Zé Raimundo às sete. A malta já lá estava e o primeiro que vi foi o MIGUEL BARULHO. O Miguel tem um fraquinho por mim e diz-me quando me vê, Amigo João diga-me lá/ O que é que hoje vamos discutir/ homem rico não temos cá/Já há muito que o vi sair. E fala-me ... cantando, na sua voz à Marceneiro.

E depois de cantar esta letra de fado, que ele arranjou ali à pressa, desata a rir. Levanta a mão, levanta o polegar e pisca-me o olho, como quem diz, amigo João, somos os maiores. E diz ainda, amigo João, pagas alguma coisa hoje?... E com a sua voz de fadista autêntico, sai outro fado, assim: Amigo João ouve bem/ O que eu tenho para te dizer/ Vamos mas é beber/ Antes que venha mais alguém

E lá vamos beber a cachaça da manhã. Ó Meguel, atão e o Leonel, quando vem ele? pergunto eu.

Esse Leonel é imprescindível no estabelecimento do Zé Raimundo. Deverá ter aí uns setenta e sete anos de idade e é pai do Zé Luís, meu colega da primária e que reside em Elisabeth, USA. A especialidade dele é aplicar umas ripadas no lombo do Meguel com o cajado. Já devia ter contado isso aqui, mas aquilo tem que ver, é científico.

O Leonel deverá estar a chegar diz o Meguel. E como não quer gastar o seu dinheiro dá o cavanço.

Fico eu e o Zé E recordo-lhe aquele jogo de futebol que fizemos dentro duma vinha, contra uns tipos de FARO e o Zé jogou a defesa esquerdo e fez um jogo do catano. E digo-lhe, Zé , secaste o gajo..

Estou eu e o Zé na venda. O Zé Raimundo pára o serviço, põe os antebraços em cima do balcão, sorri na minha direcção como uma criança, aperta-me mão e diz-me: amigos para sempre ó companheiro João. Tu e o Cabo Santos também fizeram um grande jogo nesse dia. Eu, tu e o Cabo fomos os maiores. E ainda hoje somos ....

Que é feito do CABO, ó camarada Zé?

Anda a apanhar melancias... é campeão.

E o irmão dele o Ricardo?

Esse passa aí às terças feiras, vai para Olhão. Diz que vai à praça.

Chega o carpinteiro da Falfosa. Bom dia diz ele. Bom dia companheiro, dizemos eu e o Zé.

Qual é o assunto para hoje?, pergunta o carpinteiro.

E eu digo, hoje vamos discutir os valores da democracia.

Valores?... diz o Leonel que chegou com o cajado... eu dou cinquenta contos.

E eu digo, vou fazer a caminhada e já venho...

Texto de
João Brito Sousa

quinta-feira, 8 de maio de 2008

UMA HISTÓRIA DA ESCOLA

AS CHAROLAS EM BORDEIRA


Dedico este texto aos amigos ADOLFO PINTO CONTREIRAS lá do http://apcgorjeios.blogspot.com/ e aos costeletas DIOGO COSTA SOUSA, que sabem porquê e ao BRITO AFONSO, que fica a saber agora porque lhe dedico este texto.

No meu dia a dia, colaboro com o Rogério Coelho lá da Associação dos Antigos Alunos da Escola Tomaz Cabreira. Uma vez, eu disse ao Rogério, éh pá, há aí uns tipos, antigos alunos da Escola que estão muito bem na vida a desempenhar cargos de relevo e achava que a Escola devia fazer qualquer coisa para reconhecer isso, porque num certo sentido, o êxito conseguido também tem um bocadinho de seu, digo, da Escola.

Ficou acordado então, que no almoço anual vamos fazer isso, esse tal reconhecimento.

Em tempos idos, tinha-me dado na “mona” eleger o melhor aluno do meu tempo, na Escola Comercial e Industrial de Faro, que frequentei.

Fiz uma consulta precária mas fiz, talvez um universo de dez pessoas. Mas falando com o homem da Marinha Portuguesa, o Zé Maria Martins, um homem que reputo de muita seriedade, não era preciso mais consultas. O melhor de todos os alunos desse nosso tempo, na óptica do MARTINS, tinha sido o Brito Afonso, agora ALMIRANTE.

Ocorreu-me então que se devia arranjar um pequeno diploma a atestar isso mesmo, que a AAAETC reconhecia ao Brito Afonso o qualificativo de “melhor aluno do seu tempo” .

A coisa foi aceite em reunião de direcção..

Bem, havia aqui um problema com o Brito Afonso. É que eu queria contacta-lo, mas estava um bocado à rasca, porque sendo eu e o Brito Afonso contemporâneos nunca fomos muito próximos, porque tivemos uma cena de putos, em que eu atrapalhei uma jogatana de tabuinha entre ele e outros. Meti-me no meio do jogo não sei como, o Brito Afonso não gostou, vem ao meu encontro e enfia-me uma estalada na cara.

Fiquei lixado e nunca mais nos falámos. Isto foi prá í há cinquenta e tal anos.

E agora era preciso falar com ele. Bom, ganhei coragem e procurei o Senhor Almirante Brito Afonso e disse-lhe ao que ia.

E o comportamento do costeleta Brito Afonso foi de uma gentileza enorme, gesto que não posso deixar de registar aqui.

E já agora, deixar-lhe um abraço.

Texto de
João Brito Sousa

quarta-feira, 7 de maio de 2008

IMRENSA/ PUBLICO


PCP responsabiliza Governo pela "crise" na Judiciária

O PCP responsabilizou hoje o Governo pela continuada "crise na PJ", com a demissão de Alípio Ribeiro da direcção da Judiciária, hoje à tarde, e avisou que o executivo "não pode fugir às suas responsabilidades".
"Quando o Dr. Alípio Ribeiro iniciou funções foi na sequência de uma grave crise na PJ e foi anunciado que iria ser superada. Hoje verificamos que isso não aconteceu. A crise continua", afirmou o deputado comunista António Filipe, em declarações aos jornalistas no Parlamento.
Para António Filipe, mais importante do que "mudar de directores" seria "mudar de políticas", em que o executivo de José Sócrates tem responsabilidades face a anos de "instabilidade na PJ".
"O Governo tem aqui responsabilidades a que não pode fugir. A PJ tem vivido uma situação de instabilidade e de manifesta falta de meios", afirmou o parlamentar do PCP. A escolha de Almeida Rodrigues, um quadro da PJ, para substituir Alípio Ribeiro, hoje anunciada pelo Governo, "não suscita um comentário especial" ao PCP, para quem o mais importante seria "dar meios" de funcionamento a esta polícia. Almeida Rodrigues, actual subdirector nacional adjunto na Directoria de Coimbra da PJ, vai suceder a Alípio Ribeiro à frente da Polícia Judiciária, disse hoje à Agência Lusa fonte oficial.
José Maria de Almeida Rodrigues, 49 anos, licenciado em Direito, é coordenador de investigação criminal da PJ, tendo sido um dos três directores nacionais adjuntos no mandato do antigo director nacional da Judiciária Santos Cabral. A nomeação de Almeida Rodrigues para dirigir a PJ foi divulgada em comunicado do Ministério da Justiça, onde é referido que o ministro da Justiça "aceitou o pedido de demissão que lhe foi entregue hoje pelo director nacional da PJ (Alípio Ribeiro)".

MEU COMENTÁRIO

Tudo isto é muito confuso.

É preciso ter-se a percepção do que é que a política tem para nos oferecer. E eu não tenho. Penso que este governo é tão complicado que não vejo melhorias sem nenhum sector.

A política desiludiu-me porque é executada por homens. E quando é assim

Publicação de
João Brito Sousa

À DO ZÉ RAIMUNDO


A minha hora de passar à do Zé Raimundo é às 7 horas da manhã. Nos Braciais o pessoal levanta-se cedo e procura um bocado de conversa antes de ir para o trabalho.

O Zé tem os seus clientes e faz na loja o seu abastecimento. Tem uma secção de café e acessórios e outra de mercearias. E tem bons clientes.

Passo e olho para o interior do estabelecimento e, com um gesto de mãos, pergunto ao Zé pelo Florival. Está a chegar, diz o Zé. Ok, disse eu e continuei na minha rota, que era virar à esquerda a seguir ao Zé, passar à casa do Florival, Rogério Coimbra, moços do Clemente, meu tio Zé Maria e de pois Zé Raimundo.

Mas logo à saída do Zé Raimundo, encontrei o Florival que trazia umas laranjas dentro de um saco de plástico. E disse-lhe, bom dia, hoje temos debate, preparas-te a coisa?... perguntei eu.. e ele disse, aquela coisa do homem rico?... sim disse eu... e ele ... vai dar a volta e aparece que já falamos sobre isso..

Quando o Florival chegou à do Zé Raimundo estava o pedreiro da Falfosa, o canalizador do Chelote e o Ferreiro de Estoi. O Florival chegou com as laranjas, entrou no estabelecimento e disse para o homem de Estoi. Olha lá, tu que vens da terra onde há um palácio, diz-me lá o que é um homem rico.

É aquele que não é pobre, disse o homem de Estoi.

Eu disse homem rico, ouviste ó pá.

E diz o canalizador. Eu é que explico esse assunto. Homem rico é diferente de rico homem, é ao contrário. Rico-homem é um fidalgo importante, é o nobre que guerreava pelo rei, sustentando as suas próprias forças e que tinha como insígnias o pendão e a caldeira. Isto é o rico-homem.

E pergunta o pedreiro da Falfosa. Então se há um rico-homem também há um rico –pobre. E o que é um rico – pobre?... pergunta o FALFOSA..

É uma casta de uva branca algarvia, diz o Joaquim Menino, que vinha a entrar.

Certo, diz o electricista.

E acabou a conversa.

Texto de
João Brito Sousa

terça-feira, 6 de maio de 2008

IMPRENSA / VISÃO


A NÓDOA
Miguel Carvalho
Se Alberto João Jardim decidir candidatar-se à liderança do PSD, já temos um responsável. Chama-se Cavaco Silva.
Caso não tenham reparado, foi o Presidente da República quem, na prática, lhe deu ideias. Há semanas, quando se deslocou à Madeira, o chefe de Estado não quis comentar qualquer episódio da crise no edifício social-democrata que já então ardia a fogo solto. Mas, durante dias, dispensou mimos e doçuras ao velho Alberto, retirando-o da insignificância nacional em que se encontrava e dando-lhe alento para adiar a reforma.
Aos que desconfiavam das virtudes e da saúde da democracia madeirense, Cavaco recusou uma sessão solene na Assembleia Legislativa Regional, reservando para a oposição parlamentar a dignidade de uma recepção tipo «vão de escada». Por entre inaugurações e romarias à Madeira postal, Cavaco terminou a visita com elogios à obra realizada em 30 anos de autonomia regional, considerando Jardim «uma referência incontornável e impulsionador decisivo da nova face da Madeira». Na despedida, não faltou a cereja no bolo: «O senhor não precisa de elogios, a sua obra fala por si».
Nas últimas semanas, de resto, Cavaco bem podia ter ficado em casa. Não só reciclou Jardim para a vida nacional, como ainda se lembrou de fazer um sermão de 25 de Abril a propósito do desinteresse dos jovens pela política. Ao homem nunca lhe ocorrerá que a década em que ele governou, sozinho e absoluto quase todo o tempo, talvez tenha algo a ver com isso. Mas se Jardim se candidatar no PSD, Cavaco ainda pode fazer-nos um último favor: afastar-se da política a tempo de ainda guardarmos respeito pelo cargo que exerce.
Ora, Jardim, que aprende depressa, desenrascou logo um novo tabu: até 15 de Maio decidirá se vai a votos entre o povo «laranja». Mas já leva vantagem: dos candidatos assumidos ninguém, excepto ele, poderá reclamar a bênção do «senhor Silva». É justo, convenhamos.
Publicação de
João Brito SOUSA

O QUE É UM RICO?


À ZÉ DO RAIMUNDO


Amanhã é terça feira e lá estarei, às sete horas. O Florival já lá estará porque ele vai cedo, leva quatro ou cinco laranjas, ó Zé sai um de tinto para acompanhar.

Antigamente, no tempo do Mestre Andrade e do Mestre Zé Paulino, os obreiros iam à taberna e bebiam aguardente.

Hoje, parece-me que já não se bebe aguardente, faz-se um petisco à quinta feira, e comem-se carapaus alimados.. Desta vez, o Florival convidou uns quatro ou cinco. E amanhã lá vamos.

De manhã passo lá cedo e depois vou fazer a caminhada, viro à direita, passo a lado do Vitoriano, sigo, Florival à esquerda, em frente há uma oficina de automóveis uns metros mais à frente, direita, passo de fronte da Urbanização do Reinaldo Tarreta. E sigo.

A esta hora o meu amigo Zé da Cova está ainda deitado, o amigo Horácio também e entretanto chego à do Vergílio Catita, passo pela casa da Adília do tio Bento, Victor Bagacinho que já foi, viro à esquerda e daí a dez minutos estou à do Zé.

E o Florival já lá está. Chego e pergunto: Florival, qual é o assunto que vamos discutir hoje? Hoje, diz o Florival, vamos discutir o seguinte: O QUE É UM HOMEM RICO? É isso que eu pergunto à brilhante sociedade, O QUE É SER UM HOMEM RICO.

Um alentejano que ali está, sem dinheiro nenhum, avança e diz: - dos homens que estão aqui, eu sou o mais rico de todos.

Porque é que você diz isso?.. pergunta um tipo do Chellote que está ali e vai trabalhar com o Mestre Zé Moreno para as noras. Para se ser rico é preciso ter dinheiro. O senhor tem algum?

Não tenho nenhum por isso sou mais rico que vocês todos. Eu tenho a minha honra, tenho a minha palavra e sou um homem pela justiça. O dinheiro só faz mal aos homens.. gera a ambição e é isso que estraga a humanidade. Amanhã estou aqui às sete para continuarmos a discussão. Está bem assim patrão.. estendeu a mão ao Florival que lhe disse. Até amanhã camarada...

E despedi-me também

João Brito Sousa

segunda-feira, 5 de maio de 2008

A D. HELENA


A NOSSA PROFESSORA DO ENSINO PRIMÁRIO

A D. HELENA foi a minha professora primária em MAR e GUERRA. Eu talvez tenha alguns conhecimentos técnicos que me levem a poder falar disso porque também fiz o curso do Magistério Primário e fui professor.

Justiça tem que ser feita. Já aqui tenho falado dela e quando falei foi das reguadas e dos bofetões. Mas a Professora Helena foi muito mais do que isso. Foi ela que nos encaminhou, bem ou mal, na carreia de estudos a seguir pelos alunos por ela preparados e que cuidava conhecer como ninguém as aptidões académicas de cada um deles.

Foi uma grande "mestre escola" para todos nós. Não podemos nunca esquecer o que ela fez pelos seus aluno/as. .O que ela fez por nós não pode ser esquecido. Tem de vier aqui mais malta prestar o seu testemunho. Só eu, DIOGO COSTA SOUSA e o João Brito Sousa é que falamos dela. E os outros? Esqueceram-na. Quero aqui os depoimentos dos costeletas Zé Louro Rodrigues, António Louro Rodrigues, Esmeralda Bolas, Maria da Glória Madeira, Zé Elias Moreno, Bernardo Estanco, Quim Rafael e Zé Dias Rafael....e ouros que não me lembro agora.

A D.HELENA foi professora de várias gerações....no meu caso, ensinou minha mãe e meus irmãos. Pensemos só nisto, ela ensinava naquele tempo e na mesma sala de aula, 4 classes, níveis diferentes, que ela tinha que "balançar" ao mesmo tempo....desde o abcedário aos da primeira classe até à Historia, Geografia , Aritmética , leitura e ditados à quarta.....nunca me esqueço o empenho dela na pontuação da leitura, quando liamos palavra atrás de palavra sem pontuação, lá vinha talvez o ponteiro,...arma de longo alcance e....o comentário: "Parece a nora da TI RAFAELA"....

Aqui temos que sair da sala e saber o que era a nora da TI RAFAELA, avo' paterna do ZE' RAFAEL e QUIM RAFAEL.

Cá vai :

:Os engenhos das noras, enquanto puxados a gado, tinham um batente de segurança que evitava que o engenho "rodasse" para traz e, ao mesmo tempo quando o animal de tracção parava para descansar, podia faze -lo sem ter que se esforçar para segurar o dito engenho....

Com a chegada dos motores às nossas noras, o tal batente mostrou-se insuficiente e foram adaptados a' "roda d'agua" dois, o que causava um som monótono de "bate bate" bem audível na nossa escola, vindo da nora da "Ti Rafaela"....

Ora, quando alguém lia em tom monótono, aí vinha a comparação; parece a nora..!!! E o ponteiro podia funcionar ou não...dependia talvez do seu estado de alma.

Não sei se a podemos acusar de ensinar pelo medo se devemos agradecer-lhe os métodos. Uma coisa e' certa, alunos havia que baixavam de rendimento escolar quando saíam de sob a sua alçada..

E eu sou testemunha disso porque fui um dos que baixei de rendimento logo no primeiro período na Escola Comercial De distinto no exame da quarta classe passei a .dois oitos, dois noves e um dez não ensino secundário.

Texto de
DIOGO COSTA SOUSA e
JOÃO BRITO SOUSA

IMPRENSA/ EXPRESSO


O ARCAÍSMO DO MAIO DE 68
João Carlos ESPADA.
jcespada@netcabo.pt

Muito bem visto joao
Prefiro a sociedade aberta, cujas origens não estão em Paris, há 40 anos, mas em Atenas e Jerusalém, há 2500. Chamam-lhe Ocidente, ou Mundo Livre... e continua a mover-se

Se o Maio de 68 foi uma revolução, isso já faz dele um arcaísmo. As sociedades abertas dispensam revoluções, sobretudo redentoras. Mas, pelo menos, terá sido uma revolução descentralizada: uma revolução que aconteceu e que não foi centralmente dirigida. Isso permitiu-lhe conter muitos traços contraditórios, alguns interessantes, outros desinteressantes, a generalidade simplesmente arcaicos.

Entre os arcaísmos do Maio de 68, encontram-se o utopismo e o colectivismo, ambos de cariz profundamente autoritário. A ideia de mudar uma sociedade de alto a baixo para a fazer conformar a um plano ideal, a chamada utopia, ignora que as sociedades livres não podem ser desenhadas. Ignora os limites do nosso conhecimento e a sabedoria, como diria Burke, do conhecimento descentralizado, que se vai adaptando a novas situações através do ensaio e do erro.

Por outras palavras, como observou Karl Popper, a utopia é um arcaísmo típico das sociedades e mentalidades fechadas. Em regra, gera a ilusão revolucionária e, o que é pior, a violência.

O mesmo é obviamente o caso do colectivismo. Imagine-se que impúnhamos à ciência a lógica da propriedade e da decisão colectivas: a inovação e a experimentação seriam imediatamente travadas por infindáveis plenários colectivos de ‘camaradas’. Foi isso mesmo que aconteceu às economias colectivistas. Ao abraçar ideais colectivistas ‘de base’, o Maio de 68 mais uma vez revelou uma ignorância confrangedora sobre a mão invisível do crescimento económico - que é a mesma que faz crescer o nosso conhecimento, ou seja, os direitos da pessoa em ambiente de liberdade sob a lei.

Dir-se-á que, pelo menos em matéria de costumes, o Maio de 68 foi sem dúvida a favor da liberdade. Isso merece uma análise mais detalhada, que este espaço não permite. Liberdade não é conformidade com uma concepção particular de comportamento certo, ainda que este seja designado por libertário. É ausência de coerção por terceiros. Muitas das instituições que sofreram o ataque de Maio de 68 - como a família, a religião judaico-cristã ou as boas maneiras - não foram impostas por ninguém. São ‘lares’ espontâneos de milhões de pessoas que simplesmente as preferem. Como diria o outro, «what’s wrong about that?».

Dir-se-á, finalmente, que o Maio de 68 era preferível ao arcaísmo de Salazar e Caetano. Isso foi seguramente o que o tornou atractivo para mim e boa parte da minha geração. Mas, agora que já somos mais crescidos, por que teríamos de escolher entre dois arcaísmos? Eu prefiro a sociedade aberta, cujas origens não estão em Paris, há 40 anos, mas em Atenas e Jerusalém, há 2500. Chamam-lhe Ocidente, ou Mundo Livre... e continua a mover-se.

Publicação de
João Brito Sousa

domingo, 4 de maio de 2008

BOM FIM DE SEMANA


PORTO, 2008.05.04

BOM FIM DE SEMANA

Para os meus filhos em ALMADA XAXÁ E PEDRO Para a minha nora e para as minhas netas MARIANA e SOFIA

Para os meus irmãos em NEWARK, USA

Aló Solange, katy and Jack David, Daniela, Michele e respectivos....

Aló PAUL SPATZ e filhas

Aló primos e primas na Austrália e Perpingham em França em NEWARK, aló Tony and Quitéria Ilheu aló SIlvina no Canadá

Para a Celina e para o Aníbal, para o Zé ALEIXO Salvador esposa, Honorato Viegas e esposa, Peixinho e esposa em ALMADA,

Para toda a malta do 1º 4ª de 52 em especial para o Coelho Proença, Zé Maganão e Ludgero Gema,

Para o Gregório LONGO no Lar da Guia (até à primeira)

Para o aluno da Escola COMERCIAL e INDUSTRIAL de FARO que elegi como o melhor de todos os tempos, o Contra Almirante ANTÓNIO MARIA PINTO DE BRITO AFONSO.

Para o Eng º ANSELMO DO CARMO FIRMINO e esposa, outro aluno brilhante e dos melhores de sempre da Escola COMERCIAL e INDUSTRIAL com quem tive dúvidas na atribuição do melhor aluno de sempre, tendo sido prejudicado por ser de uma ou duas gerações depois da minha.

Para o Dr. José Martins Bom, outro brilhante aluno da Escola COMERCIAL E INDUSTRIAL e para o igualmente brilhante e talentoso ARNALDO SILVA..

Para o Dr. Eduardo Graça e o seu ABSORTO

Para o grande poeta ROBERTO AFONSO

Para o Engº SOUSA DUARTE, esposa e filho

Para o amigo Carlos BARRIGA E ESPOSA e Filha nas FERREIRAS.

Para o Luís José Isidoro em ESTOI, amigo inesquecível

Para o Engº Neto e esposa em ESTOI ainda.

Para o Engº Manuel Carvalho e esposa

Para os meus compadres, Dr. Manuel Rodrigues e Drª Fátima Rodrigues e filha, a Drª Ana Luísa Rodrigues.

Para o enorme MÁRIO MONTEIRO que agora mora em CAMPO

e para o Guilherme, Marta esposo e filho,

Para a viúva do CARLINHOS LOURO, filhos e irmãos e respectivos.

aló Custódio Clemente e Zé Mendes na AUSTRÁLIA,

Zé Lúcio, Florentino, Rosendo e Joaquim Carrega...

Victor e Célia Custódio e Leonilde Filhos e filhas.

Aló Montenegro SÃO E FILHAS ,

Tia Amélia.

Tias Alzira e Ti Manel

Eusébio e Júlia Lucília e Armando e Filhos

Silvina e Luís Alcantarilha e filhos

Mercedes e Alviro, BICAMA e BIZÉ E RESPECTIVOS

Maria do Carmo e Zé Maria e filhos (meu afilhado João Manuel) e noras netos

FLORIVAL EM França, esposa e filhas Para o CUSTOIDINHO, o filho do APOLINARIO, que diz que é teu amigo e com quem tive uma pega no restaurante o Jorge, no PATACAO.

Para: VIEGUINHAS de Pechão e respectiva equipa do almoço de sábado, o ZÉ GRAÇA, o BOTA de ESTOI e o ENGENHEIRO

Para a malta do 1º ano 1ª Turma de 52/53

Chefe de turma: CÉLIO MARTINS SEQUEIRAALUNOSJosé Bartílio da PalmaLuís Rebelo GuimarãesHerlander dos Santos EstrelaReinaldo Neto RodriguesAntónio Inácio Gago ViegasHumberto José Viegas GomesManuel Cavaco Guerreiro.Joaquim André Ferreira da CruzJoão BaptistaJosé Mateus Ferrinho PedroJosé Vitorino Pedro RodriguesIvoFrancisco Gabriel Carvalho CabritasJoão António Sares ReisFernando Manuel MoreiraAntónio Manuel Ramos JoséFrancisco Paulo Afonso ViegasManuel GeraldesJoão Manuel de Brito de SousaJorge Manuel AmadoJoão Vitorino Mendes BicaCarlos Alberto Arrais CustódioJosé Júlio Neto ViegasManuelJoão dos SantosJosé Pedro SoaresJosé Marcelino Afonso Viegas


Para o meu afilhado em Washington CARLOS ALBERTO DIOGO esposa e filhos

Para o DIOGO TARRETA e esposa e filho, o grande Engº JOÃO PAULO SOUSA

Para o REINALDO TARRETA, esposa e filho, o Engº Rui Tarreta e para a SOLEDADE e respectivo...

Aló ESTORIL Mário Fitas, Aló Porto Carlinhos Pereira, Adelino Oliveira em AZEITÃO. Romualdo Cavaco, Jorge Valente dos Santos e Zé Pinto Faria em Portimão. ADOLFO PINTO CONTREIRAS NOS GORJÕES E SOARES em TAVIRA. Feliciano Soares e Xico LEAL em Olhão e Zé Júlio na ilha da Culatra. Para a malta da Escola Comercial e Industrial de FARO, grandes amigos e colegas,

ROGÉRIO COELHO, LUÍS CUNHA, JORGE CACHAÇO E FRANKLIM MARQUES.

Para o JORGE CUSTÓDIO, o JORINHO que andou comigo na escola primária em Mar e Guerra, irmão da Fernanda e que agora mora em Faro e para o GABRIEL ferreiro na Falfosa.

Para CUSTÓDIO JUSTINO esposa e filhos, ANÍBAL PEREIRA e esposa no Patacão e João ALCARIA em Mata LOBOS , distintos bancários.

Para as minhas primas Maria Emília na Falfosa, filhos e respectivas, Margarida em Santa Barbara de Nexe, Maria em Faro e Glorinha em Tavira.

Para o primos ROBERT em Nice, JOÃO no Patacão.

Para os tios Zé Bárbara e Vitalina em Vila Moura e tio António no Canadá..


UM BOM FIM DE SEMANA PARA TODA A GENTE

João Brito Sousa

sábado, 3 de maio de 2008

NA LOJA DO MESTRE VIEGAS

JOGO INTERNACIONAL CONTRA A MALTA DE PADERNE
Foi a geração a seguir à minha, a rapaziada que tem hoje 60 anos que aguentou o barco e também ia `a loja do Mestre Viegas.

São desse tempo o Rogério Matinhos, um grande jogador de futebol do SCPatacão, camisa 10, jogador pensador, irmão dos gémeos Custódio e o outro, que foram para França e eram netos do Tio Matinhos, sapateiro com oficina a seguir ao Mestre Serafim, barbeiro e vendedor de sementes de cenouras e hortaliças e coisas assim.

A loja do Mestre Matinhos era onde hoje é a loja do Jorge Albricoque.

Este Rogério era muito habilidoso para tudo e a jogar a bola tinha um pé esquerdo maravilha e também ia à do Mestre Viegas.

Deste tempo é também o Fernando Estanco, bom jogador de futebol a segundo ponta de lança, era também o Alfredo Lili ou o Di Stefano, médio ala e taxista, o Etelvino Cristina irmão do Tomé, o Agostinho Marques, irmão do Zé, talvez o Filipe do Zé da Cova, talvez o Rogério irmão do Victor Coimbra e o capitão da equipa, o defesa direito João Patuleia.

Todos estes jovens e jogadores do clube da terra iam à Loja do Mestre Viegas.. E jogavam aos bonecos.

Um dia houve um jogo internacional na Loja . Contactaram o Marinho Guerreirão para árbitro e obrigaram-no a ir treinar ao mato do Gregório, depois da venda do leite.

A equipa, primeiramente era constituída por Di Stefano e Matinhos. O Hermínio Correia veio e anulou a convocatória, com o argumento, que o Di Stefano e o Matinhos tinham pouco peso. Fez-se nova convocatória, apareceu o Joaquim João que disse, vamos jogar em profundidade e, como dizia o Cabrita do Olhanense, vamos a eles como tarzões, portanto, quem vai jogar é o João Patuleia e o Agostinho Marques.

E deu a táctica.

Agostinho, dominas a bola atrás e depois alongas para a ponta que o João manda para o meio e faz golo.
Vieram os homens.

A equipa era de Paderne, calmeirões a sério. Equipavam à Louletano e traziam as bolas.

O Marinho apalpou-as e disse ok.

O Patacão equipava à Sporting.

Havia uma TAÇA de cinquenta escudos em jogo. Era à melhor de cinco.

Às tantas estavam 4 a 4. Fomos para o jogo decisivo. Nove bolas para jogar. Havia vinte minutos de jogo e havia quatro a quatro. Faltava uma bola. Havia nervos. O Agostinho apanha uma bola cá atrás na defesa, segura-a com o calcanhar, limpa o suor, olha para a baliza contrária, mede a distância e remata.

È golo e o Marinho acaba o jogo. O MESTRE VIEGAS aplaude e abraça os dois jogadores.

O Zé dos Santos fartou-se de rir nesse dia.

JOÃO

sexta-feira, 2 de maio de 2008

À DO ZÉ RAIMUNDO


BRACIAIS, 2008.05.01

DIA DE MAIO.

Eram 10 horas da manhã na venda do Zé Raimundo e hoje é dia de Maio. O Florival ainda está no supermercado do Zé, vem `a porta e passa o MATEUS BOLAS. Velhos amigos de outras noitadas, recordam quando ele, o Florival e o Joaquim Caco, pegaram um boi de cernelha na feira da Malveira.

Zé sai um copo, diz o Mateus. Bebe de um trago e vai-se embora. Adeus amigo.

O Lito chega atrasado, vinha de um negócio e diz na venda do Zé: - Quem marcou o golo ao Benfica fui eu. Levamos 4 a 1. Mas eu apanhei-a a jeito e lá vai disto. A abertura foi do médio esquerdo para a ponta direita, este centrou e eu, até parecia o Jardel voando sobre os centrais,
mandei-a lá para dentro. Sabes quem foi o Jardel Adriano?

A Madinha chega com os carapaus alimados, estão bons diz ela, pus pouco sal, diz ela. E tu FLORIVAL , trouxeste o vinho?
O padeiro chegou e trouxe o pão.
A Madinha dançou uma polga com o Litos

Chegou o Marinho, irmão da Suzete e da Custódia e cunhado do David Cassetinho e disse que não tinha vida para aquilo.
Apareceu o JOAQUIM MEIO QUILO a perguntar por trabalho.

Diz o Vitoriano, isso acabou tudo.

Agora é só p... e vinho verde.

Ah vida.. vida... diz o Joaquim....

Texto de
João Brito SOUSA

MONTE XERIF


O MONTE CHERIF


Fica situado nos BRACIAIS. É um bairro onde moravam, no meu tempo, dez ou doze famílias. Para lá chegar, quem vem do Patacão para Mar e Guerra, vira à direita, onde era a antiga casa do Ismael Janeira, em frente ao Zé Raimundo, passa a casa da Madinha e depois a casa do meu parente Zé Patuleia e logo a seguir vira na Avenida à esquerda e vai dar ao Monte. Não é preciso passaporte nem paga portagens.

Os residentes de lá são gente simpática. Vejam se os conhecem nesses versos que aqui vos deixo.

“OS QUE MORAVAM LÁ HÁ QUARENTA ANOS”

Entra-se no Monte vindo do lado do Ismael Janeira
E a casa da tia Luísa Apolo é a primeira.
Á esquerda. E depois vem a casa do Luís Alcantarilha pai
O José Conquilha vem logo depois, O Domingos Simão
O que tinha a bicicleta e vivia com a mãe, o pai e o irmão
O Manel, pai da Zélia, da Rosário e do Adelino
Toda esta gente eu conheci quando era moço pequenino.

Viviam lá ainda o Zé Simão, pai da Celeste e da Maria José.
A Ti Delmira Balfunda e esposo, pais do Zé Lúcio
O Joaquim Lobacota e a mulher, pais da Cesaltina
O ti Manel Simão Pai e mulher, uma que era pequenina
E ainda o Zé Lobacota e a Luísa Lobacota, que eram
Os pais da Custódia casada com o David Cassetinho
Pais ainda da Suzete, do Dionísio e do Marinho

Lembram-se desta malta?....
Vejam lá se estão todos...
Ou se está algum em falta....


Aí vai um abraço para todos do

João Brito Sousa

quinta-feira, 1 de maio de 2008

O 1º DE MAIO


O 1º DE MAIO


É o tal dia
Que é obrigatório
Comemorar ....
E que não devemos deixar
Passar
Sem celebrar

A ocorrência

Este
É o tal dia
Em que não deverá acontecer
Nenhuma desistência

Não!...

Hoje vamos comemorar
As reivindicações

Dos homens e das mulheres....

E tu vem
Também
Se quiseres

Porque juntos
Ninguém nos vence
E não é preciso sermos
muitos
Para nos convencermos

Que no mundo
A razão

Está sempre ao lado da revolução

Sem medo algum
De modo nenhum

Porque se for preciso
Teremos sempre uma arma à mão.

João Brito Sousa

IMPRENSA/ VISÃO


A MENINA DO TELEMÓVEL

por Filipe Luís

Os meninos têm tudo, a começar pelo telemóvel. Chegam a adultos sem nunca terem ouvido um não. Ou seja, ficam sempre crianças e só podem vir a ser (ainda) piores pais

De repente, por causa de uns gritos e de uns puxões num braço, o País acordou para a violência contra os professores. De uma forma cruel, uma adolescente de 15 anos passou a ser uma espécie de inimigo público n.º 1 nacional, sem que ninguém tivesse parado um minuto para pensar em duas ou três coisas: o que está na origem desta indisciplina? Terá a aluna cometido um crime ou protagonizado uma criancice?

Será ela o bode expiatório ideal, só porque teve o azar de ser filmada, ou haverá casos mais graves, escondidos e abafados pelas próprias escolas? Como podem as reacções da comunicação social (e o serviço público de televisão passou até à náusea as imagens do Youtube, com pouco ou nenhum respeito pela reserva de imagem dos envolvidos), o histerismo do público e a diligência do próprio procurador-geral da República marcar o futuro desta rapariga? Poderá uma birra aos 15 anos impedir que ela volte a levantar a cabeça, o resto da vida? Como será recebida na nova escola pelos professores, funcionários, colegas?

Razão tem o bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, em denunciar a rebocagem da PGR pelos jornais, neste caso. Levanta-se um inquérito para se apurar se houve ilícito criminal, com base em imagens onde não há, analisando-as friamente, verdadeiras agressões. Onde estão os processos levantados contra alunos e, sobretudo, pais, que em todas as escolas do País se entretêm a coagir, ameaçar e agredir, esses sim, professoras e professores, enviando-os(as) para as enfermarias, para o hospital e para o psiquiatra? Porque há-de ser, agora, esta miúda, mais vítima do que algoz, o exemplo a imolar no pelourinho público, para gáudio da turba?

Mais: não será bastante mais ilícito, até do ponto de vista criminal, o acto do autor da filmagem que, sem respeito pelos direitos de imagem de ninguém, lança o vídeo para a web e para a mundo? Porque não conhecemos, também, a cara dele e apenas lhe ouvimos a voz alarve.
Noutros tempos, os professores tinham autoridade, porque podiam chumbar. E quando se chumbava, sofria-se uma consequência, geralmente familiar. O Presidente da República pode testemunhá-lo: quando reprovou um ano, passou as férias de verão a sachar o milheiral do seu pai e viu a bela praia algarvia da sua infância por um canudo. Aníbal Cavaco Silva costuma evocar esta história, para ilustrar o «clique» que o fez reconsiderar comportamentos e querer subir na vida.

Hoje, porém, quase não se chumba. Porque o facilitismo entrou, definitivamente, nos programas escolares e nos objectivos políticos dos sucessivos ministérios. Interessa garantir estatísticas de crescente sucesso escolar, para que os políticos fiquem bem vistos. E isto tem tudo a ver com o alucinante novo estatuto do aluno e com a importância da taxa de reprovações, na própria avaliação dos professores, que agora é proposta. Isto tem tudo a ver, ainda, com a política da ministra que, embora autora de reformas corajosas, preferiu aliar-se aos pais – já agora aos alunos – contra os professores.

Durante anos, semearam-se ventos que agora se transformam em tempestades.

Quando se chumba, ninguém vai trabalhar para as obras ou sachar os milheirais da família. Pelo contrário, os pais pedem explicações aos professores – e nunca aos filhos. Ameaçam-nos e espancam-nos, cobertos por um sistema que, já de si, dificulta ao máximo a possibilidade da reprovação pura e simples. E os meninos têm tudo, a começar pelo telemóvel. Chegam a adultos sem nunca terem ouvido um não. Ou seja, ficam sempre crianças e só podem vir a ser (ainda) piores pais.

A aluna da Carolina Micaelis não é uma perigosa heréctica, destinada a ser queimada na santa fogueira da nossa indignação. É só uma miúda de 15 anos, que recebeu uma mensagem de um namorado secreto, que não queria que ninguém visse. Por favor, dêem-lhe um telemóvel novo.

Publicação de
JOÃO BRITO SOUSA

NOS BRACIAIS NO ZE RAIMUNDO


NOS BRACIAIS, À DO ZÉ RAIMUNDO


Quando eu cheguei já lá estava a malta. Hoje é quinta feira e é dia de petisco

Bom dia rapaziada, disse eu.

Bom dia disseram eles.

Encostei-me ao balcão, pus-lhe em cima o cotovelo direito, e, do antebraço que vinha para cima, encostei o queixo à mão que ficava no extremo desse braço e fazia uma espécie de apoio à cara, que quase parecia uma estaca.

A malta do campo faz isso muitas vezes quando vai `a taberna comprar tabaco, ou procurar trabalho ou beber um copo de aguardente ou beber uma cerveja, encosta-se ao balcão e coloca lá o cotovelo e depois encosta a cabeça à mão. . e assim estão longas horas.

Foi nessa altura que eu perguntei ao FLORIVAL

Há quantos anos por aqui, pá?

P´ra í uns cinquenta anos. Eu corri isto tudo. Comecei aqui no Inácio Moreno e depois casei-me e depois comecei a negociar e montei aí a minha vida, que está aí à vista de toda a gente.

Eu saí daqui em 63 e agora é que estou de regresso. Houve aqui muitas mudanças?

É pá, sabes isto evoluiu, tudo evolui. Há cinquenta anos a vida era outra. Corríamos tudo. Éramos dez ou vinte moços, aos domingos íamos ao baile do Cavaco a Santa Bárbara e quando o baile acabava, lá vinha o baile do teso, eram homens valentes a jogar o teso e depois às tantas vínhamos embora e no domingo a seguir íamos lá outra vez.
A malta ia chegando para a petisqueira, uns eu conhecia outros não. Mas foi uma festa

Texto de
João brito SOUSA