sexta-feira, 9 de novembro de 2007

GRANDES HOMENS DO PATACÃO

( a venda doo paposseco no PATACÃO )
FIGURAS DA NOSSA TERRA


Vou tentar falar de algumas figuras aqui da nossa terra que marcaram o nosso tempo.

Começo pelo Mestre Gorgulho o endereita que vivia nas casas do tio Ladeira.... Era como irmão da mulher do Campos que vivia ao lado.

Em frente da bomba da gasolina morava o celebre Michelin barbeiro .Um belo dia quis suiçidar-se e deitou-se para dentro do poço tio Arrebenta mas depois começou agritar por socorro...teve medo quem não tem....

Outra figura foi o tio Matinhos sapateiro que morava ao lado da Sociedade esse então tinha a mania de advinhar o tempo e de madrugada subia a cima da parede do tio Páscoa.....

Na manhã ia transmitir a sua previsão à malta.

Um pouco mais abaixo era o Papesseco e a dona Lidia. ela é que trabalhava e ele ia falar à vizinha... os senhores compreendem... E quando a mulher ralhava ele respondia tens razão ganhaste tu perdi eu fica com bicicleta..


Recolha d e


JOÃO BRITO SOUSA

POESIA



de Miguel Torga

Ciganos

Tudo o que voa é ave.
Desta janela aberta
A pena que se eleva é mais suave
E a folha que plana é mais liberta.
Nos seus braços azuis o céu aquece
Todo o alado movimento.
É no chão que arrefece
O que não pode andar no firmamento.
Outro levante, pois, ciganos!
Outra tenda sem pátria mais além!
Desumanos
São os sonhos, também...

VELHOS COMPANHEIROS

(alunos d a escola comercial e industrial de faro)
MALTA DE SANTA BÁRBARA
QUE ESTUDOU COMIGO EM FARO...


Nos anos cinquenta, começou o grande ataque da malta do campo às instituições de ensino da cidade. O campo tinha bons valores que se revelavam na instrução primário, onde o grande julgador era o professor da quarta classe. Se o aluno tinha talento, o prof. mandava chamar os pais e aconselhava-os a que os filhos prosseguissem.


Os melhores “montanheiros” batiam-se com os melhores da cidade e disso dou aqui dois exemplos ( mas poderia dar mais); os casos do nosso Presidente da República de Boliqueime e o senhor Almirante Brito Afonso, de Bordeira, sendo ambos alunos distints.

Da estrada da Santa Bárbara de Nexe vinham dos Gorjões, parece-me, a Gabriela Canadas que vinha de motorizada e que fez o curso do Magistério Primário, o Adolfo Pinto Contreiras que fez o curso do ISEL igualmente dos Gorjões, a minha prima Isilda Garrochinho que vinha da zona do Poço e fez carreira no Governo Civil de Faro, e agora de Santa Bárbara de Nexe vinha o Engº José Pinto Faria que fez engenharia no IST e já agora, foi campeão nacional de judo e é compadre do meu tio Zé Bárbara, o BIDEIA, jogou sempre limpo a defesa central na equipa de futebol da Escola Comercial, onde estava de saída quando eu chegei, dsipunha de uma elegância notável, de visão e leitura de jogo acima da média, fisicamente poderoso, grande poder de impulsão e excelente poder de antecipação e um aluno brilhante. De Santa Bárbara vinha ainda o José Coelho Pinto que emigrou paara Austrália e casou com a Zélia Simão do Patacão, o César Melgaz com destino à Marinha , o Afonso Custódio de Brito cujo destino desconheço, o Bento que foi para o Canadá e é o filho do Canito que vendia sorvetes, o Manuel Silvestre que foi Presidenet da Junta, o João Manuel Alcaria reformado da Banca, os meus primos Ismael Estanqueiro e José Garrochinho e vinha o Zé Cristina que trabalhou comigo na Diamang e frequentava o ensino nocturno.

Quase todas estas pessoas voltaram às origens depois do desempenho de boas carreiras profissionais fora dela. E não ficaram a dever nada ao pessoal da cidade.

Santa Bárbara de Nexe uma aldeia a visitar.
João Brito Sousa

REFLEXÃO FILOSÓFICA

(o escritor Raul Brandão)
O texto é de
Raul Brandão, in "Húmus"

A ALMA É EXTERIOR.

“A alma, ao contrário do que tu supões, a alma é exterior: envolve e impregna o corpo como um fluido envolve a matéria. Em certos homens a alma chega a ser visível, a atmosfera que os rodeia tomar cor.

Há seres cuja alma é uma contínua exalação: arrastam-na como um cometa ao oiro esparralhado da cauda - imensa, dorida, frenética. Hácuja alma é de uma sensibilidade extrema: sentem em si todo o universo.

Daí também simpatias e antipatias súbitas quando duas almas se tocam, mesmo antes da matéria comunicar. O amor não é senão a impregnação desses fluidos, formando uma só alma, como o ódio é a repulsão dessa névoa sensível. Assim é que o homem faz parte da estrela e a estrela de Deus.

COMENTÁRIO,

Eu penso que isto não serão mais do que especulações. A alma é o quê? O texto não diz. Alma não é mais nada do que o entusiasmo e a força que teremos de pôr em prática para sobreviver.

A alma não é nada exterior; quando muito vem do exterior. É o exterior que nos provoca e arrebata-nos a alma e é aí que envolve e impregna o corpo. O que é visível em certos homens é a raiva que se pode confundir com a atmosfera que os rodeia e toma cor.

O amor é impregnação de fluídos? Quando muito poderá ser o resultado da impregnação dos fluidos. Meu caro Raul Brandão, não existe estrela nenhuma para o homem nem a estrela faz parte de Deus porque Deus não existe. .

A alma vem do exterior.


João Brito Sousa

LITERATURA

(o escritor António Lobo Antunes)
È PRECISO ESTUDAR ANTÓNIO LOBO ANTUNES.

É um romancista português, nascido em Lisboa no dia 1 de Setembro de 1942 e proveniente de uma família da grande burguesia portuguesa. Licenciou-se em Medicina com especialização em Psiquiatria. Exerceu a profissão no Hospital Miguel Bombarda em Lisboa, dedicando-se desde 1985 exclusivamente à escrita.

A.L.Antunes é, decididamente um autor que exige muito de nós e que nos coloca problemas de nada fácil resolução. É ele que diz que começa a trabalhar às catorze e vai até às vinte e duas (respeitando as horas das refeições, obviamente), mas que às vezes tem de ir até ao hospital ver pessoas.... para não dar em maluco...

Como é que se pode classificar um homem que diz de si próprio o que vem no parágrafo anterior e o que vem nas frases seguintes?:

“.. Entendo tão pouco da vida e o pouco que entendo chegou, é claro, demasiado tarde, quando de pouco me serve. Deviam ter-me dado um folheto de instruções quando nasci, no género dos que acompanham as embalagens de medicamentos: indicações, contra-indicações, posologia, advertências, efeitos secundários. E em certos dias da semana, certos momentos, certas pessoas só podiam ser usados com receita médica. ...

“...tive que enterrar grandes valores para sobreviver. Foi difícil e talvez indigno mas não encontrei outra saída. Uma hipótese era a de aceitar a mentira e conviver com ela; outra era não pactuar. E as duas hipóteses eram particularmente dolorosas.. Entendo tão pouco de amor...”

Será LA um génio, um céptico, um excêntrico, um detentor de uma inteligência fora do normal, será que tem razão no que diz, será que para desfrutarmos da vida necessitaríamos de um folheto de instruções?...

Afinal, o que e que tem para nos dar Lobo Antunes?

João Brito Sousa

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

BRACIAIS; ACONTECIMENTOS E FACTOS

(pousada de s.brás de alportel)


CRÓNICA DOS BRACIAIS

MEU CARO JOÃO PATULEIA.

O DANIEL RATO já faleceu...
E a história dele não posso contar
Se não quem paga as favas sou eu
Quando ele é que as devia pagar.

Este texto de lembranças é dedicado ao meu amigo JOÃO PATULEIA, um homem que toda a gente admira e de quem tenho muita honra em ser amigo.

A lembrança mais antiga que tenho da minha Terra, dos Braciais, é da Ti Gertrudes Faísca e do filho, que tinha uma bicicleta de corrida e que moravam em frente da venda do Zé Manelinho, onde está hoje o Zé Raimundo.

A Ti Faísca vendia na praça em Faro, que nesse tempo, ficava ao pé do apeadeiro de S. Francisco, ali para os lados dos Bombeiros. Tinha um carro e uma mula e lá ia de manhã para as vendas.

Outras gentes que me lembro desse tempo antigo, mas que já residiam no Patacão, moravam onde morou o João do Mato, é da Ti Adelina que parece tinha dois netos um era o Virgolino e o outro era o José da Silva, que ainda andaram comigo na primária e foram para a Argentina há muitos anos.

Outras pessoas que me recordo desse tempo longínquo é do Manuel Branco, que morou em frente das casas da minha mãe e parece que vivia com a Senhorinha da Cova, era muito doente e morreu muito cedo.

Recordo-me ainda dos mestres de obras, Mestre Andrade e Ti Palino, que tinha dois filhos, o Joaquim e o José. E do primo Zé Figueiras, que está na Argentina vai para sessenta anos e que me jogava ao ar quando eu tinha cinco e por lá aparecia ao pé dos mais velhos.
O Toca Toino que trabalhou lá em casa e a Coxa e os filhos, a Sanita, a Lídia e o Isidro que foram todos para a Argentina e que nunca mais os vi.

A QUADRADA

Enquanto o baile decorria sem destino
Jogava-se à manilha por tuta e meia....
Sebastião Apolo com Mestre Bernardino
E Ti Lexandre com Ti João Patuleia..

Vai ser este uma das próximas crónicas.

João Brito Sousa

CRÓNICA DE UMA MANEIRA GERAL

(eu e o aleixo)

CRÓNICA DE UMA MANEIRA GERAL.


Acabei de falar com “mon cousin” Robert.

PENSO, é o que faço agora, disse-me.

O Robert reside agora no Principado do Mónaco e está a trabalhar com o maior artista de lá. Está de férias, agora. Face a isso, perguntei-lhe o que é fazia e ele disse: PENSO. E dei comigo a pensar se “PENSO” poderia ser um bom título para esta crónica de uma maneira geral.. E penso que sim.

PENSO em ti meu amor. Penso naquilo que uma esposa pensa esperar de um marido. E sem esforço analiso sobretudo o lado guerreiro (também há) da nossa vida. E concluo que numa relação é mais fácil ceder do que dobrar os outros; há muito que me convenci disso. Mas penso também que não há situação nenhuma em que uma pessoa não possa ser feliz.

PENSO que nunca deverei estar melhor do que estou agora. Quando ouço uma campainha a tocar, quando recebo uma carta ou, muito simplesmente, quando acordo, tenho medo. Porque quero viver a plenitude da minha situação actual, de que tanto gosto, e receio que alguma coisa possa mudar. E assusta-me se isso puder vir a acontecer, que alguma coisa possa mudar.

PENSO que a vida devia ser sempre assim para todos e se existisse algures outra espécie de felicidade, essa, não deveria ser maior do que aquela que agora desfruto. Em realidade sou feliz, mas atormenta-me a ideia de que essa felicidade me não custe nenhum esforço nem nenhum sacrifício.

PENSO que podemos colocar a fasquia nesta máxima: de manhã estarmos alegres, ao meio dia dignos e à noite ternos Para isso, quero lutar, preciso que sejam os sentimentos a guiar-nos a vida, em lugar de ser a vida a guiar os nossos sentimentos.

PENSO não estar disponível para uma vida vazia porque gera aborrecimento. Quero andar para diante e que todos os dias, a toda a hora, aconteça algo de novo. Como no ano em que te conheci, em que passava as noites inteiras sem dormir e a pensar em ti, criando o meu amor e a ver como ele crescia.

PENSO ser possível numa noite qualquer aparecerem cada vez mais estrelas no céu.

PENSO que te amarei sempre.

João Brito Sousa

O REGICÍDIO

(regicídio de 1/Fev/1908)


O REGICÍDIO
Por Raul Brandão.



1 DE FEVEREIRO DE 1908



Está uma tarde linda, azul, morna, diáfana. Converso na livraria Ferreira com o Fialho de Almeida, quando entra esbaforido e pálido o pintor Artur de Melo, que conheço do PORTO e diz num espanto, ainda transtornado: - Acabam de matar agora o rei!
- O quê?! - Eu vi, ouvi os tiros, deitei a fugir...

Fecham-se à pressa os taipais das lojas. Uma mulher do povo exclama: - Mataram agora o rei. Vi os que o mataram. Eram três. Dois lá estão estendidos. Passou agora um agora por mim a rasto, com a cabeça despedaçada!... Há palmas para o lado da Praça da Figueira. Anoitece. Um esquadrão desemboca na rua a Mouraria... mais tarde no comboio, um empregado de Jorge O'Neill confirma: - Vi do escritório um polícia correr atrás de um dos assassinos. A certa altura caiu-lhe o chapéu: era calvo. O polícia varou-o com um tiro.

E pela narração do Melo, do Armando Navarro e de outros que assistiram, reconstituo assim a tragédia:

O comboio descarrilara. Seguia atrasado. Durante o trajecto o rei não fumou nem jogou, como costumava. Vinha apreensivo.

O Malaquias Lemos contou que na véspera, em Vila Viçosa, o rei jogava com o Príncipe. Era ao entardecer. Na chaminé um grande braseiro. Trouxeram-lhe uma carta. Para a ler melhor levantou-se, chegando-se à janela. Duas vezes a percorreu com a vista e depois rasgou-a em bocadinhos que atirou ao lume. Petrificou-se um momento envolto na sombra... - El - rei não joga? - Perguntou o príncipe - Jogo, jogo... - Sentou-se, jogou, mas tão preocupado que quase não jantou nesse dia.

Recolha de

João Brito Sousa

CRÓNICA DA 1ª REPÚBLICA

(parlamento)

USOS E COSTUMES


A revolução de 5 de Outubro não altera o essencial da estrutura social portuguesa. Não sendo posta em causa a propriedade da riqueza (com excepção do caso específico da Igreja), as classes sociais dispõem-se de acordo com a ordem tradicional. Todavia dão-se profundas modificações quanto ao protagonismo dos diversos grupos sociais. É a derrocada da nobreza, que, sem fortuna e sem o proteccionismo da monarquia, perde de um dia para outro, regalias e influência.

A república é inequívoca a esse respeito: pela Constituição de 1911, são rejeitados os privilégios de nascimento e foros de nobreza e extintos os títulos nobiliárquicos e de conselho, assim como as ordens honoríficas com as suas prerrogativas.

Traumatizados pela sua despromoção a comuns cidadãos, dezenas de aristocratas, acompanhados de alguns elementos da classe média ligados ao poder monárquico, preferem ir para o estrangeiro conspirar contra o novo regime.

Desapareceram assim as grandes festas de salão, as concentrações de Verão, o convívio fino do S. Carlos, as oportunidades de exibir toilettes e intercambiar futilidades, a ostentação do luxo e do requinte. Sendo assim, as camadas sociais salientes são naturalmente as que apoiam a República, nomeadamente a classe média urbana: comerciantes, funcionários públicos, professores, empregados de balcão, escriturários, pequenos e médios proprietários e profissões liberais.

Há depois os pobres, que, mesmo desiludidos com o regime, é licitamente correcto serem enaltecidos, já que a revolução, pelo menos nas palavras, faz-se em seu nome.

João Brito Sousa

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

OS MEUS AMIGOS DOS BRACIAIS

(capela dos gorjões)

BRACIAIS IN ILLO TEMPORE

Figuras de antigamente, dos Braciais

Quatro personalidades distintas da minha terra.
GENTE BOA E HONRADA QUE CONHECI BEM.
SÃO QUATRO PESSOAS QUE RESPEITOSAMENTE AQUI TRAGO PARA QUE AS RECORDEMOS COM TODA A CONSIDERAÇÃO.

1) O COXO

Nesse tempo andava por lá o Coxo.
Era dos que levava e não pagava nada.
Trabalhava lá a descamisar o milho roxo,
Na altura em que se fazia a ajudada.

Um dia o Coxo ganhou sem trabalhar
Uns dinheiritos ...e comprou uma bicicleta
O que o Coxo adorava era pedalar.
O que o Coxo queria era chegar à meta.

Mas o Coxo nunca lá chegou; ninguém chega...
Nem o Homem, nem o leão nem a flor..
Na vida só há uma meta que é a entrega
Da nossa alma às mãos do SENHOR.

2) O JOAQUIM MENINO

E havia também o Joaquim Menino,
Que veio de Paderne para o PATACÃO.
Era um homem forte, atarracado mas pequenino,
E passava todo o tempo bêbado e deitado no chão

3) O MALACO

E depois havia o Manel Malaco,
Que metia medo à minha irmã mais nova.
O Manel fazia coisas que parecia um macaco
E eu tive que intervir e dizer que lhe dava uma sova.

A coisa passou-se assim: o Malaco deu uma corrida,
Em direcção aos moços que estavam por ali.
E eu disse para o Malaco:-Malaco, olha a tua vida,
Tem juízo, vê lá... senão, não sais vivo daqui.

E o Malaco respondeu: - amigo João tenha calma,
Eu sou bom lavrador e de moços... nesta matéria...
Sou um campeão... pode crer ...e pela sua alma
Não me faça mal que eu vou já dar um beijinho à Quitéria.


4) O MUDO VALENTE


Na minha Terra havia dois irmãos. Um falava e outro não,
Este, emitia sons...bah, bah, o Luís é que falava com ele e dizia:
- Óh Manel... bah...bah... e quem tinha medo dele era o meu irmão,
- O Quim, que se escondia debaixo da cama quando o Manel aparecia.


Mas o Manel... bah para aqui ...bah para ali...não fazia mal a ninguém.
Gostava das crianças, das pessoas e tambem dos animais, de todos... afinal.
Era um santo...trabalhava nas tarefas que sabia desempenhar e fazia-as bem,
E o meu irmão Quim dizia-me.. ó Vão, tenho medo do mudo... ele não nos fará mal?


Jack, meu querido irmão... nota bem....não são os mudos deste mundo os estupores...
Os sacanas são os faladores... aqueles que negoceiam em droga... são esses senhores
Que fogem à Justiça e que não pagam impostos que são os grandes ladrões.

E depois irmão... meu caro e amigo Jack... o problema do mundo é um duro osso...
Jack ...tu lembras-te do Joaquim Menino que falava pouco e andava sempre grosso.
Pois é Jack, os que bebem menos e falam de mais é que são os pseudo campeões.


Braciais que marcou a minha juventude. Continuemos a falar dele.

João Brito Sousa

CRÓNICAS AO PEQUENO ALMOÇO

(miguel torga)

CRÓNICAS AO PEQUENO ALMOÇO
Com Miguel Torga, em Rio de Onor; 1946.11.27


Ao cabo de oito dias de permanência num mundo destes, com sua língua própria, seus costumes e suas leis, nada escrevi sobre ele, nem sinto que venha a escrever grande coisa. Qualquer jornalista apressado, sem as sete horas de caminho que eu fiz sobre um macho para aqui chegar, faria melhor do que eu.


Instalado num hotel de Bragança, com três informações e duas anedotas, teria assunto para uma reportagem sensacional. Eu, íntimo e mudo, vejo a paisagem e as coisas, e fecho-me, como um fotógrafo que não tivesse papel para imprimir os negativos. A significação desta terra parece-me mais telúrica do que folclórica. Mais para meditar do que para descrever. Ao pé da seriedade e da convicção com que tudo se passa na alma desta gente....

Ora viver no convívio destes semelhantes é mais uma lição de disciplina humana e de civismo que se aprende, do que uma revelação de pitoresco e de exótico. Morar alguns dias dentro de uma aldeia que não intriga, que não rouba, que tem do vizinho um conceito fraterno, e que não se embebeda porque é sábado mas por uma razão sagrada de celebração equinocial, é ficar ligado a uma dívida que não se paga nos jornais mas sim na ara da consciência.


E em Coimbra, aos 7 de abril de 1949


EXAME DE CONSCIÊNCIA


Por tudo passa o artista
Primeiro, pela alegria
De se julgar criador
No seio da natureza;
Depois, por esta tristeza
De ver morrer o que fez,
Sem ter nas mãos a certeza
De erguer o sonho outra vez.

Miguel Torga, indiscutivelmente um grande artista..


Recolha de

João Brito Sousa

LITERATURA


A VIDA DE ONTEM E DE HOJE
Por Raul Brandão, em “O PADRE”


A época é de tragédia.


O que domina é oiro. Só existe um deus- O Gozo. Inteiro descalabro nas consciências. Eu que quero? Tu que queres?Gozar. Visto que depois da morte só o nada existe e a terra tudotraga - um buraco e alguns punhados de desprezível cisco - o mundodivide-se logicamente em dois largos campos; nos que, cépticos, sempreconceitos, frios como lâminas, secos como pedras, conquistam,mandam e dominam, com o código por consciência e a que tudo na terraé permitido - calar, mentir, triunfar enfim - contanto que se fiquedentro dos limites duma coisa honrosa a que por convenção se chama ahonra, isto é fora da cadeia; e nos pobres, explorados e simplesignorantes, crendo numa vida eterna, que lhes pague a dor de virem aomundo só para chorar, fartos de misérias e gritos, fartos de fome edesilusão, caminhando como um rebanho, gasto e suado, por este vale delágrimas e de quem os outros se riem às escancaras.Ainda um dia destes, no parlamento, um ex ministro, o sr. Arroyodividia os homens nos que nascem para mandar e nos que nascem paraobedecer - em cavaleiros e cavalos.

Eis o quadro a traços largos.

A matéria bruta impera. Predomina a força entre as nações e entre oshomens. A própria guerra encobre isto - a agiotagem. O sangue ensopa aterra. Por heroísmo? Não, para deitar pazadas de oiro aos bancosesfaimados. A luta pela vida é tão feroz que o homem não tem tempopara pensar em Deus. Sob o seu fardo, `a conquista dum punhado deoiro, desesperado e tenaz, não ergue a cabeça para o céu nem estendea mão para o homem. È só.

Deus, presente a todos os que o amam, afasta-se deste ser egoísta,caduco, envilecido, coração de pedra e cérebro afiado como o gume deuma espada.De forma que o homem vive sozinho. O que o obriga a ser justo egrande? A educação? O exemplo? A educação ensina-lhe a guerra; pedaçosde ciência fazem-no balofo e seco; e o exemplo mostra-lhe o triunfodos habilidosos dos que se curvam e transigem, sabendo ameaçar ourecuar conforme ocasião. A pobreza parece-lhe a desonra, porque vê sempre o pobre desprezado e calcado; o amor uma irrisão e procura um casamento rico; o sacrifíciouma tolice. Só teme a valer a cadeia e a pobreza.


Depois a luta pela vida é aspérrima.

João Brito Sousa

CRÓNICAS DA 1ª REPÚBLICA

(parlamento)


A NOITE SANGRENTA

Na noite de 19 de Outubro de 1921, uma tragédia maculou e envergonhou a memória política da primeira República. Um bando de revolucionários, que pareciam obedecer às ordens de um cabo marinheiro, foi buscar a sua casa o ex-presidente do Ministério de António Granjo (que desagradara muito à Armada por não atender à exigência dos prés da marinhagem), o comandante Machado dos Santos, o comandante Carlos da Maia vedeta naval em 5 de Outubro, o comandante Freitas da Silva chefe do Gabinete do Ministro da Marinha que vedara o acesso dos marinheiros ao ministro e o coronel Botelho de Vasconcelos tido como partidário de Sidónio, sendo que todos foram conduzidos ao arsenal e aí assassinados.

O golpe é promovido por radicais e dissidentes do partido democrático.

O parlamento foi dissolvido e as novas eleições foram marcadas para Dezembro, mas, por evidente escassez dos prazos, foram transferidas para 8 de Janeiro e logo depois para 29, resultando daqui que o único governo viável era com o partido democrático, tendo o Presidente da República, António José de Almeida (1919/1923) nomeado o engenheiro António Maria da Silva, chefe do partido de formar um governo, que se conservaria, até Novembro de 1923.

Entretanto o clima de mal-estar social continuava.. A desvalorização do escudo acentuou-se nos anos que se seguiram `a guerra. Nos círculos operários os salários não acompanhavam a alta do custo de vida e as greves eram frequentes; os investigadores afirmam ter-se registado 21 greves em 1919, 39 em 1920, 10 em 1921, 21 em 1923 e 25 em 1921.

O 19 de Outubro de 1921 foi o fim da 1ª República. Formalmente ela continuou até 28 de Maio de 1926. Pelo meio, alguns episódios grotescos de um regime em degenerescência: as governações de António Maria da Silva, o carbonário tornado o chefe todo poderoso do PRP e dos respectivos caciques, directas ou por interpostos testas de ferro; a eleição de Teixeira Gomes para a Presidência da República, uma manobra de Afonso Costa para tentar regressar ao poder; a renúncia de Teixeira Gomes quando percebeu que nem conseguia o regresso de Afonso Costa, nem passaria de um títere nas mão do odiado chefe do PRP: renunciou e abandonou o país no primeiro barco que zarpou da barra de Lisboa com destino ao estrangeiro.


João Brito Sousa

terça-feira, 6 de novembro de 2007

CRÓNICA DAS 23 e TRINTA



APETECE-ME


Não é pelo facto de o Benfica ter perdido com o Celtic.. mas a verdade é que me apetece escrever.

Como diz RAUL BRANDÃO em “A MORTE DO PALHAÇO”:

“A cada passo se formam por aí grupos literários. Há-os em todas as gerações. Os rapazes sentiram sempre necessidade de comunicar e juntam-se conforme o acaso, as afinidades ou as aspirações.

É um momento delicioso que nos deixa para sempre um nada de poeira no fundo da alma – algum pó dourado que teima em reluzir até ao fim da vida.. Já o passado fica muito longe, já as figuras de apagadas mal se distinguem e ainda a poeira de sonho teima lá no fundo... É que essas horas são como a primeira flor das árvores: não há nada que as pague. Por melhores e mais conscientes amizades que mais tarde se adquiram, nenhuma chega à dos vinte anos, quando o homem não tem interesses a defender e os sentimento estão em pleno viço. Não há um de nós que saiba ainda o que vale a existência e todos de mãos dadas a olhamos com sofreguidão e candura

É o começo delicioso duma aventura. Estamos juntos e unidos como irmãos e já sentimos o travor da separação: só mais um passo e cada um parte para o seu lado, sem às vezes se tornar a ver.

Valia a pena determo-nos para olhar a vida, tingida de névoa azul como certas paisagens que só são belas de longe- a vida como nunca mais nos será dado vê-la – mas quem é que nessa idade se detém?"

JOÃO BRITO SOUSA

EM FARO COM O ROSENDO


IDA A FARO AOS DOMINGOS



Aos domingos eu ia com o meu amigo Rosendo lá do Patacão ao cinema da Rua de Santo António. O Rosendo e eu gostávamos de cowboiadas e de filmes bíblicos, tipo Sanção e Dalila com o Victor Mature e a Gina Lollobrigida. O nosso programam era : deixávamos as bicicletas a pedal em frente ao restaurante “A NORTENHA” e íamos tomar café ao Café Cabrita, ali ao lado da Tabacaria Dinarte.


Passávamos a Farmácia que ficava à esquina do largo, depois havia uma rua estreita que ia dar ao Dias dos caixões, rua onde os montanheiros deixavam também as bicicletas em que se faziam transportar e depois, passávamos ao lado da barbearia Teodoro, seguia-se a loja Tabú, cujo proprietário era um senhor de baixa estatura mas muito forte e depois vinha o café Cabrita onde tomávamos a bica.

O café Cabrita era frequentado pela malta do campo. Da cidade, quem lá ia muito eram os taxista, o Aurélio, o João Coelho, o Ildefonso Rodrigues, o Napoleão, o Caracol entre outros. Falava-se do Farense, que nesse tempo militava na segunda divisão da zona sul. Recorde-se que nos tempos em que foi treinado pelo Artur Quaresma, o Farense ainda fez dois ou três anos seguidos o primeiro lugar da zona. Creio que alinhava com Isaurindo, Reina, Ventura, Zé Maria e Celestino. Francelino e Bentinho. Brito, Balela, Campos, Rialito e Queimado. Foi nessa altura que se começou a falar num grande jogador júnior do Sporting, que começava a fazer furor, o angolano Jorge Mendonça, uma fera na área.

Lá íamos ao cinema no regresso íamos jogar “minhar”, como dizia o meu amigo que queria dizer bilhar, ao salão olímpico na Rua dos Cavalos, onde ficava a Husqwarna, uma marca de máquinas de costura e ficava também a Tipografia de um jornal e a loja onde trabalhava o Xico Pires, um sportinguista inveterado que sabia tudo de bola e ninguém lhe dava a volta. Ao fundo dessa rua, que ia desembocar na rua de Santo António, em frente ao Banco Totta estava aí um engraxador de sapatos que fazia bom dinheiro aos domingos. Creio que se pagava três escudos por cada engraxadela aos sapatos nos finais dos anos cinquenta.

O salão de bilhares Olímpico estava sempre cheio de clientela a jogar. O espaço tinha bilhares pequenos, uns sete ou oito, uma ou duas mesas de snooker e uma mesa de bilhar às três tabelas e havia ainda espaço para se jogar o dominó, onde estava lá sempre caído o lutador campeão, José Luís. Jogava-se muito e bem bilhar nesse tempo em Faro. O melhor jogador de todos era o Máximo, que era lá empregado. Era um rapaz alto, de bigode mas magro e parece que andava um pouco adoentado nesse tempo. Mas tinha um jeito para segurar as bolas ao canto, que dava ali uma série de carambolas sem descolar, podendo fazer mais de cem.

Depois de jogarmos a nossa partidinha às cinquenta, umas vezes ganhava eu outras ganhava ele, regressávamos ao Patacão, a nossa santa terrinha ...


João Brito Sousa

POESIA

(vista da casa da maria emília)

Porto, 2007.11.06



NÃO TIVE UMA VIDA FALHADA


Tracei um rumo e percorri esse caminho!...
Foi assim que quis fazer e não mais nada...
Ultrapassei todos os obstáculos sozinho...
Mas penso que foi uma vida equilibrada!....

Não me arrependo de nada ... nem adianta!..
O que vale é a honra ... e essa indomável
Vontade de viver com liberdade tanta...
Que nos torne a vida numa coisa adorável!...

Chego ao fim e trago na boca um sorriso
Que quero me acompanhe até ao dia do juízo...
É o que me interessa na última caminhada...

A vida.. está feita .. e por agora é tudo!...
De resto nem vejo, nem ouço e até sou mudo
E apesar de tudo não tive uma vida falhada





João Brito Sousa

BRACIAIS A MINHA TERRA

(eu no sítio d aTôr)


BRACIAIS; A FAMÍLIA DOS SERENHOS.


A família dos Serrenhos é uma das famílias mais importantes dos Braciais.

Depois há a família do meu avô José Apolo e os seus nove filhos, entre os quais a minha mãe e a família dos Carregas, o Ti Carrega e a D.Felicidade, que são os pais do Joaquim e da Felisbela, mãe da Natércia, professora, falecida recentemente, qe foi casada com o prof. Francisco Zambujal O Joaquim que está na Austrália, é casado com a Maria Teresa e pai do Paulo Jorge.

Mas penso que os Serrenhos eram os maiores, mesmo tendo em conta a família dos Britos, Bárbara Brito dos Braciais casada com e Sebastião Rodrigues das Pontes de Marchil, com três filhos: Dr. Carlos Alberto Rodrigues, Engº José Manuel Rodrigues e Engº António José Rodrigues.

Oportunamente falaremos deles.

O António Serrenho morava nas traseiras da casa do meu avô. Não conheci a esposa dele, ou seja, a mãe do Tótoi e do Rui. O que conheci foi a presença lá em casa da D. Arminda, de quem o António teve uma filha de nome Ludovina.

Os Serrenhos eram três: o Manuel, o mais velho, o António e o Bento. Este casou com uma prima minha, a Carminha Brito. Parece que foi ele e o Manuel que estiveram em Angola onde fizeram fortuna.. Todos eles tinham grande jeito para o comércio. O Bento começou na venda do Zé Manelinho, antes deste e tinha como empregado o Luís Gatinhas, que era parente não sei como e casado com a Violante filha do Inácio Moreno. Lembro-me de lá ir comprar coisas para a escola, como pedras de ardósia para fazer as contas e um lápis..

O Bento e não sei se o Manuel também, tinha uma grande empresa de estradas em ANGOLA, onde trabalhou o Américo do Vale aí do Patacão. Disseram-me que reside agora em Beja.

(continua)

João Brito Sousa

CRÓNICAS DA 1ª REPÚBLICA

(parlamento)
A CONSTITUIÇÃO DE 1911


Os termos da Constituição de 1911 foram a causa do fracasso de um regime que, para o sector mas cultivado e dinâmico da sociedade nacional, representou em certo momento o clarear de uma nova época histórica.

O Governo provisório não apresentou qualquer projecto de constituição. Teófilo Braga mandou um projecto muito teórico, que foi imediatamente posto de parte pela desconfiança que o velho professor já inspirava, a falar da “República Positivista” e a dar conselhos ao papa. Muitas outras propostas de Constituição tinham sido enviadas: as do velho republicano José Barbosa, a de Machado dos Santos, que queria apresentar-se como pai da República, a de Santos Costa, que era um texto inteligente, mas cujo autor não conseguira que Afonso Costa o incluísse na lista dos deputados.

Na falta de um projecto governamental foi escolhida uma comissão d e republicanos com longa careira dentro do partido (João de Menezes, José Barbosa, José de Castro, Correia de Lemos, Magalhães Lima) para que compusessem um projecto.. Os nomes foram escrutinados em 21 de Junho e doze dias depois o texto estava pronto

O primeiro dever do governo é governar, assim o entendia o projecto Magalhães Lima.. Mas os deputados tinha uma visão diferente: - o povo elege directamente não só os presidentes mas os deputados. O verdadeiro poder de governar pertence, pois aos deputados. O Governo tem efectivamente uma função executiva: dá as ordens necessárias para que a vontade nacional, enunciada pelo parlamento seja cumprida nos concelhos e paróquias.

Esta constituição, por um lado enaltece a posição do chefe do Estado, por outro confere o Poder de governar ao Parlamento e não permite ao presidente das república dissolver o Parlamento.

Assim, temos

SECÇÃO 2- PODER EXECUTIVO

O poder executivo é exercido pelo Presidente da República e pelos Ministros.

O Presidente da República representa a Nação nas relações gerais do Estado, tanto internas como externas

DA ELEIÇÃO DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA

A eleição do presidente da República realizar-se-à em sessão especial do Congresso, reunido por direito próprio, no 60º dia anterior ao termo de cada período presidencial.
.
João Brito Sousa

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

POESIA

(palácio de mateus da silveira)


O QUE NÓS QUEREMOS


É SAÚDE!.. Em primeiro lugar saúde...
Inteligência e vontade de trabalhar.
Sempre, para o que no título se alude
Seja digno e não nos faça envergonhar...

Trabalho para todos é o que se pretende
Mas honrado... de outra maneira não!...
Um operário que se preza não se vende
Só estará disponível no campo da razão.

Patrões.... que saibam ser simultaneamente
Operários... essa forma superior de ser gente
É que deveríamos ter na obra e não temos...

O que existe.. é essa coisa horrível e triste
Que são os ditadores de punho em riste
Que não deveria haver é o que queremos.

João Brito Sousa

CRÓNICA DAS ONZE E MEIA

(casa da prima Maria Emília)


O QUE NÓS QUEREMOS

Para o meu amigo Francisco Paulo Afonso Viegas.
O QUICAS do 1º ano 1ª turma.
que ficava sentado à minha frente,
na sala de aula, fila do
meio e tinha como parceiro
o Manuel Geraldes de Tavira.


Lembrei-me hoje do QUICA, um extraordinário aluno e um grande amigo que vejo muito poucas vezes. Esta crónica é para ele.


Eu penso que o que nós, população do mundo, em gral queremos, é estar bem ou sentirmo-nos bem.

De RAUL BRANDÃO , em "OS OPERÁRIOS" retiro este naco de prosa:

“ Milhões de seres humanos trabalham oito, dez ou doze horas diárias, em odiosas condições e troca de salário insuficiente.

Milhões de velhos, que durante uns vinte e cinco, trinta e quarenta anos, laboriosamente têm formado a riqueza pública e edificado fortunas particulares, estendem as mãos calosas e descarnadas aos transeuntes ou solicitam a sua entrada para os asilos.

Milhões de crianças, encantadoras e inocentes, precisam de alimento e da cultura indispensáveis...

Milhões de mulheres belas, feitas para provocar e gozar o amor, procuram no tráfico vergonhoso da sua carne o pão que lhes é necessário.

Milhões de seres vigorosos e belos em vão procuram trabalho, e, sem o encontrar morrem na miséria.

Milhões de jovens são arrastados aos campos, `a oficina, `a família, aos seus amores, na provisão de matanças incompreensíveis e criminosas.

Milhões de desgraçados, a quem a miséria, a ignorância e a opressão forçam fatalmente a infrigir a lei feita contra eles, gemem nos cárceres e nos presídios.

«Toda a pessoa inteligente e de coração deve querer que isto termine»..

Eu quero ...

João Brito Sousa

CRÓNICAS DOS BRACIAIS

(vivenda na av. de frança no porto)


Verão de 1957.
para o meu amigo Zé da COVA

Tinha quinze anos. As aulas tinham acabado e andava por ali. Um dia, indo de casa para as terras da Silva, pelo interior, encontrei o Ti Manuel Simão, o Pai do Domingos, do Zé Simão e do Manel Simão, sentado na encosta de uma aberta. Ao chegar junto dele, disse-lhe:- Olá Ti Manel, então como vai isso?... E ele respondeu, prá qui vamos indo, eu já sei que muito tempo não posso durar.

Aquilo fez-me uma grande confusão. Aquela do muito tempo não posso durar...foi o diabo porque não estava à espera...

Hoje parece que já não me faz assim tanta confusão. Estamos perante a lei da vida e as coisas são assim mesmo; um dia acabam. O escritor Lobo Antunes já explicou isso; quando chega ao fim tudo é mais fácil.

O Ti Manel Simão do Monte Xerife – residência de uma pequena colónia de trabalhadores empregados nas hortas do Afonso e do Ti Aníbal Joana - era também avô do Adelino Simão, da Zélia que casou com o Zé Pinto Coelho de Santa Bárbara de Nexe e da Rosário. Tudo boa gente.

O Domingos foi grande trabalhador nas hortas e no trabalho das noras, com o sarilho. Era o trabalho de desassorear as noras, ia um operário lá para o fundo da nora e dois homens ficavam cá em cima, rodando a manivela do sarilho, fazendo sair do fundo da nora o balde grande carregado de areia, que era enchido por outro operário que passava o dia inteiro lá dentro, todo molhado com a água que saía dos alcatruzes.

Na primeira casa do Monte Xerife morava o Ti Luís Alcantarilha, a mulher, a Ti Helena, mais os filhos o Luís Alcantarilha Filho e a Lurdes, casada com o Eduardo que vivem agora em FRANÇA.

Morava lá também o Joaquim Lobacota e o Zé, pai do Marinho e do Dionísio, da Custódia, da Suzete e da Otília, estes últimos que trabalhavam no Ti Aníbal Joana..

A especialidade do Zé Lobacota era armar terra para cenouras. Tem de se ser artista para se efectuar tal trabalho. A eira tem de ficar um pouco a subir para quando for da rega a água não arrastar as sementes.

Grandes artistas nos Braciais.

Para plantar as laranjeiras, o melhor era o Adriano que aprendeu com um e com outro como ele dizia.

João Brito Sousa

CRÓNICAS DA 1ª REPUBLICA

(parlamento)
ACONTECIMENTOS DE 1911



6 de Janeiro – Assalto às redacções dos jornais monárquicos

7 de Janeiro - Primeira greve geral ferroviária.

10 de Janeiro – É decretado o descanso semanal obrigatório, ao domingo.

18 de Fevereiro – Instituição do registo civil obrigatório.

23 de Fevereiro – Os bispos tomam uma posição contra a suspensão do juramento religioso, a expulsão das congregações, a lei do divórcio, entre outras medidas anticlericais.

11 de Março – São criadas as bases da regulamentação do crédito agrícola.

18 de Março - Decreto que cria um Arquivo Nacional (Torre de Tombo), inspecção das Bibliotecas Eruditas e Arquivos.

20 de Abril – Lei da separação entre o Estado e a Igreja.

3 de Maio - Instituição de um corpo nacional de tropas, designado Guarda Nacional Republicana e são extintas as de Lisboa e Porto.

22 de Maio de 1911 – O escudo é instituído como moeda oficial, em substituição do real.

25 de Maio - Através da nova Lei de Assistência, a República leva a cabo um dos propósitos a que se comprometeu, a reforma dos serviços de assistência pública.

28 de Maio – Eleições legislativas

19 de Junho – Nesta data realiza-se a primeira reunião da Assembleia Constituinte, que aprova a bandeira e proclama “A Portuguesa” como hino nacional.

21 de Agosto – Promulgação da Constituição, que adopta o princípio da separação e independência dos poderes legislativos, executivo e judicial. Entra em vigor a 25 de Agosto, no mesmo dia em que é eleito o senado.

24 de Agosto – Manuel de Arriaga é eleito pelo Colégio Eleitoral o primeiro Presidente da República, obtendo 121 votos, contra 86 do seu adversário mais directo, Bernardino Macho


31 de Setembro - João Chagas toma posse como chefe do primeiro Governo Constitucional que se mantém em funções até 12 de Novembro desse ano, quando se inicia o mandato de Augusto de Vasconcelos. Duarte Leite preside ao terceiro governo, de 16 de Junho de 1912 até 9 de Janeiro de 1913, tomando posse de seguida Afonso Costa, que ocuparia o lugar até 1 de Fevereiro de 1914. Após essa data Bernardino Machado assume dois mandatos sucessivos.


(continua)


João Brito Sousa


domingo, 4 de novembro de 2007

CRÓNICA DE DOMINGO (4/11)

(sítio da areia)
Esta crónica, é dedicada ao António Viegas do sítio da Areia, um trabalhador incansável e vencedor e sobretudo um homem de grandes qualidades humanas.

Seja rico ou seja pobre
Ao Viegas isso não interessa
A sua alma grande e nobre
É na honradez que começa.

Homem amigo do seu amigo
Que não atira a toalha ao chão
Para ti e para quem está contigo
Aí vai um abraço de irmão.

Brito de Sousa

CRÓNICA PROPRIAMENTE DITA

Faz hoje 35 anos que nasceu o futebolista Luís Figo.

Todos os dias morrem pessoas, milhares, talvez milhões de pessoas e todos os dias nascem milhares, talvez milhões de pessoas. Não se percebe muito bem porque é que as pessoas nascem atendendo à falta de recursos disponíveis. Estou convencido que ninguém pensou nisso a sério, e era uma questão que exige que se devesse pensar.. Mas porque é que se nasce?.. Depois do nascimento qual é o apoio que dispomos, podemos contar com o quê?....

Do ponto de vista de companhia em favor dos Pais, pelo que se vê, os filhos desligam-se da situação, transferindo-os da sua residência para um Lar de idosos a troco do pagamento de uma verba em dinheiro.

Depois fazem, o especial favor de ir visitar os Pais ao domingo

Por aqui, os filhos não seriam de todo necessário.. Nos tempos que correm, a vida não está muito facilitada para os filhos, por uma simples razão; não há trabalho.. e o que existe não dá garantia de segurança. E é como se não existisse.

.A humanidade não é solidária, não ajuda e escorraça. O ensino, aparentemente, é um negócio e não está direccionado para preparar técnicos, mas para encher os bolsos de alguns. Preocupo-me com isso. Sinto-me mal porque somos tão sacanas uns para os outros.

Apetecia-me desistir de pensar nesta e noutras coisas. Num certo sentido é o que faço, alheio-me destas merdas todas e depois venho para a praça pública e digo: “sou feliz..” .No fundo acabo por ser um sacana igual aos outros. E viro-me para a poesia; só ela me pode ajudar.

Aí vai TORGA

HOROSCÓPIO

Conjugaram-se mal os astros da fortuna,
O nome rico da fatalidade.
E com eles desavindos
Na consciência,
Quem pode ser feliz?
Quem vai alegre e chega o fim sereno?
Tolhido de antemão,
O coração
Em todos os tamanhos é pequeno.
Ditosos
Os que não sabem
De harmonias celestes
Reflectidas na terra.
Que nascem como os dias,
E, como eles, decorrem
Naturalmente.
E que à tardinha morrem
Sem negruras de angústia no poente.



Um domingo feliz para todos, são os votos do

João Brito Sousa

sábado, 3 de novembro de 2007

AS CINCO PALAVRAS DE EDUARDO GRAÇA

(Eduardo Graça, Dr.)
Ei-las:

“Cinco palavras apenas: paz, prosperidade, solidariedade, inclusão e decência para escrever, finalmente, a frase que queria escrever: como hão-de os cidadãos, conformados à descrença nas suas próprias virtudes, ajudar à riqueza da nação? ”...

O texto do Eduardo Graça publicado, hoje, no “Semanário Económico”,donde retirei o último parágrafo, tem igualmente os meus cinco aplausos.

APLAUSO UM: Falar de paz (e desejá-la) é uma atitude que apenas pode estar na mente de um homem de carácter. Esta manifestação de vontade é uma atitude solidária. PARABÉNS AMIGO


APLAUSO DOIS: Prosperidade é necessária para todos. John Rawls já explicou isso na Teoria da Justiça. Parabéns ao Ed por vir agora recordar que é necessária a sua aplicação.

APLAUSO TRÊS: Solidariedade.. já tratado no aplauso um.


APLAUSO QUATRO: Inclusão (social). Está tudo na Teoria de Rawls. É vergonhoso o resultado das correntes migratórias de pessoas que continuam a procurar trabalho noutras paragens. Trabalhar é um direito do cidadão; compete aos governos criá-lo. Governo que não faça isso não é digno; TRAÍU. Mais uma vez PARABÉNS ao Ed, por trazer a palavra para o grande palco da discussão pública.

APLAUSO QUINTO: Decência. Só com os aplausos acima cumpridos se conseguem obter os padrões morais e éticos desejáveis numa sociedade onde a honra impere.


João Brito Sousa

BOM FIM DE SEMANA

(tormes)
PORTO, 2007.11.03


BOM FIM DE SEMANA


Para os meus filhos em ALMADA XAXÁ E PEDRO Para a minha nora e para a minha neta MARIANA

Para os meus irmãos em NEWARK, USA

Aló Solange, katy and Jack David, Daniela, Michele e respectivos....

Aló PAUL SPATZ e filhas

Aló primos e primas na Austrália e Perpingham em França em NEWARK, aló Tony and Quitéria Ilheu aló SIlvina no Canadá

Para a Celina e para o Aníbal, para o Zé ALEIXO Salvador esposa, Honorato Viegas e esposa, Peixinho e esposa em ALMADA,

Para toda a malta do 1º 4ª de 52 em especial para o Coelho Proença, Zé Maganão e Ludgero Gema,

Para o Gregório LONGO no Lar da Guia (até à primeira)

Para o Dr. Eduardo Graça e o seu ABSORTO

Para o Engº SOUSA DUARTE, esposa e filho

Para o amigo Carlos BARRIGA E ESPOSA e Filha nas FERREIRAS.

Para o Luís José Isidoro em ESTOI, amigo inesquecível

Para o Engº Neto e esposa em ESTOI ainda.

Para o Engº Manuel Carvalho e esposa

Para os meus compadres, Dr. Manuel Rodrigues e Drª Fátima Rodrigues e filha, a Drª Ana Luísa Rodrigues.

Para o grande e talentoso poeta que é Roberto Afonso

Para o enorme MÁRIO MONTEIRO que agora mora em CAMPO

e para o Guilherme, Marta esposo e filho,

Para o CARLINHOS LOURO, esposa e filhos e irmãos e respectivos, meu primo e velho amigo.

aló Custódio Clemente e Zé Mendes na AUSTRÁLIA,

Zé Lúcio, Florentino, Rosendo e Joaquim Carrega...

Victor e Célia Custódio e Leonilde Filhos e filhas.

Aló Montenegro SÃO E FILHAS ,

Tia Amélia.

Tias Alzira e Ti Manel

Eusébio e Júlia Lucília e Armando e Filhos

Silvina e Luís Alcantarilha e filhos

Mercedes e Alviro, BICAMA e BIZÉ E RESPECTIVOS

Maria do Carmo e Zé Maria e filhos (meu afilhado João Manuel) e noras netos

FLORIVAL EM França, esposa e filhas Para o CUSTOIDINHO, o filho do APOLINARIO, que diz que é teu amigo e com quem tive uma pega no restaurante o Jorge, no PATACAO.

Para: VIEGAS, DIOGO, PLÍNIO, ARNALDO SIVA, ZÉ GRAÇA, DIOGO TARRETA, REINALDO E SOLEDADE ...ainda há mais?... para todos

Aló ESTORIL Mário Fitas, Aló Porto Carlinhos Pereira, Adelino Oliveira em AZEITÃO. Romualdo Cavaco, Jorge Valente dos Santos e Zé Pinto Faria em Portimão. ADOLFO PINTO CONTREIRAS NOS GORJÕES E SOARES em TAVIRA. Feliciano Soares e Xico LEAL em Olhão e Zé Júlio na ilha da Culatra. Para a malta da Escola Comercial e Industrial de FARO, grandes amigos e colegas,

ROGÉRIO COELHO, LUÍS CUNHA, JORGE CACHAÇO E FRANKLIM MARQUES.

Para o JORGE CUSTÓDIO, o JORINHO que andou comigo na escola primária em Mar e Guerra, irmão da Fernanda e que agora mora em Faro e para o GABRIEL ferreiro na Falfosa.

CUSTÓDIO JUSTINO no Patacão e João ALCARIA em Mata LOBOS, distintos bancários.

Para as minhas primas Maria Emília na Falfosa, filhos e respectivas, Margarida em Santa Barbara de Nexe, Maria em Faro e Glorinha em Tavira.

Para o primos ROBERT em Nice, JOÃO no Patacão.

Para os tios Zé Bárbara e Vitalina em Vila Moura e tio António no Canadá..


UM BOM FIM DE SEMANA PARA TODA A GENTE

João Brito Sousa

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

CRÓNICA DAS SETE DA MANHÃ.


PARA A MINHA MÃE.


A cidade começa a iniciar-se no seu trabalho diário e o ruído do trânsito começa a surgir. Nada parecido com o meu BRACIAIS onde eu nasci, e onde eu ajudava a minha Mãe nos trabalhos do campo. Mãe que já não tenho mas que quero recordar hoje aqui.Com muita saudade.

Tenho uma fotografia tua, num quadro grande, por cima da minha secretária de trabalho. Nunca pensei que gostasse tanto de ti. És imprescindível na minha vida. Nos momentos de aperto é a ti que me dirijo. E tenho tantas saudades de ti Mãe. Até a própria palavra mãe contem em si mesmo esse timbre de saudade.

Foste o meu guia. E eu fui tão mau para ti, Mãe.

Agora que estou quase no fim da minha estadia, vêem-me à memória recordações da infância e vejo-te a acariciar-me os caracóis na cabeça e a dizer-me, João, são horas meu filho, levanta-te para ires para escola. E na ternura do teu olhar querias-me dizer tudo, incluindo do perigo que é nascer.

E com a tua benção sempre concedida, mesmo quando eu me levantava de mau humor, preparavas-me para a vida. E dizias-me, vai meu filho enquanto eu desaprecia na primeira curva da estrada.

Mas tu estavas sempre a ver-me, Mãe. Nesse tempo, ah... como eu gosto de dizer nesse tempo, porque era um tempo em que as Mães gostavam de gostar dos filhos. E tomava-mos do vosso peito o leite que nos ajudaria a crescer e mais tarde a viver. Enquanto estamos com a nossa Mãe temos sempre um colega que é ela, temos sempre um companheiro que é ela, temos sempre um amigo que é ela.

É ela que nos ajuda a crescer ensinando-nos a ver os perigos da vida. Dessa vida que vamos encarar quando as Mães já não estão connosco. Mas de quem nos havemos de recordar sempre.

Um enorme beijo para ti, Mãe.

João Brito Sousa.

POESIA

(josé fontinhas)


Porto, 2007.11.02

Para o meu amigo ROBERTO, que é um poeta de corpo inteiro e com





ALMA

Muita alma possuis ó amigo... que talento!...
E que sensibilidade enorme trouxeste contigo...
Agradece a Deus por ter sido certo o momento
Em que decidiram trazer-te para cá ... ó Amigo...

As tuas cores são das mais finas e nobres!...
Sim Amigo... a cor... esse argumento de beleza
Que te eleva alto e deixa os outros mais pobres
E faz de ti um grande Homem e poeta de certeza.

Só um atrevido... um louco... ou um demente...
Poderá pôr em causa a grandiosidade da tua mente
Se te disser que tu não és tu. Aí ...nada te acalma...

Nada.... porque tu tens tudo... eles não têm nada....
E lá diz o fado... não vale a pena servir de escada
Para qualquer asno subir... quando não tem alma!..


aí vai um grande abraço.

João Brito Sousa

BRACIAIS E OS TRABALHOS NAS HORTAS

(alentejo)

AS HORTAS NOS BRACIAIS

Esta crónica é para todos os que me visitam, mas vai, especialmente, para o meu tio LUÍS BERNARDO ( ALCANTARILHA) casado com a minha tia Silvina, a residir em Perpinghan, FRANÇA, uma homenagem ao trabalhador de enxada, que na minha opinião, foi o mais habilidoso de todos, que passou pelas hortas dos Braciais.

Dizia-me o Xico, o marido da Felisbela e genro do Zé Conquilha, cunhado do Eduardinho e do Aníbal do Banco do Algarve que, a base disto tudo é a agricultura, mas estes governantes não sabem nada desta coisa.

Mestre Xico trabalhava lá na horta da minha mãe e era ele que preparava os alfobres (viveiros) para as couves e alfaces. Era um bocado de terreno, um quadrado que tinha ficado um mês ou dois em pousio e agora era tempo de o preparar para a sementeira.

Primeiramente espalhava-se o estrume pela terra a fora e depois a terra era cavada de preferência com um alvião, uma ferramenta do campo composta por um cabo de metro e dez de comprimento e uma lâmina rasgada no meio, mais parecendo uma lâmina de dois bicos, contendo na parte de trás um “olho” como se diz lá pelas hortas, onde ia entrar o cabo, que será depois ajustado, com o auxílio de umas cunhas de madeira ou de ferro, cujo objectivo é fixar bem o cabo à lâmina.

Dava gosto ver Mestre Xico pegar no alvião. A mão direita pegava no cabo à frente da mão esquerda, a perna esquerda à frente da perna direita e num golpe de força, Mestre Xico fazia o alvião ir atrás das costas e depois era levado com força em direcção à terra, entrando nela com suavidade e profundidade suficientes. Acto contínuo, agora com o cotovelo do braço esquerdo apoiado na zona da coxa, Mestre Xico trazia a terra para onde tinha os pés, se houvesse torrões desfazia-os com o olho da ferramenta, alisava a terra e continuava.

Magnífico.... só Mestre Xico.
.
Toda a terra é cavada e depois é armada para a sementeira..

Primeiro, vai-se buscar as sementes das alfaces e das couves á do mestre Serafim, o barbeiro do Patacão e pai do Artur, do Custódio, da Laura, da Fernanda e da Lurdes, a que casou com o Manuel Piedade que era contínuo na Universidade das Gambelas.

Depois Mestre Xico, rasgava as carteirinhas lançava as sementes à terra, duma certa forma, porque é preciso saber.

E depois seguia eu com a rega.

O trabalho estava feito.

Outra maneira de trabalhar terra., é com o arado de mula, que o Mestre Zé Simão aparelhava e o Mestre Artur ou o Alcindo afinavam as aivecas.

Vamos falar disso.

È assim nas hortas dos Braciais.

João Brito Sousa

CRÓNICAS DA 1ª REPÚBLICA

(parlamento)
ACONTECIMENTOS de 1911


1 - Leis Republicanas: Descanso semanal; Registo civil; Separação Estado/ Igreja; Criação do Escudo.

2 – 28 de Maio; eleições para a Constituinte

3 - 21 de Agosto; promulgação de nova CONSTITUIÇÃO.

4 - 24 de Agosto: MANUEL DE ARRIAGA Presidente da REPÚBLICA



A MODERNIZAÇÃO FALHADA


A REPUBLICA PROMETE RECUPERAR O ATRASO NACIONAL, MAS HÁ UM ABISMO ENTRE OS PROGRAMAS POLÍTICOS E A REALIDADE..

O novo poder diz querer Portugal tão avançado como a Europa além- Pirinéus, coisa que a Monarquia não teria querido ou sido capaz de fazer. Nos anos 10 não se vive porém qualquer explosão do desenvolvimento nem qualquer surto de progresso que não resulte da natural extensão do que já antes estava em curso..

Não se assiste sequer ao lançamento de um grande projecto de obras públicas (com excepção do fim do decénio do início da construção dos bairros sociais do Arco do Cego e da Ajuda, em Lisboa, mais por imposição do movimento operário do que por planificação governamental)

Liberais e crentes na iniciativa individual, os primeiros responsáveis defendem um Estado pouco interventor, razão porque não há projectos de equipamento público ou leis de segurança social. Depois interpõem-se as guerrilhas partidárias. E por fim surge a guerra. Não há pois tempo para pensar o desenvolvimento, entregue à acção espontânea da sociedade..

Para que se possa formar um corpo da aviação militar, por exemplo, os primeiros aparelhos são patrioticamente doados por jornais. O Século oferece um avião e o Comércio do Porto outro, com o qual se realiza em 1912 o primeiro voo na cidade nortenha. O directório do Partido Republicano Português contribui também com uma maquina voadora para a esquadrilha nacional..

No domínio dos transportes terrestres, a construção de novas vias férreas não atinge metade do que se fez na primeira década do século ( 331 quilómetros contra 702). A exploração da rede está na mão de diversas sociedades do Estado. A privada Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses (CP), que explora as vias de maior movimento (como as linhas do Norte, do Oeste, de Sintra e de Cascais), é de longe a empresa ferroviária mais importante do país.

Outro meio de transporte em rápido crescimento é o veículo motorizado. Ao longo destes dez anos, o número de automóveis em circulação nas deficientes estradas portuguesas aumenta seis vezes (surpreendentemente, o Porto é em 1912/13 a cidade europeia com maior índice de automóveis por mil habitantes). É uma actividade a exigir disciplina, publicando-se a sua primeira regulamentação em 1911, um conjunto de regras a que só mais tarde se chamará o Código da Estrada. Uma dessas regras obriga a circular pela esquerda.

João Brito Sousa

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

DIA DE TODOS OS SANTOS


TODOS OS SANTOS

O dia de Todos os Santos celebra-se com o objectivo de suprir quaisquer faltas dos fiéis em recordar os santos nas celebrações das festas ao longo do ano. Esta tradição de recordar os santos está na origem da composição do calendário litúrgico em que constavam inicialmente as datas de aniversário da morte dos cristãos martirizados como testemunho pela sua fé, realizando-se nelas orações, missas orações e vigílias, habitualmente no mesmo local ou nas imediações de onde foram mortos, como acontecia em redor do Coliseu de Roma posteriormente tornou-se habitual erigirem-se igrejas e basílicas dedicadas em sua memória nesses mesmos locais.
O desenvolvimento da celebração conjunta de vários mártires, no mesmo dia e lugar, deve-se ao facto frequente do martírio de grupos inteiros de cristãos e também devido ao intercâmbio e partilha das festividades entre as dioceses por onde tinham passado e se tornaram conhecidos. A partir da perseguição de Diocleciano número de mártires era tão grande que se tornou impossível designar um dia do ano separado para cada um. O primeiro registo (Século IV) de um dia comum para a celebração de todos eles aconteceu em Antióquia, no domingo seguinte ao de Pentecostes, tradição que se mantém nas igrejas orientais.
Com o avançar do tempo, mais homens e mulheres se sucederam como exemplos de santidade e foram com estas honras reconhecidos e divulgados por todo o mundo. Inicialmente apenas mártires (com a inclusão de São João Baptista, depressa se deu grande relevo a cristãos considerados heróicos nas suas virtudes, apesar de não terem sido mortos. O sentido do martírio que os cristãos respeitam alarga-se ao da entrega de toda a vida a Deus e assim a designação "todos os santos" visa celebrar conjuntamente todos os cristãos que se encontram na glória de Deus, tenham ou não sido canonizados (processo regularizado, iniciado no Século V) para o apuramento da heroicidade de vida cristã de alguém aclamado pelo povo e através do qual pode ser chamado universalmente de beato ou santo, e pelo qual se institui um dia e o tipo e lugar para as celebrações.


Texto retirado da net.
Recolha de
João Brito Sousa